A “hipermortalidade” e a evaporação demográfica da Rússia

(A evaporação da Rússia in http://www.1913intel.com)

A Rússia parece enredada numa teia cada vez mais densa de problemas demográficos de dimensões apocalípticas. Depois das notícias (ver AQUI) que dão conta da perda de 700 mil habitantes por ano, um problema especialmente grave nas regiões da Ásia Central e do Extremo Oriente, com a multiplicação de cidades fantasma pelo interior da Federação Russa. O problema é tão grave que as Nações Unidas estimam que em 2050 a população russa vai descer dos atuais 146 milhões para entre 80 a 100 milhões.

Mas para além desta demografia em declínio, a Rússia conhece – segundo a ONU -um novo fenómeno conhecido como “hipermortalidade”. O fenómeno ocorre sobretudo durante a idade ativa e consiste na existência de uma mortalidade 3 a 5 vezes maior para os homens e duas vezes mais alta do que a de qualquer país que tenha um nível de desenvolvimento semelhante ao russo. Este fenómeno, conjugado com o declínio demográfico indicado no parágrafo anterior, faz com que a população russa capaz de trabalhar se reduza ao ritmo de um milhão de trabalhadores a menos a cada ano que passa, numa caminhada descendente, que será de 670 a 750 mil por ano em 2020 e de 900 mil a um milhão em 2025. Um tal declínio vai inevitavelmente afetar a Economia russa, especialmente se lhe somarmos o começo do declínio da produção de gás e de petróleo que se estima que comece a ocorrer a partir de 2010-2015.

Embora existam vários factores que contribuem para o grave problema demográfico russo, sendo que um dos mais importantes é o do SIDA que desde 1997 se multiplicou no número de infectados mais de 370 vezes… Atualmente, 1,3 milhões de russos convivem com o vírus e o número de crianças que nascem já com o vírus sofreu um aumento de 44% em 2007. O problema demográfico russo é contudo anterior ao próprio estabelecimento da democracia na Rússia, em 1991, radicando-se em meados da década de 80 ou mesmo em 60, para alguns demografos em resultado de um sistema de saúde deficiente e a uma quase sistemática ausência de uma estratégia de prevenção de doenças, ainda durante essa fase terminal do regime comunista, mas que foi muito agravado depois de 1991. Para culminar, a Rússia tem um problema grave e disseminado de alcoolismo, com mais de um terço de todas as mortes masculinas ligadas a um consumo excessivo de alcóol.

Estes problemas demográficos parecem desmentir a colocação da Rússia entre os BrIC (em r menor…), as potencias económica do futuro… Assim, em vez de BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), teríamos os… BIC, pois como pode um país sustentar a sua economia e o crescimento da mesma sem população?

Fonte:
http://www.terradaily.com/reports/Walkers_World_Russias_hypermortality_999.html

Categories: Economia, Política Internacional, Sociedade | Etiquetas: | 26 comentários

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26 thoughts on “A “hipermortalidade” e a evaporação demográfica da Rússia

  1. M4Jor

    é o declinio….Depois com um presidente assim, q vive num tempo metal de há 50 anos atrás, é, como diz o post, uma questão de tempo

  2. M4Jor

    Está a ficar sem tempo é Sr Clavis? eh eh
    Andava eu aqui há procura do season finale E13 e 14, e ainda nada!!!

    Fiquei surpreendido 😉

    1 abraço

  3. sa morais

    Será um problema assim tão grande? Eu acho que o problema demográfico está do Lado do IC ( india e china )… Esses sim, terão de se preocupar, quando o seu “espaço vital” deixar de sustentar tanta gente…

  4. Fred

    Sem falar que com o tempo e a diminuição da população os meios diversos que causam essa hipermortalidade também diminuem e tendem a deixar de existir.

    E começa um novo ciclo de crescimento demografico etc, etc.

