Monthly Archives: Julho 2008

A NASA vai testar uma vela solar num foguetão da SpaceX


(Vídeo do primeiro lançamento do foguetão “Falcon 1” da SpaceX)

A NASA vai incluir na carga útil do foguetão privado “Falcon 1” da SpaceX um “demonstrador tecnológico” de uma vela solar. O foguetão, a lançar ainda em 2008 (ver AQUI), entre 29 de Julho e 6 de Agosto. Este foguetão vai colocar em órbita um mini-satélite que vai estender uma vela solar designada por “NanoSail-D” para testar a validade de um conceito que visa alcançar dois propósitos: afastar satélites desactivados da órbita terrestre e servir como propulsor auxiliar ou principal para sondas inter-planetárias.


(A NanoSail-D in http://www.nasa.gov)

A NanoSail-D foi construída por elementos de plástico e alumínio pesando um total de 4,5 Kg e quando no Espaço vai estender quatro velas de três metros cada uma a partir de quatro mastros extensíveis a partir de uma célula central. A vela solar foi concebida para operar a partir de um módulo designado por “Poly Picosatellite Orbital Deployer” desenvolvido pelo Instituto Politécnico da Universidade da Califórnia.

Se o conceito provar a sua viabilidade, unidades de maiores dimensões poderão ser instaladas em sondas espaciais a caminho de planetas e satélites do Sistema Solar, empurrando-as através das particulas do vento solar que o Sol emite constantemente. De início, a sonda terá velocidades muito baixas, dada a relativamente fraca energia dessas partículas, mas uma vez que a aceleração é constante, ao fim de alguns meses alcançar-se-ão velocidades muito significativas, e sempre sem o consumo de qualquer combustível. Por esta razão é que esta forma de propulsão é particularmente interessante para viagens de longas distância, tipicamente além do sistema Terra-Lua. Alternativamente, um sistema idêntico pode ser instalado em cada satélite e a vela aberta quando este esgotar o seu combustível, caindo na Terra. Com a vela, o satélite desativado pode ser afastado de órbita, ou para órbitas mais altas e menos povoadas de satélites (reduzindo assim o risco de colisão com outros satélites) ou mesmo ser enviado para o Espaço, abandonando a órbita terrestre e qualquer possibilidade de impacto. Num futuro não muito longínquo, podemos até sonhar com naves à vela cruzando o Espaço a caminho dos planetas exteriores, tal como os nossos navegadores levavam as suas naus até às paragens do Extremo Oriente, e recorrendo novamente ao vento… desta feito, ao vento solar.

Fontes:
http://www.nasa.gov/mission_pages/smallsats/nanosaild.html
http://www.spacex.com/launch_manifest.php
http://pt.wikipedia.org/wiki/Vento_solar

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Um relatório do SIPRI revala o declínio militar dos EUA e a ascensão da China como nova potencia global

J11B (Su-27SK)

Caça "chinês" J11B (Su-27SK) in http://i2.sinaimg.cn

Em 2007, os três países do mundo com maiores níveis de despesa em Defesa, foram, por ordem, os Estados Unidos (547 biliões de USDs), Reino Unido (59,7 biliões) e a China (58,3 biliões). Estes números constam do relatório anual do “Stockholm International Peace Research Institute” e reflectem um aumento de 6% desde 2006. Os EUA continuam a ser – de longe – o maior consumidor nesta área, com uns impressionantes 45% do total absoluto. Logo atrás da China, posicionam-se a França e o Japão, com níveis de entre 4 a 5% do total da despesa mundial.

Uma boa parte deste impressionante nível de despesa militar dos EUA resulta da manutenção de intensas operações de guerra em apenas dois cenários, o Afeganistão e o Iraque, sendo que ambos, juntos, representam quase metade desta percentagem, o que dá uma boa medida do peso e do esforço a que a “Guerra ao Terrorismo” tem criado no orçamento norte-americano… Atualmente, os níveis de despesa militar dos EUA são mais elevados do que eram no auge da Segunda Grande Guerra, embora devido ao forte crescimento do PIB e da economia dos EUA desde a década de 40, em termos relativos o esforço financeiro da Defesa dos EUA era já mais elevado do que no pico da Segunda Grande Guerra. É claro, que em termos absolutos, e como a economia norte-americana cresceu várias vezes acima do valor de 1941-45, o peso absoluto é consideravelmente menor, mas em período de economia em declínio, esta desproporção irá cada vez ser mais acentuada até ser demasiado flagrante que os EUA já não conseguem suportar financeiramente a carga de serem a única superpotencia mundial.

Outro fenómeno que se destaca neste relatório é a duplicação das despesas militares da China… O relatório anterior do SIPRI coocava o nível de despesa chinesa em apenas 20 biliões de dólares e um tal salto, implica uma aceleração do investimento em vários ramos e em diversos tipos de equipamentos modernos. Aparentemente, a China pretende completar com músculo, o domínio comercial e industrial que já exerce sobre a maioria do planeta. Apesar deste esforço intenso, as forças armadas chinesas são ainda relativamente obsoleta, especialmente para os padrões ocidentais e russos. As suas forças terrestres são muito numerosas,mas ainda estão equipadas principalmente com equipamento com mais de 20 anos, e os novos MBTs fabricados na China continuam muito abaixo em qualidade e capacidades de qualquer MBT ocidental ou russo. A força área continua a alinhar maioritariamente com versões locais de caças soviéticos da década de 50 e 60 e a Marinha – ainda que renovada com a chegada de navios russos – continua a ser insuficiente para as ambições de projeção de poder para o Índico e Pacífico anunciadas pelo Alto Comando.

Contudo, a tendência está clara… Os EUA serão cada vez menos uma potencia capaz de projetar o seu poder a qualquer ponto do globo e tenderão a ser cada vez mais uma mera potencia regional, como pontos de apoio ainda consideráveis nalguns cenários do mundo, mas longe já do seu apogeu da década de 80… E a China irá aparecer cada vez mais como uma potencia militar global, tendo ainda que vencer a batalha da modernização tecnológica e ultrapassar todas as barreiras de conhecimento que lhe faltam ainda através de parcerias com empresas ocidentais e russas ávidas de exportar tecnologia a todo o custo, sem terem em conta que daqui a 20 anos, os seus “parceiros” chineses já não irão precisar deles e começarão a fabricar e exportar… os aviões fabricados sob licença, como se queixou recentemente a Sukhoi a propósito de caças Su-SK, fabricados na China sob licença e que a China quer exportar para o Paquistão a uma fracção do preço dos caças russos.

Fontes:

http://www.spacewar.com/reports/China_Spending_Billions_To_Build_Up_Military_Capacity_Part_One_999.html
http://yearbook2008.sipri.org/05

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As OGMA vão fazer manutenção em aviões da força aérea argelina


(Sukhoi Su-30 MKA argelino)

Um dos contratos mais importantes assinados na recente cimeira luso-argelina terá sido o celebrado entre as OGMA e a Força Aérea Argelina segundo o qual a empresa portuguesa de manutenção aeronáutica OGMA (detida parcialmente pela EADS europeia e pela brasileira Embraer em 65% e pelo governo português em 35%) vai fazer trabalhos de manutenção sobre os aviões militares da força aérea da Argélia.

O contrato de 100 milhões de euros e vai garantir uma relação contratual de cinco anos entre as OGMA e a força aérea da Argélia, a qual assim se irá juntar à Líbia e à Tunísia, países onde as OGMA operam já desde à décadas, tendo sido assinado em Janeiro um novo contrato com a Líbia de manutenção dos 4 Hercules C130 deste país do norte de África por 35 milhões de euros.

A notícia não indica exatamente que modelos argelinos é que serão mantidos nas oficinas da empresa… Mas no seu inventário constam aparelhos tão notáveis como MiG-25, MiG-29, os excelentes Su-30 e os novos Yak-30… Sendo estes contratos assinados normalmente por aparelhos, de quais estaremos aqui a falar? Serão novamente os C130H que as OGMA assinou com a Líbia e que mantem também na FAP? Ou… será que podemos sonhar em manter Sukhoi-30MKA?

Fontes:

http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?article=349878&visual=26&rss=0
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=336083
http://diario.iol.pt/sociedade/ogma-socrates-avioes-argelia-contrato/960483-4071.html http://www.areamilitar.net/imprensa/imprensa.aspx?nrnot=100 http://dn.sapo.pt/2008/01/04/dnbolsa/ogma_ganha_contrato_para_manutencao_.html
http://en.wikipedia.org/wiki/Algerian_Air_Force

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Sobre a aposta francesa nos reactores nucleares EPR

Diagrama de reactor nuclear da Areva in bbc.co.uk

Diagrama de reactor nuclear da Areva in bbc.co.uk

A França vai construir um segundo reactor nuclear de terceira geração (“EPR”) e prosseguir assim com a sua aposta na energia nuclear como uma forma de responder à alta dos preços dos combustíveis fósseis. Este EPR vai ser construído pela “Electricité de France” (EDF), no norte de França e deverá estar operacional em 2012.

Atualmente, a França já possui a tecnologia nuclear mais avançada do mundo, a EPR, que significa “European Pressurised Water Reactor”, um reactor de novo tipo, dos quais em todo o mundo apenas dois estão em construção, sendo o outro o AP1000 da Westinghouse Electric Company norte-americana e que conquistou em 2007 um contrato na China para construir 4 reactores deste tipo por 8 biliões de dólares.

A construção é uma resposta à presente crise energética e revela uma aposta no Nuclear como uma resposta à mesma: “Os dias de petróleo barato terminaram. Mais do que nunca, o nuclear é a indústria para o futuro e uma fonte de energia indispensável”, declarou Sarkozy e acrescentando ainda: “Não é uma escolha entre energia nuclear e renováveis, mas nuclear e renováveis”. Em termos absolutos, a energia nuclear consegue produzir electricidade a um custo inferior entre 30 a 50% o custo decorrente da produção via carvão (como é comum na China) ou a partir do gás (como existe em Portugal e em muitos outros países). Por outro lado, a estimativa oficial para uma substituição de uma central a carvão por uma nuclear EPR é que com a troca se poupem perto de 11 milhões de toneladas de emissões de CO2 por ano…

A tecnologia EPR foi desenvolvida em 1990 pela Siemens e pela Areva e apresenta várias vantagens em relação aos reactores nucleares anterior. Desde logo, é mais eficiente, consumindo pelo 17% de combustível, em segundo lugar, o reactor é concebido para funcionar durante pelo menos 60 anos… E embora pessoalmente eu seja um defensor do desmantelamento de reactores nucleares com mais de 20 anos (como aquele que recentemente deu problemas na Eslovénia), quanto aos EPRs continuo convencido da sua segurança e eficiência. Não serão a solução definitiva para o problema energético (esta passa muito mais pela contenção de consumos e pela multiplicação de fontes alternativa limpas enquanto não chega a Fusão Nuclear), mas para os próximos 20-30 anos… Os EPRs são a única forma conhecida atualmente de resolver o problema, mantendo níveis de consumo energético semelhantes aos atuais.

Atualmente, a França dispõe já de 58 centrais nucleares e já o segundo produtor mundial de energia por via nuclear, atrás apenas dos EUA, sendo 87% da electricidade consumida em França de origem nuclear.
Fontes:
http://www.energy-daily.com/reports/France_to_build_second_latest-generation_nuclear_plant_999.html http://economictimes.indiatimes.com/International_Business/France_to_build_second_latest-generation_nuclear_plant/articleshow/3194353.cms http://en.wikipedia.org/wiki/Pressurized_water_reactor

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As emissões de gases de Efeito de Estufa nos 27 países da União Europeia cairam 7,7% entre 1990 e 2006


(http://www.smartplanet.com)

As emissões de gases de Efeito de Estufa nos 27 países da União Europeia cairam 7,7% entre 1990 e 2006, declarou recentemente a Agência para o Ambiente da União Europeia. Se a UE conseguir manter este ritmo, conseguirá cumprir as promessas de Kyoto de reduzir as emissões destes gases em 8% antes de 2012.

