Acordo Ortográfico: Petição a favor de reforma mais rápida

Eis mais um destaque à nossa petição referente a uma mais rápida aplicação do Acordo Ortográfico, desta feita dada pela RTP:

Lisboa, 06 Mai (Lusa) – Uma petição em prol de uma mais rápida implementação do Acordo Ortográfico, iniciada pelo Movimento Internacional Lusófono a 15 de Março, reuniu até agora 375 assinaturas, podendo ser subscrita no endereço electrónico www.gopetition.com/online/17740.html.

“O Movimento Internacional Lusófono apresenta-se como um “movimento cultural e cívico recentemente criado” cuja comissão coordenadora é presidida por Paulo Borges, professor da Universidade de Lisboa e presidente da Associação Agostinho da Silva.

Para os promotores da petição, a proposta de resolução do Protocolo Modificativo do Acordo Ortográfico, aprovada em Conselho de Ministros em Março, “pretende consagrar um período demasiado longo para a entrada em vigor do Acordo – seis anos”.

“Recordamos que a grande reforma ortográfica de 1911 teve um período legal de adaptação de três anos, numa época em que não havia a tecnologia que há hoje”, sublinha o texto da petição.

“A recente iniciativa de uma editora, com o lançamento de Dicionários de Língua Portuguesa já obedecendo às regras do Acordo Ortográfico, bem como a posição de várias entidades, entre as quais a Universidade Lusófona – que pretende editar as suas 14 revistas com a nova ortografia até final de 2008 – demonstram que podemos ambicionar um período de transição mais curto”, lê-se no documento.

Assim – e dado que a proposta de resolução ainda será apreciada em sede parlamentar – os proponentes exortam a Assembleia da República a “aprovar um período legal de adaptação de três anos, no máximo”.

“A nosso ver, o Acordo Ortográfico é um instrumento fundamental para uma mais forte e fraterna relação entre todos os países lusófonos – desde logo, para todos os projectos de intercâmbio de professores, que doravante terão a segurança de haver apenas uma ortografia para todo o espaço lusófono”, argumentam os subscritores.

A petição defende igualmente a importância do Acordo Ortográfico “para uma mais clara relação dos países lusófonos com o resto do mundo” e salienta que “nos foros internacionais, como na ONU, os documentos oficiais não mais terão que ser traduzidos para as duas variantes da língua lusa, como acontece até agora”.”

Fonte:

http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?article=344279&visual=26

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Categories: Movimento Internacional Lusófono, Nova Águia, Política Nacional, Portugal | Etiquetas: | 28 comentários

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28 thoughts on “Acordo Ortográfico: Petição a favor de reforma mais rápida

  1. vic

    implementar em 3 anos.

  2. a petição já conta hoje com 850 assinaturas e amanhã, será também noticiada no DN…
    http://dn.sapo.pt/

  3. Anónimo

    “a petição já conta hoje com 850 assinaturas e amanhã, será também noticiada no DN…”
    UAU!!! E a petição contra o acordo ortográfico já conta com mais de 30000 assinaturas. Ou seja…

  4. o que corresponde ao peso “imparcial” que os Media têm dado aos críticos do Acordo e do silêncio dos seus defensores…
    A petição do “contra” é muito mais divulgada, merecendo rodapés nos telejornais mesmo quando tinha 400 assinaturas enquanto que a outra nunca surgiu em rodapé ou em notícias emitidas (que eu saiba) apenas em textos no site da RTP e nalguma imprensa escrita.

  5. Fred

    Vejo que apesar desta falta de divulgação, o acordo é muito indesejado por ai!

    Mas agora é meio tarde para isso, ou não? Portugal poderá sair do acordo?

