Daily Archives: 2008/07/11

As sondas lunares indianas Chandrayaan e o… projeto espacial brasileiro


(A sonda lunar indiana Chandrayaan-2 in http://www.chandrayaan-i.com)

O programa espacial indiana ainda que muito ativo e dinâmico, tem mantido um perfil mediático particularmente baixo, especialmente quando comparado com a outra potencia espacial emergente: A China. Tal perfil discreto deve-se fundamentalmente ao facto de apesar de a Índia ter desenvolvido sozinha alguns dos melhores e mais fiáveis lançadores pesados de satélites, não ter ainda colocado nenhuma cápsula tripulada em órbita terrestre, nem ter ainda enviado fotografias da Lua, a partir de uma sonda em órbita. Isso vai mudar muito em breve.

O primeiro passo para tornar a Índia numa verdadeira potencia espacial foi o desenvolvimento do lançador pesado “Polar Satellite Launch Vehicle” (PSLV), o engenho que quatro andares que pode colocar em órbita cargas úteis de até 1,2 toneladas. Graças a este, a Índia vai lançar ainda este ano a sua primeira missão lunar, a Chandrayaan-1 (“veículo lunar-1” em sânscrito). A sonda vai orbitar o nosso satélite natural a uma altitude de cerca de 100 Km e terá instrumentação da ESA, da agência espacial búlgara, e até da NASA, num sinal de abertura que a China não tentou imitar quando em 2007 colocou a sua “Chang’e I” em órbita lunar e que diz muito da posição mental com que as duas potencias emergentes encaram a exploração espacial.

A
Chandrayaan-1 consistirá num orbitador e numa sonda de impacto, sendo também neste aspecto superior ao engenho chinês, que possui apenas um orbitador e pesará 1304 Kg. Entre a sua instrumentação, possui uma câmara fotográfica de alta resolução, uma câmara de infravermelhos e sensores de raios-X. Durante dois anos, a sonda vai orbitar a Lua, mapeando o seu solo e recolhendo dados sobre as suas características químicas, dando especial atenção aos pólos lunares, onde parece existir uma certa quantidade de gelo de água. A sonda deverá ser lançada no final de Julho de 2008 e terá um custo total que não será inferior a 83 milhões de dólares.

A Chandrayaan-2, por sua vez, será a segunda missão lunar da ISRO e será executada em 2011 em parceria com a Agência Espacial Russa, Roscosmos e vai transportar até ao solo lunar, um Lander e um Rover, sendo assim uma missão extremamente ambiciosa. Em órbita, ficará a sonda, mas esta vai enviar para alunagem uma plataforma, da qual, depois, partirá um robot autónomo capaz de evolucionar pelo solo lunar, antecipando assim em dois anos os projetos chineses para enviar um Rover para a Lua em 2013 (ver AQUI). Este Rover vai recolher amostras do solo lunar, analisá-lo quimicamente e enviar os resultados para o orbiter, que depois, os envia para a Terra. O Rover deverá pesar entre 30 a 100 Kg e será capaz de funcionar durante pelo menos um mês, graças à energia recolhida por painéis solares.

Em termos tecnológicos, mesmo a missão de 2011, vai colocar a Índia no mesmo local e no mesmo grau de desenvolvimento tecnológico que a URSS tinha em 1970, com o seu Rover, Lunakhod, que era mais pesado e funcionou durante 90 dias, percorrendo (na segunda versão) mais de 36 quilómetros. Isto representa bem o nível de vantagem tecnológica recolhido pelos soviéticos na década de 70 e o atraso relativos das novas potencias espaciais, China e Índia… Ainda assim, uma e outra, começam agora a criar a devida “massa crítica” para tomarem o seu lugar entre as potencias espaciais da atualidade. No caso chinês, já existe capacidade autónoma para colocar homens no Espaço e para enviar sondas para a Lua. No caso indiano, essas capacidades ainda estão por provar… Mas com o foguetão PSLV, as condições mínimas estão criadas e a vontade é manifesta.

Esperemos que a Índia saiba recuperar o seu atraso frente à China e que as outras potencias BRIC acordem também… Uma única, de facto (o Brasil) tem estado arredada destas missões lunares. De facto, todas as potencias emergentes devem também dedicar a esta promissora e vital “última fronteira” os recursos e a energia necessárias, de forma a impedir que a China consolide aqui a sua vantagem e se venha a declarar “proprietária” da Lua ou a impôr o seu “Império” também no Espaço Exterior. E isso compete a todos nós impedir. Europeus (ESA), russos, indianos e… brasileiros, que agora com o acordo assinado com a Ucrânia em 2003 poderão recuperar o tempo perdido com o desastre de Alcântara e que previa que já em 2007 fosse lançado desta base brasileira uma variante evoluída do Tsiklon-4, capaz de lançar um satélite geoestacionário de 1,8 toneladas ou um de 5,5 em órbitas baixas. Em Agosto de 2007, teve lugar uma reunião entre a agência espacial ucraniana e responsáveis do governo brasileiro para assentarem na formação da parceria “Alcantara Cyclone Space”, com a responsabilidade de avançar com o projeto “Cyclone-4”, um lançador de satélites a lançar desta base espacial brasileira. Para esse efeito, a base brasileira está a receber diversas modificações de forma a que o primeiro lançamento tenha lugar na data prevista, em 2010.