Em toda a Europa têm aumentado as emissões de CO2 provenientes da exploração de carvão para fins de produção de eletricidade (especialmente devido à Polónia), mas as emissões globais de CO2 estabilizaram e houve sérias reduções nas emissões de outros gases de Efeito de Estufa, o que produziu um efeito total de estabilização em 2006. De entre os 27 Estados-membros, a Dinamarca e a Finlândia foram os países que contrariam esta tendência, com aumentos de emissões entre os 10% e os 17%, também por causa do aumento da queima de carvão.

Os maiores ganhos foram obtidos nas emissões provenientes da indústria química, que está a deslocalizar a sua produção em praticamente todos os países europeus.

Recordemo-nos de que a União Europeia assumiu, para além do Protocolo de Kyoto, o compromisso de reduzir as suas emissões em 20% em 2020, impondo a si própria um limite ainda mais exigente do que o acordado na cidade japonesa.

Portugal está claramente entre os piores países europeus, estimando-se que aumente as suas emissões em mais de 40% até 2012, sendo na altura o maior poluidor europeu, um fruto dos aumentos registados no nosso país desde 2005 e só os recentes investimentos em Renováveis poderão estancar parcialmente… Em que grau? Saberemos em 2012… Se ainda estivermos acima do nível do mar, claro.

Fonte:

http://www.physorg.com/news133237054.html

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Sobre a pesca à baleia no Japão e… os gostos culinários dos seus jovens


(Só um deles é que gosta de carne de baleia… in http://www8.cao.go.jp)

Um dos argumentos usados pelo governo japonês para manter a sua polémica e quase universalmente criticada atividade de pesca às baleias tem a ver com o desejo de preservar a “forma tradicional de vida” de algumas cidades costeiras e que alimenta uma rede de restaurantes de “sashimi” (carne de baleia).

Tóquio espera capturar mais de mil baleias por ano, com fins “científicos”, mas espera também recolher da “International Whaling Commission” autorização para recomeçar a captura comercial de baleias ainda este ano. Os japoneses criticam os ocidentais que classificam a pesca de baleia como “bárbara”, alegando que as televisões mostram sempre a fase da captura em que o sangue transborda para o Oceano e tinge de vermelho as águas do Pacífico, mas que não mostram com as mesma frequências as cenas em que vacas e porcos são chacinados aos milhões em todos os matadores da Europa e do resto do mundo. Pessoalmente, não posso deixar de compreender o argumento e a evidente hipocrisia ocidental que exprime. O sofrimento de qualquer mamífero evoluído devia ter tido sempre em conta em qualquer regime ou opção alimentar. Economicamente, o rendimento de energia que decorre da conversão das matérias vegetais absorvidas por vacas e suínos em energia, na nossa mesa, é um processo ineficiente, e de facto, uma dieta à base de carne só é justificável pelo seu sabor, não pela sua necessidade imperativa, como demonstram bastantes estudos, especialmente se a dieta fôr complementada com leite, ovos e peixe. Mas serão assim tão comparáveis o gosto ocidental por carne com a pesca comercial à baleia praticada (sob pretextos “científicos”) pelo Japão? Não o cremos… Em primeiro lugar, vacas e porcos não estão à beira da extinção, como estão a maior parte das espécies de baleias, alvo de séculos de pesca sistemática. Em segundo lugar, as baleias são mamíferos muito inteligentes, tendo algumas espécies um certo de tipo de linguagem, e logo, de cultura que passam de geração em geração (ver AQUI).

Um estudo conduzido pelo professor Hal Whitehead, da Universidade de Dalhousie, no Canadá demonstrou que as baleias aprendem umas com as outras e que passam informação de geração em geração, cumprindo assim os dois requisitos essenciais de uma “Cultura” humana. As suas canções de acasalamento são uma prova física dessas culturas, já que evoluem, não são estáticas ou o resultado da recomposição de vários padrões conhecidos, como sucede com as aves, mas o produto de criações originais, que evoluem e cujos padrões são reproduzidos e adaptados por vários indivíduos da espécie, até um ponto em que, anos depois da canção original, a variação é tão diferente que quase não é reconhecida enquanto tal. Algumas espécies de baleias – como a Orca – têm dialectos diferentes de grupo para grupo, exactamente como os seres humanos possuem dialectos e línguas diferentes entre si, e o mesmo se passa com os cachalotes que são tão comuns nas águas dos Açores… Terão os Homens direito que caçar até à extinção as únicas criaturas que além de si próprios também têm uma cultura, ainda que pela falta de polegares oponíveis, não sejam capazes de construir ferramentas e de terem uma civilização material como nós?

Contudo, se os pudores morais parecem não ser suficientes para demover o Japão das suas intenções de continuar a ser o único país do mundo, além da Noruega e da Islândia a caçar baleias, os gostos culinários das novas gerações de japoneses podem estar a resolver o problema… Os jovens japoneses não revelam grande interesse por este prato da culinária tradicional, tendo um inquérito recente indicado que só 12% dos jovens nipónicos apreciam o sabor da carne de baleia… Assim sendo… O problema vai acabar mesmo por resolver, não na mesa das negociações mas… graças ao palato dos jovens japoneses.

Fontes:

http://www.terradaily.com/reports/Japanese_whalers_stand_firm_as_controversy_grows_999.html http://www.iwcoffice.org/ http://www.sciencentral.com/articles/view.php3?article_id=218392150&language=english

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Que computadores e sistemas operativos correm dentro da sonda marciana Phoenix?


(Computador espacial RAD6000 da BAE in http://www.mundobot.com)

Tenho dedicado alguns artigos ao lander Mars Phoenix que a NASA colocou no pólo norte marciano… Sabendo que a dita sonda teve logo nos seus primeiros dias no planeta vermelho uma avaria de software, logo corrigida por uma nova versão enviada para Marte da Terra, mas que levou à perda de várias fotografias da sua memória Flash fiquei naturalmente curioso sobre o tipo de software e de sistema operativo que fazia funcionar a sonda, pelo que realizei uma pequena busca na Internet sobre o dito…

Em primeiro lugar, a avaria consistiu na conservação de fotografias captadas logo nos primeiros momentos após a aterragem da sonda e que foram guardadas numa memória flash. A dita memória ficou cheia e em consequência perderam-se algumas destas imagens. A falha foi detectada quando a Phoenix enviou o mesmo grupo de dados 45 mil vezes seguidas, como se tratasse de um disco riscado. A sonda está configurada para tira fotografias durante o dia marciano, guardá-las em memória flash e depois, de noite, descarregá-lo para uma das duas sondas que a NASA tem em órbita de Marte, limpando a memória no fim desse processo. A falha fazia com que a memória fosse limpa, sem que estes dados fosem enviados. Felizmente, como esta sonda é estática e não se move pelo solo marciano como os rovers Opportunity e Spirit, os dados perdidos não foram importantes e antes do envio de uma nova versão de software os engenheiros da NASA ultrapassaram o problema determinando que a sonda enviava as imagens captadas para órbita assim que eram captadas, não deixando assim encher a memória flash problemática.

E quanto ao coração informático da Phoenix?

Bem, a flexibilidade demonstrada indica que ao contrário das primeiras sondas da era espacial, a sonda utiliza software e sistemas padronizados e concebidos para terem um elevado grau de robustez, redundância e flexibilidade… É que ao fim ao cabo se tivermos um écran azul no solo de Marte ou de Titã, não podemos chamar a assistência, certo? E isso indica desde logo que não se pode confiar em nenhum dos sistemas operativos disponíveis no mercado, mas em coisas mais ou menos “esotéricas”… Mas um RAD6000 “space computer” construído pela empresa britânica BAE Systems. O dito computador, inserido bem no coração da Phoenix corre como sistema operativo o Vx-Works, um sistema escrito em linguagem C da Wind River Systems.

O RAD6000 utiliza tecnologia comercial, mas reforçada com sistemas de protecção contra radiação. Possuem funções que permitem o controlo remoto da memória local, algo que é vital numa missão espacial onde tudo ocorre a grandes distâncias e sem qualquer possibilidade de interferência local no sistema. O sistema, contudo, tem as interfaces de I/O comuns na maioria dos sistemas informáticos caseiros, nomeadamente o barramento de placas PCI, conectores RS232 e RS422 e portas Firewire. O RAD6000 da Phoenix não é o mais sofisticado computador fabricado pela BAE, sendo este o RAD750TM, o que indica desde logo como a contenção de custos foi um dos aspectos mais determinantes desta sonda marciana.

O RAD6000 foi construído em torno de um processador RISC de 32 bits da IBM a 3,3 volts, o mesmo que esta empresa norte-americana utiliza nas suas workstations IBM RISC System/6000 e congrega uma cache interna de 8 Kb. O processador suporta entre -25 a +105 graus centígrados. Além desta cache, o Phoenix acede a 8 Mbytes de SRAM e uma PROM de 128 Kbytes pesando todo o conjunto menos de um quilograma.

Atualmente, haverá cerca de 400 computadores da série RAD no espaço, no mais diversificado número e tipos de satélites e sondas espaciais e constituem assim o cérebro da maioria dos satélites e sondas espaciais lançadas por países ocidentais nas últimas décadas sendo um dos componentes mais importantes e menos falados da exploração do Espaço pelo Homem…

Fontes:
http://www.eis.na.baesystems.com/sse
http://www.windriver.com/
http://is.gd/DkP
http://edition.cnn.com/2008/TECH/space/06/19/phoenixglitch.ap/index.html?eref=rss_space

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O Brasil como um dos países do mundo onde mais cresce o número de utilizadores de Internet

Brasil é um dos países do mundo onde a taxa de crescimento de novos utilizadores de Internet tem crescido mais. Na origem deste fenómeno está uma confluência de diversos factores, como a apreciação do Real e a consequente redução dos custos dos equipamentos informáticos importados, para além de reduções fiscais na aquisição deste tipo de equipamentos e uma generalizada melhoria dos padrões de vida e do salário médio.

Atualmente, é política oficial do governo brasileiro, recorrer à Internet como forma de reduzir os níveis de crime nas regiões onde estes são mais intensos, nomeadamente nas favelas de São Paulo e Rio de Janeiro. E de facto, o uso da Internet entre estas camadas socio-económicas, especialmente em cibercafés ou instalações de ONGs tem crescido sem parar desde à dez anos e este crescimento explica em grande parte porque é que em 2007 se venderam no Brasil mais computadores do que televisões (ver AQUI). Ou seja, no Brasil já não é preciso pertencer às classes altas ou médias, para navegar na Internet e isso está a transformar a estrutura social de todo o país… Um programa governamental, intitulado “Computadores para todos“, que arrancou em 2003 pretende entregar a todos os brasileiros de menores condições financeiras um computador ligado à Internet, com software de código aberto (Linux, OpenOffice, Firefox, etc), assim como suporte técnico para o mesmo. Este programa esteve na direta origem do aumento em 17% do número de computadores em famílias com rendimentos entre os 600 e os 1000 dólares mensais. Paralelamente corre um outro programa governamental para instalar em 55 mil escolas públicas acessos de banda larga à Internet até 2010, um movimento que está a ser complementado nalguns municípios com a multiplicação de pontos livres de acesso à Internet, usando WiFi e “centros de Internet”, como sucede em São Paulo que deverá ainda este ano aumentar de 238 para 300 postos esse número de centros.

O IBOPE estima que existam hoje no Brasil cerca de 22 milhões de brasileiros com acesso residencial à Internet, mais 56.7% do que em 2007, naquele que representa um dos maiores crescimentos mundiais e que mais poderá alterar a qualidade de vida, e potenciar o desenvolvimento social, cultural e económico do Brasil e resolver os já antigos problemas de dequilíbrio social e económico que afectam a sociedade brasileira.

