Monthly Archives: Abril 2008

O WordPress (onde está o Quintus) vai ser bloqueado no Brasil?

“Em virtude das notícias recentes a respeito do possível bloqueio do WordPress.com no Brasil, nós gostaríamos de compartilhar algumas informações sobre caso e a nossa resposta.

Um juiz brasileiro determinou que um blog hospedado no WordPress.com deveria ser bloqueado no Brasil. Uma associação local de fornecedores de serviços de Internet mencionou que isso seria feito por meio de bloqueio de endereço IP, algo que comprometeria o acesso ao WordPress.com no Brasil e não bloquearia o blog.

Apresentamos uma petição na segunda-feira, explicando, em síntese:

a) como o nosso serviço funciona;

b) os nossos termos de uso e as leis norte-americanas que se aplicam ao conteúdo hospedado no WordPress.com;

c) não aceitamos censura e não removeremos o blog a não ser que ele viole nossos termos de uso;

d) quais são as melhores formas de lidar com o bloqueio deste blog no Brasil sem comprometer o acesso ao WordPress.com.

Os termos do processo judicial são confidenciais e não podemos revelar todas as informações que gostaríamos neste momento, tais como o nome das pessoas envolvidas e o endereço do blog.

Somos representados neste caso por Marcel Leonardi, advogado, professor de direito e pesquisador de temas de Direito e Internet no Brasil. Ele está trabalhando no caso gratuitamente, em nome da
comunidade WordPress.com.

Esperamos resolver este assunto dentro dos próximos dias e manteremos vocês atualizados.”

Por isso… se os nossos visitantes do Brasil (normalmente, mais de 50% do total) deixarem subitamente de aceder ao Movv.org (que de facto, reside em wordpress.com), já sabem o porquê…

Voltaremos brevemente a este assunto…

Fonte:

http://wordpress.com/blog/2008/04/30/wordpresscom-in-brazil/

Anúncios
Categories: Blogging, Blogs, Brasil | Deixe um comentário

Do mau andamento da guerra no Afeganistão e dos erros do Ocidente nesta “guerra esquecida”

(Soldados britânicos em patrulha, em Helmand, no Sul do Afeganistão in http://www.abc.net.au)

“Os Estados Unidos não entregaram 5000 milhões de dólares em ajuda que tinham prometido para ajudar a reconstruir o Afeganistão e outros doadores também ficaram muito aquém daquilo que tinham oferecido”

(…)

“As perspectivas de paz no Afeganistão estão assim a ser prejudicadas porque os países ocidentais não cumprem o que prometem”

(…)

“Segundo as autoridades de Cabul, entre 2002 e 2008 os Estados Unidos apenas entregaram metade do que tinham prometido”

(…)

“Além disso, para agravar ainda mais a situação, cerca de 40% de todo o dinheiro entregue tem regressado aos países ricos, designadamente aos Estados Unidos, por meio de lucros das empresas, salários de consultores e outras rubricas.”

(…)

“Enquanto isto, um relatório publicado pelo Jane’s Information Group, com base no Reino Unido, sublinhou que o Iraque é hoje em dia um país mais estável do que o Afeganistão”

Jorge Heitor, Público, 26 de Março de 2008

Já abordei anteriormente, aqui no Quintus, a questão de que as potencias ocidentais não estão a dedicar a atenção devida ao que se está a passar no Afeganistão. A intensidade da presença norte-americana no Iraque implica que o essencial do seu esforço de guerra está aqui alocado e, em consequência, os talibãs têm conseguido obter ganhos territoriais e de influência significativos no Afeganistão. Os Estados Unidos mantêm aqui apenas pequenos destacamentos de forças especiais, e o grosso do esforço de guerra tem cabido essencialmente às forças britânicas que, aqui, têm sofrido mais baixas relativas aos meios humanos presentes do que em qualquer outra guerra, com excepção da Segunda Grande Guerra. As forças alemãs, permanecem no norte do país, e recusam-se a descer até sul, onde ocorre o essencial da actividade talibã. Os demais países da NATO, organização que coordena a presença militar estrangeira no Afeganistão, têm inclusivamente retirado forças do terreno e nem sequer estão a fornecer apoio aéreo e logístico adequados às forças que operam no terreno. Simultaneamente, a mudança de governo no Paquistão está a colocar em risco a política de enfrentamento activo (mas incompetente) dos redutos talibãs na fronteira paquistanesa e se o nível de agressividade do exército paquistanês diminuir, será de esperar ver o aumento dos redutos talibãs no Paquistão assim como o número e a frequência das infiltrações destes no sul do Afeganistão.

Este agravamento constante da situação no Afeganistão tem conduzido a níveis recorde de produção de ópio, que inunda de heroína os países ocidentais e que assim se reflecte directamente nada vida de todos nós e desmente o mito de que esta é mais uma “guerra distante”. Mas não só o mau andamento desta guerra pode fazer aumentar os níveis de crime, droga e violência no Ocidente, como a própria derrota do Ocidente no Afeganistão daria uma mensagem a todos os islamitas radicais no mundo: a possibilidade da restauração do “Emirado” fundamentalista de Cabul, daria ao fundamentalismo islâmico num novo reduto que, inevitavelmente o Ocidente teria que abater, novamente, mas a um custo muito maior do que de 2001, em vidas, meios, e prestígio perdido…

Categories: DefenseNewsPt, Política Internacional, Sociedade | Etiquetas: | 10 comentários

Quids S11-53: Que moeda é esta (designação e imperador)?

Dificuldade: 3

Categories: Quids S11 | 19 comentários

Lançamento da revista “Nova Águia”: HOJE !

Como é sabido, A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Carneiro, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.

A NOVA ÁGUIA, pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu “espírito”, adaptado ao século XXI, conforme se pode ler no nosso Manifesto.

Tal como n’ A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas.
O primeiro número, a ser lançado em Maio, terá como tema “a ideia de Pátria: sua actualidade”.
O segundo, a ser lançado em Novembro, terá como tema “António Vieira e o futuro da Lusofonia”.

A Revista resulta de uma parceria entre a Editora Zéfiro, a Associação Marânus/Teixeira de Pascoaes, que será a nossa sede a Norte, e a Associação Agostinho da Silva, que será a nossa sede a Sul (Rua do Jasmim, 11, 2º andar – 1200-228 Lisboa; E-Mail: agostinhodasilva@mail.pt; Tel.: 21 3422783 / 96 7044286; http://www.agostinhodasilva.pt/).

LANÇAMENTOS DA NOVA ÁGUIA

30 de Abril – 15h00: Fundação José Rodrigues (Rua da Fábrica Social, Porto). Conferência de imprensa de apresentação da NOVA ÁGUIA.

19 de Maio – 21h30: Fundação José Rodrigues (Porto)
24 de Maio – 15h00: Galeria Artur Bual (Amadora)
28 de Maio – 21h30: Atrium Chaby (Mem Martins)
31 de Maio – 17h00: Palácio Pombal (Lisboa)
– 20h00: Biblioteca Municipal de Sintra
3 de Junho – 15h00: Universidade de Évora
6 de Junho – 21h30: Galeria Matos-Ferreira (Lisboa)
7 de Junho – 16h00: Livraria Livro do Dia (Torres Vedras)
– 21h30: Casa Bocage (Setúbal)
11 de Junho – 15h00: Universidade de Aveiro
– 17h00: Casa Municipal da Cultura (Coimbra)
14 de Junho – 18h30: Livraria Arquivo (Leiria)
15 de Junho – 17h00: Vila da Batalha/ Batalha Medieval
18 de Junho – 18h00: Universidade do Algarve (Faro)
20 de Junho – 18h00: Amarante
22 de Junho – 16h00: Quinta dos Lobos (Sintra)

Setembro, dia 25, 18h00: Hemeroteca Municipal de Lisboa
Outubro: Universidade do Minho (Braga)

Para agendar um lançamento: novaaguia@gmail.com ; 967044286

Categories: Blogging, Blogs, Brasil, Ciência e Tecnologia, Educação, Galiza, História, Movimento Internacional Lusófono, Nova Águia, Padre António Vieira, Política Nacional, Portugal, Sociedade, Sociedade Portuguesa, Websites | 2 comentários

Biocombustíveis: Importar ou Subsidiar?

