Daily Archives: 2008/04/15

Sobre a reactivação dos SA 330 Puma na FAP e dos problemas técnicos com os EH 101 Merlin

(Vôo de demonstração de um EH 101 Merlin da FAP)

O nosso amigo e frequentador cá do Quintus, Pedro Tavares chamou-me a atenção para a polémica reactivação dos helicópteros SA 330 Puma (ver AQUI). Esta reactivação dever-se-ía a problemas com os helicópteros Merlin EH-101 que entraram ao serviço na FAP em Fevereiro de 2005. Os Puma tinha sido armazenados na Base Aérea de Beja (BA 11) em Novembro de 2006 (algures por AQUI, ao lado destes Alpha Jets), mas agora a opção de reactivar estes aparelhos está na mesa, imposta pela reduzida capacidade que a FAP tem hoje para realizar missões de Busca e Salvamento no Atlântico, e de honrar assim os compromissos internacionais e as necessidades médicas do arquipélago açoriano.

0. A Reactivação dos SA 330 Puma

(Pumas da FAP em missões reais)

Os helicópteros Puma – se voltarem mesmo ao serviço activo, o que não é certo – entrariam em operação nos Açores e sob a responsabilidade da Esquadra 552 que opera ainda os fiáveis, mas envelhecidos helicópteros ligeiros Alouette III. Teoricamente, os Puma estariam a ser preparados para ser postos à venda, mas agora estão a ser revistos por técnicos da FAP que estão a avaliar o seu estado operacional e o processo de venda está suspenso enquanto se decide se reentram ao serviço ou não. Em Beja estão 4 SA 330 Puma, estando esta decisão da reactivação pendente para dois destes aparelhos.

Mas a reactivação destes dois aparelhos pode não ser tão simples quanto parece… Os aparelhos não estão prontos a voar e teriam que ser parcialmente reconstruídos e algum do seu equipamento mais antigo substituído e modernizado. Adicionalmente, seria preciso recuperar os mecânicos especializados na manutenção destes aparelhos, os quais, estando em operação já desde a Guerra Colonial, precisariam de cuidados de manutenção muito cuidados. Ou seja, se a opção é recuperar os Puma porque os Merlin estão a sofrer de uma praga de avarias, a solução arrisca-se a trazer mais… do mesmo problema. Tudo isto teria um custo e este não foi orçamentado.

1. A Tese das Avarias e o Acidente de São Jorge

O problema é que uma sucessão de avarias está a deixar uma parte significativa dos helicópteros Merlin EH-101 que supostamente deveriam substituir os Puma, com vantagem, e que afinal se estão a revelar num autêntico pesadelo de manutenção. As avarias dos Merlin parecem concentradas nos seus três reactores, precisamente um dos pontos fortes deste aparelho, mas também o factor crítico que determina a anormal complexidade mecânica deste aparelho… Estes problemas tiveram o seu recente eco em Novembro de 2007 quando um Merlin teve um acidente no aeroporto da Ilha de São Jorge, provocando cinco feridos quando, sem aviso, o Merlin subiu um metro durante uma operação de embarque durante uma emergência médica. Ainda não há entendimento entre a FAP e a Agusta-Westland sobre a causa do acidente, alegando a FAP que este se deveu a uma falha na instrumentação, algo que a construtora nega. Este acidente, foi seguido dez dias depois por um fenómeno semelhante, registado quando um EH-101 se aproximava de um cargueiro ao largo de Lisboa para resgatar um dos seus marinheiros que se encontrava doente. Então, o aparelho teve o mesmo comportamente, subindo alguns metros, sem razão aparente e o mesmo problema tornou a manifestar-se, quando. A diferença esteve em que desta vez não houve feridos graves. Em ambos os acicentes, não parece ter havido erro humano e a FAP retomou dias depois a operação desta classe de aparelhos.

Estes três incidentes só ocorreram na frota de Merlins operada em Portugal e não há registos de nada semelhante em nenhum dos outros 150 helicópteros vendidos para a Dinamarca, Itália e Japão.Há notícias de problemas mecânicos com as frotas canadiana e da marinha britânica, mas um seria um problema com uma peça no rotor traseiro e com os britânicos com um problema de fabrico de uma peça do rotor traseiro. Ou seja, nenhum dos problemas conhecidos parece ter algo a ver com estes fenómenos de ascensão súbita de 1 a 5 metros que ocorreu já por três vezes com os aparelhos da FAP.

