Daily Archives: 2008/04/17

O Brasil vai entrar no projecto russo-indiano PAK-FA (T-50) e do cancelamento do FX-2…

Várias possíveis representações artísticas do PAK-FA:

(http://www.hitechweb.szm.sk)

*PAK-FA

(http://www.abovetopsecret.com)

(http://paralay.com)

O projecto PAK FA é a tentativa russa de construir um caça de Quinta Geração que está a envolver as três maiores construtoras russas: Mikoyan, Yakovlev e Sukhoi. “PAK” significa “Perspektivnyi Aviatsionnyi Kompleks Frontovoi Aviatsyi“, ou seja “Futuro Complexo Aéreo para as Forças Aéreas Tácticas” e aos quais se irão agora reunir fábricas aeronáuticas indianas e brasileiras.

O PAK FA deverá substituir os aparelhos MiG-29 e Su-27 ainda em serviço em grandes números na Força Aérea Russa e deveria ter o seu primeiro vôo em finais de 2007, entrando em serviço algures entre 2012 e 2015, mas o projecto sofreu alguns atrasos e hesitações de desenho, pelo que a data de entrada em funcionamento do primeiro protótipo foi adiada para 2009/2010.

O projecto começou nos finais da década de 80, ainda durante a existência da União Soviética e ao desafio do Governo responderam as fábricas Sukhoi com o Su-47 e a Mikoyan com o Project 1.44. Só em 2002, é que, contudo houve alguma decisão, sendo a Sukhoi seleccionada para dirigir a concepção do aparelho, mas foi decidido que este deveria incluir tecnologia das duas propostas, fundindo-as numa única, ainda que sob a direcção da Sukhoi. No conjunto, a Sukhoi espera desenvolver um aparelho equivalente ou mesmo superior ao F-22 Raptor americano, considerado unanimenente como o melhor caça de sempre. E também como o mais caro, do alto dos seus 225 milhões de dólares por unidade. No ano passado, um estudo da DERA (“Defence Evaluation and Research Agency”) britânica dava uma boa imagem da vantagem do F-22 sobre todos os outros aparelhos existentes na actualidade. O estudo comparava cada aparelho com o melhor caça russo da actualidade, o Sukhoi Su-35 e baseava-se no recurso a pilotos de combate voando em simuladores:

Lockheed Martin/Boeing F-22 Raptor 10.1:1
Eurofighter Typhoon 4.5:1
Sukhoi Su-35 ‘Flanker’ 1.0:1
Dassault Rafale C 1.0:1
McDonnell Douglas F-15C Eagle 0.8:1
Boeing F/A-18E/F 0.4:1
McDonnell Douglas F/A-18C 0.3:1
General Dynamics F-16C 0.3:1

A vantagem do F-22 era esmagadora… Por cada aparelho perdido, 10,1 aparelhos russos eram perdidos. E até o Typhoon conseguia uma vantagem de 4,5 para 1. O Rafale era-lhe equivalente e os mais antigos F-15C, F-18 e F-16 saiam como claros perdedores… Será que a Sukhoi consegue no PAK-FA ultrapassar esta desvantagem de 10 para 1, como prometem os russos e a uma fracção do seu preço unitário?… E mesmo que em 2010, o PAK-FA seja equivalente ao F-22… Será equivalente ao F-22 de hoje. É que os EUA não vão deixar de continuar a investir no aparelho e há pelo menos cinco versões previstas para o caça, as quais deverão assegurar pelo menos durante mais 15 anos o mesmo nível de vantagem sobre toda a concorrência… E assegurar a superioridade aérea dos EUA em qualquer conflito futuro.

Sabe-se muito pouco do projecto PAK FA… Mas é quase certo que deverá incluir tecnologia furtiva, ser muito rápido, capaz de operar os mísseis ar-ar, ar-terra e ar-mar mais sofisticados, assim como incluir um radar AESA. A propulsão estará a cargo de um motor AL-41F ou de uma sua variante mais avançada.