  6. Anónimo

    “o que corresponde ao peso “imparcial” que os Media têm dado aos críticos do Acordo e do silêncio dos seus defensores…”
    Isso é absolutamente falso. Muito pelo contrário. A sua afirmação é apenas uma tentativa para mascarar uma realidade. Os portugueses gostam e estão habituados (desde há muitos anos) da sua língua tal como está e não querem operações de cosmética politicamente correcta para agradar o Brasil. Uma língua não deve andar ao sabor de modas, só deve de ser alterada quando a língua dos falantes (portugueses, neste caso) não corresponde à ortografia vigente. Caso eu saiba os portugueses não falam português do Brasil, portanto a ortografia portuguesa não deve de ser a ortografia vigente no Brasil. Só um exemplo: Inglaterra, Escócia, África do Sul, Nova Zelândia, Austrália e muitos outros países falantes de Inglês a alterar a sua ortografia semelhante ao dos E.U.A.. Porque será? Porque não o mudam sendo hoje os E.U.A. com o peso demográfico, económico e cultural que tem, sendo que já vi argumentado essas razões em relação ao Brasil, a favor do acordo ortográfico ?

  7. Anónimo

    Errata:
    Onde se lê:
    “Só um exemplo: Inglaterra, Escócia, África do Sul, Nova Zelândia, Austrália e muitos outros países falantes de Inglês a alterar a sua ortografia semelhante ao dos E.U.A.. Porque será?”
    Deve-se ler:
    “Só um exemplo: Inglaterra, Escócia, África do Sul, Nova Zelândia, Austrália e muitos outros países falantes de Inglês a não alterar a sua ortografia semelhante ao dos E.U.A.. Porque será?”

  8. Fred:
    Não creio. É tarde demais.
    De qualquer forma a votação na Assembleia vai ter lugar nos próximos dias. Veremos então

    Anónimo:
    O argumento ainda que verdadeiro, é falacioso, porque as diferenças ortográficas são menores e de menor impacto na ortografia do inglês do que aquelas que hoje existem entre as ortografias brasileira e portuguesa… compara portanto o incomparável, daí a falácia…

  9. M4Jor

    Já vi o anúncio na TV e tudo!
    Mt bem!
    😉

    Em relação a este assunto, já sabendo de antemão qual o meu voto ( se houvesse votação), a grande questão aqui serão os custos vs benefícios e não um bate o pé de um lado e de outro.
    Factores como cedências, nacionalismos, orgulho etc etc são factores não variáveis e n servirão de ponderadores para uma discussão argumentativa saudável.

    A questão do espanhol, francês e inglês colonizado é um bom exemplo. Porque não escreverão os brasileiros, uma vez que as ex-colonias africanas o fazem, acção com dois c´s? aliás, toda a gente fala das cedências, inclusivé o sr clavis, do brasil? Que cedências eles fizeram q ainda não tive conhecimento, nem v. exas colocam na petição?

    Hoje temos a nossa série 😉
    Não tenho cá vindo, dois empregos neste momento! O país colocou-me nesta posição, ou então entro nas estatisticas do crédito mal parado 😉

    Abraço sr clavis

  10. Manuel

    Hoje recebi este email(há de tudo para todos):

    Está na Internet um manifesto solicitando a suspensão do Acordo Ortográfico (que pode ser aprovado dentro de 12 dias na A.R.), para reflexão mais atenta. O documento foi elaborado por Vitorino Magalhães Godinho, Vasco Graça Moura e o linguista António Emiliano, e logo assinado por Eduardo Lourenço, Vítor Aguiar e Silva, Luís Fagundes Duarte e por mim própria, entre outros.

    Pode ler (e assinar, caso esteja de acordo – assim como enviar a outros interessados) em:

    http://www.ipetitions.com/petition/manifestolinguaportuguesa/

  11. Mike

    Realmente ainda não consegui perceber as vantagens do acordo…

    Vamos alterar a ortografia… e daí? Não vai alterar em nada a compreensão entre os falantes das várias variantes do Português… Se eu sei o que é um “Ônibus”, foi porque me fartei de ver telenovelas brasileiras. Se utilizamos o “Baza”, foi porque ouvimos angolanos a utilizar essa palavra. O que é que vai adiantar afinal uniformizar a excrita, se eu não conhecer o vocabulário?

    Se faz parte da nossa identidade e não chateia ninguém, deixa-se evoluir naturalmente! Como qualquer outra coisa!

    As diferenças e o seu conhecimento é que nos enriquecem, senão, acaba-se a sabedoria, pois toda a gente conhece tudo.

    Se se preocupassem com medidas e estudos que realmente beneficiem a humanidade, é que faziam bem… Isto é só para dizer que fizeram alguma coisa, pubicar mais uma enormidade de manuais, dicionários, etc. Alguém enche os bolsos, e pronto, ficamos na mesma, mas coma sensação que algo de útil foi feito… Tristeza!