Com efeito, os problemas que a FAP encontrou nos seus 12 Merlin não teriam nada a ver com aqueles que a Royal Navy encontrou em alguns dos seus 38 aparelhos e que consistem na existência de corrosão na secção de cauda dos aparelhos. E por uma razão muito simples… É que este problema só ocorre nos Merlin que são embarcados, quando a sua longa cauda é dobrada para hangaragem para que os helicópteros sejam guardados no hangar do navio e Portugal não opera estes aparelhos em navios.

Esta é a primeira tese, que pretende explicar que a reactivação dos Puma se deve aos problemas técnicos dos Merlin. Mas não é a única…

(Eis o que acontece a um helicóptero – neste caso um Puma – quando perde o rotor traseiro)

2. A Tese “Económica”: o Orçamento da FAP

Segundo alguns, a reactivação dos Puma não teria como maior motivação os problemas mecânicos dos Merlin, mas questões de ordem financeira que se prenderiam com os elevados custos operacionais dos Merlin. Assim, o uso relativamente frequente dos novos helicópteros em missões de SAR (Busca e Salvamento) e de transporte médico de urgência estaria a colocar em stresse o orçamento da FAP e a opção de reactivar os Puma e de os usar em lugar dos Merlin teria vindo da própria FAP. Segundo esta tese, o essencial destas missões ficaria alocado a dois Puma, mantendo-se um único Merlin em missões de SAR, mas apenas para missões de longa distância.

3. A Tese “Económica”: A falta de sobresselentes e de contrato de manutenção

O Diário de Notícias refere que metade dos Merlin dos 12 aparelhos (ou cinco, segundo outras fontes) estariam imobilizados por falta de sobresselentes, uma situação que não teria levado à paragem de toda a frota apenas porque os mecânicos estão a usar os helicópteros parados para lhes retirarem peças.

Para além da carestia de sobresselentes, o Governo não teria ainda assinado o contrato de manutenção e operação dos aparelhos, o que estaria também a intensificar o problema dos sobresselentes, ao aumentar o seu preço e a reduzir a sua disponibilidade. Um contrato que devia ter sido assinado no momento da compra dos aparelhos, mas que não foi, por decisão do então ministro da Defesa, Paulo Portas, acredita-se que este contrato não foi assinado por razões orçamentais, já que todo o programa Merlin teria custado mais de 450 milhões de euros, sem contrato de manutenção, uma verba considerável, mas justificável dado que estamos perante aquele que é provavelmente o melhor helicóptero da sua classe.

Esta lacuna já deveria estar colmatada, uma vez que o actual ministro da Defesa, Nuno Severiano Teixeira autorizou em 2007 que o contrato provisório de seis meses fosse assinado, em preparação de um outro contrato de manutenção de cinco anos, mas algo parece ter corrido mal e esta assinatura ainda não foi anunciada embora o MD afirme que ela está para breve.

4. A Tese da incapacidade da Agusta-Westland

Outra explicação para a falta de peças parece residir não tanto em dificuldades orçamentais mas na incapacidade da construtora Agusta-Westland em fabricar e vender sobresselentes em número suficiente para todos os seus clientes, entre os quais a FAP. Existe também a possibilidade de que esta possível incapacidade de fornecimento de peças seja uma forma da empresa pressionar o Estado português a assinar o contrato de manutenção, em “represália” pela decisão de 2005 onde o Estado optou por não assinar o contrato (provavelmente em condições mais vantajosas do que as de hoje…)

Existem rumores não confirmados que indicam que esta procura por peças se resume efectivamente à busca de uma única peça… Fontes não identificadas no interior da FAP mencionaram em fóruns na Internet que o problema dos helicópteros estaria num erro de fabricação do cubo do rotor da cauda, o que estaria a levar à substituição dessa peça em todos os EH-101 já vendidos e a saturar as linhas de produção, bloqueando a fabricação de outras peças e provocando indirectamente os problemas de que sofrem os 12 Merlin da FAP, assim como outros dos 150 aparelhos já vendidos pelo mundo. O Canadá, que também opera este helicóptero, foi obrigado a parar toda a frota depois de ter perdido um aparelho e detectado fracturas nesta peça do essencial rotor da cauda. Após este problema, as peças foram substituídas, não sem que surgissem uma série de críticas à qualidade do material fabricado pela Agusta-Westland e quanto à aquisição de um modelo “inferior” do EH-101 por uma questão de custos…

Outros rumores afirmam que ainda que países como o Canadá, tenham optado por parar toda a frota enquanto a peça não é substituída, em Portugal os aparelhos passaram pelas OGMA e aqui teria sido aplicada uma “solução de improviso” que teria assegurado provisoriamente a segurança dos aparelhos, algo que ainda que seja pouco credível (dada a complexidade dos aparelhos), mas que não pode ser totalmente descartado como impossível.