(http://psdblog.worldbank.org)

“Poucos refinadores europeus conseguirão colocar biodiesel no mercado ao preço do que é refinado na Argentina ou etanol tão barato como o que é fabricado no Brasil com bagaço de cana-de-açúcar. Por isso, já há quem considere que, além das isenções fiscais praticadas na União Europeia para o biodiesel, será preciso passar a subsidiar o “diesel vegetal” adicionado ao gasóleo, para que o seu preço de venda ao público seja “moderado”.
(…)
“Actualmente, uma tonelada de biodiesel custa à saída de uma refinaria portuguesa cerca de 1050 euros, enquanto uma tonelada de gasóleo custa cerca de 586 euros”
(…)
“Além disso, o biodiesel argentino comercializado pelos EUA – o designado Bgg, um biodiesel quase puro a que é adicionada uma parte residual de gasóleo, é vendido na Europa a um preço que ronda os 850 euros por tonelada.”
(…)
“Perante a vontade política de introduzir uma maior componente de biocombustíveis, a única solução para continuar a ter combustíveis mistos ao preço dos refinados fósseis poderá ser subsidiar a compra de refinados vegetais. Se assim não for, o preço final ao consumidor dispara.”
(…)
“Paralelamente, mantém-se a pressão internacional sobre as matérias-primas. Em 2006, o óleo de soja custava 500 dólares por tonelada e agora disparou para os 920 dólares.”
J.F. PALMA·FERREIRA

Expresso, 16 de Fevereiro de 2008

Ou seja, na Europa, a utilização generalizada de biodiesel só poderá ser economicamente viável se houver lugar a uma subsidiação intensa por parte dos governos ou da União Europeia. Mas porque deverá haver lugar a esta subsidiação, dada no articulista como inevitável se esse etanol já é mais barato se fôr importado da Argentina ou do nosso lusófono Brasil? Porque não importar do Brasil, simplesmente? É certo que os custos ambientes e financeiros da importação têm que ser equacionados, mas numa escala comparativa desta grandeza (1050 euros versus 850 euros) os custos do transporte são anulados… e se os custos de emissões forem comparáveis, o que não parece suceder. Dois estudos diferentes, conhecidos em Fevereiro de 2008. Segundo David Tilman um dos autores do estudo: “as emissões do etanol são 93% superiores às da gasolina”. Este estudo publicado na Science referem-se ao Etanol produzido a partir do milho. Outro estudo, coordenado por Timothy Searchinger aponta a na mesma direcção. O segundo estudo aponta claramente o problema no que concerne à desflorestação resultante da conversão desses terrenos para a produção de biocombustíveis ao estimar que seriam precisos 423 anos a produzir biodiesel para anular a dívida de carbono decorrente do abate dessas árvores.

Mas ainda assim, a confirmarem-se estes preços, a solução para o problema dos altos custos do biodiesel não é subsidiar a sua produção na Europa, mas importar de onde este é mais barato (e ecologicamente menos danoso, como sucede no caso da cana-de-açúcar brasileira). Pelo menos enquanto o biodiesel fôr sendo a melhor alternativa aos galopantes preços do petróleo e dos seus derivados… Como parece ser… Pelo menos até se descobrir uma forma económica de produzir hidrogénio.

Categories: Agricultura, Brasil, Ciência e Tecnologia, Ecologia, Economia, Portugal | Etiquetas: | 32 comentários

Quids S11-52: Que navio era este?

Dificuldade: 2

Categories: Quids S11, Quids S12 | 11 comentários

O A-400M: Um projecto sofrido que finalmente… vai fazer voar o seu primeiro aparelho em 2008

A400M

(A fuselagem do A-400M a ser construída em Sevilha in http://blog.flightstory.net)

O A-400M é, sem dúvida, um dos programas aeronáuticos europeus mais problemático de sempre. Até certo ponto tais problemas são compreensíveis e até, expectáveis. Trata-se de um aparelho completamente novo, o primeiro do seu tipo jamais contruído pela “Airbus Military” e implica longas e complexas negociações políticas e técnicas entre os diversos parceiros do consórcio europeu. Na verdade, por cada parceiro do projecto, multiplicam-se as possibilidades de atrasos, erros, falhas de comunicação e projecto, custos de transporte de peças e equipamentos e problemas de montagem.

O A-400M sofreu de todos estes problemas, e por essa razão que o projecto ainda que tenha começado em finais da década de 70 como uma alternativa europeia para o substituto dos C-130 Hercules e Transall C-160 que eram (e são) usados extensivamente por vários países europeus ainda hoje não conseguiu colocar um único A-400M no ar… Contudo, finalmente, tudo se encaminha para que o primeiro aparelho venha a voar ainda antes do final de 2008.

Quando começar a ser comercializado, a concorrência do A-400M será limitada basicamente ao último modelo do C-130, o C-140J, um avião envolto em grandes polémicas e com uma má reputação entre os seus operadoes, não tanto porque seja afinal apenas uma modernização de um avião que voa já há cinquenta anos, mas porque essa concepção já não é adequada a muitas das necessidades atuais, e atualizar o seu equipamento significa que se teve que sacrificar capacidade de carga. Uma alternativa mais viável – já presente no mercado – seria o C-17. Muito mais moderno e capaz, mas bastante dispendioso e caro de manter. O C-390 da Embraer poderia ser também uma alternativa… mas o projecto ainda precisa de sair das pranchas de desenho para poder ser um competidor ao C-17 e ao A-400M…

O projecto inicial do A-400M esperava construir aparelhos para equipar as forças aéreas da Bélgica, França, Alemanha, Itália, Espanha, Turquia, Luxemburgo, Reino Unido e Portugal, mas Portugal e a Itália retirar-se-íam posteriormente do projecto, retiradas que foram compensadas pelo interesse, manifestado em 2005, da África do Sul e da Malásia. No total, há 192 encomendas confirmadas para o aparelho, tendo a última entrega sido calendarizada para 2021. O primeiro avião de produção deverá ser entregue à força aérea francesa em Abril de 2010, seis meses mais tarde do que a data prevista, mas a “Airbus Military” já avisou que poderia haver ainda um atraso adicional…

O primeiro A-400M (número de série MSN001) está a ser montado em Sevilha e concentra-se agora nos novos motores Europrop International TP400-D6 que serão instalados e ensaiados em voo real num avião C-130K, algo que já devia ter acontecido em 2007, e que ocorre agora com um atraso de quase um ano.

Fontes:

http://www.flightglobal.com/articles/2008/04/23/223202/airbus-military-battles-to-meet-a400m-first-flight-target.html

http://www.janes.com/news/defence/air/idr/idr071003_1_n.shtml

Categories: DefenseNewsPt | Etiquetas: | Deixe um comentário

Petição: Pelo BOICOTE às emissões televisivas dos Jogos Olímpicos de Pequim

(http://www.pbs.org)

Contra a utilização dos Jogos Olímpicos como uma ferramenta de propaganda de um dos regimes mais autoritários do mundo, que apoia outras tiranias como a do regime sudanês, da ditadura militar de Burma, o regime da ZANU-FP do Zimbabwe e que age de forma predatória contra os recursos naturais do planeta sendo hoje o seu maior poluidor. Contra um regime que usa contra o seu próprio povo da censura, de prisões arbitrárias e por delito de opinião e que executa por ano mais de 8 mil dos seus cidadãos.Pelo povo tibetano, vítima de um terror constante e de um genocídio cultural e social violento e implacável.
Não consintamos que a arrogância do regime chinês utilize a chama olímpica e os seus Jogos como um intrumento de afirmação:MUDE DE CANAL quando vir emissões dos Jogos Olímpicos de Pequim. Não alimente esta arrogância assassina, nem as multinacionais que com a sua publicidade insensível a alimentam.

Faça ZAP e…


Categories: China, Sociedade | Etiquetas: , | 18 comentários

Quids S11-51: Quem pintou este quadro?

Dificuldade: 3

Categories: Quids S11 | 9 comentários

Lost (Perdidos): S4E09 “The Shape of Things to Come” [Spoilers]

English automatic Translation HERE

O episódio S4E09 “The Shape of Things to Come”(o nome de um livro de H. G. Wells) é a retomada das emissões da 4ª Temporada e um novo desafio a este modelo de paragem a meio de uma temporada… os actores apreciam, porque isso lhes permite dedicaram-se a outros projectos, e os produtores também, porque assim ficam com mais tempo para escrever e preparar a segunda metade das temporadas, mas… é cada vez mais difícil para o teleespectador ir seguindo a densa trama da série… mas após alguns minutos e graças ao resumo inicial, lá se retoma o fio à meada…

Eis os nossos comentários sobre este episódio, o qual foi particularmente enriquecedor para o complexo enredo de Lost:

1. Jack queixa-se de uma “intoxicação alimentar” e vai tomar um antibiótico comum, a Amoxicilina, que recolhe da mala que guarda na sua tenda. Mais tarde, e após ter confrontado os dois visitantes do cargueiro de Widmore, parece visivelmente indisposto… Um palpite: no próximo episódio vamos ter continuidade para esta “doença” de Jack, e esta é muito mais do que o simples “ardor no estômago” que ele usa para explicar a indisposição a Kate… Será uma manifestação da “doença” da Ilha que motivava a placa de Quarentena na Estação Cisne e que acometeu a expedição francesa de Rousseau e contra a qual se vacinavam os Outros e os habitantes da Estação Cisne?