  12. Mike:
    se nada fizermos, “naturalmente” a divergência será cada vez maior, até ao ponto da irreconhecibilidade algo que só dará força aqueles que no Brasil advogam o fim do termo “português” e a adopção do termo “brasileiro”… Isso é do interesse de Portugal e dos portugueses?
    E a prazo, que norma acha que os países africanos iriam seguir? A dos 9 milhões de portugueses ou a dos 180 milhões de brasileiros?
    Uniformizar (e pouco, porque este Acordo está cheio de omissões e muito falho de ambição) é salvar a universalidade do português enquanto esta ainda pode ser salva…

  13. cravo

    Eu tambem sou da opinião que o acordo ortográfico so serve para encher os bolsos a editoras, livrarias etc. Vão logo ser editados ou re-editados e vendidos uma quantidade enorme de dicionários, enciclopédias, manuais etc. E quanto aos brasileiros darem o nome de “brasileiro” à língua deles, que o façam e fazem-no legitimamente pois trata-se da sua própria língua e cultura, uma cultura que na realidade quase nada tem a ver com a cultura portuguesa e a forma de estar e de ser do povo português. Portugal já não tem colónias ultramarinas, felizmente. E da mesma maneira, a última coisa que deve pretender é tornar-se uma colónia de um ex-colonizado. Haja paz e fraternidade entre todos os povos, independentemente da raça,língua,etc. Para quê criar o “gang” dos que falam português? Cada grupo que se forma, seja em que domínio for, é para marcar a diferença e cavar distância para os outros. Eu sou cidadão do mundo e faço parte do grupo da humanidade. O resto é secundário… que interessa sermos muitos ou fortes já que é sempre um termo de comparação e de rivalidade para com os outros? Porque tem de haver os “outros”? Na política, na religião, no futebol, etc, a formação de grupos apenas serve para afastar as pessoas umas das outras e criar atritos e rivalidades. Para que havemos de nos juntar aos que falam português ou aportuguesado? Para competir com os que falam inglês ou castelhano? E porque não juntarmo-nos todos em vez de competirmos? Portugal é um país pequeno sim, e daí? Não dizia EF Schumacher que “small is beautiful”? Não chega já de megalomanias e rivalidades neste mundo?

  14. aqui estamos então em desacordo (palavra bem adequada neste contexto…). O que não é raro. Sei que a maioria dos portugueses comungam contigo desses argumentos, e que estou no lado minoritário deste debate.
    De qualquer modo a discussão é doravante irrelevante, já que:
    http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1328984&idCanal=12
    quanto à minha argumentação a favor… anda lá no artigo…
    e este seria um grupo inclusor, não exclusor… uniria aqueles que a geografia separou e devolveria a Portugal um projecto-mundo, algo de que o país sempre precisou para polarizar e potenciar as suas energias… Portugal nunca foi uma “bélgica”, um país que vive em pequenos voos e minúsculos projectos: quanto maior o plano e o projecto, mais Portugal e os portugueses se portam. E o nosso destino (aí entra a Fé) é tornarmo-nos no mundo…. foi esse o fado quebrado (pela vã cobiça e pelo fanatismo religioso) da História portuguesa por Dom João III…

  15. M4Jor

    Continuam sem me dizer em q é q o Brasil cede; Se acção com dois c´s escreve-se assim em Pt, MZ, AO menos em Br pq raio é q temos de mudar?

    Tenho um amigo meu q é a favor do acordo, segundo ele isto foi negociado há 18 anos atrás, pelo q só agora é q nos preocupamos a discutir. Só agora é q alguém convidou-me a conhecer este assunto.

    Os países africanos seguirão portugal sr clavis, contudo mesmo que colquemos a situação dde seguirem o brasil, qual o problema? e qual o problema dos brasileiros fundarem o brasileiro? É que se utilizam isso como chantagem, por mim podem arrepiar caminho.

    A verdade é q nos viramos para a europa. os africanos seguirão sempre portugal pelas razões emocionais, e senão forem estas, serão ecnomicas. Mas nem me interessa mt, sou mz com dupla nacionalidade e mz pertence à commonWe..como sabem.

