Lost (“Perdidos”): S04E11: “Cabin Fever” [Spoilers !!!]

A acção deste episódio divide-se entre um flashback até ao nascimento e infância de John, a viagem deste, de Ben e Hurley pela mata em busca da cabana de Jacob e alguns acontecimentos a bordo do cargueiro fretado por Widmore, o “Kahana”.

1. Richard Alpert, o Outro que parece não ter envelhecido desde a infância de Ben (e que nós em tempos identificámos como um sobrevivente dos antigos habitantes de Mu na Ilha faz a sua primeira aparição neste episódio) espreitando do outro lado do vidro para a incumbadora onde está John, ainda bébe. A enfermeira explica a Emily, a sua jovem mãe, que John foi o prematuro mais jovem a jamais sobreviver no hospital e que venceu sobre uma série de problemas de saúde que decorreram da sua condição de “grande prematuro”, muito rara nessa época (1956). Provavelmente, foi esta sobrevivência que chamou a atenção a Alpert e que o levou ao hospital. Mais tarde, anos depois, Alpert visita John na casa dos pais adoptivos para o seleccionar. Na parede está o desenho aparente do “Monstro de Fumo” a atacar alguém, o que anima Alpert. Apresenta de seguida vários objectos a John, para que este reconheça aquele que “já é seu”. Uma tarefa que John falha, para grande frustação de Alpert. A cena parece muito idêntica com as buscas que ocorriam no Tibete (antes da invasão chinesa) onde os monjes percorriam o país em busca da nova encarnação do Dalai Lama. Alpert reconhece em John uma anormal capacidade de sobrevivência (sobreviver prematuro com apenas 6 meses era muito raro na década de 50) e o desenho do “monstro de fumo” é indicador de uma memória de uma vida passada… A prova final seria reconhecer o objecto usado na vida passada (exactamente a mesma prova que o actual Dalai Lama teve que cumprir para ser reconhecido como a atual encarnação de Chenrezig, o Bodhisattva da Compaixão. Entre esses objectos encontramos um “Mystery Tales” (publicado em 1956, o ano de nascimento de Locke) e com uma história no título “Qual era o Segredo da Misteriosa Terra Escondida?”, numa alusão clara à Ilha… John falha o teste de reconhecimento, mas o erro de Alpert é evidente… Desde logo, Ben reconhece em John características especiais… John encara a Ilha como sendo uma entidade viva e com vontade própria, Jacob é visto por John, o que muito espanta Ben e John sofre uma remissão milagrosa do seu problema, ao contrário de Ben, que não se livra de um tumor na coluna… Alpert, anos depois, parece tentar novamente, já que um professor de John diz que recebeu uma chamada de Portland (onde outros têm instalações, como se viu no flashback de Juliet) do conhecido “Mittelos Laboratories” procurando jovens para trabalhar em química e em novas tecnologias no seu “campo de Verão”. Provavelmente, outra designação para a “escola para crianças especiais” que usou anos antes… Alpert parece ter reconhecido o seu erro já que John na feira de ciências da Escola constrói… um modelo de uma Ilha, com a geografia aparente da Ilha de Lost, outra prova de uma memória passada que parece interessar a Alpert.

Resta a questão de saber para o quê estava Richard Alpert a procurar recrutar o jovem John… Alpert fala de “uma escola para crianças especiais”… Situada na Ilha… Mas sendo que a instalação da Dharma Initiative data da década de 70, e esta acção decorre em finais de 50, princípios de 60… Será que Jack esteve prestes a ser recrutado para os Outros? Ou melhor dizendo, para o grupo de Outros, anterior à chegada do próprio Ben, que começou como uma criança na Dharma Initiative?

Em tempos, levantamos a possibilidade de Alpert ser um “imortal” que não envelhecia… Mas nesta cena, passada na década de sessenta (começos) ele exibe o mesmo saco que passeia atualmente pela Ilha… Assim e sabendo agora que há na Ilha viagens temporais, outra explicação para esta juventude de Alpert é que ele está a viajar no tempo, a partir da Ilha, de uma Estação Dharma ainda não conhecida, provavelmente o “Templo” onde o grupo dos Outros se refugiou depois de Ben os deixar. O uso do saco por Alpert poderia ser uma pista oferecida pelos produtores a apontar nessa direcção…