2. Mais uma alusão a viagens no tempo, quando Daniel responde a Jack a propósito do cadáver de Ray, o médico do cargueiro: “Quando é relativo”. As viagens do tempo tornam-se assim um ponto central dos mistérios de Lost e mais adiante, na cena em Ben se apresenta no hotel tunisino este parece confuso quanto à data em que está, como se acreditasse que pudesse ter acabado de viajar no tempo.

3. Quando os cinco mercenários do cargueiro capturam Alex e a levam a desactivar a cerca sónica, esta insere o código “1623”, um código que é menor do que o número introduzido por Juliet quando realizou antes a mesma deactivação… Compreende-se depois porquê, já que o código de Alex desencadeia uma chamada automática com a gravação “Code 14J” para a casa de Ben indicando uma situação de perigo, provavelmente um alerta para a desactivação da cerca sob coacção e é essa precisamente a interpretação de Ben quando confrontado por Sawyer e Locke.

4. Depois de Alex ter sido morta por Keamy, Ben diz que “ele mudou as regras”. Como se houvesse um jogo, com regras muito precisas e a decorrer entre Charles Widmore e ele próprio, Benjamin Linus. Aliás, neste episódio Locke, Hurley e Sawyer aparecem a jogar “Risco” e Hurley diz a Sawyer “não acredito que lhe vás dar a Austrália. A Austrália é a chave para todo o jogo”, o que é relevante para a trama da série, acreditamos… A Austrália é tida por muitos como a maior parcela terrestre sobrevivente do afundamento do continente perdido de Mu e os poderes paranormais que alegadamente teriam algumas tribos aborígenes seriam uma sobrevivência da sabedoria perdida dos habitantes de Mu… Será que este jogo, a que se referem estas “regras” entre Widmore e Ben é um jogo pela posse dessa sabedoria perdida?

5. Ben desce uma escadas, depois de ver Alex a ser morta, e acolhe-se numa sala secreta, afasta uns casacos e camisas num armário de parede e expõe uma porta secreta extremamente interessante, naquele que consideramos ser o ponto alto deste episódio. É que a porta é manifestamente muito antiga, anterior à construção das próprias “Barracas” ou “Cidade dos Outros” pela Dharma Initiative e está… coberta por hieroglifos. Infelizmente, não se vê o interior desta sala secreta, mas é certo que se a cidade foi construída aqui, no centro da cratera do vulcão, foi-o porque por debaixo existiam ruínas da mesma civilização que construir o colosso de 4 dedos, a coluna arruinada, a casa da falsa estação Dharma e o próprio “Templo” onde o grupo dos Outros se terá refugiado. Pouco depois, aparece o “Monstro de Fumo”. Fica evidente que Ben mentira a Locke quando no final da Temporada 1 lhe diz que “não sabia o que era o Monstro”, mas também que:

1. O Monstro não é um engenho construído pela Dharma para defender as suas instalações

2. O Monstro está directamente ligado à antiga civilização da Ilha

3. O Monstro pode ser controlado (invocado) por Ben, mas só a partir da sala secreta

4. A civilização da ilha usava hieroglifos (o contador da sala da Cisne também os usava). Como a civilização egipcia é tida como uma descente de Atlântida e esta, tida como tendo contactos com a sua equivalente no Pacífico, Mu, estes hieroglifos devem ter um significado muito concreto…

5. O tamanho do Monstro é controlável… O monstro que aparece e que mata todos os mercenários (supõe-se, já que apenas um aparece e não é Keaney) é muito maior do que qualquer outra sua anterior aparição…

6. Ben acorda num deserto do norte de África, na mesma Tunísia onde Charlotte encontra os restos do Urso com a trela com o logotipo da “Hydra” aparece logo no começo desta Temporada… Bem exibe também um casaco Dharma, e uma etiqueta com o nome “Hallifax”. A Etiqueta Dharma pertence a uma estação desconhecida que deverá aparecer num dos próximos episódios, como é a tradição dos produtores. Aparentemente, foi teletransportado como o escocês, para aqui, a partir da Ilha. Pouco depois livra-se de dois berberes e rouba um dos seus cavalos em Tozeur, confirmando assim que se encontra efetivamente na Tunísia, a qual adquire assim, pela recorrência, um papel importante no denso enredo da série. Quando a empregada do hotel lhe pergunta se é a primeira vez que está na Tunísia, ele diz “não, mas já passou algum tempo” e identifica-se como sendo “Dean Moriarty” e exibe um passaporte canadiano, sinal da extensa rede de apoios no exterior à sua disposição. Pergunta que “dia é hoje”, e julga estar em 24 de Outubro de 2005, mas não estava certo, ora esta data é precisamente um ano e um mês depois do acinete do Oceanic 815… Minutos depois, ao subir a escada para o seu quarto, vê Sayid na televisão… Então, logo, esta cena desenrola-se antes de o recrutar e após alguns sobreviventes terem saído da Ilha, logo, é um fast-foward, não um flashback. Ben aparece, mais tarde, em Tikit, no Iraque, com soldados americanos percorrem as ruas e estas expõem sinais de atentados recentes… Ben mente ao contar a Sayd que saiu da Ilha de barco até às Fiji (a Ilha parece estar decidamente nas suas proximidades), quando de facto… foi materializado até ao deserto tunisino… haverá aqui a segunda parte do wormhole que se forma na Ilha? Isso explicaria a presença dos ursos polares com coleiras Dharma… o interior da Tunísia é também tido por alguns como sendo um dos locais da Atlântida… E a Ilha parece estar no coração do continente perdido de Mu. O túnel ligaria assim os dois continentes.

7. Quando Ben confronta Widmore no seu quarto, este fala com ele com um nítido sotaque australiano, ora antes exibira sempre em ocasiões públicas (por exemplo, na compra do quadro do Black Rock, que está exposto no quarto) um sotaque britânico… Presume-se então que o segundo é falso, e a sua verdadeira naturalidade é australiana, o que nos leva de novo à afirmação de Hurley de que “A Austrália é a chave do jogo”… Do jogo entre Ben e Charles, que aqui, no quarto adquire uma nova escala com a ameaça de Ben de que iria assassinar Penelope em vingança de Widmore ter morto Alex, a sua filha. Mas fica por esclarecer porque é que Ben não pode matar Widmore, e porque é que se esta é uma regra do seu jogo privado, e se estas já foram violadas por Charles, porque é que esta também não pode ser quebrada… Nem porque Widmore diz que a Ilha “é sua” e que “tudo o que Ben tem, já lhe pertenceu”. Será porque foram as empresas australianas de Widmore que construiram todas as instalações que a Dharma Initiative manteve na Ilha e que foi assim que Widmore teve conhecimento da Ilha e daquilo que se passava nela?

8. Quando Daniel repara o telemóvel e o usa como emissor-transmissor de sinais Morse porque é que os tripulantes do cargueiro lhe dizem que “o médico está bem”, quando de facto está morto e com a garganta cortada? Será uma vítima de Michael, que agindo como agente de Ben no cargueiro está a “limpar” pouco a pouco a tripulação ou será que o médico hesitou em apoiar a expedição de Keany na Ilha?

9. Os hieroglifos da porta secreta são – já o dissemos – o momento mais interessante deste episódio. No final da Cisne, já apareceram no contador e alguns (http://www.brockjones.com/lost.htm) dizem que estes signos são “sinais determinativos”, o que de facto, não quer dizer nada… Os sinais expostos na Cisne significam “ir morrer” (http://www.theblackrock.org/br2/hieroglyphics.html). Quanto a estes sinais… eis a nossa interpretação:

0. Os sinais estão mal orientados… uns correm para a direita, outros para a esquerda, o que viola a prática egípcia, e constitui prova de que não foram escolhidos por um egiptólogo e que, logo, ao terem sido escolhidos por membro da produção ou são aleatórios ou têm um significado simples, perceptível por outro não-especialista.

1. Estes dois signos parecem ser “Abbr; Harakhte”
http://www.ancientegyptonline.co.uk/N-skyearth.html dois símbolos ligados ao grupo “Terra, Céu”. Uma palavra (Harakhte) que significa “Horus dos dois horizontes”, a forma que o deus tomou quando assume o papel do Sol na sua viagem diária do Oriente para o Ocidente. Horus é o deus-falcão da mitologia egípcia, e recordemo-nos da fugaz (e isolada) aparição do “pássaro verde” na primeira temporada de Lost… Uma forma provável do monstro e uma alusão a este hieroglifo, provavelmente. (http://www.themystica.com/mythical-folk/articles/harakhte.html)

2. Uma frase:

N5
Det & Log; sun, time, day, hour, to rise
com dois pontos no interior:
N33
Det; sand, grain of metal, mineral, gold, medicine, black eye paint, a small sphere, something dangerous, enemy
N35
Phon; n (água)
V20
Phon; mD Abbr; 10
A20; man with forked staff
A20
Det; oldest, eldest Official, authority

Tradução: “A Hora de comandar (autoridade) algo perigoso (o monstro)”?
http://www.ancientegyptonline.co.uk/A-man-and-occupations.html

3. Água ou Líquido

Um sinal expectável, tendo em conta que estamos numa Ilha, rodeada de água por todos os lados…

4. K5
Phon; bs Det; fish

Uma referência ao submarino e ao facto de somente os peixes poderem abandonar a Ilha?