  5. A Rússia sempre contou com a sua população em alta, para fazer face às ameaças externas. O alcool, SIDA, emigração em massa de determinadas zonas, a fuga de cérebros,a falta de qualidade dos políticos, o sentimento de insegurança, é um problema muito grave para a estabilidade de um país incrivelmente vasto.
    E a Rússia com sentimento de vulnerabilidade é como um animal ferido… imprevisivel!

  6. M4Jor:
    ” é o declinio….Depois com um presidente assim, q vive num tempo metal de há 50 anos atrás, é, como diz o post, uma questão de tempo”
    -> Esse (o Putin) já era… mas é certo que deixou um clone para trás… e note-se que nada na Rússia tem sido feito para travar este declínio! É como se os seus líderes se recusassem a ver o problema! incrível!

    “Está a ficar sem tempo é Sr Clavis? eh eh
    Andava eu aqui há procura do season finale E13 e 14, e ainda nada!!!”
    -> http://pt.wikipedia.org/wiki/Tempus_Fugit

    ” Fiquei surpreendido ;)”
    -> Na verdade… já tenho notas, comentários… estou é a compilar e a reunir tudo desde sábado… hehehehe.

    Sá:
    ” Será um problema assim tão grande? Eu acho que o problema demográfico está do Lado do IC ( india e china )… Esses sim, terão de se preocupar, quando o seu “espaço vital” deixar de sustentar tanta gente…”
    -> É sim! Imagina a imensa extensão da estepe russa vazia de gente! Imagina um exército sem jovens para o guarnecer! Imagina os problemas de ter uma população massivamente envelhecida e inativa!

  7. Mascarilha

    A diminuição da população só é um problema para o financiamento da segurança social. Para o resto não é. Quanto menor for a densidade demográfica, mais recursos naturais há per capita. A Índia a China sim, é que têm de se preocupar. A Rússia não será uma grande potência económica por ser um país média em termos de população. Mas só depende deles terem fazerem por ter uma qualidade de vida invejável. Não falta terra,florestas e recursos para toda a gente. O que é melhor, fazer parte de uma grande potência económica em que cada um doz mil milhões de habitantes tem 10 euros por dia ou fazer parte de uma país “pequeno” em que cada um dos cem milhões tem 50 euros por dia? Só depende deles fazer por conseguir isso. Muita gente nunca foi sinónimo de qualidade de vida. E quanto à defesa não há que preocupar. Se ainda ninguem chateou a Mongólia de certeza não vão se meter com um ninho de ogivas nucleares. No é a infantaria que serve de dissuasão, é “a bomba”. Olhem para a Coreia do Norte… basta umas poucas bombitas atómicas artesanais idênticas às da segunda guerra mundial para todos se borrarem de medo na região.

  8. sa morais

    Concordo com o Mascarilha:

    “A diminuição da população só é um problema para o financiamento da segurança social. Para o resto não é. Quanto menor for a densidade demográfica, mais recursos naturais há per capita. A Índia a China sim, é que têm de se preocupar.”

    Quanto ao que tu afirmas:
    “-> É sim! Imagina a imensa extensão da estepe russa vazia de gente! Imagina um exército sem jovens para o guarnecer! Imagina os problemas de ter uma população massivamente envelhecida e inativa!”

    Não me parece que o exército fique sem soldados… E repara nos problemas nos países em que há uma população muito jovem… Não é só ter mão-de-obra fresca.
    O aumento demográfico é um perigo e poderá levar ao colapso ( ou a graves conflitos ) de China e India no futuro.

  9. Fred

    é Rui, isso para a Russia está sendo na verdade mais uma ajuda que um problema.