Fontes:
http://www.chandrayaan-i.com/?gclid=CI2z-eTK15MCFQo1QgodJiMvZA
http://www.digi-help.com/space/chandrayaan-1-moon-mission.asp
http://www.isro.org/chandrayaan-1/
http://chandrayaan-indianmissiontomoon.blogspot.com/2008/04/videos-of-chandrayaan.html
http://en.wikipedia.org/wiki/Chandrayaan
http://www.isro.org/pslv.htm
http://www.isro.org/
http://cns.miis.edu/research/space/ukraine/launch.htm http://space.skyrocket.de/index_frame.htm?http://www.skyrocket.de/space/doc_lau_det/tsiklon-4.htm http://www.spacetoday.org/Rockets/Brazil/BrazilRockets.html http://www.nkau.gov.ua/nsau/newsnsau.nsf/PressRelizE/F4FE517F06C9BABBC2257353002C03E0?OpenDocument&Lang=E http://www2.mre.gov.br/dai/b_ucra_20_5176.htm

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Quids S12-45: Como se chamava este carro?

Dificuldade: 3

Regras:

1. Cada Quid valerá entre 1 a 3 pontos.
2. Cada pista fornecida deduzirá um ponto aos pontos correntes ao Quid, parando esta descida em 1 ponto.
3. Não serão dadas pistas no próprio dia do lançamento do mesmo, mas apenas no período seguinte (12:30-14:30 do dia seguinte, juntamente com o lançamento do Quid seguinte). Contudo, nesse período do dia seguinte podem ser dadas várias pistas, se pedidas.
4. Os Quids terminam quando um concorrente chegar aos 50 pontos.

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A WWF alerta para que a China está a consumir mais do que o dobro do que o ecosistema do país pode suportar

(http://www.churchillcellars.com)

Segundo um relatório divulgado recentemente pela WWF, o “WWF’s 2006 Living Planet Report” a China está a consumir mais do que o dobro do que o ecosistema do país pode suportar. As necessidades chinesas, recolhidas do seu próprio meio ambiente, mais do que duplicaram desde 1960 e representam hoje mais de 15% de toda a capacidade biológica mundial. O estudo indica que cada cidadão chinês precisa para viver do produto de 1,6 hectares de terra fértil. É verdade que este valor é ainda inferior à média mundial de 2,2 hectares/pessoa, muito dilatada devido aos consumos europeus e norte-americanos, mas o facto destes 1,6 hectares serem o dobro daquilo que eram em 1960, e indica que é um valor crescente e não estagnado, como as médias europeias e norte-americanas. Se algum dia, mercê do desenvolvimento e do aumento de poder de compra na China, se alcançar os extraordinários 10 hectares/pessoa dos norte-americanos, então não só a China será incapaz de sustentar ecologicamente a sua população, como todo o mundo o será… Já que isso implicaria que praticamente todos os terrenos férteis do planeta iriam produzir em exclusivo para a China! Ou seja, todos os 31 milhões de terra arável… Sendo que o pior é que todos os anos se estima que se perdam mais 100 mil km2 destas terras, por factores vários, como a desflorestação e as mudanças climáticas…

Assim, parece inevitável que a China tenha que travar o ritmo de crescimento destas exigências, a muito curto prazo. A alternativa seria encetar uma campanha de expansionismo militar nos países agricolamente mais ricos e entre estes… estaria o “nosso” Brasil, a maior agropotência do mundo atual. Como os tempos já não são conformes a campanhas massivas de colonização (e isso além do mais iria anular a própria fonte do atual desenvolvimento chinês, que reside nas exportações e em circuitos comerciais globais), só resta uma abordagem à China: parar este nível de crescimento de necessidades e começar a exigir à sua economia e aos seus cidadãos uma “economia ecologicamente sustentável”.

É claro que este problema não é estritamente um problema chinês. Se a explosão demográfica continuar aos níveis atuais no mundo (e apesar da inversão verificada nas últimas décadas na Europa, Rússia e Japão) em 2050, a Humanidade estará a consumir as matérias-primas que só poderia encontrar em duas… Terras. Algo que manifestamente é impossível, e que manifestamente não é um problema estritamente chinês, mas mundial.

O relatório da WWF conclui também que um terço de todas as populações de espécies vertebradas do planeta sofreram um declínio de um terço desde 1970, e refletem bem a dimensão do esforço que a Humanidade está a fazer a Terra suportar e antecipa uma catastrófe ecológica global que não somente é evidente, como plenamente evidente e atual na escala dramática destes números.

O que podemos fazer para salvar o planeta e – mais egoisticamente – manter a nossa espécie viva sobre a Terra? Temos que de forma imperativa e dinâmica alterar padrões de consumo, onde estes são excessivos e procurar todas as formas que a tecnologia ou a inteligência nos possam oferecer para reduzir a dimensão global da “pegada humana” sobre o planeta.

O relatório da WWF indica que esta “pegada” mais do que triplicou entre 1961 e 2003, e nesse ano o equilíbrio entre o Homem e o Meio quebrou-se para nunca mais ser reposto, desde então. De facto, já nesse ano, as necessidades humanas já ultrapassavam em 25 por cento a capacidade natural para as suprir. Um valor total, que conhece parcelas muito mais dilatadas, como a produção de dióxido de carbono que aumentou nove vezes entre 1961 e 2003, especialmente nos países que já exigem um maior número de hectares de solo arável para a sua sustentação e que são, por esta ordem: Emiratos Arabes Unidos, EUA, Finlândia, Canadá, Kuwait, Austrália e… Estónia, sendo que nesta desonrosa lista de dez paises não se encontra nenhuma nação de língua portuguesa. A própria China, tão criticada neste domínio, está aqui ausente e se é motivo de preocupação é-o apenas por causa da dimensão da sua população e do crescimento dos seus padrões de consumo, as mesmas razões pelas quais é na China que se joga hoje o futuro da Humanidade.

Fontes:
http://www.panda.org/about_wwf/what_we_do/policy/one_planet_living/news/index.cfm?uNewsID=83520
http://en.wikipedia.org/wiki/Arable_land

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