Fontes:
http://www.worldpoliticsreview.com/Article.aspx?id=1891 http://www.marketingdigital.com.br/index.php/venda-de-computadores-ultrapassa-a-de-televisores/ http://www.computadorparatodos.gov.br/projeto

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Portugal (em percentagem do PIB) é o país-membro que mais contribui para os cofres da UE

Um dos maiores argumentos a favor da permanência de Portugal na União Europeia tem sido o factor financeiro. O volume das “ajudas estruturais” recebidas por Portugal da CEE, primeiro, e depois, da União Europeia só é comparável na nossa História ao afluxo das especiarias da Índia no século XVI e dos diamantes do Brasil XVIII. Contudo, esta situação está a mudar. Se tivermos em consideração a contribuição nacional para o orçamento da União, em percentagem do PIB, Portugal é o maior contribuinte.

A conclusão consta de um estudo promovido pela consultora Deloitte e apresenta Portugal na frente, com 0,96%, logo seguido de Espanha, com 0.93%, França, com 0,91% e Alemanha com 0,78%… O Reino Unido – tradicionalmente um excelente negociador de ajudas financeiras e um dos maiores beneficários da PAC, quando ela existia – contribui com apenas 0,54%, metade do valor comparativo português…

Eis aquilo que é hoje a Europa. Os países mais pobres, surjem nas primeiras listas desta tabela, e os mais ricos ou no meio, ou no fundo da mesma. Dirão que o que importa é o esforço bruto para os cofres comunitários, e que os 0,54% são numericamente muito mais significativos do que os 0,9% portugueses sendo o PIB britânico de 2,147 triliões de dólares e o português de apenas 232 biliões (números de 2007), mas a taxa de esforço portuguesa nem por isso deixa de ser maior do que a britânica, francesa ou alemã, as três ditas “locomotivas” europeias, e que afinal circulam numa via onde o preço do bilhete é mais barato do que a via portuguesa…

A adesão de novos países do leste europeu coloca como certo o fim das ajudas comunitárias e logo, da maior razão para a presença portuguesa nesta Europa que afinal sempre foi muito a da “gente loira do norte” de Agostinho da Silva, e dos seus satélites do leste e do centro da Europa do que do Mediterrâneo, alcunhados pela eurocracia de “ClubMed” inúmeras vezes… E estas ajudas não foram cedidas gratuitamente (não há coisa, como os “almoços grátis”): em troca da evaporação da nossa agricultura, arrancada literalmente do chão, e do abate sistemático da nossa frota, a Europa enviou-nos milhões de euros e tornámo-nos num dos países do mundo mais alcatroados. Mas a indústria e a agricultura do norte encontraram novos mercados e nós, cumprindo a “estratégia” de Cavaco transformá-mos este país numa “economia de serviços” e de Turismo, frágil e altamente dependente dos caprichos do estrangeiro e incapaz de viver sem torrentes infindáveis de importações e com desemprego crónico.

Fontes:
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1296589
http://indexmundi.com/pt/reino_unido/produto_interno_bruto_(pib).html

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Sobre as múltiplas (11) razões da presente alta dos preços dos combustíveis fósseis

(http://graphics8.nytimes.com)

Em contexto de um apelo mais ou menos generalizado ao boicote a várias empresas do ramo da distribuição e da refinação de combustível importa talvez procurar determinar a estrutura de preços do combustível que chega às bombas de gasolina:

1. Na fonte, o preço de compra do petróleo não refinado (em bruto) varia em direta razão das flutuações de preços nos mercados internacionais e, sobretudo do aumento da procura de combustível resultante do aumento de poder de compra registada na última década na Índia e na China, onde se multiplicam as vendas de automóveis particulares e nos países exportadores de petróleo como Angola e a Rússia. O aumento registado nalguns países desenvolvidos das áreas de cultivo alocadas ao cultivo de soja, óleo e milho nos Estados Unidos e na Europa levou ao aumento dos consumos de combustível necessário para estas produções agro-industriais intensivas, assim como daquele gasto em transportar os seus produtos e nos fertilizantes necessários a estes.

2. Há cerca de 3 semanas que os preços do crude têm vindo a cair… mas no mesmo período ocorreu nos preços finais ao consumidor uma única – e ligeirissima – descida. Onde está esta diferença? No bolso das petrolíferas, naturalmente…

3. Existe uma falta crónica – em todo o mundo – da capacidade de refinação de petróleo. Em resposta a esta lacuna, constroem-se em praticamente todos os países do mundo (excepto em Portugal, como sempre…) refinarias modernas e eficientes… A escassa e insuficiente capacidade de refinação atual faz com que a produção de refinados seja insuficiente. Contudo, estas novas refinarias não estão perto de entrar em laboração, já que se tratam de estruturas muito complexas e de grande dimensões que levam entre 5 a 10 anos a construir. E o ritmo da sua construção não é idêntico ao ritmo a que cresce o consumo mundial, especialmente na China e na Índia, pelo que ainda que se resolvam os problemas de produção de crude, não é expectável que a refinação seja capaz de acompanhar este hipotético aumento nos próximos dez anos. Ainda não há ruptura de abastecimento. Simplesmente, a capacidade de refinação mundial anda perigosamente perto das necessidades de consumo e isso está a pressionar os preços e a fazer lucrar muitos especuladores que investem na construção de refinarias e no armazenamento de produtos refinados que vende em poucas semanas, não introduzindo qualquer valor na cadeia de produção.

4. Os desperdícios na exploração e transporte em oleodutos e no armazenamento, especialmente importantes em países como a Nigéria (o maior produtor africano) ou a Rússia (o país que na última década mais tem sustentado o aumento do consumo mundial).

5. A cartelização de preços, imposta pelo OPEC e que esteve já na origem da primeira crise petrolífera tem agora um papel importante também a jogar agora… Os limites de produção determinados pela organização têm como objectivo uma elevação dos preços pela via da contenção das produções pelo estabelecimento de quotas máximas de produção.

6. A guerra no Iraque é responsável pela reduzida capacidade de produção dos campos iraquianos, um país que tem das reservas mais importantes do mundo… Os ataques a oleodutos, postos de bombagem e de silos de armazenamento são menos comuns hoje do que eram antes do “Surge” de forças americanas de 2007, mas a estrutura de produção continua em muito mau estado e os ataques ainda ocorrem pontualmente, especialmente a Sul, na região de Bassorá.

7. A presença de líderes de elevado perfil mediático em países que são grandes produtores e exportadores de petróleo como sucede atualmente no Irão e na Venezuela também contribui para a presença alta dos preços… A cada declaração bombástica de Chavez ou de Ahmadinejad os investimento bolsistas dos especuladores e os cofres das companhias petrolíferas regozijam, já que aumentam as expectativas de eclosão de conflitos regionais que perturbem os canais de exportação de combustível ou que afectem os locais de exploração de petróleo.

8. Ainda recentemente, o ministro argelino dos petróleos, atualmente presidente da OPEP declarou que “na Europa, 85% do preço dos combustíveis eram taxas e só 25% provinha do preço do petróleo”. Ainda que exagerada, a afirmação não está destituída de validade… Em Portugal, o cruzamento, em dupla tributação (manifestamente ilegal) do ISPP (Imposto sobre os Produtos Petrolíferos) e do IVA distorcem violentamente o preço final pago pelo consumidor. E como se tratam – um e outro – de impostos relativos, calculados a partir do valor bruto variável, quando este aumento, estes aumentam igualmente, arrecadando no processo o Estado com um valor crescente (e imprevisto) de novos rendimentos. Esta anomalia moral explica a falta de interesse e empenho que os governos europeus têm manifestado no que concerne ao controlo da alta dos preços e no controlo da cartelização do mercado. E a razão é simples e evidente: quanto mais subirem os preços, mais impostos são arrecadados. Esta óptica cega e contabilística há de contudo acabar por se refletir negativamente no rendimento do fisco, já que os níveis de consumo começa a descer demasiado para poderem continuar a compensar o aumento da carga fiscal relativa… É que claro que quem pode optar, irá usar transportes públicos cada vez mais, mas aqueles que por obrigação profissional (por exemplo, camionistas ou taxistas) ou porque residem em regiões sem cobertura por transportes públicos irão pagar inevitavelmente cada vez mais… pelo menos enquanto o Estado não alterar esta forma de cobrar os seus impostos. E cessar não somente com a imoral dupla tributação do ISP e do IVA, mas sobretudo com a flutuação destas taxas e estabelecendo anualmente um valor fixo e não relativo ao preço-base do combustível, de forma a que cada aumento deste não venha a corresponder automaticamente um aumento da cobrança fiscal. Este automatismo faz com os governos sejam os maiores interessados no aumento do preço base dos combustíveis o que explica a sua apatia perante este grave problema…

9. Em Portugal, o sector da venda a retalho de combustíveis não funciona bem, de acordo com as regras da concorrência porque a Galp domina o mercado grossista e a propria distribuicao, dado o monopólio que está possui no primeiro e a posicao dominante que detem no segundo.

10. A Galp tem apresentado resultados muito positivos nos últimos anos muito devido as suas exportações de refinados para os EUA, a preços inferiores aos que pratica em Portugal, o que por si só prova a sua presença monopolista no mercado nacional.

11. A refinação de petróleo em Portugal está sob o monopólio da Galp, já que todas as refinarias existentes em Portugal são suas. O único projeto que existia para quebrar o monopolio da Galp, foi o de Patrick Monteiro de Barros, em Sines, e foi abortado por “razoes ambientais”, mas que efetivamente se traduziram numa proteção ao monopólio da petrolífera portuguesa. Isto explica a estranha coincidência de subidas de preços praticada pelas várias petrolíferas presentes no mercado português: todas compram o seu petróleo nas refinarias da Galp…

Em conclusão:

São estas as razões que nos levam a crer que é necessário concentrar a nossa atenção – enquanto consumidores – sobre a Galp, e reforçar e relembrar o nosso apelo a UM BOICOTE A COMPRAS DE COMBUSTÍVEL NA GALP, já que esta pela sua posição dominante e monopolista é a verdadeira “chave” para a atenuação deste problema da alta dos combustíveis e dizemos atenuação porque o verdadeiro problema é de fundo e reside na já evidente – a partir de 2007 – ultrapassagem do pico de produção de petróleo…

O problema deste exagero da alta dos preços, não reside, nem na escalada dos lucros das petroliferas nem sequer no fim do pico da produção… Ele reside na influência perniciosa dos especuladores bolsistas nos preços do barril de crude. Contudo, é imoral e economicamente injustificável que em tal contexto de dificuldades, algumas (poucas) multinacionais lucrem mais do que seria normal em circunstâncias menos adversas, e em Portugal esse problema é o problema chamado “Galp”.

Outro problema correlacionado com este, é o da carga fiscal sobre os combustíveis… Mais alta do que em paises europeus mais ricos.

Ps.: Segundo um artigo do Correio da Manha, cada administrador da Galp ganhava… 1413 euros por dia. Fica logo percebido para onde estão a ir estes lucros…

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Quids S12: De férias…

Por duas semanas…

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Máquinas portáteis de… Karaoke!

Um fabricante japonês vai lançar uma… máquina portátil de karaoke. Dando continuidade a um apelo atávico que parece contaminar de uma forma extraordinária a população nipónica, a Takara Tomy, vai comercializar o “Hi-kara”, sob a forma de um cubo de 7 cm de lado que permite que o karoquista escolha uma canção (que pode carregar da Internet e passar por USB para o “Hi-kara”) e que expõe o seu vídeo num pequeno écran de LCD de 5 cm. A privacidade fica assegurada pela existência de auscultadores, permitindo o uso do aparelho até nestas condições:

Se ficou interessado nesta proposta, reserve uns 60 euros na sua bolsa… O aparelho foi concebido, segundo o seu diretor de Marketing, para os jovens que não podem fazer karaoke em locais ao ar livre ou em quartos de dormitório. É que segundo a lei japonesa, os jovens com menos de 16 anos devem deixar as festas de karaoke pelas 18:00 e só quem tenha mais do que 18 pode ficar atè ás 23:00. O que de qualquer forma nos dá a conhecer que a Lei japonesa se dedica a regular essa importante matéria (para o Japão) que é o karaoke…

Fonte:

http://www.reuters.com/article/oddlyEnoughNews/idUSKUA04453720080620

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Os problemas na central nuclear eslovena e o primeiro alerta nuclear europeu jamais emitido

(http://chromatism.net)

Embora tenha passado desapercebido à maioria dos media portugueses e europeus, no começo do mês de Junho, a Eslovénia emitiu um alerta nuclear sobre uma avaria na única central deste país da europa central. Contudo, no dia seguinte, representantes do governo esloveno retirariam de forma mais ou menos misteriosa o alerta e diziam que “estava tudo bem”.

