Suécia: de campeã da Democracia à sociedade mais vigiada do Ocidente

A Suécia aprovou uma lei que irá permitir a monitorização e intercepção de tráfego de Internet e conversações telefónicas que passem a fronteira deste país nórdico tão famoso pela sua defesa das liberdades cívicas e pela protecção legal que o maior serviço de torrents P2P do mundo, o Piratebay tem gozado aqui… Pelo contrário, este medida, única na Europa e ainda mais abrangente do que o muito polémico “Patriot Act” dos EUA de Bush vai tornar a Suécia num dos países mais ciber-vigiados do mundo e, naturalmente, já espalhou a ira entre os cibernautas e as organizações de direitos civis deste país da Escandinávia.

As escutas telefónicas e de mensagens SMS, assim como a monitorização de tráfego web, mail e VoIP serão conduzidos pelo FRA (“National Defence Radio Establishment“), uma instituição das forças armadas suecas. A lei teve um percurso algo tortuoso, sendo devolvida ao Parlamento depois de terem sido detectadas algumas falhas e inconstitucionalidades, mas finalmente acabou por ser aprovada com uma escassa, mas suficiente, maioria… de deputados incapazes de respeitarem os direitos dos cidadãos, aparentemente. É claro que na Suécia, como na maioria dos países desenvolvidos, a polícia pode sempre escutar comunicações, com o devido mandato judicial, o que esta lei vai alterar é que a partir de agora, todas as comunicações com exterior podem ser escutadas, mesmo sem mandato judicial! E de facto, no que concerna às comunicações de Internet, e como muitas passam por routers nos países vizinhos, isso quer dizer que até muitas mensagens trocadas entre cidadãos suecos serão também escutadas e vigiadas! Caramba! Se uma das democracias mais velhas e consolidadas da Europa cede a esta onda “securitária” que tem vindo a reduzir crescentemente os nossos direitos e garantias, então onde vamos mesmo parar? A 1984 ?

Fonte:
http://tvnz.co.nz/view/page/411419/1858460

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Categories: Informática, Política Internacional, Sociedade | Etiquetas: | 19 comentários

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19 thoughts on “Suécia: de campeã da Democracia à sociedade mais vigiada do Ocidente

  1. Nito

    Ainda tenho o vinil “1984 – Van Halen”…

    Engatar Suecas pela Net está fora de questão… 😀

    Nós por cá temos chip de matricula…
    “cada vez que te mandarem parar já sabes que é para multar”
    Acabaram-se as escapadelas…. “Querida estive no escritório até tarde….”
    Comprar drogas em locais suspeitos, ir aos meninos a Elvas, enfim…

    Será que os transportes públicos vão vingar ??

  2. a solução é… não ter matrícula!
    e pior são os sistemas de GPS instalados nos carros comerciais… um tema a que voltarei brevemente!

  3. Fred

    E também nos GPS instalados nos celulares, uma grande inovação no controle de ir e vir! 🙂

  4. Sá Morais

    Apesar de tudo… prefiro a Suécia a esta bandalheira.

  5. fred:
    é verdade… há muita mulher a ver os logs dos gps dos maridos…
    Sá:
    não sei… por cá ainda não chegámos a este grau de devassa da vida privada! e esse é o pilar fundamental da democracia, certo?

  6. jm

    >Apesar de tudo… prefiro a Suécia a esta bandalheira.

    O típico portuga, fala mal de Portugal mas não sai de cá

  7. Sá Morais

    Jm: Não falo mal de Portugal, falo mal dos ( alguns/muitos ) portugueses e de quem os governa. Acredita que saía se tivesse oportunidade. Estou cada vez mais farto da bandalheira – dos tipicos portugas, de que falas e nos quais não me incluo. Mas que ninguém ponha em causa o meu patriotismo – não se confundam as coisas. E só não fala mal que é cego ou quem anda a encher a barriga à custa da bandalheira.