    Volto a apelar para dizerem-me em q é q Br cede. Brasil será sempre, dito por o maior arquitecto brasileiro, extensão de portugal, dê por onde der.

  16. O Brasil também “cede” numa percentagem não insignificante das suas palavras grafadas:
    “O fim do trema está decretado desde dezembro do ano passado. Os dois pontos que ficam em cima da letra u sobrevivem no corredor da morte à espera de seus algozes. Enquanto isso, continuam fazendo dos desatentos suas vítimas, que se esquecem de colocá-los em palavras como freqüente e lingüiça e, assim, perdem pontos em provas e concursos.

    O Brasil começa a se preparar para a mudança ortográfica que, além do trema, acaba com os acentos de vôo, lêem, heróico e muitos outros. A nova ortografia também altera as regras do hífen e incorpora ao alfabeto as letras k, w e y”

    http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u321371.shtml

    E sim, o seu amigo tem razão. Portugal já assinou o Acordo em 1990! Diplomaticamente Portugal tem que ser um país com honra, que assume os seus compromissos e acordos. Este argumento não é uma parcela menor nesta discussão…

    Angola já estava a dar sinais de impaciência para com Portugal e algumas das suas figuras culturais mais representativas (como Agualusa), já declaravam publicamente que se Portugal não se decidisse enfim, que Angola iria pelo Brasil. E São Tome, Cabo Verde e a Guiné davam mostras idênticas… Ouvi recentemente os representantes da Guiné e de Angola, na Assembleia e essa foi a mensagem implícita em todos eles. Bem, menos vincada na professora angolana de letras, que defendia um novo Acordo, renegociado de raíz. Um modelo a que pessoalmente não me oporia, mas que é mais fácil, se fôr renegociado a partir da implementação do de 1990 e não do zero absoluto…

    E na minha opinião, o Brasil não é uma extensão de Portugal… O Brasil é o Portugal verdadeiro, livre das grilhetas da Inquisição e do fanatismo religioso e das diversas vagas de “estrangeirados” que foram descendo pelos Pirinéus…

  17. Fred

    A mudança no nosso vocabulário muda em cerca de 1% das palavras contra cerca de 3% em Portugal.

    Aqui tem uma listas dos acordos antigos
    http://www.portaldalinguaportuguesa.org/?action=acordo

    E o dito já foi aprovado pela Assembleia?

  18. Exactamente,
    E foi sim. Ontem mesmo numa votação esmagadora na nossa Assembleia da República..
    http://noticias.sapo.pt/lusa/artigo/df151c068163f9fef3f9b4.html
    tendo já havido ecos de tal no Brasil…

  19. Bento

    O dia 16 de Maio de 2008 é um dia triste para Portugal, pois mostra o estado de subserviência a que chegou o nosso País.

  20. Bento:
    Discordo… Esse estado é exemplificado, p.ex. quando aderimos às restrições orçamentais (euro e deficit) impostas por Bruxelas. Ou quando sacrificamos a nossa indústria, pesca e agricultura para recebermos milhões de euros para não produzir ou arrancar vinha e para que a França continue a exportar ou para que o Reino Unido seja um dos maiores beneficiários líquidos da PAC. Isso sim, é subserviência.
    Este Acordo, não o é.
    O Brasil muda palavras, como nós. Em menor percentagem, sim, mas isto não é uma guerra de percentagens! Ambos os lados convergiram, um mais do que o outro. Podemos dizer o mesmo dos interesses europeus que nos impuseram estão tão oca “economia de serviços” e de “turismo” em que este Portugal do século XXI se converteu?

  21. Graxaim

    Clavis Prophetarum
    Tu dissestes:
    ´´E na minha opinião, o Brasil não é uma extensão de Portugal… O Brasil é o Portugal verdadeiro, livre das grilhetas da Inquisição e do fanatismo religioso e das diversas vagas de “estrangeirados” que foram descendo pelos Pirinéus…´´
    É o que sempre pensei e fiquei comovido por teres dito… Se eu não estiver enganado, o português de hoje, virando as costas para o Brasil, estará renegando o resultado (nada, nada desprezível) de seu maior investimento no passado…
    Saudações