O alerta utilizou um sistema europeu especial de emergência para notificar da ocorrencia de uma fuga de agua no sistema de refrigeração no seu reator nuclear de Krsko. Segundo a Eslovenia, a fuga teria surgido “numa verificacao de rotina” (deja vu em relacao ao acidente de Chernobyl…) e teria ocorrido num circuito de arrefecimento do reactor. Ou seja, num dos sistemas mais criticos da central e onde os efeitos de uma falha catastrofica seriam maiores…

A central eslovena pertence a uma geracao de reactores onde não havia ainda as garantias de seguranca das instalacoes atuais, tendo sido construida em 1981… Um acidente nuclear de proporcoes identicas ou mesmo aproximadas as de Chenobyl seria de grande relevancia para a Europa, dada a situacao central da Eslovenia em relacao a Europa, e isso alias deve ter estado na origem do alerta, sendo esta a primeira vez que o sistema foi estreado… O governo esloveno diz que se tratou de uma avaria pouco grave, mas se foi assim porque encerraram a Central e, sobretudo, porque ativaram o sistema europeu de alerta nuclear? Por outro lado, o primeiro alerta esloveno mencionava tratar-se de “um exercicio”, um erro depois corrigido, mas que levanta suspeitas de encobrimento… Especialmente quando sabemos a idade deste reactor e o facto de por diversas vezes nos ultimos anos ter sido encerrado devido a avarias diversas.

Apesar de se tratar de um dos reatores nucleares mais antigos da Europa, não há planos para o desligar antes de 2023 apesar de uma vaga crescente de protestos nos paises vizinhos e de uma sucessao de acidentes de que este é apenas o mais recente… Este acidente – tenha havido ou uma tentativa de encobrimento – reflete a natureza dos desafios perante os quais esta confrontada a Europa de hoje… O aumento dos precos do petroleo esta a levar alguns governos a considerar o prolongamento da vida dos reactores nucleares mais antigos, como sucede em Espanha (apesar da oposicao do governo Zapatero) e isso pode explicar a vontade eslovena em diminuir a escala das avarias com o seu único reactor… Mas tendo em conta a proporcao que uma dissolução do nucleo, provocada precisamente por uma falha no sistema de arrefecimento, não se devia impor da propria União Europeia uma decisão que definisse um prazo (e um quadro de apoios) que determinasse o encerramento a muito curto prazo de reactores desta geração no espaço europeu? Quer isto implicasse a sua substituição por novos reactores, quer não… Mas sendo certo que deviam ser encerrados, de uma forma ou de outra.

Fontes:
http://www.energy-daily.com/reports/Slovenia_nuclear_plant_back_on_after_alert_999.html

http://www.msnbc.msn.com/id/24971614

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A polícia chinesa expulsa os repórteres estrangeiros das zonas onde ocorrem protestos contra o governo

(Pai chorando sobre as ruínas da escola onde morreu o seu filho, em Sichuan in http://www.cbc.ca)

Uma notícia que não mereceu o devido destaque no Ocidente e, sobretudo nos media portugueses, foi aquela que deu conta da expulsão de repórteres estrangeiros pela polícia da cidade de Dujiangyan, onde o colapso estrutural de várias escolas provocou a ira de familiares contra as administrações locais acusadas de laxismo e incompetência… A expulsão – que colide com promessas governamentais por uma total abertura – reflete um tique totalitário por parte de um dos regimes mais autoritários do mundo que recentemente a propósito das Olimpíadas de Pequim tinha prometido uma maior abertura.

A medida reflecte quão superficial é e a “abertura” chinesa e a nova capacidade da sua população para se manifestar contra a incompetência e a corrupção que contaminam ainda muitos escalões da administração local chinesa.

No total, estima-se que mais de sete mil escolas tenham ruído na afectada província de Sichuan, tendo a maioria delas desabado enquanto edifícios privados, mais antigos, se mantinham de pé, uma anomalia que desde cedo levantou serias dúvidas sobre a qualidade da sua construção. Estes sinais de que algo de muito errado se passa com a construção de escolas na China foram aliás confirmados pela ordem emitida em Julho pelo governo de Pequim para que as autoridades locais da China verificassem a capacidade anti-sísmicas das suas escolas, indicando que a ma construção destes edifícios não se limita apenas a Sichuan e que a ordem de Deng para que “enriqueçam” tem sido seguida de forma demasiado literal e amoral por muitos membros da administração e do empresariado chineses, a custa do sacrifício da sua própria população e da morte de dezenas de milhar de crianças no terremoto de Abril, em Sichuan…

Fonte:
http://news.yahoo.com/s/afp/20080612/wl_asia_afp/chinaquakemediacensor

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Os satélites TESS: Descobridores especializados de planetas a lançar em 2012

TESS
(Um satélite TESS in http://web.mit.edu)

Uma equipa do MIT (“Massachusetts Institute of Technology”) liderada pelo professor George R. Ricker está a desenvolver aquele que é um dos projectos que potencialmente poderá ser mais importante para a da humanidade: uma rede de satélites capaz de vigiar todo o céu em busca de planetas extra-solares que passem à frente de estrelas. O sistema será suficientemente sensível ao ponto de poder detectar planetas semelhantes à Terra, isto é… Com as condições devidas para poder gerar e albergar vida semelhante à terrestre.

O curioso nesta história é que o projecto está a ser parcialmente financiado pela Google e que graças ao seu novo “Google Sky” já mostra o firmamento aos seus utilizadores e agora vai pagar pelas câmaras de grande angular que vão equipar estes satélites. A Google vai também contribuir com a sua equipa de engenheiros para desenvolver formas de processar os grandes volumes de informação gerados por essas câmaras.

O satélite TESS (“Transiting Exoplanet Survey Satellite”) deverá ser lançado em 2012 e deverá começar a produzir quase imediatamente dados que vão localizar planetas semelhantes à Terra… Até agora já se conhecem mais de 200 planetas extra-solares, mas são quase todos planetas gigantes, como Júpiter, mas este sistema vai fazer subir este número já que em vez da técnica de detecção mais comum que passa pela observação de alterações gravitacionais nas órbitas estelares, o sistema será capaz de detectar as ínfimas alterações de luz quando um pequeno planeta passa à frente de uma estrela, fazendo com que o número de 20 planetas descobertos até hoje com essa técnica suba exponencialmente.

As câmaras do TESS terão a espantosa resolução de… 192 megapixels (192 vezes mais que a câmara do meu qtek 9100…) e serão capazes de cobrir todo o firmamento, incluindo assim mais de dois milhões de estrelas, esperando-se que o TESS seja capaz de identificar entre estes dois milhões mais de mil sistemas planetários em apenas dois anos.

Fonte:
MIT

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Quids S12-50: O que caiu por este buraco e onde está o dito?

Dificuldade: 3

Regras:

1. Cada Quid valerá entre 1 a 3 pontos.
2. Cada pista fornecida deduzirá um ponto aos pontos correntes ao Quid, parando esta descida em 1 ponto.
3. Não serão dadas pistas no próprio dia do lançamento do mesmo, mas apenas no período seguinte (12:30-14:30 do dia seguinte, juntamente com o lançamento do Quid seguinte). Contudo, nesse período do dia seguinte podem ser dadas várias pistas, se pedidas.
4. Os Quids terminam quando um concorrente chegar aos 50 pontos.


ESTE É O ÚLTIMO QUID DURANTE DUAS SEMANAS!

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Do futuro da Lusofonia

(http://www.teiaportuguesa.com)

1. O que é a “Lusofonia”?

Antes de nos dedicarmos ao tema “O Futuro da Lusofonia”, é preciso, antes do mais, procurar saber o que é hoje a “Lusofonia”…

A “Lusofonia” não pode ser descrita como a classificação que reúne todos aqueles que falam uma forma ou variante da língua portuguesa, essa descrição castradora e redutora não explica nada e, na sua esterilidade, esgota o significado da palavra. Ainda que nos possamos deixar seduzir pela pura interpretação etimológica do termo, não o devemos fazer porque tal implicaria desprezar o facto de que cada palavra tem uma alma própria e que a alma da palavra “Lusofonia” extravasa em muito o seu simples valor enciclopédico.

2. Introdução

A Lusofonia e o seu espaço não se esgotam nos oito países membros da CPLP. Existem ainda lusófonos em locais tão diversos como Goa, Malaca, Flores e na nossa muito próxima geográfica e emocionalmente, irmã Galiza. É esta dispersão que nos deve levar a encarar a Lusofonia como uma “herança” dos povos que comungam a língua portuguesa, mas como uma promessa de futuro.

É impossível separar a Lusofonia da inclinação messiânica patente na mentalidade portuguesa. Desde cedo, provavelmente ainda antes da própria nacionalidade, com Sertório e Viriato, se podia localizar no ânimo destas gentes na sua luta desigual contra a maior potência da sua época, uma certa teimosia de carácter que contradizia a crua rudeza dos factos. A energia que alimentava esta resistência vinha do mesmo fundo messiânico que, depois, reencontramos em Fernão Passos, no seu panegírico a D. João I e, depois em António Vieira, Fernando Pessoa e, em tempos mais recentes, em Agostinho da Silva. Esta energia messiânica, propulsou os marinheiros, exploradores e navegadores da Expansão portuguesa pelo mundo fora, cravando sementes de Lusofonia nos locais onde o império ultramarino se foi estabelecendo e, quando estas partes do Império ganharam autonomia e independência a Lusofonia ganhou um novo vigor e dinamismo. Ao escolherem a independência e, simultaneamente, a língua portuguesa como matriz unificadora, estes países africanos, o Brasil e Timor deram ao português uma nova relevância e importância.

A Lusofonia é a encarnação moderna de outros mitos de antanho, que atravessaram o corpo mítico da alma portuguesa desde o dito Milagre de Ourique e que no passado eram reconhecidos como “Quinto Império” ou “Império do Espírito Santo”. A Lusofonia, assim como a União Lusófona que poderá ser a sua mais plena e pura evolução consiste assim na forma contemporânea que esses mitos assumem hoje.

A forma que a Lusofonia vai assumir no mundo é – acreditamos – bem diversa dos impérios universais que dominaram no passado a Terra. Não estamos mais em momento de ver o mundo ser dominado por uma grande superpotência, como a Inglaterra do século XIX ou dividido por dois grandes eixos, como o Estados Unidos e a União Soviética. O século XXI é a época das potências médias, como a Índia, a China e o Brasil… A Rússia, cerne fundamental da antiga União Soviética, está esgotada e em erosão demográfica acelerada e os EUA entraram num profundo e duradouro de declínio, consumidos a partir do interior por uma crise económica profunda e por uma guerra esgotante no Iraque. A China, tida por muitos como a grande potência do século, não tem ainda a força económica e militar capaz de justificar esse papel, e começa, também ela a dar sinais de um lento, mas progressivo declínio… O mundo será pois das potências médias e do delicado equilíbrio estabelecido entre elas, o que devolverá ao diálogo e à negociação um papel inédito na História do Homem. Não havendo assim uma única ou um par de superpotencias, o “Quinto Império”, expressão suprema da Lusofonia não poderá ser material, militar ou mesmo económico. Terá que ser uma construção mental, um arquétipo revivificado de eras passadas, exactamente como anteviu Vieira na sua “História do Futuro”: “É conclusão, e de fé, que este Quinto Império de que falamos, anunciado e prometido pelos profetas, é o Império de Cristo e dos cristãos (…) contudo, a sentença comum dos santos e recebida e seguida como certa por todos os expositores é que (…) é Império da Terra e na Terra (…) espiritual no governo, espiritual no uso, nas expressões e no exercício.” A mesma noção foi depois recuperada por Fernando Pessoa: “Não há separação essencial entre os povos que falam a língua portuguesa. Embora Portugal e o Brasil sejam politicamente nações diferentes, contêm, por sistema, uma direcção imperial comum, a que é mister que obedeçam.” e, mais adiante: “Acima da ideia do Império Português, subordinado ao espírito definido pela língua portuguesa, não há fórmula política nem ideia religiosa, (…) Condições imediatas do Império da Cultura é uma língua apta para isso, rica, gramaticalmente completa, fortemente nacional.”