  8. Nito

    Concordo com o Sá…
    Falo mal, e quero sair !

  9. jm

    falar mal e querer sair tudo bem, mas confundir isso com patriotismo…patriotismo é ficar e lutar para fazer de Portugal um país melhor. não é crime nenhum não ser patriota, mas dizer que se é patriota e só não sair por falta de oportunidade é um contracenso

  10. Sá Morais

    Não, não é… Eu entendo o ponto de vista, mas “esse querer fazer melhor” começa a parecer idealismo, quando quem quer “fazer melhor” é silenciado ou posto de lado.

    Conheço muita gente que teve de sair de Portugal porque este país não lhes deu outra hipótese… São menos patriotas? Nada disso! Eles sabem bem o que é amar um país, mas ser cuspido para fora dele… Talvez esses sejam os verdadeiros patriotas.

    A culpa não é do país, mas sim das gentes… Eu até seria patriota se estivesse em Marte, amigo. Carrego às costas muito patriotismo passado e presente. Mas também sei como funciona este país… Não tenho nenhum tacho, nem bons padrinhos, nem vivo de subsidios… Se pudesse sair para melhorar a minha vida, saía! Mas não seria menos português por isso.

    Quando estou lá fora até sinto mais orgulho em ser português e acredite que não aturo desaforos de estrangeiros altivos com ares de superioridade.

    Lutar por Portugal? Lutaria de bom grado, mas apenas por alguns. A maioria, nem merece que lutem por eles. Digo mais: cada povo tem o que merece. Enquanto este não abrir os olhos, prefiro estar mesmo na Suécia, qual exilado fugido de uma bandalheira em que transformaram a sua terra.

  11. jm

    Portugal é as suas gentes, os portugueses são Portugal. “A culpa não é do país mas sim das gentes” é outro contracenso. O que é Portugal senão as suas gentes?
    Sair do país para procurar uma vida melhor é perfeitamente legítimo, mas sair porque “quem quer “fazer melhor” é silenciado ou posto de lado” ou “Enquanto este não abrir os olhos, prefiro estar mesmo na Suécia” não tem nada de patriótico, é virar as costas numa atitude de “já que não fazem como eu quero, não brinco mais”. Se todas as lutas fossem fáceis não haveria mérito na vitória. É preciso lutar e sofrer para se ser merecedor.
    Imagino que sejas uma pessoa ainda jovem e pouco vivida, mas com essa atitude, acredita que vais gastar a tua vida com desilusões, a virar costas e a pular de galho em galho eternamente insatisfeito.
    Não podemos simplesmente fazer uma birra em relação a tudo só porque as coisas não são como gostaríamos.
    “acredite que não aturo desaforos de estrangeiros altivos com ares de superioridade”-outro contracenso. Quando se está em Portugal, Portugal é um lixo, é muito pior que os outros. Mas quando vem um estrangeiro dizer que no país dele é muito melhor que cá, não se atura tal desaforo! Isso sim, é a atitude do típico portuga.
    A atitude de “eu sou demasiado bom para o meu país” é tudo menos patriotismo

  12. jm

    É patriótico abandonar o país até que os outros o mudem para então voltar? E que mérito há nisso? Se todos agissem assim não haveria país nem países, seria cada um para o seu lado e a anarquia total, um mundo sem sociedade nem lei. Para se mudar o país, é preciso que as pessoas que o queiram fazer fiquem e lutem, e não estar à espera que o país as mereça para voltar. Desistir porque os outros não colaboram é uma atitude nada corajosa, é somente o baixar dos braços face às contrariedades.

  13. Sá Morais

    “Desistir porque os outros não colaboram é uma atitude nada corajosa, é somente o baixar dos braços face às contrariedades.”

