Daily Archives: 2008/07/09

Um português chamado António Vieira: Os “imperadores universais” de António Vieira, após… Dom João IV

A morte de Dom João IV, de quem Vieira esperava o cumprimento de tão altos feitos, haveria de gerar no espírito do jesuíta uma profunda crise interior. Numa primeira fase, Vieira, completamente convicto da veracidade e correcção das profecias de Bandarra e da sua personalização em Dom João IV passa a acreditar e a exprimir a sua plena convicção na ressurreição do monarca. Mas com o tempo, e na falta do esperado regresso dos mortos do monarca defunto, Vieira acaba por evoluir nesse caminho e por passar a defender em 1664: “Por cá não há coisa digna de relação mais que haver-se hoje dado princípio às mesas na sala dos nossos estudos, onde o mestre, que é o P. Francisco Guedes, tomou por problema dos futuros contingentes se havia de vir El-Rey D. Sebastião. E depois de o disputar com aplauso por uma e outra parte, resolveu que o verdadeiro Encoberto profetizado é El-Rey que Deus guarde: D. Affonso. Por sinal que, para eu crer e confessar assim, não foi necessário nenhum dos argumentos que ouvi, porque, depois que observei as felicidades em que assiste o céu a todas as suas acções, estou inteiramente persuadido a isso”. [Carta a Dom Rodrigo de Meneses de 3 de Março de 1664, citada em p. 133]

Mas Vieira não se fica por aqui… Depois de Dom Afonso VI, e como este também não se revelar ser o esperado “imperador universal”, António Vieira elege Dom Pedro II, em 1684, como aquele a que está destinada a “destruição total do Turco está reservada a um rei português e que todas as probabilidades apontam para Dom Pedro II”. Mas passados apenas quatro anos, em 1688, é agora o primogénito de Dom Pedro II esse prometido monarca: “Digo que este Príncipe fatal, tantos séculos antes profetizado, e em nossos dias nascido, não só há de ser Rey, senão Emperador”. Não cessa aqui a lista de “quintos imperadores” de Vieira… Com efeito, com o súbito falecimento do primogénito, é ao seu irmão que compete o trono ficando um “com a posse da púrpura no Céu, o outro com o ceptro na Terra.” Este “futuro imperador” seria… Dom João V, desta feita.

Todas estas hesitações e mudanças de percurso, vistas à perspectiva de trezentos anos lançam dúvidas sobre a personalidade de Vieira. Seriam provenientes de um excessivo prazer pela proximidade do Poder e dos seus favores um defeito que os seus inimigos julgavam reconhecer na personalidade do jesuíta? Vieira era um ser humano, e consequentemente um indivíduo não isento das fragilidades típicas dos mesmos e esse factor não deve ser descartado com leveza. É também possível que o jesuíta se tivesse embriagado pelo canto de sereia dos seus próprios discursos e – enredado dentro da sua própria teia discursiva – acabasse por uma questão de consistência interna do seu próprio pensamento e de refúgio de racionalidade pessoal em acreditar realmente que a figura profetizada do “futuro imperador” se transferia assim de príncipe em príncipe, sucessivamente. Além da tese panegírica dos seus adversários e do “cerco mental” imposto pelo seu próprio universo verbal, há pelo menos mais duas explicações para estas oscilações… Vieira era um grande e fervoroso cristão. Recordemo-nos de que no Brasil, enquanto jovem, fugira de casa dos seus pais para o seminário jesuíta e que durante a sua vida sempre colocou a sua actividade missionária em primeiro lugar, contra todos os poderes e adversidades. Seria assim possível que estas oscilações fossem justificadas por uma necessidade de manter elevada a influência jesuíta na corte portuguesa e, consequentemente, do catolicismo nesta? É uma tese provável, especialmente se fôr conjugada com a sincera convicção de que Bandarra e os profetas biblícos que citava de memória antecipavam correctamente para Portugal um “quinto imperador” e um “quinto império” e de que se António Vieira, humano e falível se enganara com Dom João IV e depois com a sua miraculosa ressurreição, com Dom Afonso VI, Pedro II e, por fim, com Dom João V. Assim, Vieira não oscilaria de “futuro imperador” em “futuro imperador”, oscilaria sim a sua interpretação quando a uma identificação da sua personalidade. Convicto da sua imperfeição, mas igualmente certo da certeza das profecias Vieira buscaria esse Imperador de Príncipe em Príncipe, sempre na absoluta certeza da sua existência futura.

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Categories: Brasil, História, Padre António Vieira, Portugal | Deixe um comentário

As vacilações perigosas (para baixo) da Bolsa chinesa

(http://graphics8.nytimes.com)

As autoridades financeiras chinesas estão a recomendar aos fundos de investimento do seu país para que reforcem o seu investimento nos mercados e travem assim a queda dos mercados de ações chineses. A queda começou a ser evidente a partir do abalo sísmico de Sichuan, mas estava já latente depois da sucessão de más notícias com a economia chinesa que davam conta do aumento da inflação e um considerável abrandamento no crescimento da economia. Em particular, a Bolsa de Shangai perdeu 34% do seu valor desde Janeiro de 2008, quando em 2007 teria subido 97%.