5. K5
Phon; bs Det; fish

Idem do ponto 4

6. Maia… Este grupo de signos parece maia… por acaso tenho várias gramáticas e tabelas de caracteres maia, mas a maioria concentra-se em datas, formas de grafar o tempo e em nomes divinos, e nada encontrei aqui quando a estes signos, embora o do topo parece um ideograma para “fogo”.

7. Não há aqui cartelas de nomes claras… Talvez este signo ou os que o rodeiam à direita e esquerda sejam cartelas… A menos que seja o sinal triconsonantal para “DWA” que é muito semelhante a este (uma estrela de cinco pontas), que também vale pelo ideograma “Estrela”… Mas estando numa cartela, vale então “DWA” e é um nome. Sendo a porta a porta para a sala de controlo do monstro… e sendo este o único nome aqui presente… apostamos que o nome do “Monstro de Fumo” é “Dwa”. E aliás, há registos históricos de um monstro com esse nome: “Kap Dwa, the Two-Headed Patagonian Giant. Over 12 feet tall, he was captured by Spanish sailors in 1673. After he’d killed four of them, his captors plunged a boarding pike through his heart. His stuffed body has been on display in English sideshows since 1900 and in America since 1980. — Fortean Times”

“Dwa” também significa “luto”…
http://www.donf.com/egypt/medu/vocab2.htm#d O que está muito acordo com o valor dos cinco hieroglifos do contador da Cisne… E um valor alternativo para o signo da porta… Sendo o Monstro o causador deste “luto”.

8. Em suma… A interpretação das inscrições que acima apresentamos é consistente com o conteúdo de uma sala de controlo do “Monstro de Fuma”, quer ele se chame “Dwa” ou seja apenas o causador de “luto”.

Fontes:

http://www.egyptartsite.com/tricon.html#bi

http://www.themystica.com/mythical-folk/articles/harakhte.html

http://www.ancientegyptonline.co.uk/Gardiner-sign-list.html

English automatic Translation HERE

Categories: LOST (Perdidos) | 20 comentários

A Coreia do Sul vai comprar mais 21 caças F-15K

F-15K

(Caça F-15K, construído para a Coreia do Sul in http://www.boeing.com)

A Coreia do Sul decidiu adquirir mais 21 caças F-15K para a sua Força Aérea. Os novos aparelhos vão receber os novos motores Pratt & Whitney F100-PW-229 e a encomenda vai permitir que a Boeing mantenha a linha de produção deste caça em funcionamento, algo que já acontece ininterruptamente desde à 35 anos… O primeiro grupo de 40 F-15K sul coreanos ainda não tem este novo motor.

O novo motor é mais fiável que o anterior e estava em desenvolvimento desde 2004 pela P&W, um sistema de monitorização em tempo real e um novo sistema de controlo completamente digital. O motor é também ligeiramente mais potente que a versão anterior. A Coreia do Sul é o terceiro cliente desta actualização do F-15, mas não revelou quem eram os outros dois.

Para além dos F-15Ks para a Coreia do Sul, a Boeing fabrica ainda F-15SG para Singapura, estes já equipados com os mais sofisticados radares AESA. Existe contudo o risco de que a linha de produção tenha que ser fechada ou mantida aberta mas parada (com custos elevados) se os contactos com a Arábia Saudita ou o Japão não se concretizarem na vendas de novos aparelhos F-15. Os japoneses não encaixaram muito bem a recusa dos EUA em vender F-22 Raptor e não é provável que comprem novos F-15, tanto mais porque também estão a avaliar o F-35 e outros aparelhos idênticos hoje disponíveis no mercado mundial. A USAF ainda não manifestou interesse em actualizar os seus F-15 ou em comprar novos aparelhos, o que é compreensível, já que está empenhada em pressionar a Administração em comprar mais F-22 e em garantir que o F-35 é produzido nos números planeados.

O F-15, nas suas diferentes versões, tem um recorde de combate único na sua classe: abateu 101 aparelhos inimigos, contra nenhum caça perdido. O F-15K é uma evolução a partir do F-15E, fabricado a partir de 1989 e estes aparelhos continuam ainda em operação na USAF, já que apenas os F-15C estão a ser substituídos por F-22 Raptor, por isso, e ainda que não existam planos imediatos, é de esperar que eventualmente todos sejam atualizados para um padrão semelhante ao do F-15K sulcoreano, especialmente porque a USAF espera manter estes aparelhos em funcionamento pelo menos até 2030.

Fontes:
http://www.flightglobal.com/articles/2008/04/25/223300/south-korea-buys-21-more-f-15ks-but-switches-engines.html
http://www.boeing.com/defense-space/military/f15/f-15k/index.html

Categories: DefenseNewsPt | Etiquetas: | Deixe um comentário

Sobre o projecto português para uma “base de perfis de ADN”

(http://img.dailymail.co.uk)

“Com o objectivo de “afastar receios” relativamente à base de perfis de ADN, Rui Nunes, docente de Ética Médica e um dos membros do conselho, fez questão de garantir que projecto de regulamento vai “respeitar valores nucleares da sociedade” como a “privacidade” e “confidencialidade”.

(…)

O ministro da Justiça, Alberto Costa, que marcou presença na reunião, defendeu que a criação da base de dados de perfis de ADN para fins civis e criminais constitui um “progresso civilizacional” que vem pôr fim à “situação arcaica” de Portugal nesta área.

Fonte:

Público, 28 de Março de 2008

No Reino Unido, onde a base de dados de ADN já cobre mais de cinco milhões de britânicos, a polícia tem registado um número recorde de detenções em resultado de identificações genéticas. No Reino Unido, a opção tomada foi a de registar na base de dados todos aqueles que num dado momento participaram de um processo judicial, quer como testemunas, quer como arguidos, independentemente de terem sido considerados como culpados ou inocentes. Esta é uma opção intermédia. O ponto máximo será o de registar todos os cidadãos nessa base de dados, o ponto mínimo será o de registar apenas aqueles dados como culpados em processos judiciais. As declarações do professor Rui Nunes e as do ministro Alberto Costa não indicam qual será a abordagem seguida em Portugal, mas acreditamos que é imperativo – para aumentar a eficácia da investigação policial e reduzir o número de erros judiciais – que se arranque quanto antes.

Uma base de dados de perfis de ADN pode ser uma fonte de grandes problemas, é certo. A informação constante do ADN pode ser muito valiosa e indicar, por exemplo, a probabilidade que determinada pessoa tem para sofrer um ataque de coração antes dos 40. Uma empresa, uma seguradora que consiga aceder a estes dados (quer porque os compra a funcionários desonestos quer porque estes se perdem) poderá usar a seu proveito, contra o cidadão rastreado e em abuso da intenção do sistema, estes dados de ADN. Se estes dados forem apenas usados na investigação criminal, não vemos que existam razões para não introduzir em tal base de dados todos os cidadãos cumpridores e respeitadores da Lei, precisamente aqueles que menos têm a recear de um tal sistema. Mas é difícil formar opinião a este respeito… A informação genética pode cair sempre em mãos erradas, desde que ela exista e a maneira mais segura de evitar que tal suceda, o melhor mesmo é não a reunir. Mas ela pode também ser determinante para encontrar um assassino, um criminoso e assim evitar futuros crimes e sofrimentos. Neste balanço delicado, inclinamo-nos para a recolha generalizada de dados genéticos, mas para o seu uso extremamente cuidado, monitorizado e controlado. Não o fazer é recusar usar uma ferramenta tecnológica importante para reduzir o crime e o sofrimento de daqui decorre e este factor não pode ser diminuído.

Categories: Ciência e Tecnologia, Política Internacional, Política Nacional, Portugal, Sociedade, Sociedade Portuguesa | 4 comentários

A aproximação Brasil-Venezuela e da proposta para a formação de uma “NATO” da América do Sul

Lula chavez

(http://www.bbc.co.uk)

“O Brasil e a Venezuela estreitaram a sua aliança energética com um acordo de associação numa refinaria já em construção no Nordeste brasileiro. Os dois países estudam ainda a hipótese de uma espécie de NATO regional.”

(…)

“O projecto é de proporções gigantescas. O complexo, a refinaria Abreu Lima, perto de Recife, no estado de Pernambuco, é um sonho brasileiro de vários anos. Custará 4000 milhões de dólares, será detido pela petrolífera local em 60% e a associada em 40%. Estará concluído em 2010 – e a construção já começou.”