    Seria aqui que eu também perguntava se ainda é jovem, pouco vivido, pois a realidade demonstra que esse espirito de luta acaba por desvanecer com o passar do tempo. É a pura realidade e nem todo o romantismo militante irá alterar a situação. O que vai fazer? O que vai fazer de tão decisivo para mudar a situação? Vai substituir a vontade que deveria ser de toda uma geração, de uma maioria. Vai recorrer à luta armada? Greve de fome.
    Quem conhece o país sabe bem que isso é uma utopia, enquanto quem pensar assim ( note que acho que tem razão ) for uma minoria.

    Portugal não é apenas gentes. Mal de nós…

    Reafirmo: enquanto só houverem ganas de mudança numa minoria, a luta está perdida de antemão.

    “A atitude de “eu sou demasiado bom para o meu país” é tudo menos patriotismo”

    Não, não é. O problema não é o demasiado “bom”, o problema é haver “demasiado mau” em situações “demasiado boas”…

  14. Sá Morais

    “acredite que não aturo desaforos de estrangeiros altivos com ares de superioridade”-outro contracenso. Quando se está em Portugal, Portugal é um lixo, é muito pior que os outros. Mas quando vem um estrangeiro dizer que no país dele é muito melhor que cá, não se atura tal desaforo! Isso sim, é a atitude do típico portuga.”

    Não, isso é patriotismo! O portuga baixa as orelhas e tenta sacar algum dinheiro ao camone…

  15. jm

    >O que vai fazer de tão decisivo para mudar a situação?

    Não vou fazer nada de decisivo, não sou nenhum super-herói. Ninguém pode mudar o mundo, mas cada um de nós pode contribuir um pouco para que o nosso pequeno mundo, e o consequentemente o mundo em geral seja um pouco melhor.
    Não sou exemplo para os outros, apenas faço por melhorar a minha vida e a da minha família de forma honesta. Já tive um negócio que correu mal porque os clientes não pagavam, já comi “o pão que o diabo amassou”, já passei noites sem dormir a pensar o que fazer da minha vida tendo pessoas dependentes de mim. Mas não desisti, comecei de novo e agora não vivo muito desafogado, mas tenho o suficiente, sou patrão da minha pessoa e vivo num país em que apesar de tudo o que há de mau, há muita coisa e muitas pessoas de quem gosto. É a minha pátria e não a troco por nada, muito menos por alguns países mais industrializados onde já trabalhei, onde algumas coisas são melhores, mas outras são bem piores. E sobretudo onde não há o calor humano que há no nosso Portugal.
    O que tenho de bom, hoje, lutei para merecer.

  16. Sá Morais

    “É patriótico abandonar o país até que os outros o mudem para então voltar? E que mérito há nisso? Se todos agissem assim não haveria país nem países, seria cada um para o seu lado”

    Mas há muitos que não querem abandonar… Há por aí muitos para os quais não há crise.

    O problema é que eu acredito que não vai mudar, por isso…

  17. Sá Morais

    “apenas faço por melhorar a minha vida e a da minha família de forma honesta. Já tive um negócio que correu mal porque os clientes não pagavam, já comi “o pão que o diabo amassou”, já passei noites sem dormir a pensar o que fazer da minha vida tendo pessoas dependentes de mim.”

    Se ao menos todos pudessem dizer isto… Posso-lhe dizer que já vivi algumas dessas situações que descreve.

    Sinto-me desencantado? Sim.

    Deve saber bem como esse desencanto se acumula.

    Mas fico contente sempre que encontro alguém com a sua vontade.

    Abraço!

  18. Mr. X

    Os suecos estão certíssimos! a democracia só é possível com vigilância total, do contrario como é que o governo pode manipular a opinião publica e manter a ordem? O governo português não necessita disso…

  19. Então srs. uma democracia altamente vigiada…e mt de nós a acolhemos e a consideramos como a melhor do mundo…isso tbm vai chegar a angola e a china…ñ se pode manter o bicho preso por mt tempo, a panela pode explodir..

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