3. A “Lusofonia” e as demais “-fonias” do Mundo

Poderíamos depurar e dissecar o significado de “Lusofonia” comparando-o com outras designações da mesma classe, como as palavras que são usadas para descrever a utilização da língua inglesa ou francesa, mas, de facto, não podemos usar “Lusofonia” da mesma forma que podemos falar de “anglofonia” ou “francofonia”. Se estes termos designam sobretudo diferenças técnicas e operativas quase puras, em que o factor económico é fundamental para que alguém se mantenha na esfera destas duas grandes línguas universais, já a carga emocional da “Lusofonia” – o falar português – é muito mais profunda e cultural do que a mera partilha da mesma língua da antiga potência colonial.

4. Saudade, Saudade do Futuro e Pós-Saudade

A Utopia da Lusofonia é a transposição para o futuro da “Saudade”, um sentimento muito lusófono e especialmente intenso nos portugueses cujo impacto negativo tem arrastado gerações a um encravamento no imobilismo e ao seguidismo servil dos últimos séculos. Mas a Saudade não é apenas um termo que se esgota no passado. A Saudade é também uma ponte mental e linguística para o futuro. Assim, “saudade do Futuro” ou “Pós-Saudade” e “Lusofonia” ou “Quinto Império”, ou ainda, “União Lusófona”, são, de facto, sinónimos e manifestações da mesma realidade. Sendo “Pós-Saudade”, a Lusofonia é um sentimento colectivo inclinado para o futuro. A expressão física da Lusofonia vai passar necessariamente pela sua transmutação de um organismo cultural e transnacional, numa instituição social e política, mas também transnacional, erguida a partir do protoplasma constituído pela língua portuguesa e pela comunhão dos seus falantes, protoplasma esse que julgamos reconhecer na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) cujo desenvolvimento deve ser para todos aqueles que crêem no futuro da Lusofonia e na mais completa expressão da “alma portuguesa”, uma primeira prioridade.

5. Da Diversidade do “Espírito da Lusofonia”

Pelas suas raízes culturais e linguísticas, a Lusofonia é profundamente diversa das formas de imperialismo económico, militar e político que brotaram dos países de matriz cultural germânica. Pela sua diferença é uma forma de sociedade menos paternalista e neocolonial do que os impérios que hoje utilizam o processo da “Globalização” para fazer afirmar o seu poder no mundo. Nenhum país da Lusofonia tem hoje a expressão militar, económica ou demográfica suficientes para que isoladamente possa influir significativamente nos destinos do mundo. Nenhum dos seus países é uma ameaça militar ou territorial para nenhum dos seus vizinhos. Nenhum país lusófono acolhe na sua matriz cultural e religiosa os radicalismos hoje em dia infelizmente tão comuns e viçosos em tantos países do terceiro e do segundo mundo. Pela característica comum a todos os povos lusófonos que é da sua capacidade miscigenadora, tão evidente no Brasil, em Angola e até em Portugal, os países desta futura “Comunidade Lusófona” serão capazes, como mais nenhuns de federar, de unificar pelo exemplo da coexistência religiosa e étnica outros países. Primeiro, semeando o exemplo, e colhendo o fruto deste, entre os países latinos e da bacia do Mediterrâneo, e expandindo pacificamente e voluntariamente esta “Comunidade Lusófona” até uma “Comunidade Latina”, cumprindo o sonho de Agostinho da Silva, depois, por fim, este núcleo trans-continental, unindo todos os povos de fala castelhana e portuguesa estará pronto para alavancar o próximo voo: o de formar uma União Mundial, coesa, diversa e pacífica, que encerre definitivamente o triste e sangrento capítulo bélico da História Humana e que, assim, enfim, permita que o Homem alcance a sua mais plena realização, que é a realização do Eu, pela supressão do mesmo, a favor do bem comum, da realização e do cumprimento da plena criatividade humana sem o dispêndio de energias e recursos preciosos e sempre escassos em atividades belicistas e fratricidas, como aquelas que consomem tanto tempo e recursos a tantos países deste nosso turbulento mundo.
Uma das maiores forças da Lusofonia e um critério que ela detêm quase em absoluta exclusividade com outras línguas universais é a natureza da sua dispersão que resulta muito menos de uma colonização massificada ou de um imperialismo militar ou até de uma explosão demográfica, mas muito mais de uma diáspora migrante que lançou os esporos da Lusofonia e os implantou pelo mundo fora. A sobrevivência da língua e da cultura Lusófonas em locais tão inesperados e inadequados ao seu desenvolvimento, como as pequenas comunidades portugueses nos países do primeiro mundo de expressão anglófona ou germanofóna, entre goeses, em Malaca, na Malásia, ou nas Flores e na Índia profunda, exprime a sua resilência e instinto de sobrevivência.

6. Portugal e o Brasil: Papel respectivo na “liderança” da Lusofonia

Portugal, pela história e pelo seu património, é a matriz mental e geográfica do português. Mas poderá ser ainda hoje considerado como a referência absoluta da língua? Sendo imparciais, tanto quanto nos é possível sê-lo a partir da nossa própria nacionalidade, temos que admitir que hoje, o Brasil, pelo gigantismo da sua geografia, pelo número simples da sua população e até, e sobretudo pelo dinamismo da sua economia tem todas as condições para se assumir como líder deste movimento pan-lusófono que julgamos reconhecer no destino coletivo dos povos lusófonos. Por “liderança”, significa que agora, encerrado o capítulo dos “impérios mundiais”, devemos procurar no Brasil, a nova capital de um império lusófono que se estenda de Díli a Lisboa? Não o cremos… os tempos não o permitem mais… Hoje em dia, assistimos à deprimente e lenta agonia do melhor e mais poderoso exército da história mundial nos pobres subúrbios de Bagdade e Mossul, e este exemplo devia ensinar-nos que não poderemos ver “tropas brasileiras” ocupando a Praça do Chiado ou os Jerónimos, não tanto, quanto veremos pára-quedistas angolanos ou portugueses tomando o Palácio do Planalto… Temeremos então o dito “colonialismo económico”? A monumentalidade dos índices brasileiros (número de energia gerada, de petróleo extraído, de cana de açúcar, etc) pode indiciar que aqueles que receiam esta forma renovada de império têm razão para o temer… mas de que serve o predomínio económico sem as devidas bases culturais ou sociais? E nada faz antever na sociedade brasileira uma vontade para o expansionismo ou para o intervencionismo. Bem pelo contrário, tradicionalmente o Brasil sempre teve nesse cenário – internacional e diplomático – um perfil excessivamente modesto e inadequado para a importância demográfica e económica que o país já tem na cena internacional.

7. A Força da Dispersão

Poucas línguas no mundo são faladas por gentes tão diversas e tão dispersas geográfica e culturalmente falando como o português. A praticamente única extensão geográfica do português no mundo é um resultado direto da História dos Descobrimentos e da Expansão Portuguesa e, como tal, um testemunho vivo do passado secular de Portugal. Consequentemente, a própria Lusofonia carrega em si mesma o peso deste passado já que os velhos conflitos entre colonos, colonizadores e colonizados trespassam ainda muitas das realidades políticas e sociais dos países lusófonos e servem de canga que impede o seu maior aprofundamento. Apesar deste peso morto, a Lusofonia não tem – nem de perto – a mesma carga histórica negativa que transportam a francofonia ou até a anglofonia. E mesmo onde ela ainda existe – consequência das guerras de Libertação, é mais ténue e foi já reduzida pelo passar do tempo e pela reaproximação motivada pelos fluxos migratórios.

Sérgio Buarque da Holanda, nas “Raízes do Brasil” ao abordar a herança lusa do Brasil, inventa a expressão “territórios-ponte” e encontra assim a âncora fundadora do papel de Portugal futuro no mundo. Foi para espalhar esses “territórios-ponte” que a presença portuguesa no Marrocos se limitou sempre à posse de algumas praças-fortes. Foi para aplicar esse modelo que se invadiu Ceuta e que não havia então projetos para expandir a partir daí, pelo interior marroquino fora a “terra portuguesa” em África. Foi para lançar essas estacas pelo mundo que a presença portuguesa no Oriente se caracterizou sempre pelo controlo de algumas centenas de feitorias dispersas e de dezenas de cidades-chave como Diu, Goa, Malaca e Macau e nunca ambicionou – como ambicionaram e cumpriram ingleses e russos – à posse de países e continentes inteiros. E quando os projetos portugueses no Oriente se abastardaram – fruto das influências de Maquiavel e do norte da Europa – e se delinearam fátuos e irrealistas planos para conquistar o “império da terra” na Índia ou para ligar as duas costas de África ou para ocupar todo o reino de Marrocos, por isso quando tais e tamanhos abastardamentos à missão universal de Portugal foram cumpridos, pagámos, e pagámos bem com a perda da nossa independência nacional, com a perda de numerosas e excelentes gentes em lutas desproporcionais e absurdas até bem dentro do século XX. Entre todas estas tentativas de quebrar o mandato imerso na missão portuguesa dos Descobrimentos, apenas o Brasil se salvou… Só nele, se constituiu um imenso “império de terra”, pelo sertão dentro e por bandeira fora. Ou não… A ocupação portuguesa do Brasil foi uma espécie de “navegação por terra”, sempre à vista do último entreposto conhecido, batendo a sertania, vencendo a natureza ou o índio mais desconfiado em busca de riquezas e aceitando o desafio imposto pela aventura. Esses “navegadores da terra”, que foram os bandeirantes, não eram os líderes de expedições militares organizadas e massivamente municiadas a partir da longínqua e enfraquecida metrópole, mas aventureiros que sozinhos penetraram no sertão e ergueram a majestosa fronteira que é hoje o Brasil.