  10. vocês são uns optimistas… como pode um país com a pirâmide etária completamente invertida sustentar 4/5 da população reformada?
    e num país rico de recursos naturais, mas esvaziado de gente?
    isso levará a migrações massiças, com os custos sociais decorrentes…
    e com o apetite voraz chinês mesmo ali ao lado…
    aí se não fosse a Bomba…
    O aumento demográfio é o maior problema da humanidade, sempre o disse. Mas a evaporação de um país é o fim dele, a prazo. E na Rssia esse prazo esgota-se em 2060-70´, altura em que haverá menos de 40 milhões de habitantes no maior país do mundo.
    Como é tudo, o ideal em demografia é alcançar o equilíbrio (no caso russo) ou a redução lenta (na China e Índia), qualquer movimento brusco, para um lado ou outro irá criar graves problemas sociais e económicos.

  11. Fred

    Clavis, para Russia felizmente a curva de mortes é logaritima, esse número de 2060/70 não é verdade, quando o número de habitantes atingir um determinado patamar a equação inverte e começa a crescer, obviamente não no mesmo ritmo.

    E a adversidade é o maior fator de aumento da fertilidade humana.

    E não sou otimista, sabe o copo meio cheio? Vejo apenas que ele tem o dobro da capaciade necessária. 🙂

  12. sim, conheço essas previsões, tendo-as vista para Portugal e para o Japão, que enfrentam problemas semelhantes, ainda que menos graves.
    mas elas não anulam a gravidade do problema russo… especialmente de nenhum dos aspectos do mesmo que acima listei…

  13. Mascarilha

    Vamos imaginar a seguinte situação absurda: todos os espanhóis decidem abandonar o país e ir acampar para a Antártida até congelarem e ficarem conservados até ao próximo milénio.
    À saída oferecem o território a Portugal e umas ogivas nucleares que tinham comprado em segunda mão à África do Sul. Portugal tem agora o território multiplicado por 6 e mantém a população, o que não chega para povoar o território ex-espanhol. Qual o problema?

  14. bem… o(s) problema(s) seria(m) este(s):

    ” 1. It is already for forty years that fertility in Russia cannot provide for the simple replacement of its population; mortality in men of working age is as high as it was a century ago.
    2. Beginning from 1992, mortality in Russia has consistently exceeded fertility: the loss of population has amounted to approximately 12 mln individuals and was partially compensated for by 5.5 mln due to migration gains.
    3. Should current reproductive trends (low fertility and high mortality) remain, they could lead to a nationwide population of 125–135 mln by early 2025 and as low as 100 mln by 2050.
    4. The age and gender structure of the population has been severely distorted, which has and will have negative effects on reproduction.
    5. The ageing of the population is continuing, as a result of which the size of the working-age population will fall by up to 1 mln annually already by 2020-25, thus raising the dependent load to 670–750 and 900–1000 by 2050, which will negatively influence economic growth rates. This will inevitably lead to increasing the retirement age in the near future.”

    http://www.undp.ru/index.phtml?iso=RU&lid=1&cmd=news&id=493

    Se a UN tem este grau de preocupação…
    eles têm a Bomba, sim, por isso devem manter os chineses longe das fronteiras, mas todos os demais problemas que listei não serão anulados magicamente pela posse de armamento nuclear…

  15. Mascarilha

    Problemas para a SS, nada mais de significativo

  16. Mascarilha

    segurança social

  17. claro… certo.
    mas achas mesmo que não serão problemas significativos?
    as pirâmides etárias invertidas podem arrasar com qualquer sociedade e economia…

  18. Mascarilha

    Seja mau ou não tudo isso é tudo especulação de longo prazo(40 anos) baseada na tendência actual, que pode mudar a qualquer instante. se tivessem feito a previsão em 1990 com base na tendência da época(mais de 1 milhão de crescimento anual) as previsões apontariam para cerca de 200 milhões em 2030. Tudo pode mudar muito rapidamente, é como a meteorologia, previsões a longo prazo são académicas.
    De repente algum rato de escritório foi à bruxa e ela disse-lhe que por mais 40 anos tudo se manterá exactamente como agora. As tendências são como a direcção do vento.