Estes solavancos da economia chinesa não podiam ocorrer em pior ocasião… A China tem hoje uma posição importante na economia global e está muito interligada às economias dos EUA e da Europa, sendo um dos seus maiores investidores (especialmente no sector financeiro dos EUA) e a fonte da maioria dos bens manufacturados consumidos no mundo.

A dependência da economia mundial do estado das economias dos BRIC é cada vez maior… Em 2007 estes quatro países (Brasil, Rússia, Índia e China) produziram metade do crescimento do PIB mundial. A estagnação da economia norte-americana fez com que hoje o motor da economia sejam os BRIC e não mais os EUA, como sucedia desde a década 40. Alias, se hoje não vivemos em plena recessão global, isso deve-se precisamente a este factor e não a outro qualquer. O problema está em que até os BRIC começam a ressentir-se da alta de preços dos alimentos e dos combustíveis, especialmente se tivermos em conta que mais de metade do aumento de consumo de petróleo dos últimos anos teve origem precisamente na China e na Índia, já que o Brasil e a Rússia nesse campo são auto-suficientes. Isto quer dizer pressões inflacionistas… E estas, por sua vez, ameaças de recessão… A China, por exemplo, já é hoje o segundo maior importador mundial de combustível, consumindo assim metade (250 biliões de dólares) do seu crescimento registado em 2007.

Outro grande problema dos BRIC, e a sua grande dependência das reservas de divisas em dólares… A perda de valor relativo deste fez evaporar do dia para a noite centenas de milhões de dólares, comparativamente ao Euro… Estima-se que só em 2007, a China tenha perdido 1,5 triliões, a Rússia 500 biliões, a Índia 300 biliões e o Brasil 200 biliões de dólares, somente com esta desvalorização relativa… Estes factores – e outros que não houve tempo para aqui enumerar – explicam a queda brutal das cotações na Bolsa de Xangai. E podem determinar a eclosão de uma verdadeira recessão global, de consequências inimagináveis…
Fonte:
http://www.spacewar.com/reports/Walkers_World_Are_the_BRICs_crumbling_999.html

Categories: China, Economia, Política Internacional | Etiquetas: | 2 comentários

Quids S12-43: Como se chamava este carro?

Dificuldade: 2

Regras:

1. Cada Quid valerá entre 1 a 3 pontos.
2. Cada pista fornecida deduzirá um ponto aos pontos correntes ao Quid, parando esta descida em 1 ponto.
3. Não serão dadas pistas no próprio dia do lançamento do mesmo, mas apenas no período seguinte (12:30-14:30 do dia seguinte, juntamente com o lançamento do Quid seguinte). Contudo, nesse período do dia seguinte podem ser dadas várias pistas, se pedidas.
4. Os Quids terminam quando um concorrente chegar aos 50 pontos.

Categories: Quids S12 | 7 comentários

Do cinzento futuro dos navios de médio porte na Marinha dos EUA

DDG-1000

(DDG-1000 in http://peos.crane.navy.mil)

Se há ramo nas forças armadas dos EUA que apresenta para o futuro próximo uma perspectiva de redução de poder mais marcante, esse ramo é, sem dúvida, o do Poder Naval.

Todas as marinhas do mundo fazem assentar o essencial do seu poder em navios médios de superfície, e são os seus números e qualidade que definem efectivamente a capacidade operacional de uma Marinha. Submarinos e Porta-aviões são navios especiais e – até certo ponto – acessórios e complementares e frágeis se considerados isoladamente… Qual a utilidade de um porta-aviões sem escoltadores? De que serve um submarino para garantir a superioridade aérea ou para apoiar uma frota de desembarque? Sendo assim, seria de esperar que nos planos de renovação da US Navy constassem em especial destaque estes navios médios de superfície. Mas não é assim…

A gravidade da situação fica especialmente clara quando sabemos que o essencial da modernização assenta na concepção e construção de um novo tipo de destroyers, o DDG-1000, e que este embora tenha já dez anos de trabalho de desenvolvimento ainda não produziu um conceito solido e começa agora a ver o seu financiamento a ser questionado no Congresso.

O DDG-1000 devia ser complementado por uma nova geração de cruzadores lança-mísseis, designada CG(X) e um novo tipo de fragatas conhecida como “Littoral Combat Ship”, sendo que destes três projetos, apenas o ultimo esta bem encaminhado para chegar à fase de produção.

As dificuldades do DDG-1000 são evidentes quando vemos que de uma estimativa inicial de 32 navios, se passou hoje para apenas 12 navios desse tipo. Sendo que no Congresso dos EUA, alguns congressistas defendem que esse numero terá que ser reduzido para 12 ou mesmo para… Duas unidades! A espantosa subida do custo unitário de cada navio que tal decisão provocaria faz surgir um coro crescente de vozes que defendem a extensão da construção dos destroyers DDG-51, cada dois tendo o mesmo preço de um novo DDG-1000, e ainda capazes de receber novos equipamentos e actualizações que os tornem um navio moderno e eficaz nas próximas décadas.

Fonte:
http://www.spacewar.com/reports/Thompson_Files_Stick_with_the_DDG-51_999.html

Categories: DefenseNewsPt | Etiquetas: | 11 comentários

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