Foi para formar estes “territórios-ponte” que o destino de Portugal o levou ao processo dos Descobrimentos e da Expansão ultramarina. Quando Portugal e os seus governantes tentaram transformar essa rede dispersa e leve de feitorias e entrepostos comerciais num império convencional e “pesado”, Portugal tornou-se naquele “anão com braços de gigante procurando abraçar o mundo” de Pessoa, que, nesse esforço vão e inglório se haveria de esgotar e comprometer a sua missão histórica. O império ultramarino não se fez para espalhar pelo mundo uma multidão de colónias impossíveis de defender, mas para plantar sementes que possibilitariam mais tarde a aparição de uma nova forma de entidade política a partir do florescimento destes “territórios-ponte” unindo continentes, etnias e culturas tão diversas não pela força das armas nem do império da economia (com “e” pequeno). É por este impulso quase secreto e subterrâneo para o estabelecimento de pontes entre povos, servindo de intermediário comercial e preocupando-se quase nunca com o seu senhoreio, e quase sempre com a defesa das rotas e dos entrepostos comerciais que se diz que Portugal foi o responsável pela primeira Globalização. Se antes as comunicação e os escambos entre os mais diversos e longínquos povos do mundo eram a excepção, a partir da Expansão portuguesa tornaram-se a regra. E esta regra assentou no plantio organizado de uma rede fina, mas longa, de estabelecimento, de interdependências comerciais unindo povos, religiões e civilizações que anteriormente mal se conheciam. E porque concebeu Portugal este conceito de “territórios-ponte” e não qualquer outra potência europeia? Desde logo porque Portugal é ele próprio, no contexto europeu um “território-ponte”, um dos Estados mais antigos e de fronteiras historicamente melhor delimitadas, mas assente num dos extremos do subcontinente, longe dos centros mediterrâneos que a governaram na Antiguidade e novamente longe dos centros norte-europeus que hoje a regem. Periférico por excelência, Portugal soube contudo captar a si diversas e sucessivas vagas de invasores e migrantes que se foram submetendo, camada após camada a um substrato meio misterioso que alguns fazem radicar na tradição atlante e outros em raízes semitas ou norte-africanas (cabilas). Esta essência periférica da alma portuguesa fez com as suas formas de ver o mundo e de o integrar no quadro de pensamento individual fossem sempre propícias ao estabelecimento de laços comerciais e de intercâmbio cultural e civilizacional com outros povos, não os procurando submergir por debaixo de dilúvios de fogo e aço, como sempre procuraram fazer os demais povos colonizadores do norte da Europa, mas buscando sempre as demais culturas procurando cumprir ditames de ordem religiosa, em primeiro lugar, como implicavam os mandamentos mentais da época, mas procurando sempre a satisfação da vontade de conhecer novas gentes e mares e de procurar lucro através de mecanismos de troca que tinham que inevitavelmente prosperar apenas em condições de Paz e não de guerra constante. Por isso, é que o domínio português procurou sempre ser uma presença pacífica: não só porque faltassem os meios humanos e materiais para manter um tal controlo pela força, mas porque este tipo de controlo iria inevitavelmente prejudicar o bom desenvolvimento das relações culturais e comerciais com as populações locais.

Encontramos uma outra chave para a compreensão do problema de saber porque foi em Portugal que se procuraram estabelecer “territórios-ponte” no carácter étnico dos portugueses como uma das populações mais miscigenadas da Europa. Esta rara característica, identificada pelo professor Luís Adão da Fonseca, ao descrever Portugal como “um país de transição”, formatado e gerado pela justaposição e cruzamento de povos e culturas diversas e mais miscigenado e “impuro” que qualquer outra nação europeia. Só uma nação de “rafeiros” poderia erguer esse milagre continental que é o Brasil, senão vejamos a dispersão que condenou a América espanhola à irrelevância política… Só um país como Portugal, que vê cruzar na sua alma, a transcendência judaica, a contemplação berbere, a valentia germânica e a organização prática latina, com mais alguns múltiplos vestígios poderia deitar a semente desta portugalidade que se chama hoje “Portugal”, mas que se poderia chamar “Mundo” ou “Quinto Império-União Lusófona”, não fosse o sacrifício da generosidade cometido pelo sacrifício do “Infante Santo” em Tânger, pelo pecado da intolerância religiosa de Dom João III e pela teimosia cruel de sacrificar tantas gentes na defesa impossível de um império de Timor a Arzila, passando por Diu e pela Ilha de Moçambique, uma tarefa ciclópica e impossível de cumprir com sucesso e que esgotando Portugal e os portugueses, haveria de levar à perda da independência, após Dom Sebastião e ao trágico e castrante divórcio entre as elites detentoras do Poder e o Povo, registado desde 1640 e ainda muito visível nos dias de hoje.

8. A Anglofonia: A maior ameaça à sobrevivência e afirmação do português no futuro

Se a ameaça à sobrevivência da Lusofonia não reside nem na sua enorme dispersão geográfica nem na escassez da sua demografia, onde esta ela então? Esta, tão somente, na Internet e no próprio processo da “globalização”… Uma e outra assentam no emprego da língua inglesa como língua franca dos negócios ou da busca e escambo de ideias e informação no ciberespaco. Como sucedeu antes, por exemplo, com Roma ou com quase todas colónias europeias, se o uso de uma língua franca ou “de negócios” se generalizar o suficiente acaba por absorver as línguas locais, que se transformam em línguas mortas, exatamente como o latim fez esquecer o ibero e como o inglês, o francês e ate o português fizeram esquecer – por sua vez – o latim…

Se hoje em dia, um cibernauta precisa de dialogar ou contactar com outro que não domine a sua língua nativa, recorre inevitavelmente ao inglês. E a quantidade espantosa de conteúdos que hoje já existem em inglês no ciberespaco, na Wikipedia ou dispersos em centenas de milhões de outras fontes, torna difícil que se possa contornar a inevitabilidade do uso do ingle na Internet. Neste aspecto, as tentativas gaulesas para contrabalançar a influência do inglês tornam-se quase patéticas…

Mas sendo o inglês a língua dos mercadores e dos cibernautas terá que ser também a língua do nosso futuro? Não necessariamente… Existem já hoje conteúdos em português suficientes para assegurar um numero razoável de retornos em qualquer busca feita em qualquer motor de busca… E a Wikipedia assim como a Blogoesfera Lusófonas são das mais ricas e dinâmicas do planeta. Assim, a Internet pode assumir-se como canal de vida da língua portuguesa e não necessariamente como via para a sua absorção pelo inglês, como temem alguns… Sendo que a melhor defesa terá que passar pelo reforço de conteúdos em português, pelo apoio governamental e institucional aos mesmos (nomeadamente a Wikipedia Lusófona) e porventura organizando ate uma enciclopédia Lusófona na Internet com os padrões de validação académica e cientifica que não podem caracterizar (pelo seu voluntarismo e dinamismo muito próprios a Wikipedia). A esse proto-projeto chamaríamos nos de “Lusopedia” e permitiria disponibilizar aos estudantes dos primeiros níveis de ensino a informação que hoje só encontram na nem sempre muito fiável Wikipedia ou que lhes surge em língua inglesa. Pelos seus custos, validação cientifica e âmbito educacional o projeto teria que ser patrocinado pelos ministros da Educação dos países da CPLP, mas os seus benefícios poderiam ser enormes quer para a educação das camadas mais jovens, quer ate para a sobrevivência da Lusofonia a longo prazo.

9. A Lusofonia como elemento diferenciador e esteio de independência nacionalista

A aproximação da Guiné-Bissau à Francofonia e a adesão de Moçambique à Commenwealth são sinais desencorajadores para quem quer que almeje para a Lusofonia voos mais largos. Mas decorrem sobretudo de uma pressão económica e cultural tremenda que a francofonia (no caso da Guiné-Bissau) e a anglofonia (no caso de Moçambique) exercem sobre as antigas colónias portuguesas em África aproveitando o recuo nítido da cooperação portuguesa e o desinteresse estratégico dos últimos governos nestas questões da língua e do desenvolvimento das competencias e funções da CPLP.

Neste contexto, se Moçambique e a Guiné-Bissau podem manter a sua individualidade e ate, a sua independência não o podem fazer nem etnicamente nem pelas línguas locais já que partilham umas e outras com os seus vizinhos. A afirmação da sua independência terá sempre que se fazer assim, pela diferença, e esta, mercê da juventude da sua Historia escrita só pode ser buscada na língua portuguesa, verdadeiro pilar destas jovens nacionalidades africanas.

A língua portuguesa, em países frequentemente por dilacerados por conflitos étnicos e tribais intensos e resultantes de linhas fronteiriças traçadas a esquadro e a independências apressadas pela teimosia colonial do Antigo Regime, pode alem do mais afirmar-se como elemento estabilizador, pacificador e ate, unificador nesses países. Nesse sentido e nestas geografias, defender o português falado e sentido pode ser uma forma de defender a paz e o desenvolvimento social e económico destas nações…

10. Agostinho da Silva; Quinto Império e Reino do Espírito Santo: Formas de Lusofonia e do Futuro da mesma

Agostinho da Silva não apreciava particularmente o termo “Quinto Império” e preferia a designação “Reino do Espírito Santo”, precisamente porque acreditava que aquilo que uniria as várias partes dessa nova instituição, de um novo e revolucionário tipo de organização social era a devoção do Espírito Santo. Seria este culto, muito particular e único pela capacidade de reunir sobre o mesmo tecto todas as religiões do Livro que uniria as populações dispersas pelo mundo e pelo credo religioso e que serviria de primeiro e maior esteio para a nova forma de organização política e social que se designaria por “Quinto Império” e que hoje julgamos poder antever como a manifestação simultaneamente passada e futura da Lusofonia.

A essência da nova sociedade do Quinto Império seria a adoção da inocência infantil como o modelo social fundamental, algo que no culto do Espírito Santo era expresso pela coração do “Imperador-menino”, que ainda hoje persiste neste culto nos Açores. Esta sociedade ideal era também a da gratuitidade, da partilha e da liberdade, exemplificadas pelas ceias gratuitas e pela ritual libertação dos prisioneiros.

Adaptando o conceito de “Quinto Império”, à Lusofonia, o linguista brasileiro Sílvio Elia divide o espaço lusófono entre:
Lusitânia Antiga: Portugal
Lusitânia Nova: Brasil
Lusitânia Novíssima: países africanos de expressão Lusófona e Timor
Lusitânia Perdida: incluindo os territórios perdidos de Goa, Damão e Diu. Assim como Malaca, Flores e outras partes dispersas da Lusofonia.

Foi também o professor brasileiro Celso Cunha que escreveu: “Essa república do português não tem uma capital demarcada. Não está em Lisboa, nem em Coimbra; não está em Brasília, nem no Rio de Janeiro. A capital da língua portuguesa está onde estiver o meridiano da cultura.” É impossível descrever com maior clareza a mais verdadeira natureza deste “império” de um novo tipo que sem um “centro político imperial”, como aqueles que caracterizaram todos os impérios do passado, possa servir de pólo agregador e de baluarte contra as investidas de culturas mais hegemónicas (anglófona ou chinesa) que se procuram hoje, impor ao mundo, já que tendo a uni-los, critérios e factores culturais e linguísticos, mais do que económicos e militares, estes povos da Lusofonia serão o protótipo e o arquétipo cumprido de um novo tipo de organização social que os profetas e visionários do passado viram na forma a que designaram de “Quinto Império”, na falta de melhor expressão.

11. O Próximo Passo da Lusofonia

A Lusofonia só faz sentido enquanto caminho para um local que se chama “universalismo”. Essa é a razão pela qual a Lusofonia se encontra hoje dispersa por cinco continentes. Tal não acontece por um acaso da História – que tal tipo de eventos não conhece – mas por um determinismo causal que brota do inconsciente colectivo que determinou a fundação dessa “ideia de sociedade” que cristalizou no século XI no extremo ocidental da Península Ibérica, para depois se propor no mundo e – muito especialmente – em terras brasílicas, alcançando aqui a sua expressão mais acabada de pensamento criativo, alegria de viver, optimismo imanente e poder de imprevisão. Qualidades característica da cultura portuguesa, extrapoladas pelas particularidades geográficas e climáticas brasileiras e pelo cruzamento de tantas e tão diversas etnias e culturas migrantes.

O “humanismo universalista” dos portugueses de Jaime Cortesão é a energia que pode impulsionar Portugal para além do confinamento “pequeno europeu” onde os senhores do Norte da Europa o querem encastrar. Portugal só terá futuro, na medida em que souber – enquanto entidade colectiva – transgredir estas regras e regulamentos castrantes que lhe querem impor. Portugal, os portugueses de Portugal e aqueles que vivem (por vezes com maior liberdade) no coração de cada lusófono, só podem exprimir a sua vocação universalista transformando a Lusofonia num novo tipo de organização política que dê substância, assentamento e alicerce à cultura Lusófona. A essa forma, chamou António Vieira e Fernando Pessoa de “Quinto Império”, Agostinho da Silva, “Império do Espírito Santo” e hoje… chamaríamos nós (passo a injusta comparação) de… “União Lusófona”.

