As multinacionais começam agora a deslocalizar também da… China

(Fábrica da Nike na China… Hoje. Amanhã estarão no desemprego e a fábrica em Marrocos, Paquistão ou Vietname? in http://web.uncg.edu)

Depois de durante décadas a China ter atraído praticamente todas as indústrias primárias e secundárias do globo, começa a verificar-se a aparição do fenómeno centrífugo oposto… O aumento dos custos de produção na China está a levar alguns investidores estrangeiros a deixar o país e a trocar a China por países onde estes custos sejam ainda mais baixos e o nível de direitos laborais mais residual. Isto mesmo (com excepção da segunda parte, claro) foi dito a 27 de Abril pela “Câmara Americana do Comércio” (AmCham). Segundo a instituição norte-americana, 2/3 dos seus membros declararam numa sondagem que a China estava a perder a sua capacidade atrativa nos mercados globais devido a um aumento exponencial dos custos de produção. Os patrões destas empresas americanas deslocalizadas apontaram factores como a competição criada por outros países como o Marrocos, o Vietname, o Cambodja, o Paquistão, etc; o aumento do salário médio na China; o aumento dos custos das matérias-primas provocada pelo aumento do preço do petróleo; o aumento da carga fiscal e dos bens imobiliários e o aumento dos custos com os transporte dos produtos fabricados na China até ao resto do mundo, como sendo factores decisivos para esta sua reavaliação da China como o local ideal para manterem as suas fábricas em funcionamento.

O aumento dos salários dos trabalhadores chineses é, entre todos estes “problemas”, aquele que mais preocupa estas multinacionais especializadas em deslocalizarem a sua produção… A vaga de trabalhadores vindos das áreas rurais para as cidades em busca de trabalho mal remunerado está a começar a estancar… a decidida e gradual conversão de muitas empresas chinesas de empresas de produção manual, em massa e com baixa qualidade e reduzidos níveis de qualidade em empresas criativas, modernas e com padrões mais elevados de segurança e qualidade estão a pressionar os salários, dado que estas mudanças obrigam a trabalhadores mais qualificados e mais exigentes. Sectores onde as margens de lucro são mais reduzidas, como os brinquedos, o vestuário e o calçado, são, neste contexto os mais expostos e se até hoje era comum que todos os brinquedos nas nossas casas fossem “Made in China”, agora, já não é raro encontrar neles outras origens… E no vestuário e no calçado, os últimos anos assistiram a uma recuperação dos países tradicionais nestes sectores, tendo Portugal, por exemplo, conseguido em 2007 uma notável recuperação das suas exportações de calçado em virtude uma grande e sistemática aposta na qualidade e na inovação do calçado português.

Outros factores estão também a afectar a China… Constante publicidade negativa quanto à qualidade dos seus produtos e até quanto à segurança dos mesmos (chumbo em brinquedos, veneno em alimentos para animais, brinquedos perigosos) estão a começar a retrair estas multinacionais de investirem mais neste país… Um quadro legal difuso e muito confuso, níveis de corrupção galopantes e polícias e organismos de fiscalização globalmente muito burocráticos, inoperantes ou muito corruptos estão também a dissuadir estes empresários….

É certo que o imenso mercado interno chinês, com padrões de poder de compra cada vez mais semelhantes aos ocidentais ainda é uma atracção decivisa, para estas empresas, mas o charme desta atracção começa a ser insuficiente para contrabalançar todas as objeções acima listadas…

Fonte:

http://www.terradaily.com/reports/Costs_driving_US_manufacturing_firms_out_of_China_AmCham_999.html

Categories: China, Economia | 10 comentários

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10 thoughts on “As multinacionais começam agora a deslocalizar também da… China

  1. Fred

    Acredito no custo dos insumos, como eletricidade, petróleo, minérios, etc.

    A Mão de obra ainda influi positivamente para permanência destas empresas na china. O trabalho é praticamente por comida ainda.

    O problema é que a comida aumentou! 🙂

  2. mas a mão-de-obra nestes países é ainda mais baixa e a chinesa está a aumentar com a paragem do êxodo rural…

  3. Fred

    Mas não tão abundante! e a abundância barateia ainda mais!

    A china consegue encher um navio de operarios, levar para a africa e fazer uma barragem sem nem registrar os trabalhadores no pais. (eles dormem no dito navio e só saem para o canteiro de obras)

  4. jnpnhr

    Se essa tendência permanecer, poderá representar o fim do regime comunista de mao.
    Imagine se a China sair de moda e o investimento internacional migrar para India ou Vietnam entre outros. A massa de chineses que migrou do campo para cidade sofrerá com desemprego, recessão e fome. Logo, haverá insatisfação popular que é o estopim.
    Essa China é uma verdadeira bomba.