  22. na verdade, não fui o primeiro a escrever isto (ainda que por outras, mais eloquentes, palavras): Agostinho da Silva…

  23. João Paulo

    Olá à todos!
    Como eu vejo a questão da reforma ortográfica? Sou favorável à ela, mas não acho que nenhuma nação tenha que fazer contra a vontade da maioria de sua população. O Inglês não é uma língua absolutamente unificada, há evidentes diferenças regionais de vocabulários e ortografia, e até de conjugação verbal, possivelmente. Mas como idioma estrangeiro, é o mais difundido. A vantagem da reforma ortográfica, no meu ponto de vista, é facilitar o aprendizado do Português para os interessados não lusófonos, de forma que uma pessoa de um país não lusófono não desanime em aprender. Uma hipótese, imaginemos que András, um húngaro, é um empresário que queira fazer grandes investimentos tanto em Portugal quanto no Brasil, e em Angola e Moçambique. E ele gosta muito do futebol português e do brasileiro também. E ele descobre que há uma grande quantidade de palavras com dupla grafia. Ele tem a opção de aprender só o Português do Brasil, ou só o de Portugal. Mas, ele não se sentiria mais estimulado se ambos dialetos fossem menos divergentes entre si? Por quê eu vou aprender o Castelhano (ou Espanhol) só para o México, se possoaprender também para a Espanha, Cuba, Peru e Argentina? Por que vou aprender Inglês só por causa dos Estados Unidos se posso aprender também para Inglaterra, Canadá, Austrália e outros? O que eu quero dizer, afinal? Quero dizer que a reforma ortográfica de forma a aproximar mais a lusofonia vai desanimar menos, ou estimular mais o aprendizado do idioma por não lusófonos. Não para fazer “Portugal subserviente”, ou “Imperialismo brasileiro”, “Portugal colônia do Brasil” ou qualquer outro absurdo que dizem por aí. Portugal nunca foi e nem vai ser dominado pelo Brasil. Os brasileiros não cogitam sacrificar Portugal para que o Brasil vire potência mundial. Apenas a visão de que, se o Brasil realmente vier a ser uma potência mundial, se é que vai ser mesmo, não conhecemos o futuro, pode acontecer algo que impessa, mas se o Brasil vier, muitos vão querer aprender o Português, e por que Portugal e países africanos lusófonos não podem se beneficiar disso? Só os EUA se benefeciam do fato do Inglês ser língua internacional? Os brasileiros bem alfabetizados conseguem ler tanto a ortografia do Português de Portugal quanto o Galego, o Português da Galiza. Certas palavras, nos primeiros contatos, os brasileiros não entendem. Mas com o tempo se familiarizam. E os portugueses e africanos lusófonos entendem prefeitamente a ortografia do Brasil. O ponto é dar ao idioma a grandeza que o idioma merece.

  24. bem, ainda que reconheça que o AO não foi particularmente bem negociado e que deixa transpirar aos portugueses a noção de que houve muitas (demasiadas?) cedências Brasil, recordo que ele é Ortográfico e que não toca na substância da Língua nem da sua oralidade… é uma ferramenta que pode e irá facilitar a comunicação e a distribuição de literatura entre os povos lusófonos, razão pela qual o apoio, ainda que reconheça que em alguns pontos foi mais o “acordo possível” e o “acordo que temos”, do que o “acordo que devíamos ter”…

  25. João Paulo

    Primeiramente, onde escrevi ” não conhecemos o futuro, pode acontecer algo que impessa” escrevi errado na ortografia vigente no Brasil. O correto é “impeça”. Desculpem-me o erro.

