Daily Archives: 2008/06/24

Um português chamado António Vieira: A Revolta do Pernambuco do jugo holandês e a hesitação de Vieira

Quando os colonos portugueses se revoltam contra o ocupante holandês, coadjuvados por escravos negros e índios cristianizados, Vieira estava na Holanda, procurando negociar a paz desta com Portugal restaurado, quando recebe as notícias da revolta. A sua primeira reacção é escrever para o rei e queixar-se dos “valentões de Portugal”, que não satisfeitos de estarem já metidos com a maior potencia da época, Espanha, agora queriam também bater-se contra a Holanda, com quem ele procurava tão esforçadamente fazer a paz, de forma a garantir a vitória contra a primeira: “Em todo o passado Castela e Portugal não puderam prevalecer assim no mar como na terra contra a Holanda; e como poderá agora Portugal, só, permanecer e conservar-se contra a Holanda e contra Castela?” (Cartas). Posteriormente, haveria de ser menos crítico dos revoltosos, já que conhecera de perto e pessoalmente as agruras da “guerra holandesa” e haveria de ora defender revoltosos, ora aqueles que defendiam a paz com a Holanda. Alguns, em Portugal, e em particular na corte de Dom João IV, defendiam que a paz com a Holanda devia ser assegurada a todo o custo sacrificando inclusivamente os revoltosos que no Brasil no Pernambuco se batiam contra os holandeses e com eles, abandonando qualquer reclamação ao Pernambuco. Outros, menos influentes em Portugal, mas crescendo em número entre o Povo e a Burguesia, e sobretudo entre os colonos brasileiros acreditavam que era preciso enviar reforços para apoiar a revolta e promover a final expulsão dos holandeses do Brasil.

Menos hesitante estivera o rei, que logo que recebera novas da revolta mandara carta ordenando que a coluna que entrara no Pernambuco vinda dos territórios portugueses e que a pedido do governo local e enviada para ajudar a Holanda a suprimir a revolta e que se virara muito compreensivelmente a seu favor voltasse à Baía. A coluna militar violara as suas ordens absurdas e maquiavélicamente calculistas emanadas a partir de Lisboa e batíasse agora com os revoltosos e contra a Holanda no interior do Pernambuco. Já então o Brasil, pela composição das suas forças e pelo espírito de autonomia e de liberdade das suas gentes, começava a agir de forma autónoma e independente, animado pela distância da metrópole e do relativo desinteresse a que esta vota a sua distante colónia… Na revolta contra os europeus do norte estavam todos aqueles que os portugueses tinham trazido e encontrado na terra brasílica: aos portugueses, colonos e militares vindos da metrópole, juntavam-se e batiam-se lado a lado os índios comandados por Filipe Camarão, um índio tupi e os negros do liberto Henrique Dias. A esta congregação de gentes e raças, unidas pelo espírito da liberdade brasílica contra o opressor estrangeiro se juntava o coração de Vieira, criado desde os sete anos na Baía, mas se separava a inteligência do Jesuíta, mais prudente e avisadamente receosa da divisão dos escassos meios entre duas guerras contra duas das maiores potencias militares da época: Espanha e Holanda.

Categories: Brasil, História, Padre António Vieira, Portugal | 2 comentários

A disputa pelo Pólo Norte e o… busto de Lenine


(O busto de Lenine no Pólo Norte in http://www.leftspot.com)

Uma das consequências do cruzamento dos fenómenos do Aquecimento Global e do esgotamento das principais reservas de petróleo será a disputa pelo Ártico. Existe atualmente uma disputa territorial mais ou menos silenciosa entre o Canadá, a Dinamarca, a Noruega, a Rússia e os Estados Unidos por uma região de mais de um milhão de quilómetros quadrados de mar ártico, uma região que alguns estimam conter mais de um quarto de todas as reservas mundiais de gás natural e de petróleo. Este valor tem sido, contudo, muito exagerado e resulta de uma interpretação errónea de uma avaliação geológica do “Geological Survey” dos EUA, entretanto desmentida pelo seus responsáveis. O erro resultava da avaliação das reservas de sete bacias do Ártico num relatório governamental, mas que afinal, incluía largas faixas de terra que não se encontravam no Ártico, mas nas regiões adjacentes. A correção coloca assim no Ártico não 25% mas 14% de todas as reservas mundiais. Um valor ainda muito importante, mas já não tão elevado.