(…)

“Chávez considerou o acordo como “histórico”, porque permite à petrolífera do seu país refinar o crude na região, em vez de o mandar para os Estados Unidos. Lula usou o mesmo termo, por ele permitir a integração sul-americana.”

(…)

“a criação de um Conselho Sul-americano de Segurança, o princípio do que poderia ser uma NATO para a região.

A sublinhar a harmonia das relações bilaterais, Lula da Silva chamou a Chávez o “grande pacificador”, pelo papel que acabou por ter no desanuviamento da recente crise entre a Colômbia e o Equador.”

Fonte:

Público, 28 de Março de 2008

Não é a primeira vez que o Brasil procura criar uma aliança militar regional que exclua o seu poderoso e influente vizinho do norte… Em tempos os EUA forçaram ao estabelecimento na América do Sul de uma espécie de “Tratado de Tordesilhas” classificando a América Central como zona de influência do México e a América do Sul propriamente dita como zona de influência do Brasil. Desde então, o Brasil estabeleceu-se como a potencia regional dominante na região, mas sem nunca usar a sua força e deixando inclusive que as suas forças armadas nunca fossem esmagadormente superiores como forma de não desequilibrar os balanços de poder na região e não afrontar os seus vizinhos.

Agora, com a ascensão económica do Brasil e uma atitude menos tímida por parte de outros países da região, como a Venezuela, estão criadas as condições para estabelecer uma aliança militar permanente na região. O recente papel pacificador de Hugo Chávez no conflito iminente que esteve prestes a ocorrer entre a Colômbia e o Equador e que fatalmente haveria de envolver a Venezuela e, provavelmente, os EUA indicou que há necessidade de uma tal estrutura preventora de conflitos na América Latina e que esta pode até funcionar como “elemento moderador” para os impulsos mais agressivos ou anti-sistémicos do presidente venezuelano…

Categories: Brasil, DefenseNewsPt, Economia, Política Internacional | Etiquetas: , | 6 comentários

Ainda sobre a Crise Imobiliária nos EUA e a descida das Taxas de Juro

(http://blog.estadao.com.br)

O Sector Imobiliário dos EUA tem os seus níveis de vendas actuais nos valores mais baixos dos últimos doze anos, com valores inferiores a 22% dos registados desde Dezembro de 2007. A situação é aliás ainda mais grave, do que a anterior crise imobiliária dos anos 80, já que os preços actuais conseguem ser – em média – inferiores em 8% aos da recessão de começos da década de 90. Tudo isto, e sobretudo porque durante anos o essencial do crescimento económico dos EUA assentou (como Espanha) no crescimento especulativo e insustentado do sector imobiliário assentava precisamente aqui. Isto implica que os EUA estejam já em recessão, ou até mesmo num problema mais grave e estrutural do que uma mera e cíclica recessão. Se assim fôr, em lugar de um abrandamento económico durante um ou dois anos, seguido de uma expansão, poderemos ter nos EUA vários anos de estagnação e desemprego, resultantes da aposta de décadas numa economia especulativa, que não promove o crescimento económico sustentado nem o desenvolvimento das economias locais, mas apenas o reforço dos lucros dos grandes especuladores bolsistas e do sector financeiros, para além das grandes multinacionais.

O corte radical das taxas de juro realizado pela FED pode ter ajudado no curto prazo o mercado bolsista, mas se tal ajudou ou não a economia real é algo totalmente diferente. Não vai ajudar quem perde a casa ou está soterrado em dividas de consumo. O programa de estímulo fiscal que dará até cerca de 800 dólares a cada família americana de devoluções fiscais, mas devolver oitocentos dólares a cada família americana, de forma cega, a todos, e não concentrar este esforço naqueles que mais precisam ou porque estão no Desemprego ou porque perderam a sua casa ou estão em vias de a perder, é uma medida cega e que pouco mais fará do aumentar o já suicida ritmo consumista americano que tanto tem feito pelos défices comerciais sucessivos.

Desde Dezembro que o valor real das habitações nos EUA desceu 10%, e a perda total equivale hoje a mais de 3 triliões de dólares. A este valor deve somar-se o declínio dos mercados financeiros que deverá ascender a qualquer coisa como 4 triliões de dólares. A este volume monstruoso de 7 triliões de dólares de perda desde Agosto de 2007, a Administração Bush responde com um pacote de incentivos fiscais cego de 180 milhões de dólares… E que de qualquer modo, vai ainda demorar mais quatro meses a chegar aos cidadãos (seis meses desde que foi anunciado), o tempo que o IRS americano leva a processar e a enviar pelo correio os cheques de devoluções… Muitos dos quais aliás serão enviados para moradas onde já ninguém mora, precisamente aqueles que deles mais precisariam e que acabaram de perder as suas casas por incapacidade de honrarem as suas dívidas.

Ou seja, enquanto que a Administração opta por concentrar esforços a tentar conter as perdas do sector financeiro ao tornar o dinheiro praticamente gratuito para os Bancos e concede uma devolução fiscal tardia, limitada e cega. Mas o que causa mais estranheza na contudo desta Administração e da direcção de um FED manifestamente desorientado após a saída de Greenspan é que a FED ainda que tivesse agido em concertação com os outros grandes bancos centrais da União Europeia, do Japão e do Reino Unido, agora parece em pânico e declarou a recente e radical descida da taxa de juro sozinho e em completa descoordenação com estes bancos. Nenhum outro banco central parece tão despudoradamente do lado do sector financeiro e especulativo, e por todo o lado, crescem as preocupações com a inflação que está a regressar e cujos ímpetos na Europa podem ameaçar a sua estabilidade e desenvolvimento e que estão a impedir – justamente – o Banco Central europeu de imitar o FED e descer a taxa de juro, como tantos pedem, nomeadamente a Esquerda portuguesa mais radical. É que descer a taxa de juro, para que os Bancos pudessem emprestar mais ao público só iria aumentar uma taxa de endividamento das famílias já demasiado elevada, padrões de consumo e de importações excessivos. Aumentar o consumo seria uma forma estranha e absurda de resolver um problema que nos EUA e na Europa começou precisamente por um consumo massivo não sustentado que dura já há mais de 20 anos…

Fonte:
Podcast de Doug Henwood, Behind the News

Categories: Economia, Política Internacional, Sociedade | Etiquetas: | Deixe um comentário

Sobre os problemas graves (“queda balística”) da Soyuz TMA-11 no seu regresso à Terra

(Lançamento da Soyuz TMA-11 in http://www.foxnews.com)

Algo parece ter corrido muito mal no regresso à Terra da cápsula Soyuz no dia 20 de Abril… Fontes da própria indústria espacial da Rússia admitiram que os seus três tripulantes só se salvaram por mero “milagre”. A Soyuz TMA-11 aterrou a 420 Km do ponto previsto, no final de uma queda livre (o termo “trajetória balística” é um eufenismo técnico) que só foi registada na história da indústria espacial russa por duas outras vezes, em 2003 e em 2007, respetivamente. O desvio da trajetória ótima implicou um sobreaquecimento da cápsula e uma consequente destruição de vários equipamentos exteriores, como a escotilha de saída, a antena de comunicações e até a válvula de equilibra a pressão no interior do veículo espacial e cuja destruição poderia ter levado à despressurização da cápsula e logo, ao asfixiamento dos seus três tripulantes. A agência russa Interfax declarou que o problema resultou de uma ejecção defeituosa do módulo de propulsão da Soyuz, o que impediu o funcionamento adequado do escudo de calor da cápsula, o que explica o calor invulgar sentido no interior da cápsula e as destruições de equipamentos exteriores.

A entrada balística implica também uma carga de 8 Gs durante cerca de um minuto… mais do que muitos de nós poderíamos suportar sem sofrer um ataque cardíaco. As notícias publicadas pelas televisões nacionais indicavam que “a tripulação tinha optado por uma trajectória balística”, quando na verdade, a NASA declarou que “nada nas ações da tripulação poderiam ter levado a isto”, desmentindo assim essa tese sugerida pelos russos. Durante a descida, a tripulação viu fumo dentro da cápsula e um painel de controlo desligou-se várias vezes. Não é claro que o fumo vinha do interior da Soyuz ou do exterior, através das condutas de ventilação.

Os danos foram tão profundos que quando a cápsula tocou o solo os astronautas ficaram uma hora fechados dentro da cápsula até que o russo Yuri Malenchenko conseguiu arrombar a escotilha soldada pelo calor da reentrada e usar o seu telefone satélite de reserva para chamar os helicópteros de resgate.

Ainda que não se saiba o que levou o computador interno da Soyuz TMA-11 a iniciar uma descida balística e isso só venha a ser conhecido quando o inquérito russo fôr publicado daqui a um mês, mas para já a NASA suspeita de uma largada deficiente do módulo de propulsão da Soyuz (que normalmente é ejectado pouco antes da reentrada) ou de um cabo externo que pode ter entrado em curtocircuito.