    Voltando ao tema. Realmente, senhores cavalheiros, é muito desconfortável a cada um de nós, após anos de aprendizado da língua, de repente ter que se adaptar a uma nova ortografia. Vai encarecer os livros, que serão reeditados, isso é verdade.
    E acho que, antes de ter assinado o acordo em 1990, todos os países deviam ter feito um PLEBISCITO sobre o assunto. Por isso eu já não simpatizo mais com a democracia REPRESENTATIVA, porque a última coisa considerada por um Congresso ou um Parlamento, é a vontade da maioria da população. Os portugueses têm todo o direito de não quererem a reforma ortográfica, de não quererem uma ortografia semelhante a do Brasil. Os brasileiros não ficam ressentidos por causa disso. Podem acreditar! Os maiores beneficiados dessa reforma ortográfica são os estrangeiros não lusófonos que se interessam em aprender o Português. Para a esmagadora maioria da população do Brasil, é incômoda. E óbvio que é mais incômoda ainda para a maioria da população de Portugal e dos portugueses no exterior. Mas a visão do governo brasileiro é somente favorecer o aprendizado da língua portuguesa como língua estrangeira, como o Inglês e o Espanhol (Castelhano). Para Portugal, não é vantajoso o Português tornar-se língua universal?
    Vou fazer um comentário sobre compreensão da língua de Portugal. Há algo que eu acho uma “sacanagem”. Os canais de televisão portugueses transmitem novelas brasileiras para lá. Mas os canais de televisão brasileiros não têm a bondade de experimentar passar uma só novela puramente portuguesa. Com atores portugueses. A Band, parece que tentou, mas dublou. Que ridículo da parte da Band ter feito aquilo! O que eu faço para poder ver alguma coisa de Portugal? Entro no site da SIC, da RTP, da TVI para ver como está atualmente. Ainda bem que existe a internet. Por que cantores brasileiros têm feito, ou faziam, sei lá, sucesso em Portugal e cantores portugueses são desconhecidos no Brasil? Por que artistas de Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde e São Tomé, Príncipe e Timor Leste não são conhecidos no Brasil? Isso tem que mudar! Por que o Governo Português, a Assembleia da República de vocês, e os líderes africanos lusófonos não cobram isso do Governo do Brasil, do meu país? Ponham ele contra a parede! Vocês não acham que a CPLP devia existir também para isso? Para o Brasil se abrir para os outros países lusófonos? Parece-me que a CPLP tem esse projeto, mas me lembrando de canais como a CNN em Espanhol, TV5 francesa, esta última com telejornais em francês da França, Bélgica, Suíça e Canadá, eu acho que devia ser criado um canal de televisão a cabo que transmitisse programas de televisão de todos os países da CPLP e de regiões onde se fala Português, como Macau, Goa… podia ter legendas em inglês, ou em outros idiomas, mas falado em Português.
    Sabem no que eu pensei, numa pessoa que ficou marcada na história do Brasil e de Portugal? O filho de Dom João VI, aquele que é conhecido no Brasil como Dom Pedro I e em Portugal como Dom Pedro IV. Independente de ele ter sido herói ou vilão, a história da vida dele podia virar filme, ao nível dos filmes de Hollywood. Porque Dom João VI e Dom Pedro I pra nós e Dom Pedro IV pra os portugueses, tomaram atitudes inéditas na história mundial. Por que fazem tantos filmes sobre Cristóvão Colombo e nunca fizeram, em Hollywood, um só filme sobre a vida e a viagem de Vasco da Gama para a Índia? Eu nunca vi e nem ouvi falar de um filme sobre Vasco da Gama viajar para a Índia.
    Desculpem-me se saí um pouco do tema, mas me lembrei desses detalhes agora, enquanto escrevia. E sou favorável a divulgação da história e da cultura da lusofonia.

  26. se houvesse um plebiscito esse seria chumbado… e por norma, tratados internacionais não são (nem devem ser) submetidos a plebiscito e é isso que o AO precisamente é.
    o AO é sem dúvida incómodo para todos (falo por mim que tento já seguir as suas normas e sou gozado por tal e que tentanto segui-las não raras vezes vou falhando), mas é uma ferramenta para aproximar os países da CPLP, como tal é uma boa ferramenta tendo em vista o bem comum.
    o Brasil é tradicionalmente um mercado cultural muito fechado… e essa críticas são antigas. As coisas estão agora a melhorar um bocado, mas ainda há muito a fazer…
    um canal de tv lusófono é uma das propostas do MIL, à qual regressaremos brevemente, verá…

  27. João Paulo

    Ah, sim! Acabei me esquecendo desse detalhe. Tratados internacionais não são submetidos a plebiscito.

