Daily Archives: 2008/06/07

Um português chamado António Vieira: O Espírito de Tolerância Religiosa em António Vieira e a “Conversão do Mundo”

Talvez por cálculo, para enfraquecer a posição da Inquisição no confronto que esta trazia contra a Companhia de Jesus a propósito dos privilégios da Universidade de Évora ou simplesmente por convicção, a partir de 1642 Vieira defenderia publicamente que Roma deveria perdoar todas as heresias conhecidas até à data e que – sobretudo – todos os judeus expulsos de Portugal por séculos de perseguições e confiscos sucessivos deviam regressar, garantindo-se-lhes a segurança das pessoas e dos bens. É claro que para convencer o monarca da validade destas suas radicais (à época) propostas contava o Jesuíta não somente com a sua grande influência junto de Dom João IV, mas também com os cabedais que estes trariam de volta para o país e que vinham financiando as campanhas holandesas no Pernambuco assim como a própria dura luta que Portugal travava na fronteira com Espanha. Eram estes fundos de origem judaica que permitiam manter acesa a chama da resistência contra a Holanda e contra a Espanha e que tanta falta faziam agora ao novo monarca para armar os exércitos que tinham que defender a fronteira contra os tércios espanhóis.
Mas não se pense que o jesuíta defendia que os judeus deviam continuar a praticar publicamente o seu credo. Na verdade, Vieiria proclamava frequentemente e tão alto quanto podia que a maior missão do Quinto Império com que sonhava e que acreditava estar prometido pelo a Portugal era precisamente a conversão dos judeus “coisa tão dificultosa, como é a conversão dos judeus”. Assim como Agostinho acreditava que para que o Império do Espírito Santo se cumprisse, cada um teria que transformar o seu interior, numa aplicação do princípio de comunhão entre o micro e o macrocosmos expresso na “Tábua da Esmeralda”, também António Vieira acreditava que para que o Quinto Império se cumprisse teria que ocorrer primeiro a conversão universal e que o seu momento só poderia chegar quando todos os judeus e infiéis se tivessem convertido a Cristo. Provavelmente nunca ninguém foi capaz de alcançar a plenitude da importância do catolicismo no pensamento de Vieira, mas este era o ponto fulcral de todo o seu pensamento e palavra e se defendia o perdão e o regresso de todos os judeus exilados fazia-o para que este regresso pudesse sustentar com os seus cabedais a defesa do Reino e do Brasil e para que Portugal e o Brasil pudessem formar o coração daquela entidade que Vieira acreditava que formaria no futuro, ainda em vida de Dom João IV, a semente para um Império Cristão Universal liderado pela acção proselitista da Companhia de Jesus, do Papa e do rei português.

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As três fases do novo programa espacial russo: Parom, Pós-Kliper e Soyuz-2-3


(Filme soviético ilustrando o desenvolvimento de vaivéns espaciais que haveria de levar ao Buran)

Depois de algumas (demasiadas) hesitações, o Kliper foi finalmente integrado como uma parte fundamental do programa espacial russo para as próximas décadas.

A Rússia dividiu por três fases a evolução do seu programa espacial tripulado:

1ª Fase: O desenvolvimento de uma versão das cápsulas Soyuz já começou em 2007. Esta nova versão (a atual é a Soyuz-TMA) que deverá ser utilizada pela primeira vez em 2011 vai transportar mais um tripulante que os três da versão atual. Será também capaz de realizar viagens até à Lua, sem a adição de foguetes e combustível adicionais.

2ª Fase: O sistema de cargueiros Progress, que têm servido de principal fonte de abastecimento da ISS, será substituído pelo Parom. Estes cargueiros incluorão um orbitador reutilizável e um módulo não-reutilizável com 12 m2 de capacidade de carga, uma enorme expansão a partir dos reduzidos 2,5 m2 oferecidos hoje pelas Progress. Segundo Anatoly Perminov, o primeiro Parom será lançado em 2009.

3ª Fase: O novo veículo será formado por 3 segmentos distintos e poderá ser lançado por foguetões Soyuz de uma nova geração, a Soyuz-2-3, encerrando assim os planos que a RKK Energia tinha de desenvolver um Soyuz-3, uma evolução a partir do lançador Zenit-2 ou de um novo lançador Angara. Este novo lançador será responsável por colocar em órbita um novo conceito de nave espacial gémea formada pelo par Parom-Kliper. Lançados separadamente, por dois foguetões, o módulo desabitado Parom poderá atracar em órbita com o Kliper tripulado ou, separadamente, atracarem-se ambos à Estação Espacial Internacional (ISS). Se acoplados em conjunto, poderão evoluir até à Lua ou, unindo-se a mais módulos Parom ou a módulos de outro tipo, avançar até Marte e regressar, voltando o(s) Parom(s) para a ISS e regressando o Kliper ao solo com os seus cosmonautas. O Kliper poderá transportar até quatro astronautas e será lançado até 2011.

A Rússia assume assim finalmente uma visão de longo prazo para a exploração humana do Espaço e para o regresso da Rússia à cena principal da exploração tripulada do Espaço. Cada elemento desenvolvido, testado e provado numa das três fases, servirá de assentamento e garantia para o sucesso da seguinte, e assim por diante até ao apogeu do programa que será uma missão lunar ou – até – uma missão humana a Marte, estando esta apenas em equação se forem estabelecidas das devidas parcerias e acordos com outras potencias espaciais, estando a Rússia preparada para uma tal missão entre 2020 e 2030, segundo a Agência Espacial Federal.

(O lander Phobos-Ground, o regresso russo ao estranho Phobos in http://www.federalspace.ru)

No campo da exploração espacial robotizada, a Rússia – completamente ausente neste domínio nas últimas décadas – antecipa também um regresso à cena internacional com sonda solar Koronas-Foton a lançar ainda este ano, o arranque do projecto marciano Phobos-Ground em 2009 e a várias missões lunares.

Fontes:

http://en.rian.ru/analysis/20061220/57396095.html

http://www.russianspaceweb.com/parom.html

http://www.shuttlepresskit.com/ISS_OVR/index.htm

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