Já se sabia que a Índia tinha assinado um protocolo de entendimento com a Rússia para o desenvolvimento conjunto do PAK-FA (T-50) e esse aliás foi uma das razões para a entrada em funcionamento do primeiro protótipo, já que os dois países não se estariam a entender quando às características básicas do novo aparelho. Mas, segundo uma noticia muito recente do http://www.defesanet.com.br o Brasil teria assinado um acordo que garantiria a participação do país no desenvolvimento do projecto PAK-FA. O acordo russo-brasileiro é contudo ainda mais amplo… No seu âmbito também se inclui a construção de um novo lançador de satélites assim como de satélites de comunicação e de observação. Esta parte do acordo será concretizada na base aeroespacial brasileira de Alcântara na forma de uma nova empresa russo-brasileira.

O projecto PAK-FA é um projecto multinacional, idêntico neste respeito ao ao Typhoon europeu (Espanha-Reino Unido-Itália-Alemanha), já que é o resultado de uma parceria Rússia-Índia-Brasil, mas diferente na medida em que vai produzir um caça stealth de 5ª geração, não um aparelho 4,5 geração como o Typhoon ou o Rafale.

O custo de desenvolvimento do PAK-FA será relativamente baixo para um aparelho desta categoria, de 20 biliões de dólares, já que muito trabalho está na feito na Rússia, e será dividido entre os três parceiros do programa. Cada caça PAK-FA não deverá exceder os 80 milhões de dólares, um preço de apenas um terço do F-22 Raptor e menos 55 milhões de dólares que a versão “barata” deste, o F-35 Lightning II… Assim se manterá a tradição russa de fazer bons aparelhos a preços relativamente baixos.

Já antes, o Brasil tinha dado sinais de que não estaria interessado em ser um simples comprador de equipamento. O programa FX-2 era aliás já um exemplo disso mesmo, com aparelhos como F-35 descartado porque não contemplava a transferência de tecnologia. Aliás, a notícia do acordo com a Rússia e a Índia implica que o próprio programa FX-2 será novamente (já o tinha sido em 2005) cancelado… Em finais de 2007 foi publico que a Rússia fizera ao Brasil uma proposta formal para que este integrasse o programa PAK-FA, algo que agora parece ter sido aceite pelo governo Lula da Silva… Com o cancelamento do programa FX-2 a FAB ficará pelo menos 10 anos aguardando pelos sucessores dos Mirage IIIBR… E dependente dos Mirage 2000-5 comprados recentemente à França e de actualizações dos seus vetustos, mas ainda competentes F-5… Mas a espera vai compensar… A partir da entrega dos primeiros PAK-FA terá a melhor força aérea de toda a América do Sul e uma das melhores do mundo, dominando parcial ou totalmente a concepção e o fabrico de um dos aviões mais complexos e sofisticados do mundo, podendo usar esse know-how assim adquirido para outros projectos civis ou militares. Uma aposta antecipadamente ganha, portanto…

Se a Sukhoi assume o projecto do lado russo, e a HAL do lado indiano, espera-se que do lado brasileiro a liderança caiba à Embraer que poderá aproveitar a transferência de tecnologia para consolidar a sua liderança mundial na área dos jactos comerciais de médio porte e começar a entrar noutras gamas de mercado.

A opção de integrar o PAK-FA já era desejada por muitos há algum tempo… E pareceu totalmente descartada quando foram dadas como certas as notícias que davam como certa a aquisição e fabricação local de caças franceses Rafale e é, de certa forma, uma “punição” indirecta por na Europa não se estar a trabalhar em nenhum projecto de caça de 5ª geração, ao contrário do que sucede hoje na China e no Japão… Se a França estivesse num tal projecto e dada a longa tradição de colaboração aeronáutica entre os dois países seria de esperar que o Brasil aderisse a esse projecto… Mas a Europa, e nela a França, parece mais focada em desenvolver UCAVs do que aparelhos de 5ª geração, e agora está a pagar o preço por esse (in)decisão…

Fontes:

Wikipedia

http://www.deagel.com/Strike-and-Fighter-Aircraft/PAK-FA_a000333001.aspx

http://www.defesanet.com.br/md1/pac_12.htm

http://piratininga.wordpress.com

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Categories: Brasil, DefenseNewsPt | 728 comentários

“O director-geral do Consumidor, José Ribeiro, desvalorizou ontem o estudo que aponta para a existência de cerca de 100 mil famílias em grande dificuldade financeira”

(http://www.seattleu.edu)

“O director-geral do Consumidor, José Ribeiro, desvalorizou ontem o estudo que aponta para a existência de cerca de 100 mil famílias em grande dificuldade financeira. A divulgação da estimativa, feita pelo Diário Económico, provocou embaraço no Governo”

(…)

“José Ribeiro salientou ainda que “a taxa de esforço das famílias não está em níveis preocupantes comparada com outros países. O director-geral defendeu que os bancos também são “responsáveis pelo endividamento das famílias” e de serem pouco sensíveis “à iliteracia financeira”.