    Bem, até o início dos anos 90, Portugal era visto pela imensa maioria no Brasil, como um país quase completamente desconhecido. Apenas que foi o país que descobriu e colonizou o Brasil, nos legou o idioma, a estrutura social e política. Os mais informados, que na escola desenvolveram gosto pela área de ciências humanas, como História, Geografia, Literatura… viam Portugal como um país atrasado para o padrão da Europa Ocidental, e a Espanha também era vista assim, países que saíram recentemente do regime facista, não conseguiram chegar ao nível de países como a França, Suíça, Itália, Bélgica, Holanda, Inglaterra… Esse é um dos motivos do Brasil ter fechado o seu mercado e voltado a sua política externa para os EUA e outras potências mundiais. Nos anos 90 para cá, Portugal e Espanha já são vistos como países que se modernizaram, entraram na União Européia, adotaram a moeda única, o Euro, Portugal melhorou muito de 1990 para cá. Mesmo que a crise econômica mundial gerada pela crise imobiliária nos EUA em 2008, tenha prejudicado seriamente Portugal, isso é passageiro, Portugal vai se levantar novamente. O português de hoje é homem do século 21, e a portuguesa de hoje é mulher do século 21. Já não são pessoas de mentalidade antiquada mais. O que o povo português está sofrendo hoje, o povo brasileiro já sofreu diversas vezes em sua história. Tanto que esta atual crise quase não afetou a economia do Brasil. O país já criou resiliência. Para os europeus ocidentais foi um trauma violento, mas para os brasileiros, é mais uma crise para a coleção. No passado, eu acreditava que o Brasil era uma causa perdida, que nunca nenhum governo ia pôr fim a hegemonia estrangeira, se os EUA caírem, outra potência viria subjugar o Brasil, que inclusive o termo “brasileiro”, que tem o sufixo “eiro”, que é comum a profissões, marceneiro, padeiro, pedreiro, e não a nacionalidades, é um indício de que o povo do Brasil veio a existência neste mundo predestinado a se subserviente a estrageiros, sejam eles britânicos, americanos, franceses, alemães, japoneses, etc. Hoje, eu enxerguei que até “de quem é a culpa do Brasil ser assim”, os brasileiros estão iludidos. Não são os portugueses, não são os americanos, não são os outros europeus e nem os japoneses os culpados pela situação do Brasil. A culpa é da elite econômica do Brasil. Da direita política brasileira. Os estrangeiros não estão tão preocupados assim em humilhar o Brasil. E foi um presidente de origem pobre, com baixíssimo nível de escolaridade, que começou a virar o jogo, foi quem nos libertou do FMI, foi quem começou a amenizar os gigantescos problemas sociais do Brasil. Quando na história do Brasil um presidente americano pediu tanto o apoio do Brasil quanto a questões do Haiti, do Irão enriquecer urânio, quando um presidente brasileiro teve coragem e paz para pedir a um presidente americano que levantasse o embargo econômico à Cuba sem medo de sofrer retaliação? Quando um presidente do Brasil foi visto como um “líder mundial”? E, se após a segunda guerra mundial, os EUA reconstruíram a Europa Ocidental com o plano Marshall privilegiando a Grã-Bretanha e a França, por que o Brasil, caso esteja entre as potências mundiais, não pode privilegiar Portugal, devido ao idioma ser o mesmo? Por que Portugal não pode ser o nosso maior parceiro na Europa, o nosso representante? E ser o representante da Europa para nós? É nesse sentido que eu apóio o AO, para abrir um espaço para levantar de novo o explendor de Portugal. A parceria entre Brasil, Portugal e Palop não significa que Portugal e Palop têm que estar sempre de acordo com a opinião do Brasil, que não podem discordar. O Brasil não é os EUA nem Inglaterra. Se Portugal ou Palop discordam do Brasil, o Brasil não vai ficar furioso. Se nem contra a Bolívia e Equador, nem contra Honduras o Brasil fez bombardeamentos, por que faria contra os lusófonos? Aos portugueses que temem o imperialismo do Brasil, tirem das suas cabeças a idéia de que o Brasil é uma ameaça à Portugal. Não é!

  28. exato! é precisamente esse o meu pensamento e crença: Portugal e o Brasil têm o dever histórico de servirem de percursores a uma aproximação lusófona para um novo patamar de desenvolvimento e crescimento individual e coletivos dos povos lusófonos.
    O AO é neste contexto um instrumento – imperfeito – mas o possível, razão pela qual o defendo.

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