2. De volta ao tempo presente, na Ilha, o pequeno grupo de John, Ben e Hurley que partira em busca da cabana de Jacob faz uma pausa e dorme. John acorda, de manhã e observa alguém vestido com o fato de macaco da Dharma a abater árvores. Trata-se de um sonho, uma forma de comunicação que a Ilha já usou várias vezes para comunicar com John e que desta feita serve para lhe dar indicações sobre a posição da cabana. Ainda que seja um sonho (John acorda mais tarde) a cena ilustra claramente uma transmigração temporal deste membro da Dharma, de nome Horace (um matemático, segundo a etiqueta da sua farda)… Ele sangra do nariz, como Desmond e Minkowvsi nas suas deslocações temporais e abate a mesma árvore… três vezes. Para grande espanto de John, que ainda não conhece o fenómeno. Locke encontra um mapa para a cabana no fato de Horace, mais tarde, quando se dirige para a tumba colectiva onde jazem os cem membros da Dharma Initiative assassinados pelos Outros há 12 anos, para ser mais preciso, a 19 de Dezembro de 1992.

3. Quando procuram a cabana, Ben afirma que “a cabana move-se”, o que já ficara claro no anterior episódio e que implica que na Ilha, para além de deslocações temporais, são também comuns as deslocações espaciais (é impossível viajar no Espaço, sem viajar no Tempo, o que nos remete para a teoria da Relatividade de Einstein e, diretamente para… os Buracos Negros).

4. No cargueiro, o mercenário Keamy exibe num braço um aparelho que parece ser uma espécie de telemóvel com uma câmara… Ligada diretamente a Charles Widmore, certamente, para que este possa seguir em tempo real todos os acontecimentos na Ilha.

5. Ben, recusa-se a entrar juntamente com John na cabana e declara “A Ilha queria que eu ficasse doente e que tu ficasses bem. O meu tempo acabou, é agora o teu”. Ben investe assim John no papel de novo líder dos Outros, já que todo o poder neste grupo parece emanar daquele que o misterioso Jacob (que supomos ser um capitão original do navio esclavagista Black Rock) escolhe para líder secundário do grupo.

6. Dentro da cabana, John Locke encontra Christian Shephard, ou o “Monstro de Fumo”, sob a sua forma, como suspeitamos… Christian afirma falar “em nome de Jacob” e como Jacob parece ser uma corporificação da Ilha e o “Monstro” o seu agente, a interpretação fica mais clara quando John expõe que aquilo que o leva ali é procurar uma forma de “salvar a Ilha” da expedição de Widmore.

7. Compreende-se também porque Claire abandonou o grupo voluntariamente… Christian é o seu pai, e seguiu-o voluntariamente. Contudo, a sua atitude na cabana é excessivamente relaxada e calma… Quase demasiado alegre… Estará drogada (pouco provável, já que o Monstro não usa tais métodos) ou… será ela própria uma outra projecção do próprio Monstro?

8. O método indicado por Jacob para salvar a Ilha é, confessa depois John a Ben: “mover a Ilha”. Um segundo indício que a Ilha, para além de deslocamentos temporais, também é capaz de deslocamentos físicos. E a explicação para um dos mistérios de Lost, mais um a ser assim tão discretamente desvendado… E explicando porque o avião de Mr. Eko, que viajava na Nigéria se despenha nesta Ilha do Pacífico Sul e porque aparecem os ursos da Dharma no deserto tunisino, etc, etc… A expressão usada “Ele [Jacob] quer que movamos a Ilha” indica também que ela (Jacob) não se consegue mover sozinha e que algures (no Templo?) existe um mecanismo de controlo dos deslocamentos físicos da Ilha, o qual agora deve envolver a narrativa do próximo episódio…

9. No barco, Keamy tenta alvejar Michael, o espião de Ben, na cabeça, mas a arma avaria e não dispara… Michael escapa assim pela segunda vez a uma morte idêntica… Como se o destino ou algo na Ilha tivesse lançado sobre si um manto protector até que ele cumpra a sua missão, a qual supomos ser a destruição do Kahana…

10. Quando Keamy abre o cofre na cabina do capitão alude a um “protocolo secundário” e exibe um dossier com o logo da Dharma, este indica para onde irá Ben agora… Agora que sabem que o perseguem e que precisa de destruir o grupo que o persegue. Widmore conhece então que os Outros têm nesta fase de fazer mover a Ilha, e esse “protocolo secundário” indica precisamente o local onde esse movimento pode ser desencadeado… Antecipamos assim um confronto de Ben com o grupo de Keamy nesse local, no próximo episódio…

O logotipo da Dharma no dossier “Protocolo Secundário” é o mesmo do blusão de Ben quando este se materializa no Saara, Tunísia, no episódio anterior. Assim, podemos deduzir que Ben parte do mesmo sítio (uma Estação Dharma) descrita nesse dossier, e que esta Estação é local a partir de onde se faz “mover a Ilha”.