  19. bem… o tempo dirá se se trata de especulação ou não, suponho… mas olha que mesmo a ser é uma especulação muito informada… o UNDP não é uma instituição qualquer…

  20. sa morais

    “vocês são uns optimistas… como pode um país com a pirâmide etária completamente invertida sustentar 4/5 da população reformada?
    e num país rico de recursos naturais, mas esvaziado de gente?
    isso levará a migrações massiças, com os custos sociais decorrentes…
    e com o apetite voraz chinês mesmo ali ao lado…
    aí se não fosse a Bomba…”

    Concordo com o perigo chines. Mas tu falas com se fosse a peste negra! Para mim o problema ( global ) é o excesso de população. O contrário também pode ser problemático, mas nunca catastrófico.
    Isso é ciclico… Também em Portugal se falava deste fantasma, mas afinal estamos com um crescimento demográfico bem superior à media da UE. Será um sinal do nosso terceiro mundismo? Eheheh! Se esse crescimento se deve a “portugueses” ou à vaga de emigração que entrou em Portugal, isso já é outra história… Certo é que lá se vai a tanta da insustentabilidade da segurança social… Será mais uma para enganar o “Zé”? Deve ser…

  21. o idel é a estabilização demográfica ou o crescimento moderado, no caso da Rússia e a redução severa na China e Índia. O mesmo modelo não pode ser aplicado cegamento em todo o mundo.
    e a demografia portuguesa não está em recuperação não… pelo contrário, agora que muitos dos emigrantes de leste tornaram a partir!
    quanto à sustentação de uma SS, ela depende sempre da existência de uma população activa mais numerosa que a dos reformados, isso é uma evidência. A pirâmide não pode nunca ser invertida. A bem de todos.

  22. “No dia 9 de Julho o INE publicou uma análise de alguns indicadores demográficos em Portugal.
    Desta análise resulta:
    1. O crescimento populacional depende da evolução da componente migratória;
    2. A taxa de natalidade passou de 12,2 por mil habitantes em 1987 para 10,0 por mil em 2006;
    3. A mortalidade infantil passou de 14,2 por mil habitantes em 1987 para 3,3 em 2006;
    4. A esperança de vida situa-se agora em 78,5 anos para os homens e 81,8 para as mulheres;
    5. As mulheres têm menos filhos (1,36 crianças por mulher em idade fecunda em 2006) e mais tarde (29,9 anos);
    6. A estrutura etária da população portuguesa reflecte envelhecimento populacional;
    7. Nos próximos 25 anos o número de idosos poderá ultrapassar o dobro do número de jovens.”
    http://3openmind.blogspot.com/2007/07/demografia-em-portugal.html

    citando:
    http://www.ine.pt/portal/page/portal/PORTAL_INE/Destaques?DESTAQUESdest_boui=5494050&DESTAQUESmodo=2

    ou seja… nenhuma razão para estar optimista neste domínio…

  23. Eles , as autoridades Rússas tem +. é q trabalhar a libido e financiar os custos de “filhos” são caros , dão trabalho e etc,etc, etc. Talvez assim consigam uma maior taxa de natalidade. Esse ñ é só problema do rússos , daqui a pouco será do Brasil, nossa idade média de 45 anos…estamos quase lá…no final do túnel.

  24. raul

    quero ver essa tal superpotencia russa quando o petrolio entrar em declinio e/ou tornar-se uma mera commodite com valor achatado….uma vez que as potencias ocidentais vao introduzir melhoramentos nos seus carros,reduzindo assim sua dependencia em relaçao aos russos …com relaçao a uma russia competitiva no mercado internacional e figurando como membro da omc…..esqueçam…como dissse o premier marionete medvedev….em relaçao a georgia…

  25. é esperar por 2011, a data em que se estima que a Rússia alcance o pico de produção.
    a economia russa (como a angolana) está demasiado dependente dos hidrocarbonetos, e como qualquer economia monodependente, é frágil…

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