Daily Archives: 2008/05/19

Do crónico atraso económico de Portugal (comentário a um artigo de Daniel Amaral)

(We Have Kaos in the Garden)

“Primeiro, o rendimento “per capita”: para uma União Europeia igual a 100, Portugal está no nível 75. depois de vários anos sempre a descer. Depois, o desemprego: a taxa média em 2007 foi de 8%, a mais alta dos últimos 20 anos e das mais altas da Europa. Por último, a inflação: a taxa de 2,9% em Janeiro, quando deveríamos situar-nos nos 2%, sugere a existência de pressões inflacionistas que não conseguimos controlar. Pior era impossível.”

“Parecem o céu e o inferno. Já no que toca a Portugal, impressiona-me sobretudo que o nosso índice relativo (75) seja “ultrapassado por países como Malta (77), Eslovénia (87) e Chipre (…). Uma das razões é a fraca produtividade, que não descola de uns míseros 57% da média europeia. Mas, uma vez que a situação se agravou a partir de 2001, admito que tenha de existir algo mais: a perda de mercados; a ausência de investimento, o bloqueio das contas públicas, etc. Sucede que, à excepção das contas públicas, aqueles problemas se mantêm, o que não augura nada de bom.”

“Se isolarmos o grupo dos 20% que ganham mais e os compararmos com o grupo dos 20% que ganham menos, encontramos aquilo a que poderemos chamar indicador da desigualdade. Este indicador é de 4,7 na zona euro, desce para 3,5 na Suécia e coloca Portugal no topo das injustiças relativas (6,8), só superado pela Letónia (7,9). E no grau zero da dimensão social.”

Daniel Amaral, Expresso, 1 de Março de 2008

Certo… Eis um dos textos mais deprimentes das últimas décadas e que – precisamente por isso mesmo – melhor descreve a nossa realidade económico-social. Em termos de “rendimento per capita” (uma métrica frágil, mas ainda assim exemplificadora), depois de décadas de fundos europeus não só não ascendemos ao primeiro patamar de desenvolvimento como até estamos a ser ultrapassados por alguns dos mais recentes aderentes à União Europeia. E não só não nos estamos a aproximar dos padrões europeus do norte, como até, inclusivamente, nos estamos a afastar destes! A inflação alcança também patamares que começam a revelar alguma preocupação e que indiciam uma sociedade demasiado entorpecida pelo Consumo, e sobretudo, por padrões de Consumo que só conseguem ser sustentados por níveis de endividamento familiar crescente e que explicam porque é que existem hoje em Portugal 100 mil famílias (isto é, cerca de 400 mil pessoas) com dificuldades em honrar os seus compromissos… Fruto da explosão de uma multidão de “Empresas de Crédito ao Consumo” e da ânsia bancária em emprestar o mais possível sem acautelar devidamente a solubilidade ou a própria capacidade dos seus clientes em suportarem as suas obrigações decorrentes. Agora, que a Banca e estas Empresas arrecadaram lucros fabulosos nos últimos anos e que muitas famílias estão mais endividadas do que seria razoável, todo o sistema apresenta riscos de colapso, reforçados por números de Desemprego preocupantes e sem sinais de recuperação clara a médio prazo… E no contexto de uma economia quase estagnada e aparentemente incapaz de alcançar os padrões de desenvolvimento do Norte da Europa.

Confesso que este cenário me deixa sempre meio deprimido e revoltado: não reconheço em mim, nem nos meus pares a incapacidade crónica que poderia explicar estas presenças sistemáticas nos últimos lugares de qualquer tabela comparativa na Europa. Os portugueses não são mais estúpidos ou imbecis que um francês ou holandês médio (e acreditem-me que conheço bastos números de franceses e holandeses imbecis), mas nestas comparações ficam sempre a perder! Porquê? Daniel Amaral coloca o dedo na ferida quando alude à nossa baixa produtividade (ainda assim superior à espanhola, mesmo nos anos de Boom da sua economia), mas o problema é ainda mais profundo… A produtividade é baixa não por uma única razão (tipo: o Tuga é burro) mas por uma multiplicidade de factores que confluem nesta direcção: um sistema educativo laxista, que não distingue e premeia os melhores; um Estado pesado, lento e ineficiente, desadequado para as necessidades nacionais que controla praticamente toda a Economia e do qualquer dependem todos os maiores “empreendedores” e “empresários” nacionais… E um Estado muito mau pagador que paga tarde e mal, criando um efeito de bola de neve que depois se propaga a toda a economia (Portugal é dos países europeus que mais tarde paga os seus compromissos), gestores ineptos, preocupados apenas com um horizonte temporal de muito curto prazo, frequentemente autoritários e deficientemente formados e com nenhum espírito de empresa ou de dedicação aos supremos interesses da organização, etc, etc, etc. Muito mais haveria aqui a listar para identificar as causas do nosso crónico atraso.

