Daily Archives: 2008/07/01

Um português chamado António Vieira: O projecto de fuga para o Brasil e da independência do Brasil com… Dom João IV e o papel de António Vieira

Um dos episódios menos conhecidos da História portuguesa, envolve Vieira directamente, ou como criador do plano, ou pelo menos, como seu apoiante directo e explícito. Trata-se do projecto urdido por Dom João IV e no mesmo momento em que as negociações com França a propósito de uma aliança que sustentasse Portugal na sua luta desigual contra Espanha se goravam, altura em que o monarca português levanta a possibilidade de antecipar duzentos anos a fuga de Dom João VI para o Brasil de 1807.

Em meados do século XVII, o Brasil não é considerado como uma colónia como tantas outras que Portugal ainda mantinha um pouco por todo o mundo, mas como o derradeiro refúgio da portugalidade, o único local plausível para manter a monarquia e nela, alguma forma derradeira de independência perante as ameaças de invasão: sob Dom João VI, as divisões napoleónicas, e sob Dom João IV, dos tércios espanhóis.

O plano de Dom João IV parecia ser ainda mais ambicioso que o de Dom José, já que passava pela transformação da colónia brasileira num reino completamente autónomo, regido pelo monarca, enquanto que Portugal, deixado para trás e exposto à ameaça que o rei tinha por impossível de debelar se separava e ficava sob a regência do seu filho, Dom Teodósio que o rei procurava casar com uma princesa francesa como forma de lhe assegurar algumas condições de manter o reino independente perante Espanha.

O projecto foi levado a conselho junto dos mais próximos conselheiros do rei, entre os quais António Vieira, que tinha acabado de regressar dos Países Baixos e que juntava as suas preocupações às do Rei já que não conseguira ali assegurar uma paz com a República holandesa. Esta coincidência, e a ousadia costumeira das ideias de Vieira (não era ainda mais arrojado procurar abolir a designação de “Cristão-Novos”?) fazem crer que o projecto pode ter germinado na mente do jesuíta… Não era ele um “brasílico” de coração e formação? Não vinha Vieira desanimado da possibilidade de firmar a paz com a Holanda e receava acima de tudo uma coligação invencível entre os Países Baixos, atacando Portugal nas colónias e Espanha, invadindo as fronteiras raianas?

Tendo recebido do rei, o encargo de levar adiante o projecto, Vieira embarca para Paris e é recebido pelo embaixador português em Paris, Francisco de Sousa Coutinho, que acolhe a proposta com grande desconfiança e imensas reservas. Mas França não parecia muito inclinada a aceitar o projecto e hesitava quanto a enviar para Portugal o Duque de Orleães e propunha em seu lugar Luís de Condé, apenas numa manobra dilatória para atrasar o andamento do plano e descrente da capacidade do reino português – separado do Brasil – de resistir sozinho à potencia castelhana.

Embora alguns, como Oliveira Martins, encontrassem em Vieira o verdadeiro arquitecto deste plano, e nele também a mão da Companhia de Jesus que pretenderia desta forma constituir aquilo que na sua “História de Portugal” chama de “Quinto Império de Deus e dos Jesuítas” no Brasil onde Dom João IV seria a cabeça formal de um “Império Jesuítico nas Américas” que no século XVII alguns críticos quiseram encontrar no Paraguai. Nada indica , contudo, que houvesse tal intenção jesuítica ou que esta fosse a motivação secreta oculta sob as extensas manobras do Padre António Vieira neste sentido. De qualquer forma, o projecto de separação do Brasil de Portugal e da formação de dois reinos autónomos haveria de frustrar-se não só devido à oposição quase unânime dos conselheiros de Dom João IV, mas sobretudo pelas hesitações francesas em o apoiar, e, em primeiro lugar devido à inversão do andamento da guerra no Brasil onde os colonos que mantinham uma revolta contra os invasores holandeses começavam a ganhar ascendente sobre estes e colocavam agora em sério risco a aplicação prática deste arrojado plano.

