Qwest: “oportunidades de carreira” e… sacos de urina: um novo modelo de gestão de Recursos Humanos?

(Sacos de Urina: Hoje em doentes… amanhã em cada funcionário da QWest? E depois de amanhã… em cada trabalhador?)

Muito se dito sobre a capacidade geração de Emprego manifestada pela Economia americana… Uma capacidade frequentemente usada como exemplo das virtudes de um mercado laboral completamente liberalizado e onde o despedimento foi facilitado até ao maior extremo imaginável. E é certo que a facilidade para despedir parece estar efectivamente na raiz da elevada geração de Emprego nos EUA mas também na de… uma das mais altas taxas de rotatividade do mundo. Com efeito, em 2007, criaram-se 1,6 milhões de novos empregos nos EUA, é certo, mas também é certo que se perderam 48 milhões (!) e se criaram 49,6, ou seja, a destruição de empregos nos EUA é desta escala e é claro que geralmente quando se muda de emprego, e se esta mudança não é da directa iniciativa do empregado, mas do empregador se parte geralmente para pior. Logo, não é difícil de compreender que estes 48 milhões de pessoas foram para pior: para empregos com menor salários e menos regalias, nomeadamente seguros de saúde, que são tão importantes nos EUA.

Actualmente, o impacto da crise do crédito Subprime começa a afectar a economia real e os sinais de abrandamento e até recuo na criação de novos empregos começam a ser demasiado evidentes para serem negados. Aproveitando este movimento de recuo, os empregadores e sobretudo as grandes empresas estão já a baixar os salários (usando o supracitado mecanismo de rotação) e utilizando todas e novas formas de contenção de custos e de “aumento de produtividade”. Um dos actos de gestão que neste contexto de “aumento de eficiência” está a ser aplicado na empresa de comunicações norte-americana Qwest e arrisca-se a ficar para sempre… nos anais da infâmia.

Com efeito, delegados sindicais do Colorado declararam que um supervisor da Qwest procurou reduzir os períodos de tempo que os seus funcionários passavam na casa de banho instruindo-os a usar sacos de urina enquanto estivessem a trabalhar… O gestor chegou a distribuir 25 sacos a técnicos masculinos, para que não deixassem o seu local de trabalho (geralmente no exterior, mantendo e instalando cablagens) em busca de uma casa de banho. A decisão parece ter sido tomada localmente pelo supervisor, sem a devida aprovação da gestão de topo, e é estúpida na medida em que não teve em conta os efeitos de imagem que traria, mas só o facto de ter sido tentada indica que algo está profundamente errado numa sociedade que deixa surgir estas politicas de gestão e que, sobretudo, deixa ascender a cargos de gestão indivíduos desta catadura…

A Qwest no seu site corporativo, na secção de “oportunidades de carreira” tem esta informação:
“Qwest is more than just a business. We are thousands of employees coast to coast working as one. Our single goal is to deliver the latest communications and entertainment technology to millions of customers—one customer at a time—ensuring their complete satisfaction. We do it all while providing the challenge, reward and opportunity for growth that attract only the very best people.”

Podem crer que é mais que um negócio… é um negócio que é gerido de forma bárbara e cruel. Se andar com sacos de urina é o preço pelas “últimas tecnologias de comunicação e entretenimento”, então não quero nada com elas e voltarei de bom grado ao papel e lápis. E claro… O efeito estético de tamanho apêndice vai certamente “atrair somente as melhores pessoas”, claro.

Vai uma inscriçãozita? É já a seguir, como dizia o outro… (quem, mesmo?)

Fonte:

Rocky Mountain News

Categories: Economia, Informática, Sociedade | 2 comentários

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2 thoughts on “Qwest: “oportunidades de carreira” e… sacos de urina: um novo modelo de gestão de Recursos Humanos?

  1. É o lieralismo levado ao extremo… será isto que advogam os simplezinhos na Europa?

  2. é com isto que todos sonham, naturalmente… em call centers, nos escritórios, fábricas, etc.
    exceto nos gabinetes dos senhores gestores.
    natualmente.
    ao fim ao cabo: há limites para tudo, claro.

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