Fontes na Internet:

http://www.noticiaslusofonas.com/view.php?load=arcview&article=12401&catogory=CPLP
http://ciberduvidas.com/lusofonias.php?rid=102
http://www.portugal-linha.pt/literatura/com12.html
http://www.teiaportuguesa.com/programalusofonia.htm

Fontes Escritas:

A Língua Portuguesa no Mundo, de Sílvio Elia, Ática, S. Paulo, 1989
Disperso, de Agostinho da Silva, Icalp, Lisboa, 1988
Fernando Cristóvão (texto publicado originalmente na revista “Humanidades”, Lisboa, Setembro de 2002)
Francisco Manuel Napoleão, Notícias Lusófonas
História do Futuro, do Padre António Vieira, in Obras Escolhidas, Sá da Costa, Lisboa, 1953
Pessoa Inédito de Teresa Rita Lopes, Livros Horizonte, Lisboa, 1993

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Quids S12-49: Que navio era este?

Dificuldade:2

Regras:

1. Cada Quids valerá entre 1 a 3 pontos.
2. Cada pista fornecida deduzirá um ponto aos pontos correntes ao Quid, parando esta descida em 1 ponto.
3. Não serão dadas pistas no próprio dia do lançamento do mesmo, mas apenas no período seguinte (12:30-14:30 do dia seguinte, juntamente com o lançamento do Quid seguinte). Contudo, nesse período do dia seguinte podem ser dadas várias pistas, se pedidas.
4. Os Quids terminam quando um concorrente chegar aos 50 pontos.

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O Kaguya japonês: o melhor satélite actualmente em órbita lunar

Selene

(O Kaguya in http://www.jaxa.jp)

Existem hoje mais de meio milhar de satélites activos em órbita da Terra. Nada de parecido se passa em torno da Lua, mas… na sua devida escala, cedo haverá por aqui um pequeno engarrafamento. A China, a Índia, o Japão, a Rússia e os EUA enviaram, têm ou estão a enviar satélites para a Lua. Destes países, dois já têm satélites activos: o Japão e a China orbitam neste momento o nosso satélite natural. O Kaguya japonês (antes chamada de Selene) chegou à Lua em 2007 e a sua missão é a de fazer mapas detalhados da superfície lunar, procurando água gelada em crateras profundas e resguardadas da luz solar e estudar o campo gravitacional da Lua. A sonda japonesa é a maior e mais poderosas de todas as sondas actualmente na Lua, consistindo em três satélites distintos, separados entre si e com instrumentos excelentes, cumprindo trabalho e recolhendo dados que mais nenhuma outra sonda pode fornecer e sobretudo, consegue apontar todos os seus instrumentos para um único local no solo lunar e recolher dados em simultâneo. No total, o satélite principal da Kaguya transporta 13 instrumentos diferentes, o que dá uma boa medida da escala e da ambição lunar japonesa.

Fonte: NASA Podcast, Fevereiro de 2008

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Onde está o Xanana que conhecíamos? Suspeitas de corrupção, negócios duvidosos com multinacionais indonésias e… 65 jipões

O governo timorense está a ser muito criticado internamente pela decisão de reservar um sexto da terra arável do seu pequeno país (ou 1/4, segundo a Fretilim) a um projeto estrangeiro para a produção de biocombustível a partir do etanol que deverá ultrapassar os cem milhões de dólares de investimento total. As críticas são lideradas pela Fretilin, na oposição e dizem respeito a um memorando de entendimento entre o Governo de Xanana Gusmão e a multinacional “GTLeste Biotech”, detida (aparentemente) por capitais indonésios.

A GTLeste vai investir neste projeto de produção de etanol mais de 100 milhões de dólares por 100 mil hectares e uma fábrica de produção de etanol e vai garantir à multinacional a utilização desta extensa parcela do pequeno território timorense durante cinquenta anos, com a opção de renovação por mais século. Basicamente, o governo de Xanana entrega a uma multinacional indonésia, durante 50 ou 100 anos um sexto da terra arável do seu país… Posta assim a questão compreendem-se bem as reservas que a Fretilim apresenta quanto a este negócio… Recentemente, a mesma empresa esteve envolvida noutro projeto polémico em que 200 mil hectares eram-lhe cedidos para plantação de árvore da borracha, uma área que corresponde a 5% de todo o território timorense…

O projeto representa uma importante injeção de capital estrangeiro na débil economia timorense e promete absorver dois mil postos de trabalho, um número significativo num país onde alguns estimam existir 80% de taxa de desemprego… Mas a reserva para produção de biocombustível de um sector tão extenso de Timor não vai afectar a produção de alimentos do território, aliás já de si insuficiente? O governo diz que se trata de “terrenos improdutivos”, querendo dizer que não podem ser usados para a produção de alimentos, mas… se a cana do açúcar é compatível com estes terrenos, porque não o será também uma outra produção alimentar? E porque é que estão a ser assinados tantos contratos sempre com a mesma empresa indonésia? Quem está a lucrar com estes contratos? Haverá relação com os numerosos casos de suspeitas de corrupção no seio do governo Xanana Gusmão… Ou será mais um exemplo de má governança como o demonstrado no infeliz episódio dos “65 jipes para os 65 deputados“?

Onde está o Xanana que todos conhecíamos e admirávamos dos anos da Resistência?

Anexo: Contrato entre o governo timorense e a GTLeste Biotech:

In early 2008, the Timor-Leste Minister of Agriculture and Fisheries signed a Memorandum of Understanding with the Indonesian company GTLESTE BIOTECH for a $100 million, 100,000 hectare sugar cane plantation, sugar plant, ethanol plant and power generation facility. The project, which will last for fifty years, is planned for Covalima, Manatuto, Viqueque and Lautem districts.

Click here for more information and documents related to this and other agrofuels projects.

The Timor-Leste Institute for Development Monitoring and Analysis (La’o Hamutuk)
Institutu ba Analiza no Monitor ba Desenvolvimentu iha Timor-Leste
1/1a Rua Mozambique, Farol, Dili, Timor-Leste
P.O. Box 340, Dili, Timor-Leste
Tel: +670-3325013 or +670-7234330
email: info@laohamutuk.org Web: http://www.laohamutuk.org


MINISTÉRIO DA AGRICULTURA E PESCAS
MEMORANDUM OF UNDERSTANDING (MOU)
The purpose of this Memorandum of Understanding is to set forth the understanding between
the Ministry of Agriculture and Fisheries and hereinafter referred to as Government, and
GTLESTE BIOTECH, hereinafter, (the Parties), to cooperate in the pursuit of profitable
investment opportunities in the Integrated Sugar Cane sector in Timor-Leste, according to the
general terms set forth below:
WHEREAS:
A. The Government of Timor Leste is desirous of seeing the establishment and
operation of profitable ventures in the Agro industry sector, including the set up of
Sugar Cane Plant and Ethanol Plant;
B. GTLESTE BIOTECH, being a foreign investment company, has identified that an
integrated Sugar Cane Industry are investment opportunities wherein it is willing to
create the conditions to set up the implementation of said project, putting together
the right professionals & experts in order to secure the necessary experience,
technical and commercial expertise, financing and market.
NOW, THEREFORE, THE PARTIES DO HEREBY AGREE THAT:
C. The estimated total investment of the project is more than USD.$100.000.000,
including the sugar cane plantation, sugar plant, ethanol plant, and power generation
facility and residential facilities, which are expected to generate more than 2.000
regular employees and more than 8.000 labor direct jobs;
D. The Government acknowledges the fact that it would like to have implemented in
Timor-Leste such an important project;
E. The Government underlines how crucial it is for the approval and successful
implementation of any project of sound supporting financial engineering. Hence, the
Government underlines, it is for an Integrated Sugar Cane Project of such a
magnitude;
F. GTLESTE BIOTECH will take full responsibility for any loan guarantees required
to finance the business venture;
G. The Government will grant the company the exclusive concession of 100.000
hectares of unproductive land and to be utilized for sugar plantation (land site as per
attached), sugar plant and ethanol plant. The Government will not have to come up
with any capital cost. The entire integrated project’s set up costs in Timor Leste and
in other country will be borne by the company or by the cooperation it subsequently
set up to run the entire business properly;
H. The Government shall accord the company a 50 (fifty) years contract to land use,
operate and cultivate the sugar plantation, sugar plant, ethanol plant and other
supporting facilities, and extendable to another 50 (fifty years) contract. The
duration of the first 50 (fifty) years contracted awarded will be irrevocable due to
the high investment costs incurred by the company;
I. The government will support in providing all necessary incentives, export excess of
the company product, licenses, permits for sugar plantation, sugar plant, ethanol
plant and its derivative products ;
J. The Government will guarantee the exclusive rights suitable land use for sugar cane
plantation for the first 10 (ten) years in Timor Leste due to the high cost of building
the supporting infrastructure, training and development of the direct & indirect
labors.
K. GTLESTE BIOTECH will be staffed by qualified personnel from Timor Leste and
or experienced Indonesian assisted also by other foreign technician it necessary;
L. However, the Government stresses that, at this stage, with the level of information
available, this such project are strictly private ventures, with no State participation
of any sort, whatsoever;
M. GTLESTE BIOTECH will establish training & development centre for maintenance,
mechanics, and agriculture in order to transfer technology.
N. GTLESTE BIOTECH will support Timor Leste total consumption of sugar and
ethanol with reasonable prices;
O. GTLESTE BIOTECH will participate the district electricity supplies from the
excess of electricity power from the company’s plants;
P. GTLESTE BIOTECH will provide community facilities such as clinics and sporting
areas.
Q. Entirety. This MOU constitutes the entire understanding and agreement between the
Parties hereto and their affiliate with respect to the subject matter contained herein,
and supersedes all prior or contemporaneous agreements, representations, warranties
and understandings of such parties (whether oral or written). No promise,
inducement, representation or agreement, other than as expressly set forth herein,
has been made to or by the Parties hereto.
R. Construction. This MOU shall be construed according to its fair meaning and not
strictly for or against either Party. This letter does not, and is not intended to impose
any binding obligations on the Parties beyond the intent and promise herein stated.
S. Confidentiality. All information and documents supplied by one Party to any other
pursuant to this MOU shall be treated as confidential by the Parties and shall not be
disclosed to any third party without expressed written consent of the Party who
supplied the information or document. The restrictions and obligations of this
Article shall expire two (2) years after the termination of this Memorandum of
Understanding.
T. Extension and Modification. The Parties may extend or modify the content of this
MOU by mutual agreement.
U. Duration. This Memorandum of Understanding is valid for two years from the date
of its signature below.
V. This MOU is not intended to create any legal obligations by either party. The
proposed project is subject to and conditional upon GTLESTE BIOTECH meeting
all legal requirements set out by the laws of the Democratic Republic of Timor-
Leste with respect to the proposed project.
If the terms and conditions of this MOU are acceptable, please sign and return to us an
original of this letter so that we can proceed with further discussions.
Done and signed in Dili. Timor-Leste, on the 15th January of 2008.
Sincerely,
Mariano ASSANAMI Sabino
Minister of Agriculture and Fisheries
Accepted and Agreed:
For GTLESTE BIOTECH
By Gino Sakiris
Chairman

Fontes:
http://www.laohamutuk.org/Agri/08SugarCane.htm
http://www.laohamutuk.org/Agri/MOU-GTLESTE.pdf

http://dossiers.publico.pt/noticia.aspx?idCanal=666&id=143887

Categories: Economia, Política Internacional | Etiquetas: | 7 comentários

Quids S12-48: Que figura mitológica é esta?

Dificuldade: 3

Regras:

1. Cada Quid valerá entre 1 a 3 pontos.
2. Cada pista fornecida deduzirá um ponto aos pontos correntes ao Quid, parando esta descida em 1 ponto.
3. Não serão dadas pistas no próprio dia do lançamento do mesmo, mas apenas no período seguinte (12:30-14:30 do dia seguinte, juntamente com o lançamento do Quid seguinte). Contudo, nesse período do dia seguinte podem ser dadas várias pistas, se pedidas.
4. Os Quids terminam quando um concorrente chegar aos 50 pontos.