O fenómeno do Aquecimento Global tem facilitado o acesso a estas regiões extremas do globo terrestre, este novo facto, aliado do desenvolvimento tecnológico, assim como do aumento do preço do barril de crude, têm aumentado de forma exponencial o interesse dos países limítrofes do Ártico em explorarem as riquezas do seu subsolo, algo que só poderão fazer depois de reclamar a posse da sua superfície… Paralelamente, os mares de gelo do Extremo Norte estão – segundo alguns peritos – à beira do colapso total e irreversível e isso vai facilitar o acesso destas potencias às riquezas submersas e até à própria “passagem do noroeste” que se estima que deverá estar aberta durante todo ano em 2050, reforçando assim o interesse estratégico na posse desses mares, já que será uma forma mais barata de trazer os artigos manufacturados no Oriente até à Europa e à costa oriental dos EUA do que seguir a via do Canal do Panamá ou do Estreito de Magalhães…

Existe uma já longa disputa territorial entre a Dinamarca e o Canadá sobre a ilha “Hans“, ao largo da Groenlândia, e os EUA e o Canadá têm também as suas disputas sobre a sua fronteira marítima, precisamente na área da supracitada “passagem do noroeste”. Os russos estão muito ativos nesta questão, tendo dado grande destaque a uma expedição submarina enviada no ano passado (ver AQUI) quando dois submarinos seus colocaram uma bandeira de titânio a duas milhas e meio do Pólo Norte, reclamando para si uma área que o Canadá também reclama como sua e que se estima que tenha mais de 10 biliões de toneladas de hidrocarbonetos…

Segundo as convenções das Nações Unidas atualmente em vigor, os países do extremo norte têm o direito de reclamar 200 milhas marítimas a norte dos seus territórios. Mas as própria convenções admitem a figura do “apelo”, daí a ocorrência destas disputas, acirradas pelo Aquecimento Global e pela crescente escassez de petróleo no mundo. A Rússia já reclamou aquela região em 2001, sem sucesso. E a sua expedição de 2007, pretende reforçar nova reclamação que deverá submeter à ONU em 2009, com a base de que existe uma ligação geológica entre o seu território no extremo norte e essa região subaquática.

Se a Rússia envia os seus submarinos, o Canadá não está parado… Em Janeiro de 2007, um grupo de exploradores canadianos, viajando sobre o gelo polar durante 47 dias alcançou a mesma região encontrando ao fim de 250 Km… um busto de Lenine com dois metros de altura! Deixada ali, como “bandeira” por uma expedição russa em 1958.

Fontes:
http://www.dailygalaxy.com/my_weblog/2008/05/arctic-superpow.html
http://www.petroleumnews.com/pntruncate/347702651.shtml

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Quids S12-32: Que filme é este?

Dificuldade: 2

Regras:

1. Cada Quid valerá entre 1 a 3 pontos.
2. Cada pista fornecida deduzirá um ponto aos pontos correntes ao Quid, parando esta descida em 1 ponto.
3. Não serão dadas pistas no próprio dia do lançamento do mesmo, mas apenas no período seguinte (12:30-14:30 do dia seguinte, juntamente com o lançamento do Quid seguinte). Contudo, nesse período do dia seguinte podem ser dadas várias pistas, se pedidas.
4. Os Quids terminam quando um concorrente chegar aos 50 pontos.

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A Playstation 3 ou a X-Box da Microsoft consomem até cinco vezes mais energia que um frigorífico de médias dimensões

Segundo um estudo realizado na Austrália pela associação de consumidores “Choice” (e aplicável a qualquer país do mundo) uma consola de jogos como a Playstation 3 ou a X-Box da Microsoft consomem até cinco vezes mais energia que um frigorífico de médias dimensões. A associação descobriu que uma PS3, ligada, mas sem estar a ser usada, poderia consumir até 130 euros por ano em eletricidade, um valor espantoso tendo em conta que a consola não tem que estar a ser usada e que… um frigorífico – ligado também ele durante todo um ano – não consumia mais do que 20 euros.