(…)

“os portugueses continuam a recorrer cada vez mais ao crédito, apesar da deterioração económica e da incerteza, porque querem manter o seu padrão de consumo, mas a situação não se pode prolongar por muito tempo, avisa o responsável do Gabinete de Endividamento.”

Público, 26 de Março de 2008

Deve estar escrito, algures no “manual do governante” que perante uma má notícia o governante envolvido deve sempre recusar a existência do problema. Essa foi a atitude seguida ainda recentemente pela Ministra da Educação a propósito do famoso caso do “telemóvel da Carolina Michaelis” e agora, desta feita, pelo director-geral do Consumidor, José Ribeiro, ao negar o sobrendividamento de muitas (100 mil!) famílias portuguesas! Apesar do discurso “diminuidor”, repare-se como não negou, nem contestou o número de 100 mil famílias em iminente incapacidade de cumprir com as suas obrigações financeiras, mas esgrimou com estatísticas globais que dão Portugal como “não sendo o mais endividado” da Europa. Mas e daí? Ainda que sejam verdadeiras, Portugal é também dos países europeus onde o rendimento médio é mais baixo, logo o seu nível de endividamento não pode ser comparado em bruto com o de uma Alemanha ou de uma Dinamarca. E, existe aqui algo muito importante, a que o director-geral não respondeu: 100 mil famílias implicam pelo menos 100 mil crianças, e perto de 400 mil portugueses! O número torna-se astronómico e dá uma boa medida da dimensão do problema social que este sobrendividamento poderá criar a muito curto prazo…

Mas num ponto, José Ribeiro tem razão. Este nível de endividamento resulta em primeiro grau da Banca que numa gestão de muito curto prazo, não acautelou a solvência dos seus clientes e procurou todos os meios – uns mais agressivos, outros menos – comercializar toda uma série de produtos financeiros. Os lucros podem ter aumentado no curto prazo, mas imaginemos que esta multiplicação dos empréstimos de habitação (antes de 2006) e dos empréstimos de consumo (a partir de 2007) começa a corresponder a uma multiplicação de insolventes e de famílias em falência financeira? Teremos em Portugal, então, uma reedição da crise americana do Subprime… Só que a Banca lusa não tem em caixa os mesmos valores que detinham os grandes bancos americanos, já que até para a concessão de empréstimos locais dependiam de empréstimos inter-bancários contraídos no exterior.

Urge impôr um regramento no sector financeiro: a corda está já demasiada esticada para continuarmos a assistir impávidos e serenos à multiplicação de empresas de empréstimos de consumo, cada vez mais agressivas. E a Banca tem que começar a criar provisões para sustentar o estouro deste massa crescente de insolventes. É que depois de décadas de lucros crescentes e fabulosos, agora, mercê da irracionalidade dos mesmos e dos erros de gestão (excessivamente focada no Curto Prazo) da Banca o encaixa, a correcção em baixa terá que ser feita. E não é ético que esta seja feita à custa do Estado e dos nossos impostos, sobretudo depois de tantos anos de lucros sucessivos que a Banca gostou de exibir despudoradamente em anos de estagnação e recessão… E espero que não consigam convencer o Banco Central Europeu a baixar a Taxa de Juro! Isso permitiria manter o forró, mas iria transferir para o consumidor (pela via da inflação) a absorção de parte significativa dos erros de gestão do sector, e isso não seria justo nem economicamente razoável.

Categories: Economia, Política Nacional, Portugal, Sociedade Portuguesa | Etiquetas: | 12 comentários

Quids S11-43: Em que país opera este comboio?

Dificuldade: 2

Categories: Quids S11 | 37 comentários

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