A China e o Nepal: ingerência, arrogância e imperialismo


(Soldados indianos na zona de conflito entre a Índia e a China, em 1962 in http://www.accultured.com)

O embaixador chinês em Kathmandu, a capital do Nepal declarou que o “Nepal tem que tomar medidas mais fortes para impedir os protestos diários por parte de refugiados tibetanos em Kathmandu”. Não satisfeito, o representante diplomático do maior regime ditatorial do mundo acrescentou ainda que “para salvaguardar a dignidade da Lei, o Nepal deve tomar medidas severas para impedir que essas organizações políticas possam organizar e implementar actividades políticas ilegais”.

A arrogância chinesa é tremenda. O embaixador chinês num país soberano atreve-se a ditar regras e acções policiais internas ao governo nepalês. E a China antes do mais não tem de todo esse direito, não só porque isso viola um dos mais basilares princípios do direito internacional, mas sobretudo porque as relações de cumplicidade s entre o governo comunista chinês e a guerrilha maoísta nepalesa nunca foram totalmente esclarecidas… Quanto ao entendimento chinês do conceito de “medidas fortes” ele é bem ilustrado na repressão policial e militar da recente revolta tibetana (clique AQUI para ver imagens dessa “repressão que não aconteceu”), com os consequentes 140 a 150 mortos e todas diversas acções de repressão, perseguição e censura que o governo do “império Han” (vulgo “China”) patrocina um pouco por todo o território desde 1949 e no Tibete, desde a Invasão de 1950.

E repare-se como incomoda o embaixador que “existam no Nepal organizações políticas que organizam actividades políticas“… Coisas que não existe na China, país de um partido único e onde a censura é norma consagrada por Lei.

Na verdade, a polícia nepalesa tem detido os manifestantes que se têm reunido frente à embaixada chinesa todos os dias, mas são soltos no dia seguinte, porque convenhamos: manifestar não é um crime, certo? Na China é. Mas num país democrático e – apesar de todos os seus problemas – tal não é um Crime no Nepal, mas apesar disso o governo nepalês tem sido criticado pela sua dureza na repressão a estes manifestantes. Contudo isso não satisfaz o gigante chinês, com fronteira comum com o Nepal (pelo território ocupado do Tibete). A China transferiu para o Tibete novas divisões mecanizadas e assim aumentou o nível de pressão contra o Nepal… Por outro lado, na década de 50, numa guerra pouco conhecida no Ocidente divisões de montanha indianas e chinesas entraram em combate por uma parcela disputada de território – não longe do Nepal – de 1962.

Se a China defendeu o genocídio no Darfur executado pelos seus aliados islâmicos do Sudão em nome da “defesa do príncipio da não-ingerência nos assuntos internos de um país soberano”, então porque tem no Nepal uma atitude tão diferente? Porque – talvez – não fosse sincera quanto ao Darfur e a defesa do Sudão fosse apenas em nome dos interesses petrolíferos chineses do Sudão…

Entretanto, os exilados tibetanos decidiram parar com os protestos para não causaram ao seu país de acolhimento problemas, exprimindo assim uma razoabilidade que não mostrou ter a imperialista China, talvez antevendo a ocasião para anexar ao “império do meio” uma nova província…

Fontes:
Asia news
Sino Daily

Categories: China, DefenseNewsPt, Política Internacional | Deixe um comentário

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