Categories: Quids S12 | 5 comentários

Suécia: de campeã da Democracia à sociedade mais vigiada do Ocidente

A Suécia aprovou uma lei que irá permitir a monitorização e intercepção de tráfego de Internet e conversações telefónicas que passem a fronteira deste país nórdico tão famoso pela sua defesa das liberdades cívicas e pela protecção legal que o maior serviço de torrents P2P do mundo, o Piratebay tem gozado aqui… Pelo contrário, este medida, única na Europa e ainda mais abrangente do que o muito polémico “Patriot Act” dos EUA de Bush vai tornar a Suécia num dos países mais ciber-vigiados do mundo e, naturalmente, já espalhou a ira entre os cibernautas e as organizações de direitos civis deste país da Escandinávia.

As escutas telefónicas e de mensagens SMS, assim como a monitorização de tráfego web, mail e VoIP serão conduzidos pelo FRA (“National Defence Radio Establishment“), uma instituição das forças armadas suecas. A lei teve um percurso algo tortuoso, sendo devolvida ao Parlamento depois de terem sido detectadas algumas falhas e inconstitucionalidades, mas finalmente acabou por ser aprovada com uma escassa, mas suficiente, maioria… de deputados incapazes de respeitarem os direitos dos cidadãos, aparentemente. É claro que na Suécia, como na maioria dos países desenvolvidos, a polícia pode sempre escutar comunicações, com o devido mandato judicial, o que esta lei vai alterar é que a partir de agora, todas as comunicações com exterior podem ser escutadas, mesmo sem mandato judicial! E de facto, no que concerna às comunicações de Internet, e como muitas passam por routers nos países vizinhos, isso quer dizer que até muitas mensagens trocadas entre cidadãos suecos serão também escutadas e vigiadas! Caramba! Se uma das democracias mais velhas e consolidadas da Europa cede a esta onda “securitária” que tem vindo a reduzir crescentemente os nossos direitos e garantias, então onde vamos mesmo parar? A 1984 ?

Fonte:
http://tvnz.co.nz/view/page/411419/1858460

Categories: Informática, Política Internacional, Sociedade | Etiquetas: | 19 comentários

Um português chamado António Vieira: Introdução

Com este texto inauguramos uma série de curtos artigos sobre essa grande vulto da língua e cultura portuguesa que foi o padre António Vieira e é o nosso muito modesto contributo para as comemorações do “Ano Vieirino” que agora decorrem em vários locais e instituições do país.

Como nota introdutório adicional… Este textos foram convertidos para a nova grafia do Acordo Ortográfico de 1990 pelo programa Acordium… Ver AQUI.

Estes textos foram escritos tendo várias fontes, mas sobre os dois livros absolutamente essenciais sobre Vieira que são:

J. Lúcio de Azevedo, “História de António Vieira – Primeiro Período, o Religioso”

António Lopes SJ, “Vieira o Encoberto”, Principia

Introdução

O Padre António Vieira representa – como outros grandes vultos da portugalidade – aquilo que melhor caracteriza os portugueses: mestiçagem, sangue judeu e… emigrante, de Portugal para o Brasil já que o pai de Vieira, Cristóvão Ravasco era escrivão “das devassas dos pecados públicos da cidade de Lisboa”, profissão que exerceu até 1609, ano em que embarcou para o Brasil, tendo regressado em 1614 para levar a sua mulher e o filho António Vieira, então com apenas seis anos para a Baía. Mais tarde, Vieira embarcaria de volta para o Reino, na missão que o Brasil enviaria a Lisboa para saudar o novo rei Dom João IV, o qual, pouco depois haveria de enviar o padre pela Europa fora em busca da defesa dos interesses de Portugal em missões diplomáticas ou em missões mais ou menos secretas.

António Vieira enquadrava em si mesmo o próprio espírito da mestiçagem que embora muitos acreditem ter sido inventado por Afonso de Albuquerque em Goa, existia de facto desde há muito, gravado bem fundo nas matrizes daquilo que haveria ainda de dar origem a “Portugal”, algures entre o momento em que o primeiro celta misturou o seu sangue com os cónios do sul e com os turdulos do centro. Com efeito, como tantos portugueses de hoje e de ontem, Vieira era um mestiço.

Efectivamente, o pai de António Vieira, Cristóvão Vieira Ravasco, nascido em Moura, no Alentejo, tinha tido por mãe uma mulher “de cor”, isto é, alguém que não era de origem europeia (caucasiana) e que podendo ter sido uma índia ou moura, seria, mais provavelmente uma africana ou descendente directa de africanos. Na época – finais do século XVI – havia muitos escravos africanos trabalhando nas herdades alentejanas e quase nenhuns índios (os quais aliás, nem mesmo no Brasil se conseguiam adaptar às lides agrícolas) e os últimos mouros já tinham sido absorvidos na população alentejana. Restam assim os africanos que desde que as primeiras caravelas henriquinas tinham feito as primeiras capturas nas costas a sul de Marrocos estavam a povoar em números crescentes os campos do sul de Portugal.

Esta herança africana é aliás bem patente no mais fiel retrato do jesuíta, o retrato de gravura, feito algures em Roma, a partir do seu próprio cadáver, antes de inumado, como relata o cronista André de Barros.

Alguém já escreveu que em todo o português corria alguma parte de sangue judio, sendo a sua mãe – Maria de Azevedo – a hipotética fonte desse sangue que os seus adversários no Maranhão lhe encontravam (o “baptizado em pé” mencionado por Lúcio de Azevedo). Mais tarde, a Inquisição quando o teve preso nas suas garras, recordaria essas acusações feitas décadas antes no Brasil e as mesmas suspeitas estiveram na base do fundamento para a rejeição da admissão do seu irmão Bernardo Vieira Ravasco na Ordem de Cristo em 1663.

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Quids S12-47: Como se chama este equipamento (nome exacto)?

Dificuldade: 2

Regras:

1. Cada Quid valerá entre 1 a 3 pontos.
2. Cada pista fornecida deduzirá um ponto aos pontos correntes ao Quid, parando esta descida em 1 ponto.
3. Não serão dadas pistas no próprio dia do lançamento do mesmo, mas apenas no período seguinte (12:30-14:30 do dia seguinte, juntamente com o lançamento do Quid seguinte). Contudo, nesse período do dia seguinte podem ser dadas várias pistas, se pedidas.
4. Os Quids terminam quando um concorrente chegar aos 50 pontos.

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A China vai colocar três homens no Espaço até Outubro de 2008

Shenzhou

(http://www.hebig.org)

A China esta a preparar o seu terceiro voo espacial tripulado e deverá lançar a Shenzhou VII em Outubro do corrente ano transportando três astronautas (“taikonautas” na versão chinesa do termo). O lançamento terá lugar pouco depois do encerramento oficial dos Jogos Olímpicos, servindo assim um importante papel propangadístico.

Esta será a primeira vez que a China coloca três homens no Espaço através de uma única nave espacial e é o cumprimento de mais um passo de um detalhado e cuidadosamente executado plano de “pequenos passos” que acabara por colocar astronautas chineses na Lua, antes de 2020.

A Shenzhou VII além de enviar 3 astronautas para o Espaço, vai também incluir a primeira EVA (atividade extra-veicular) jamais realizada por astronautas chineses numa missão espacial desta nova potencia espacial e consolidando a posição da China como terceira potencia espacial, tendo colocado homens no Espaço com meios próprios, isto embora ainda tenha um plano de exploração do Sistema Solar por sondas automáticas muito menos ambicioso do que a Europa e apenas marginalmente superior a outro BRIC, a Índia.

Fonte:

http://www.physorg.com/news132467609.html

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Um português chamado António Vieira: O Apocalipse em António Vieira

Não encontramos, nos escritos de Vieira, nada de semelhante a um catastrófico Armagedeão. O jesuía alude sempre a uma suave transição para “novos céus e uma nova terra” quando os Homens estiveram interiormente preparados para esse novo estádio de existência. Para tal seria preciso que fosse eliminada da alma de todo e de cada Homem todo o egoísmo e que cada forma de violência fosse substituída por Amor e entrega pelo Outro. No texto intulado “Defesa perante o Tribunal do Santo Ofício”, o jesuíta defende que mesmo aqueles homens e mulheres que nasceram antes da Revelação, recorrendo para tal a Santo Agostinho e às cinco formas por este delineadas… Sendo que entre estas, a primeira é a Iluminação a partir do interior da própria alma, pela via da centelha de Deus deixada em cada alma humana após a Criação e que é conhecida como “Espírito Santo”, o primeiro motor para a transformação do mundo e da vida do Homem sobre o mundo num verdadeiro “Reino do Amor”.

Com efeito, na “Clavis Prophetarum”, Vieira identifica o “Quinto Império” como o “Império do Amor”. no capítulo VII do Livro II onde afirma que o Reino de Cristo será universal e a suprema expressão do “poder da mansidão, da humildade e do amor”, sendo que no capítulo IX torna a sublinhar a importância do Espírito Santo para essa conversão universal onde usa a imagem bíblica das “flores e do canto da rola” como alegoria aos dons do Espírito Santo, que Vieira acredita que seria o responsável pela transmutação da Igreja dos Últimos Dias naquela comunhão universal do Espírito Santo que descreveria o antecipado “Império do Amor” de António Vieira.

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Quids S12-46: Como se chamava este macaco?

Dificuldade:2

Regras:

1. Cada Quid valerá entre 1 a 3 pontos.
2. Cada pista fornecida deduzirá um ponto aos pontos correntes ao Quid, parando esta descida em 1 ponto.
3. Não serão dadas pistas no próprio dia do lançamento do mesmo, mas apenas no período seguinte (12:30-14:30 do dia seguinte, juntamente com o lançamento do Quid seguinte). Contudo, nesse período do dia seguinte podem ser dadas várias pistas, se pedidas.
4. Os Quids terminam quando um concorrente chegar aos 50 pontos.

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Na forja um acordo União Europeia-Brasil para a importação de biocombustíveis

(http://www.bendbiofuels.com)

A União Europeia esta a ultimar um acordo comercial com o Brasil para a compra de biocombustiveis. A decisão resulta de uma correção de percurso em relação à política de introduzir 10 por cento de energias renováveis nos combustíveis usados nas redes de transporte europeias. A decisão de apostar mais nas importações brasileiras e menos na produção local (altamente subsidiada) surgiu na reunião de Paris dos ministros do ambiente da EU. Nesta reunião, a meta de 10 por cento – muito criticada por contribuir para a presente alta dos preços dos combustíveis – vai ser revista em baixa, compensando-a com diversos incentivos para a aquisição e utilização de veículos elétricos e híbridos.

A sugestão para o estabelecimento de acordo com o Brasil nasceu de uma proposta do eurodeputado francês Claude Turmes o qual terá afirmado que o Brasil “é o único pais do qual podemos comprar de forma sustentável quantidades substanciais de agrocombustíveis neste momento é o Brasil. Um acordo desse tipo seria um precedente, com critérios rígidos tantos em temas sociais como de sustentabilidade. Ao mesmo tempo, o Brasil teria que comprovar que pode deter a deflorestação”. Assim, a EU favoreceria o desenvolvimento do Brasil, reduzia o seu consumo interno em subsídios agrícolas e reduzia as suas emissões de CO2 e a sua dependência das importações de combustíveis fosseis.

Não existe consenso mundial sobre qual será a parte dos biocombustíveis na presente alta dos preços dos alimentos, mas alguns especialistas acreditam que poderá ser tão alta como 75 por cento… Mas este será um argumento adicional a favor deste acordo União Europeia-Brasil.

Fonte:
www.dw-world.de

Categories: Brasil, Ciência e Tecnologia, Ecologia, Economia | Etiquetas: | 2 comentários

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