A Soyuz transportava de regresso à Terra, depois de uma estadia na Estação Espacial Internacional (ISS) o astronauta russo Yuri Malenchenko, a americana Peggy Whitson e a sul-coreana Yi So-yeon, que esteve prestes a encerrar com chave de chumbo a primeira visita ao Espaço de um astronauta sul-coreano.

(Reentrada da Soyuz TMA-9/13S a 28 de Setembro de 2006)

Este incidente – o terceiro nos últimos anos – indica que começam a multiplicar-se para além do tolerável os problemas de qualidade na construção das Soyuz. E isto está a preocupar seriamente a NASA que utiliza as cápsulas Soyuz para transportar os seus astronautas de e para a ISS. Apesar destes incidentes, o sistema Soyuz continua a ser extraordinariamente fiável, como aliás demonstra o desfecho último desta descida e sem elas, entre 2003 e 2005 a ISS teria que ter sido abandonada e teria tombado no Pacífico, sem os essenciais abastecimentos de combustível para se manter em órbita. E a partir de 2010, sem os Shuttle e ainda sem Orion nem Kliper, serão novamente o único suporte da Estação, por isso, deixar de usar as Soyuz está completamente fora de questão, para já…

Fontes:

http://sic.aeiou.pt/online/noticias/vida/220408_Astronautassalvaramsepormilagre.htm

http://www.space.com/missionlaunches/080422-soyuz-landing-update.html

http://www.space.com/news/080422-nasa-russia-soyuz-update.html

Categories: Ciência e Tecnologia, SpaceNewsPt | Etiquetas: , , | Deixe um comentário

Quids S11-50: Como se chamava este homem?

Dificuldade: 2

Nota: réplica (possivelmente) lentas…

Categories: Quids S11 | 9 comentários

Resposta à declaração do Dr. Vasco Graça Moura: “Acordo Ortográfico: a perspectiva de um desastre”, proferida na Sala do Senado, Assembleia da República a 7 de Abril de 2008 no âmbito da “Conferência Internacional/Audição Parlamentar: O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa”

Vasco Graça Moura

O debate ocorrido neste dia na Assembleia da Manhã e que tivemos oportunidade de – parcialmente – assistir entre o Dr. Vasco Graça Moura, do lado da oposição à ratificação do 2º protocolo modificativo e do Reitor da Universidade de Coimbra, Carlos Reis, foi muito interessante á que permitiu condensar em pouco mais de uma hora as posições dos defensores do Acordo e dos seus detractores, deixando antever uma certa indefinição ou hesitação latente entre os países africanos de expressão oficial portuguesa aqui representados: Angola indirectamente e São Tomé e Príncipe, mais directamente.

No que concerne ao tema que vamos analisar, é importante rebater passo a passo, frase a frase e parágrafo a paragrafo a intervenção de Graça Moura, não só porque se arvorou como paladino público da causa dos opositores à implementação do Acordo Ortográfico de 1990 mas porque utilizou nesta intervenção um discurso e uma selecção de palavras intensamente gongóricas e inflamadas que pontuam o seu texto: “poder mírifico”, “ofensa chocante”, “deplorável mutilação”, “desfiguramento”, “os prejuízos serão astronómicos”, “existências gigantescas de dicionários”, “custos inadmissíveis”, “catastroficamente”, “autêntica violência”, “desorientação dos estudantes”, “desagregação de identidade”, “ingenuidade lusitana”, para citar apenas as mais gritantes… Perante este discurso apocalíptico, urge responder ponto a ponto, com a devida ressalva que tecnicidades linguísticas não são do nosso foro. Nem no de Graça Moura, aliás, já que não é umlinguista de profissão e carreira, stricto sensus…

“Para o Acordo Ortográfico vigorar na ordem interna portuguesa não lhe bastam a aprovação parlamentar e a ratificação do Presidente da República.
Tem de ter assegurada a sua vigência no ordenamento internacional.
Em vários dos países intervenientes na negociação e conclusão do Acordo, ainda não tiveram lugar a aprovação e a ratificação.”
(…)
“Não sendo pois ainda válido nesses países, não se vê como se pode sustentar que ele vigora no ordenamento internacional
E não estando em vigor no ordenamento internacional, ainda menos se vê como há de estar em vigor no nosso país…
É certo que, em 2004, se estabeleceu num protocolo modificativo, celebrado com intervenção dos representantes de todas as partes em questão, que bastaria o depósito da ratificação por três dos países intervenientes para o Acordo se considerar em vigor.”

> Algum ou alguns dos sete países que então assinaram o protocolo modificativo de 2004 tem que avançar primeiro… Num Acordo ou Tratado internacional a Oito partes, ou acontece uma ratificação imediata ou simultânea, se se tratarem de regimes ditatoriais ou presidencialistas puros (em que os representantes recebem uma delegação absoluta de poderes) ou então – como sucedeu aqui – essa ratificação tem que ter lugar nos diversos parlamentos nacionais, com as naturais dificuldades de agendamento que sempre existem a sete (oito agora) países… Existe uma manifesta impossibilidade prática que todos os oito países avancem em simultâneo para um qualquer tipo de Acordo mútuo. Destes alguns têm que tomar a dianteira, e nada mais natural que essa dianteira seja assumida por Portugal (o berço atávico da língua) e pelo Brasil (actualmente o seu maior representante económico e demográfico)

“E que se saiba, nem sequer esse expeditivo protocolo foi aprovado ou ratificado nas Repúblicas da Guiné-Bissau, de Angola e de Moçambique.”

> A validade deste argumento esta datada… A Guiné-Bissau e Moçambique já deram vários sinais (reflectidos em diversa imprensa portuguesa) de que se preparavam para ratificar o protocolo modificativo ainda durante o corrente ano de 2008, anulando assim efectivamente este argumento.

“Se o protocolo modifica uma convenção internacional sujeita a ratificação, terá de ser ratificado por todos.”

> Não existe nenhuma obrigação consignada no Acordo ou no Protocolo que obrigue todos os países signatários a adoptarem o Acordo, uma vez ele tenha sido ratificado por três países (como já o foi: Brasil, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe). Não se trata aqui de um mero legalismo ou de um artifício jurídico que possa ser usado levianamente em defesa de uma dada argumentação: De facto, se Portugal não adoptar o Acordo que os demais países lusófonos (todos se pronunciaram já a seu favor e para todos há notícias da sua iminente ratificação) simplesmente ficará de fora, perdendo influência internacional para o Brasil, precisamente aquilo que mais receiam os opositores do Acordo e isolando-se no contexto de uma norma ortográfica que não será mais a sua… Neste contexto, as editoras em cujo nome discursa Graça Moura terão, efectivamente, os supracitados “graves prejuízos”… Mas não porque o Acordo foi adoptado, mas porque não souberam acompanhar os seus confrades brasileiros na rápida adopção do dito nos países lusófonos… Não existe pois uma “obrigação tratádica” em adoptar o Acordo. Há tão somente uma necessidade técnica, estratégica e cultural para que os países lusófonos falem (e escrevam) em uníssono… E Portugal pode seguir este movimento ou ser ultrapassado por ele. A Escolha cabe-nos a nós.

“Nem procede a argumentação do Prof. Vital Moreira quando diz, quanto ao Acordo, nada impedir que “posteriormente uma parte dos Estados acordem entre si que ele passe a vincular aqueles que o ratifiquem (desde que sejam pelo menos três) sem esperar pelos outros
Esta posição não é admitida nem pela letra nem pelo espírito do Acordo”.

> As posições e interpretações que um Estado pode fazer às intenções e propósitos de qualquer Acordo são mutáveis. A letra não, o espírito também, mas a interpretações dos dois, são, ou não haveria lugar – como há – a tantos pareceres de tantos Doutores de Direito… A interpretação de Graça Moura é apenas uma entre várias, e certamente que não recolhe o mérito de ser o Dogma absoluto e inviolável quanto ao espírito de um Acordo contra o qual tanto se tem movido… Num mundo que muda tão depressa e em relação a um acordo que tem hoje quase 19 anos de idade, mercê das pressões de interesses económicos como os que são representados por Graça Moura, não se estranhará que haja alguma inadequação temporal da letra… Mas a intenção está lá: é a de fazer avançar um Acordo que a dispersão geográfica, que a confusão de interesses e de apoios poderia diluir e eventualmente anular no tempo. Esse é o objectivo fundamental do reconhecimento de que bastam três países para que o Acordo entre em vigor. E afirmar o oposto só pode interessar aqueles que invocam tal argumento apenas com o objectivo de aplicar uma determinada força de bloqueio e que não se preocupam genuinamente com a moralidade implícita a uma dada interpretação do texto.