Em suma, se não houve divisão entre Portugal e Brasil e se o segundo não logrou tornar-se o primeiro país colonial independente do mundo, tal deveu-se sobretudo à vontade dos seus autóctones e à daqueles que vindos de Portugal reconheciam nessa sua nova pátria virtudes e potencial bastante para que merecesse o estabelecimento e o mantimento de uma guerra que apesar de aparentemente perdida à partida, no final, seria ganha, saindo derrotado o invasor holandês e, com ele… Os planos daqueles que como Vieira se batiam pela separação dos dois reinos.

Publicado também em Nova Águia

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Categories: Brasil, História, Padre António Vieira, Portugal | 1 Comentário

Uma empresa de mercenários francesa assina um contrato com o “governo” da Somália

Uma empresa francesa de “Segurança” (leia-se “de mercenários“) assinou com o eternamente provisório governo somali um contrato para aumentar a segurança nas costas deste pais do Corno de África. Nas ultimas semanas têm sido constantes as noticias de ataque piratas a iates privados e ate a cargueiros que se aproxima destas perigosas mas muito ativas rotas comerciais da região.

A empresa, de nome “Secopex” vai receber perto de 100 milhões de euros por ano e é uma direta consequência do resgate de reféns franceses de um iate de luxo por forcas especiais gaulesas, no passado mês de abril.

Segundo este acordo, a empresa vai montar uma guarda costeira e um sistema de alerta e de comunicação moderno e eficaz, assim como treinar a guarda presidencial do “presidente” somali.

Este contrato reflete um movimento que se vai alastrando pelo mundo e que entrega a empresas de mercenários uma parcela cada vez mais significativa da segurança policial e ate militar de muitos países do mundo. No Iraque – o mais intenso cenário de conflito do mundo – existem hoje mais mercenários no terreno do que forcas norte-americanas e os exércitos privados sempre foram uma forca essencial a ter em conta em África. A existência de grandes forcas mercenárias – algumas delas equipadas com forcas blindadas e meios aéreos próprios – é uma das maiores ameaças presentes as democracias e às liberdades individuais dos povos do mundo. Que garantiam temos de que uma certa multinacional imoral e extremamente rica não recruta um destes exércitos privados para estabelecer um governo fantoche num pais onde tenha “interesses vitais”? A defesa deve ser uma das funções essenciais do Estado e aliená-la é algo que colide mesmo com os sonhos minárquicos dos liberais mais radicais. Não queremos com isto dizer que não há lugar para este tipo de firmas de “segurança, porque o há, dentro de certos limites e em certos contextos de aconselhamento, formação, treino e ate em missões pontuais e localizadas. Mas usá-las como “forcas de substituição” como fazem os EUA no Iraque ou o “governo” somali implica riscos enormes de subordinação dos Estados aos interesses económicos destas mesmas firmas e a demissão implícita dos Estados em relação a uma das suas competencias mais fulcrais: a segurança dos seus cidadãos. Nesse sentido. Devia haver legislação internacional que impedisse estas firmas de alcançar esta escala e de cumprirem em qualquer tipo do globo estas missões. E quanto ao Corno de África… Já existem argumentos bastantes para justificar o alargamento da atual missão naval da ONU de vigilância na região e dotá-la de meios terrestres e aéreos bastantes para colmatar esta necessidade internacional (já que estão a ser atacados navios de praticamente todas as nacionalidades) e impedir esta perigosa ascensão de mais uma firma global de mercenários.

Fonte:

http://www.terradaily.com/reports/French_firm_signs_deal_to_combat_Somali_pirates_CEO_999.html

Categories: DefenseNewsPt, Política Internacional | Etiquetas: | 9 comentários

Quids S12-37: Como se chama esta cratera?

Dificuldade: 3

Regras:

1. Cada Quid valerá entre 1 a 3 pontos.
2. Cada pista fornecida deduzirá um ponto aos pontos correntes ao Quid, parando esta descida em 1 ponto.
3. Não serão dadas pistas no próprio dia do lançamento do mesmo, mas apenas no período seguinte (12:30-14:30 do dia seguinte, juntamente com o lançamento do Quid seguinte). Contudo, nesse período do dia seguinte podem ser dadas várias pistas, se pedidas.
4. Os Quids terminam quando um concorrente chegar aos 50 pontos.

Categories: Quids S12 | 72 comentários

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