O problema de fundo, não é contudo nenhum dos listados no parágrafo anterior… O problema de fundo é um país em desnorte, sem rumo, incapaz de encontrar no “projecto Europeu” um objectivo apaixonante, ambicioso e aparentemente irrealizável no curto prazo. Portugal não é um país vulgar, já o disse aqui, mas uma espécie de “ideia de país” (Agostinho da Silva), de um projecto para um mundo melhor, mais justo, paritário e tolerante. Portugal não se pode esgotar no pequeno pedaço de terra onde está hoje encaixotado, mas para viver realmente – não vegetar como fazemos actualmente – precisa de viver um projecto nacional de grande e aparentemente impossível alcançamento, capaz de cativar e multiplicar uma imensa energia anímica que sempre impulsionou Portugal e os portugueses a fundarem esse milagre continental que é hoje o Brasil – uma das grandes potencias mundiais do século XXI – e que foi capaz de se tornar na maior potencia mundial durante a segunda metade do século XVI, mantendo essa posição até meados do século XVIII. Precisamos de um Projecto polarizados, catalisador de uma alma colectiva adormecida e entorpecida por séculos de modelos exógenos que nos tentaram impôr a partir do norte da Europa, sempre sem sucesso, como demonstram cabalmente está triste situação comparativa.

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Categories: Economia, Política Nacional, Portugal, Sociedade Portuguesa | 55 comentários

Quids S12-10: Que navio era este?

Dificuldade: 3

Regras:

1. Cada Quid valerá entre 1 a 3 pontos.
2. Cada pista fornecida deduzirá um ponto aos pontos correntes ao Quid, parando esta descida em 1 ponto.
3. Não serão dadas pistas no próprio dia do lançamento do mesmo, mas apenas no período seguinte (12:30-14:30 do dia seguinte, juntamente com o lançamento do Quid seguinte). Contudo, nesse período do dia seguinte podem ser dadas várias pistas, se pedidas.
4. Os Quids terminam quando um concorrente chegar aos 50 pontos.

Categories: Quids S12 | 22 comentários

Assine a Revista “Nova Águia” !

Revista de Cultura para o Século XXI
Nº 1 – 1º Semestre 2008 – Direcção: Paulo Borges, Celeste Natário e Renato Epifânio

A IDEIA DE PÁTRIA
Sua Actualidade

Ensaio, poesia e outros temas
Incluindo inédito de Agustina Bessa-Luís

Como é sabido, A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Carneiro, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.

A NOVA ÁGUIA pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu “espírito”, adaptado aos nossos tempos, ao século XXI, como se pode ler no nosso Manifesto.

A NOVA ÁGUIA está vinculada a três entidades: Associação Marânus/ Teixeira de Pascoaes, Associação Agostinho da Silva e MIL: Movimento Internacional Lusófono. Inspirando-se na visão de Portugal e do Mundo de Teixeira de Pascoaes, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva, a NOVA ÁGUIA assume-se como um órgão plural.

ASSINE A REVISTA NOVA ÁGUIA
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Lançamentos da Nova Águia:

19 de Maio – 21h30: Fundação José Rodrigues (Porto)
24 de Maio – 15h00: Galeria Artur Bual (Amadora)
28 de Maio – 21h30: Atrium Chaby (Mem Martins)
31 de Maio – 17h00: Palácio Pombal (Lisboa)
– 20h00: Biblioteca Municipal de Sintra
3 de Junho – 15h00: Universidade de Évora
6 de Junho – 21h30: Galeria Matos-Ferreira (Lisboa)
7 de Junho – 16h00: Livraria Livro do Dia (Torres Vedras)
– 21h30: Casa Bocage (Setúbal)
10 de Junho – 18h00: Feira do Livro de Lisboa
11 de Junho – 15h00: Universidade de Aveiro
– 17h00: Casa Municipal da Cultura (Coimbra)
14 de Junho – 18h30: Livraria Arquivo (Leiria)
15 de Junho – 17h00: Vila da Batalha/ Batalha Medieval
18 de Junho – 18h00: Universidade do Algarve (Faro)
20 de Junho – 18h00: Amarante
22 de Junho – 16h00: Quinta dos Lobos (Sintra)
4 de Julho – 21h30: Biblioteca Municipal de Alhos Vedros
Setembro, dia 25, 18h00: Hemeroteca Municipal de Lisboa
Outubro: Universidade do Minho (Braga)

[Lista actualizada dos lançamentos]


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Categories: Blogs, Movimento Internacional Lusófono, Nova Águia, Portugal, Sociedade Portuguesa | 2 comentários

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