“Sempre seria, de resto, uma ofensa chocante ao princípio da plena igualdade entre os Estados, que hoje rege as relações internacionais, considerar-se que os mais pequenos ou, a qualquer título, menos significativos não contam e devem ser forçados a aceitar a dispensa da aplicação dos seus próprios mecanismos constitucionais…”

O parágrafo deixa supor que o acordo foi cozinhado entre Portugal e o Brasil e que são estes dois Grandes que o estão a impulsionar. Ora o argumento cai pela base quando se reconhece que dos trens países que já ratificaram o protocolo modificativo apenas um pertence a essa lista de “grande”, o Brasil. A menos que Graça Moura queria incluir nessa lista Cabo Verde e São Tome e Príncipe. Assim o discurso a favor dos “mais pequenos” não colhe…

“…quanto a aplicação do Acordo no prazo de seis anos após o depósito do instrumento de ratificação sem saber ainda se protocolo será ratificado pêlos Estados que ainda não o fizeram.”

> Ainda que nem todos os Estados lusófonos o tenham ainda feito, três já o fizeram, e logo, o Acordo já está em vigor. Não se trata de esperar por ninguém, trata se de ninguém esperar por nos se Portugal decidir ficar para trás e se recusar a aderir ao Acordo.

“pretende-se contar a partir da ratificação um prazo que só faria sentido começar a contar a partir da entrada em vigor do Acordo”

Um argumento contraditório… Mas então afinal, Graça Moura estaria de acordo com este Acordo se ele entrasse em vigor mais tarde? Então Graça Moura esta a favor ou contra o Acordo ou apenas quanto ao momento da entrada em vigor do mesmo? Desta frase parece depreender-se a ultima. Será isso que o autor pretendia?

“ora não consultou nenhuma Universidade portuguesa, nem o Conselho de Reitores, nem a associação Portuguesa de Escritores, nem a Sociedade de Língua Portuguesa… E não sabe o que pensam a APEL ou a UEP.”

A APEL tem usado todos os meios possíveis para fazer ouvir a sua voz, incluindo o alistamento de certos paladinos especialmente conhecidos no meio da tradução… Alegar que o governo tomou uma certa posição sem ouvir ninguém e uma falácia discursiva, sem substancia concreta. E afirmar que a “universidade portuguesa” não foi ouvida e esquecer intencionalmente toda a participação neste processo de insignes especialistas como o professor Malaca Casteleiro, o prof-dr Carlos Reis e tantos outros… Como a ignorância não e uma das características da personalidade de Graça Moura e logo este desconhecimento não e provável então estamos perante mais uma falácia na argumentação exposta por Graça Moura.

“Tanto mais que Senhor Ministra teve varias reuniões de trabalho ao longo de 2007, com os editores de livros escolares, sobre os manuais a produzir a partir de 2010, e nunca a questão do Acordo Ortográfico foi referida!”

E eis que cai o pano… Esta expressão não e um reconhecimento do tipo de discurso corporativo que move Grada Moura nesta questão? E sendo este um problema de percurso, não de essência qual e assim a relevância deste ponto para a argumentação contra o Acordo? Isto e… Se e ministra tivesse referido o Acordo nessas reunires com os editores então a posição de Graça Moura seria diferente? Parece-nos que não e logo o recurso a este argumento consiste numa nova falácia…

“aqui chegados, um primeiro ponto a salientar e o de que nenhum dos defensores do Acordo veio a terreiro responder as criticas feitas ao conteúdo de algumas bases, em especial sobre o disposto na famosa Base IV, quanto a eliminação de certas consoantes, e quanto as facultatividades.”

E contudo não tem sido assim… Quanto a muito debatida questão da consoantes surdas muitas e bastas respostas por parte de linguistas como Malaca Casteleiro, entre outros… Se Graça Moura não tem escutado, e porque não tem querido ouvir, já que respostas bastas tem havido, bastando para seguir a imprensa nos últimos dias…

“tudo se passa como se o Governo ou o inframed aprovassem e determinassem a geral e obrigatória utilização de um medicamento sem ter sido feita a análise da sua composição e dos riscos que envolve para a saúde humana.”

Eis uma comparação descontextualizada e totalmente fora de contexto… E intensamente gongórica, no melhor sentido barroco do termo. Como se pode afirmar, ainda que alegoricamente, a implementação do Acordo possa produzir “riscos para a vida humana”? Onde esta oportunidade ou a relevância desta referência ?

“Do Acordo de 1986, que a seu tempo foi bloqueado pela reacção indignada da sociedade civil, transitou, sem alteração, para o texto do actual uma série de pontos que são ipso facto, susceptíveis da reedição das criticas produzidas naquela altura.”

Que se quer agora reeditar, precisamente pela falta desse movimento espontâneo e generalizado contra o Acordo de 1986, que era muito mais ambicioso e regulador do que o de 1990, e que precisamente por isso mesmo gerou muitos mais anticorpos que o presente Acordo…

“O Acordo de 1945 já elimina as letras consonânticas c e p das sequências interiores cc, cç e pt, nos casos em que são invariavelmente mudas nas pronuncias portuguesa e brasileira.”

Quanto a esta argumentação técnica, remeto para a intervenção do prof-dr Carlos Reis que rebateu ponto a ponto cada um dos tecnicismos referidos pelo deputado europeu.

“Na verdade, o Acordo considerou apenas duas pronuncias padrão, a brasileira (que, alias, não e apenas uma no imenso território do Brasil e a portuguesa, como se estivéssemos ainda a viver nos tempos do Império Colonial.”

Mas estas duas pronúncias-padrão juntas representam mais de 90% do total de falantes do português. Não se trata de colonialismo, também porque os demais países lusófonos assinaram também eles de pleno direito e com a opinião dos seus próprios especialistas este Acordo. Menosprezar essa sua participação, como aqui se faz, é que é posição colonista e paternalista… Porque presume o querelista que estes países não assinaram o Acordo em plena consciência e que Portugal e o Brasil sim?

“Isto é, o Acordo de algum modo comunga ainda mentalidade colonial a darwinista que pressupõe que os PALOP seguem cegamente o que Portugal decidir, sem terem em conta a realidade do português falado nos seus territórios.”

Mas não é isso que diz a realidade dos factos… Dos três signatários actuais, dois, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe não somente não seguiram cegamente ninguém, como até pegaram a dianteira! Assinando antes de Portugal! Se alguém está a ser rebocado neste processo esse alguém é Portugal, não os países africanos…

“Por outro lado, essas pronúncias não estão devidamente estudadas, de maneira que não sabemos a rigor quando é que as consoantes interiores c e p são invariavelmente mudas nas pronúncias dos PALOP, de Goa, de Macau e de Timor, nem como interferem funcionalmente no timbre das vogais que os antecedem.”

Mas se este reflexo não é conhecido, então como se pode aqui usar este argumento numa posição contra alguma coisa? Ou será esta uma aplicação descontextualizada e simplista do principio jurídico In Dubia Pro Reo?… E contudo, este não e um julgamento-espectáculo. Mas uma argumentação que devia ser seria e consistente… E alias. Se não sabe, como pode inferir o autor de que o estudo dessas pronuncias iria reforçar os argumentos dos opositores ao Acordo? A menos que a verdadeira e já desesperada intenção seja a de ganhar apenas mais algum tempo e ir digerindo o inevitável…

“Segundo o prof. Óscar Lopes, quanto à alfabetização nos PALOP, conviria verificar, para já, qual a ortografia que melhor contribuiria (e quando? E com que apoios materiais e humanos?) para o controlo e ou integração já em pleno processo.”

Dizem os especialistas que para o processo de aprendizagem, e sobretudo para facilitar o mesmo, a supressão das consoantes mudas será uma forma de facilitar a aprendizagem. O reforço da tendência fonética na formação das palavras ao invés da etimológica também facilita a aprendizagem. No global, e no entender de muitos educadores o Acordo facilitaria o Ensino do português, especialmente onde ele é mais necessário, em África e em Timor.

“Segundo o Prof. António Freire, a eliminação dos grafemas de valor originalmente consonântico que assinalam a abertura das vogais anteriores grafadas com a, e ou o (…) pode desencadear em Portugal e nos PALOP a tradicional deriva de elevação-recuo e-ou emudecimento dessas vogais em posição átona ou (pior ainda) uma pluralidade imprevisível de derivas, que parecem desenhar-se no português africano. A nenhuma das criticas cientificas que antecedem foi dada resposta pelos defensores do Acordo actual.”

Ora se não houver nenhum acordo ortográfico a oito países não haverá assim ainda mais espaço para que as citadas derivas se possam desenvolver? E de novo… Como repetir que nenhuma resposta foi dada a estas questões mantendo completamente a consciência imaculada e estando minimamente a par – nem tanto dos trabalhos dos especialistas – mas mais da própria imprensa generalista, onde esses argumentos tem aparecido bastas vezes?