O mesmo estudo revelou que as novas televisões de plasma eram outro grande consumidor doméstico de eletricidade, com padrões de consumo quatro vezes superiores aos de uma televisão normal, sendo por essa razão o segundo maior consumidor de energia desta lista. Especialmente bem colocado, estava também o PC de secretária comum… mas nem todas as consolas são tão devoradoras de energia… a consola Wii, da Nintendo consume menos dez vezes que a PS3 e um iMac da Apple realiza aproximadamente as mesmas tarefas de um pc equivalente, consumindo apenas 2/3 da sua energia…

O mais irónico é que estes equipamentos não estão sujeitos aos regulamentos de eficiência energética de muitos electrodomésticos, mas estes números indicam que ao contrario do que se poderia pensar computadores e televisores estão entre os equipamentos mais vorazes das nossas casas. Estes números indicam também uma notável desatenção dos fabricantes destes equipamentos quanto ao consumo energético dos seus aparelhos e ate das entidades reguladoras. Com efeito, os governos do mundo, em plena época de alta do preço da energia e da necessidade de redução das emissões de CO2, deviam estar a aplicar – por forca de Lei – a computadores, consolas e televisores as mesmas classes de eficiência energética dos demais electrodomésticos e ponderar ate medidas mais radicais e que poderiam passar ate pela instituição de taxas pesadas e especificas para os equipamentos menos eficientes, motivando assim os fabricantes a alterarem esta situação.

O método da etiquetagem de eficiência energética, mesmo sem esta taxa especial, pode contudo bastar para começar a resolver este problema já que segundo a CHOICE, os frigoríficos desde 1993 aumentaram a sua eficiência energética em 4,6 por cento todos os anos, precisamente à pressão criada sobre os fabricantes por este sistema de etiquetagem também em vigor nos EUA e na Europa.

Fontes:

http://www.belfasttelegraph.co.uk/news/environment/article3760843.ece
http://www.choice.com.au/viewArticle.aspx?id=106346&catId=100245&tid=100008

Categories: Ciência e Tecnologia, Ecologia, Informática | 16 comentários

A China aumenta em 18% os preços de combustível mas… ainda os subsidia fortemente


(http://www.asianews.it)

O governo chinês num movimento de preparação das Olimpíadas e procurando evitar que ocorram falhas de abastecimento durante a realização dos Jogos decretou o aumento nacional dos preços de combustíveis. Este aumento, de 18% é possível porque o Governo chinês subsidia fortemente os combustíveis e esta subsidiação é aliás alvo de críticas que acusam a China de recorrer a este artifício para fazer baixar artificialmente os custos de produção no seu país, e assim, garantir exportações, já que a maioria dos países ocidentais em vez de subsidiarem os combustíveis, fazem exatamente o oposto, sobrecarregando-os com impostos que podem chegar a 60% do preço final ao consumidor. Pelo contrário, na China, os preços dos combustíveis subiram apenas 9% desde finais de 2006, quando o barril de crude custava 77 dólares… hoje, o seu preço é de 140, mais de o dobro, portanto… Não que esta seja a única vantagem competitiva desleal que as empresas do “Império do Meio” beneficiam… a ausência de custos com terrenos e, sobretudo, a desregulação e falta de aplicação da lei nas áreas laboral e ambiental são vantagens provavelmente ainda mais importantes. Mas a vantagem energética é substancial, especialmente no contexto atual de explosão dos preços de combustíveis no Ocidente e não deve ser afastada da equação que pretenda explicar o sucesso das exportações chinesas.

O aumento de preços decretado pelo Governo chinês pretende fazer reduzir o crescimento do consumo de hidrocarbonetos de forma a constituir stocks e a prevenir rupturas e a má imagem internacional que resultaria da ocorrência das mesmas e, sobretudo, a manter contida a inflação que tem dado sinais recentemente de poder estar a aproximar-se de valores preocupantes, tendo chegado aos 8,7% em Fevereiro.

Este aumento – ainda que considerável – não deixará de continuar a oferecer às empresas chinesas que devoram Emprego em todo o planeta as mesmas condições injustas de concorrência de que usufruem atualmente e que explicam boa parte do sucesso das suas exportações… E são especialmente imorais num mundo onde a produção de petróleo é cada vez menor e onde, em 2007, pela primeira vez o consumo ultrapassou a produção… Num planeta que começa a sentir as consequências da explosão de emissões de CO2 e onde a China é já hoje o maior poluidor e emissor mundial, esta subsidiação – além de distorcer as leis do Mercado – é particularmente chocante e imoral… Devia cessar, imediatamente, e se não parasse, as exportações chinesas deviam ser taxadas de forma a repôr a justiça competitiva e a financiar projetos de investigação e desenvolvimento de tecnologias limpas e ecológicas nos países que são alvo deste dumping. Mas falta visão… determinação e… capacidade para enfrentar o gigante chinês, no Ocidente e, sobretudo na União Europeia…

Fonte:
http://www.ft.com/cms/s/0/c9f469b4-3e0b-11dd-b16d-0000779fd2ac.html

Categories: China, Ecologia, Economia, Política Internacional | Deixe um comentário

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