Daily Archives: 2008/04/10

Caramel: Um filme de Nadine Labaki

Está ainda em exibição, em Lisboa, um dos filmes mais doces e interessantes que pude ver nos últimos tempos… Trata-se de “Caramel” da realizadora libanesa Nadine Labaki, que interpreta também o papel principal, o filme pode ser classificado sob a classe de “comédia”, mas é um retrato extremamente sensível, suave mas muito interessante de uma das sociedades mais liberais e ocidentalizadas do Médio Oriente. Curiosamente, este filme que está hoje nas nossas salas (mas terão que se apressar porque não deve ali permanecer por muito mais tempo…) foi concluído apenas nove dias antes de Israel desencadear a sua sua mal sucedidade guerra de 33 dias contra o Líbano, em 2006.

A realizadora, Nadine Labaki, declarou que “Num certo sentido, gostaria que o povo israelita visse o filme e compreendesse que tipo de pessoas nós somos”. E de facto, embora a influência do partido islamita radical Hezbollah seja crescente, o Líbano é juntamente com a Tunísia dos países árabes mais liberais no que concerne a direitos cívicos e ao respeito pelos direitos das mulheres. Com efeito, o filme parece ter sido filmado e produzido em relativa liberdade e as mulheres de várias gerações cujas vidas se vão cruzando num salão de beleza em Beirute (“caramel” é o produto de depilação usado no salão) parecem viver em relativa liberdade, numa sociedade que não tem o tom repressivo que encontramos por vezes noutros filmes oriundos da mesma região do globo.

A história desenvolve-se a partir da narrativa cruzada de cinco mulheres: Layal, representada pela própria Nadine Labaki e que tem um caso passional com um homem casado, Nisrine, uma outra cristã que vai casar com um muçulmano, Rima, uma lésbica e Jamal, que enfrenta o desafio do tempo com crescente dificuldade e com… um consumo galopante de fita adesiva.

O filme expõe uma sociedade muito sofisticada, onde as mulheres que pertencem ao grupo cristão maronita se movimentam com relativa liberdade e podem utilizar o mesmo tipo de vestuário de qualquer mulher ocidental. É contudo uma sociedade onde a hipocrisia típica dos regime fanáticos se deixa introduzir aqui e acolá, algo que a realizadora consegue introduzir no argumento com manifestada inteligência e uma subtileza muito feminina… Desde os hotéis que só aceitam reservas em nomes de mulheres casadas e dos seus maridos, até à cristã que tem que realizar uma cirurgia de reconstrução do hímen para que a famíla do noivo (e este…) acreditem que ela vai virgem para o casamento, e uma das outras empregadas do salão que é lésbica, mas que em todo o filme só o deixa transparecer muito subtimelmente, sem que tal tema seja abordado directamente entre as cinco mulheres em algum momento. O filme tem momentos de claro e cristalino humor, mas também outros de drama – sem cair no exagero – e vive muito do brilhantismo da Labaki e da candura das outras actrizes, todas elas participando aqui no seu primeiro filme e produzindo um dos filmes mais curiosos e suaves que vi nos últimos tempos.

A ver, bem depressa, enquanto não esgota, em suma!

P.S.: E muita atenção à banda sonora…

Fonte:
Site Oficial do Filme “Caramel”

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Categories: Cinema | 9 comentários

Quids S11-39: Que navio é este?

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Dificuldade: 2

Categories: Quids S11 | 17 comentários

Um estudo britânico defende que o comboio é a forma mais ecológica de viajar


(O Shinkansen, o famoso “Comboio Bala” japonês in http://inventorspot.com)

Um dos temas favoritos dos nossos “competidores blogoesféricos” do Blasfémias (agora também ele migrado para o WordPress) tem sido a defesa do transporte rodoviário contra o comboio… (sim, causas absurdas não rareiam por estas neoliberais bandas). Ora, um estudo recente do “Institution of Mechanical Engineers (IMechE)” britânico conclui que o governo do Reino Unido deve mudar rapidamente as suas políticas quando aos preços de energia e dos transportes, assim como o planeamento urbano.

Cliff Perry, o vice-presidente do Instituto afirma na apresentação das conclusões do estudo que “85% das emissões de transportes surgem nas estradas e se estamos mesmo a ser sérios sobre a fazer alguma [contra o Aquecimento Global] temos que atingir o transporte rodoviário”. E isto num momento em que uma parcela crescente das mercadorias transportadas na Europa recorre precisamente a esta forma de transporte e que o transporte de mercadorias por via ferroviária decresce em praticamente todos os países europeus!…

Os defensores neoliberais do transporte rodoviário têm baseado as suas posições em questões que se prendem com a eficiência dos motores, o número de pessoas em cada composição ferroviária e, sobretudo, na forma como a electricidade é gerada para fundamentarem as suas posições contra o transporte ferroviário de mercadorias e passageiros, mas o estudo do ImechE indica que numa viagem média de Londres até Paris um carro vai emitir duas vezes e meia mais CO2 do que um comboio, enquanto que um avião vai emitir a módica quantia de… Dez vezes mais CO2! Estes valores, que calculam a “pegada de carbono” de cada passageiro transportado nestes meios indicam que a aposta dos governos deviam assentar no transporte ferroviário e renova a motivação ecológica para apostar na Alta Velocidade contra a expansão dos aeroportos existentes (como o de Heathrow) ou pela construção de novos e dispendiosos novos aeroportos (como o de Alcochete). A opção mais razóavel, em termos climáticos, devia ser estancar o crescimento do tráfego aéreo (impondo quotas de voo e travando novos aeroportos e pistas), aumentar a carga fiscal sobre o transporte rodoviário individual e de mercadorias e usar as verbas cativadas desta última forma para investir nas redes ferroviárias urbanas (para transporte individual) e nas redes de alta velocidade (para substituir os voos de médio e curto curso). O mesmo estudo sublinha que para além de emitir por passageiro menos CO2 do que qualquer outra forma de transporte de massas, o comboio eléctrico é também de per si menos danoso, porque a energia que o alimenta provêm geralmente de fontes energéticas de baixa pegada de carbono… Uma frase que no Reino Unido significa “Energia Nuclear”… Mas que em Portugal significa “Energia Eólica” e “Hídrica”.

É claro que no caso concreto do país deste estudo muito há a fazer para devolver as pessoas aos comboios… O processo de privatização generalizado registado na década de 90 nesse sector no Reino Unido transformou aquela que era uma das melhores e mais seguras redes ferroviárias europeias numa das mais mal mantidas e mais perigosas da Europa Ocidental. Aqui, muito há a fazer pela entidades de regulação e fiscalização… E muito há a aprender pelos outros países, Portugal nomeadamente… E o problema dos preços, que no médio e longo curso podem ser até mais altos do que as tarifas aéreas tem que ser corrigido. Os impactos ambientais do voos de avião têm que ser reflectidos nos preços dos bilhetes, aplicando nomeadamente as “taxas de carbono” que muitos começam a acreditar serem necessárias para corrigir comportamentos e processos que ainda que possam parecer “baratos” a curto prazo, a médio e longo contribuem para o fim da Terra tal como a conhecemos.

Fonte:

BBC

Categories: Ecologia, Economia | Etiquetas: , | 25 comentários

RepórterGrunho S2-1: “Nova Collecção”

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Com dois LLs fica mais “fino”.

E grunho, também.

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