    Veja o que diz John Gray sobre o assunto: http://www.defesanet.com.br/china/gray.htm .

  5. Fred:
    E a tendência é para que o custo do trabalho suba ainda mais:
    “A new labour contract law will push up business costs in China next year and could force firms that are already struggling with rising expenses to shift production inland or out of China altogether.

    The law will increase labour costs markedly and reduce the flexibility that has made China the world’s factory, businessmen and analysts say.

    “To be frank, in the processing trade here, the biggest advantage was cheap labour. But now that’s going to change,” said Hsieh Ching-yuan, vice-president of the Taiwan Businessmen’s Association in Dongguan, an industrial hub in the Pearl River Delta in southern China.
    An employee works at the production line inside the Changan Ford Mazda plant in Nanjing. New legislation, which comes into effect Jan. 1, will require firms to strengthen staff contracts, with higher company contributions to pension and insurance funds. And firms must pay sacked employees a month’s wages for every year they have worked.View Larger Image View Larger Image
    An employee works at the production line inside the Changan Ford Mazda plant in Nanjing. New legislation, which comes into effect Jan. 1, will require firms to strengthen staff contracts, with higher company contributions to pension and insurance funds. And firms must pay sacked employees a month’s wages for every year they have worked.
    Calvin Chang, general manager of Jinghua China Investment Consulting in Shenzhen, said the law could increase labour costs by eight per cent next year. He expects many firms to shift to inland provinces like Jiangxi and Hunan or countries such as Vietnam.”
    http://www.canada.com/ottawacitizen/news/business/story.html?id=28c94c8e-81c0-4155-b01f-bd11f6bb1ee8

    jnpnhr:
    A migração para o Vietname já está a acontecer!
    “In a recent survey conducted by Booz Allen Hamilton and the American Chamber of Commerce in Shanghai, nearly one in five companies said they plan to move at least part of their China operations to other countries. Vietnam topped the list of alternative countries among 63 percent of these corporations; India was first among 37 percent. Almost 90 percent of these companies said lower labor costs originally drew them to China, but now they’re finding other countries offer cheaper labor and tax benefits.”
    http://www.china-briefing.com/news/2008/04/11/south-china-factories-on-the-move-%E2%80%93-relocation-has-begun.html

  6. e se os chineses virem que o seu Governo autocrático e repressor não consegue enriquecê-los… porque o continuarão a tolerar?

    sim, esses são os pés de barro deste colosso que se vê hoje (prematuramente) como a grande superpotencia única do próximo século.

  7. Graxaim

    Clavis Prophetarum,
    Se tens condições de verificar o que já foi dito em ´´outras paginas´´ deste blog, constatarás que eu te falei sobre os ´sobe e desce´ da China. É histórico, não chegarão a nada… A história é clara sobre isso! A China é rápida em ´´subir´´ e mais ainda em voltar ao seu lugar… O reordenamento do mundo não tem, com certeza, a China como potência influente… por mais que tenham crescido nos últimos tempos, voltarão ao ´status quo´ que lhes cabe… a mediocridade. Já o Brasil… pois é, não é…
    Saudações fraternas

  8. sim… a História move-se em círculos.
    nenhuma potencia o é eternamente.
    e a China não será excepção.
    sendo que com o tipo de regime, imperialista e tirânico que tem, o seu ocaso ainda chegará mais depressa do que o de muitos outros regimes na História.

  9. Fred

    É gente, mas a china sempre pode tomar alguma atitude e reverter o ciclo, como? Por exemplo: baixando os outros custos, mudando o foco do mercado, de externo para interno.

    Da energia, implantando hidroelétricas e outras fontes mais baratas em substiuição ao petróleo.

    Das materias primas comprando em escala de mercado.

    E o aumento do poder de compra da população não traz só problemas, Ele pode manter o bicicletão chines pedalado por mais tempo. Como no square deal e no posterior New deal americano.

    Afinal não estamos chutando cachorro morto ainda, ele ainda pode morder!

  10. Graxaim

    Que tiver paciência para rever a milenar história da China, constatará que nada de novo está a acontecer. Sempre foi um fiasco como potência bélica e jamais foi ou será tão rica que possa sustentar com dignidade a totalidade do povo. Já está na descendente mais uma vez… Lamentável destino de uma triste e imensa nação de cordeiros…

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