Brevemente publicarei o comentário ao episódio 1 da 4ªa temporada, emitido ontem de tarde na RTP1

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2 thoughts on “Lost (“Perdidos”): S04E11: “Cabin Fever” [Spoilers !!!]

  1. “7. Compreende-se também porque Claire abandonou o grupo voluntariamente… Christian é o seu pai, e seguiu-o voluntariamente. Contudo, a sua atitude na cabana é excessivamente relaxada e calma… Quase demasiado alegre… Estará drogada (pouco provável, já que o Monstro não usa tais métodos) ou… será ela própria uma outra projecção do próprio Monstro?”
    Pois, ou sao projeccoes do Monstro ambos Sheperd e Claire ou entao cadaveres que o Monstro ou a Ilha utilizam como porta-vozes. ‘E sabido que Sheperd esta mais que morto e Claire possivelmente tambem esta ja que a explosao na casa onde estava com o bebe pode te-la morto…. enfim, ha muitas suposicoes… Shepperd poderia tambem ter viajado no tempo para ser usado por Jacob.

    “8. O método indicado por Jacob para salvar a Ilha é, confessa depois John a Ben: “mover a Ilha”. Um segundo indício que a Ilha, para além de deslocamentos temporais, também é capaz de deslocamentos físicos. E a explicação para um dos mistérios de Lost, mais um a ser assim tão discretamente desvendado… E explicando porque o avião de Mr. Eko, que viajava na Nigéria se despenha nesta Ilha do Pacífico Sul e porque aparecem os ursos da Dharma no deserto tunisino, etc, etc… A expressão usada “Ele [Jacob] quer que movamos a Ilha” indica também que ela (Jacob) não se consegue mover sozinha e que algures (no Templo?) existe um mecanismo de controlo dos deslocamentos físicos da Ilha, o qual agora deve envolver a narrativa do próximo episódio…”
    Sim, e o facto de a Ilha se mover pode muito bem explicar porque ninguem a encontra! Talvez tambem uma explicacao logica embora seja ficcao para o Triangulo das Bermudas… Acredito que a implosao da estacao onde se encontrava Desmond esta relacionada com o “mover a Ilha”… Nao me recordo se alguem ja desvendou porque o Desmond tinha que carregar no botao, mas de certo que tem a ver com a necessidade de movimentar a Ilha para que nao fosse encontrada…

  2. 7. Pensei nisso também… mas não creio que tenha havido indícios de duplas projecções do Monstro até hoje… O que não invalida a tese, claro.Não acho que Shepard tivesse viajado no tempo… isso não explicaria a ligação especial que ele tem com Jacob e com a Ilha…

    8. Mas não falam de um “escudo de invisibilidade”? A Ilha move-se (o que me lembra o julgamento de Galileu…) mas não está em movimentos constantes… se não entre as duas activações de Desmond haveriam barcos e aviões a chegar correntemente à Ilha. Hum. Ok…. E há os dos sobreviventes. Está bem… é uma boa ideia… vou pensar nisso…

    O video de Orientação da Cisne disse que a estação fora construída como um laboratório onde se estudava as “flutuações electromagnéticas únicas da Ilha” e que depois do “incidente” tinha que se executar um dado protocolo cada 108 minutos (com a password dos números). Kelvin explica ainda que a “carga magnética ía subindo até que o mecanismo era activado e a descarregava… ou que se carregava no botão de emergência (que destruiria a Estação). Assim… Seria este electromagnetismo o responsável pela criação de um wormhole que transportaria a Ilha pela superfície da Terra? Nem quero pensar no tipo de matemática necessária (cálculo da posição da Terra a cada instante, mover sempre para a superfície do globo, etc, etc, etc)…

    Sim… é uma boa ideia e pode bem explicar o “tipo” de escudo que protege a Ilha, assim como aqueles fenómenos que acima descrevi.

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