Na verdade, parece ser um misto de pressão negocial e de incapacidade de produzir peças… A RAF também está a sentir as mesmas dificuldades em manter operacionais estes complexos aparelhos e altas patentes britânicas indicam que há efectivamente um problema da construtora em fabricar peças sobresselentes em número suficiente para as necessidades do parque vendido e essa constatação foi a que levou o Reino Unido a comprar seis Merlin que originalmente deviam ter como destino a Dinarmarca, de modo a manter os mesmos níveis de aparelhos operacionais, com um elevado número de helicópteros em manutenção permanente. Um opção que FAP não pôde ainda encontrar… Por falta de vontade política e de constrangimentos orçamentais.

(Não há mais nenhum helicóptero no mundo capaz destas manobras…)

Conclusão

Tendo apurado aquilo que expûs nas linhas anteriores, a reactivação dos SA330 Puma parece certa, pelo menos enquanto o contrato de manutenção não é assinado e o stock de peças reposto. Parece também certo que os excelentes, mas muito complexos Merlin se estão a revelar para os países que os operam um verdadeiro pesadelo logístico. Estes problemas poderão ser resolvidos, através da substituição massiva das peças com defeito de fabrico, mas de permeio, ocorrerão estrangulamentos na fabricação de outras peças. Esta situação ainda poderá levar alguns anos até estar completamente sanada… Por fim, há aqui também um problema financeiro… Paulo Portas cometeu um erro em não assinar o contrato de manutenção em 2005, onde poderia ter condições mais vantajosas do que as actuais e as indicações de que a própria operação dos aparelhos é muito cara e que essa é uma razão para a reactivação dos Puma indicam que o orçamento da FAP não é adequado às suas necessidades, algo que também já veio a público a propósito do número de horas do vôo dos F-16…

Fontes:
http://www.correiodosacores.net/view.php?id=6990

http://jn.sapo.pt/2008/01/24/lusa/defesa_inqu%C3%A9rito_incidentes_helic%C3%B3pt.html

http://dn.sapo.pt/2008/03/11/nacional/metade_novos_helis_parada_falta_peca.html

http://www.correiodosacores.net/view.php?id=6143

Categories: DefenseNewsPt, Política Nacional | Etiquetas: | 2 comentários

Quids S11-42: Que duas empresas construíram este veículo?

Dificuldade: 2

Categories: Quids S11 | 44 comentários

Da prepotência chinesa na sua embaixada em Lisboa

“Embora a Câmara de Lisboa ainda aguarde o projecto da empreitada, a obra ilegal nos jardins do palacete de interesse público que alberga a Embaixada da China, na Lapa, já conheceu novos avanços.”

(…)

“As explicações surgiram na sequência de reclamações expostas por vereadores, inclusive por José Sá Fernandes (que se coligou com o PS de António Costa após as eleições), para quem a embaixada “não pode fazer” aquelas obras. Para Helena Roseta, dos Cidadãos por Lisboa, “a autonomia das embaixadas limita-se aos actos de gestão pública”, pelo que a China “terá de se sujeitar” às leis portuguesas.”

Catarina Prelhaz

Público, 27 de Março de 2008

A China deveria capacitar-se de que Lisboa não é Lhasa, nem Portugal o Tibete ocupado pelas suas legiões de colonos e militares. Em Lisboa, existem – ou deviam existir – leis e estruturas que garantem o cumprimento das mesmas. A própria arrogância chinesa em não hesitar em afrontar a legalidade portuguesa e continuar com as obras na sua embaixada, mesmo depois de instada em parar com as mesmas indica que a China não teme manter uma atitude de superioridade anti-diplomática em Portugal.

Talvez fosse altura do senhor embaixador do “Império do Meio”, levar uns valentes açoites e compreender no acto de que Portugal não é o Sudão, nem a Birmânia… E muito menos o Tibete ocupado.

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