“Como disse, o Acordo actual mereceu parecer negativo da CNALP e da Direcção-Geral do Ensino Básico e Secundário.”
(…)
“E é de reiterar a surpresa por, em matéria tão nevrálgica para a vida escolar, a senhora ministra da educação não ter tido uma palavra a dizer.”

De novo… Este discurso não caberia melhor na boca de um represente da corporação dos Editores do que na de um deputado europeu eleito?

“Hoje em dia, dada a tendência brasileira para pronunciar todas as letras que constem da grafia de um vocábulo, o que acontece até é que, se essas consoantes forem grafadas, elas serão invariavelmente pronunciadas no Brasil!”

Recusar resolver esta diferença das duas grafias e a mesma coisa de que não se quer na este Acordo, mas qualquer outro e eventual Acordo! Esta é hoje a maior diferença entre as duas grafias e optar por não a resolver implica assentir na permanente divergência das duas escritas para a mesma língua.

“O Acordo de 1945 falava na necessidade de por termo à deplorável mutilação ou desfiguramento que rouba à grafia da nossa língua, em aspecto bem importante, uma grande parte do seu valor expressivo.”

Estas mesmas objecções foram levantadas em 1911 aquando de uma outra revisão. E hoje podemos dizer que a passagem de pharmacia a farmácia descaracterizou a nossa língua ?

“Repare-se, de resto, que em algumas das línguas de maior projecção mundial, como o inglês, o espanhol, o francês e o alemão, ninguém pensa em reformas ortográficas que simplifiquem as grafias nos termos em que o Acordo vem fazê-lo.”

Porque tal não tem sido preciso! Salvo pequenas divergências, existe um acordo tácito entre as diversas formas de grafia do inglês, tanto mais porque aqui não se usa a acentuação e a leitura correcta da palavra pressupõe sempre o prévio conhecimento do valor fonético da mesma, ao contrario do que acontece com o português. Quanto ao espanhol e ao francês, eles não precisam de Acordos simplesmente porque… Tem uma única grafia, e Vasco Graça Moura deve saber isso muito bem.

“É também pelas chamadas facultativas previstas noutro numero da mesma Base IV. A facultatividade é o contrario da ortografia.”

Então vejamos, o Acordo é mau porque é normativo na questão das consoantes mudas, mas também e mau quando admite a manutenção de duas formas ortográficas paralelas e facultativas ? O Acordo não pode ser ambas as coisas ao mesmo tempo. E se tem aspectos de facultatividade tal e porque este foi o Acordo possível, não o Acordo perfeito nem o Acordo absoluto ou definitivo. A alternativa a esta facultatividade era não haver acordo algum, provavelmente a verdadeira intenção de Graça Moura a este propósito, afinal…

“Como consequência deste critério, é previsível que surjam divergências ortográficas dentro da mesma variante da língua no mesmo pais, dependentes de juízos aleatórios.”

Se não houver no entretanto nenhum Acordo estas divergências serão ainda maiores. Um Acordo e por conceito próprio, uma tentativa de aproximação e de conciliação de interesses diversos, por vezes antagónicos. Havendo hoje na Lusofonia uma forca gravitacional forte (técnica, demográfica e económica; o Brasil) essas divergências ou irão redundar a prazo no caos e na total separação linguista, ou convergir naturalmente para esse grande pólo atractivo que e o Brasil. Portugal optar por participar como líder neste processo ou por o ignorar. Sacrificando influencia e prestígio, dando assim sinais aquilo a que Graça Moura intitula de “desagregação de autoridade”…

“A aplicar-se o Acordo, não tardara a dar-se a supressão na grafia (e portanto também na pronuncia) das consoantes c e p nos casos em que continuem a ser pronunciadas ou semi-articuladas em Portugal.

E nesse caso não caberá mais falar-se em elas serem pronunciadas no nosso pais. Ou seja, chegar-se-a. Por este caminho, ao que provavelmente era o principal desígnio da feitura do Acordo: homogeneizar integralmente a grafia portuguesa com a brasileira nesse plano, mais uma vez desfigurando a escrita, a pronuncia e a língua que são as nossas.”

Se os detractores do Acordo tanto temem a queda das consoantes surdas, não acreditam então que a própria língua, dinâmica e viva, se encarregara de lhes dar razão e fazer reaparecer coloquialmente essas consoantes perdidas? E certo que tal ressurgimento… Já que as suas bases não são fonéticas… Logo teria que ser um ressurgimento politico ou proveniente do “topo”, das elites e na da “sociedade civil” que em 1986 se ergueu espontaneamente contra o Acordo de então…

E o autor exprime aqui uma das suas maiores preocupações neste tem: o receio de ver “brasileirismos” invadirem a nossa língua. Sendo que essa invasão se haveria de traduzir num bombástica “desfiguração”, como se mudar 1,6% das palavras correspondesse a tamanho cataclismo…

“Por muito que o Prof. Carlos Reis, a propósito de razoes técnico-linguísticas, fale em deficiências que podem certamente ser corrigidas, elas aqui são irredutíveis, porque corrigi-las seria eliminar a Base IV e eliminar a Base IV seria neutralizar o cerne do próprio Acordo!”

Este Acordo Ortográfico tem já 19 anos. Só uma cegueira demagógica e que não pode deixar de ver que tem já maturidade para novas reformulações, umas mais correctivas; outra mais ambiciosas. Mas para se aperfeiçoar este Acordo ele tem primeiro que entrar em vigor!

“Objectivamente, e decerto a revelia das melhores intenções dos negociadores portugueses, o Acordo, ao prepertar tão crucial ablação, serve interesses geopolíticos e empresariais brasileiros, em detrimento de interesses inalienáveis dos demais falantes de português no mundo, em especial no nosso pais.”

Se o Acordo serve “interesses geopolíticos e empresariais brasileiros” serve apenas porque os editores lusos temem a entrada das editoras brasileiras em África, mas se recusam a ver a possibilidade de crescimento que representa um Brasil em grande expansão, com uma classe media em crescimento. Perante a possibilidade de crescimento e expansão, alguns português remetem-se ao lugar de Velhos dos Restelo e deixassem vencer pelo medo… E que se o acordo abre as portas e edição brasileira em África, também abre as portas da edição portuguesa aos 180 milhões de brasileiros, isto contra os pouco mais de 30 milhões de lusófonos em África.

“(…) dando de barato que fosse fácil a elaboração do vocabulário comum, e absolutamente de cumprir no tocante as terminologias técnicas e cientificas que apresentam fortíssimas divergências.”

Mas o Acordo, ao uniformizar muitas palavras, portuguesas e brasileiras, não vem precisamente abrir o caminho para essa listagem comum de vocabulário? Sem Acordo esta listagem não seria ainda mais difícil?

“Tudo isto representa uma lesão inaceitável de um capital acumulado e de projecção planetária.”

Esta lesão já ocorreu no passado, por varias vezes, desde a gestação da língua e nunca houve a catástrofe que os editores – pela boca de Graça Moura – querem fazer crer… E o capital não e nosso, como bem lembra Adriano Moreira, a língua portuguesa não e património exclusivo de Portugal, mas de todos os lusófonos. Por fim… O detractor do Acordo confunde Língua com a grafia da mesma! Não se vai alterar nenhuma leitura fonética, apenas a forma de escrever menos de 1.6% das palavras portuguesas!

“Se o governo pede pareceres científicos e técnicos a propósito de aeroportos, de pontes e de tantos outros projectos, deve exigir-se que o faça também para ficar habilitado a decidir com segurança numa matéria cujas consequências e cuja projecção no futuro são incomparavelmente mais importantes.”

Afirmar e esquecer – com intenção dolosa – que foram precisamente estes especialistas que estiveram na base da redacção de texto de 1990… E que nesta matéria não falamos de uma ciência absolutamente matemática, objectiva mas da língua e da escrita, domínios onde a produção cientifica não pode ter – por essência – o mesmo grau de objectividade e universalidade de um estudo de engenharia para uma ponte ou um aeroporto… E com uma terceira mas vital diferença adicional: a Língua e a Escrita não são propriedade de nenhum colégio de especialistas, são propriedade de todos os que a falam e escrevem, a sua evolução não e fruto de teoremas matemáticos mas da vontade dos seus falantes, e daqueles que tendo sido eleitos por eles os devem representar: os deputados da Republica. São esse que em nome de todos os portugueses devem ter a palavra final, não um grupo selecto de especialistas.

“Mais de 40 milhões de pessoas seguem a norma portuguesa. De facto, não se trata de contrapor 10 milhões de brasileiros.”

Um exagero intencional para dar força a uma argumentação frágil… Não há 40 milhões mas 10 milhões de portugueses, cerca de 11 milhões de angolanos, 3 milhões de moçambicanos falantes do português (1/3 dos moçambicanos) e menos de 1 milhão nos restantes países lusófonos… É precisamente esta crise e recuo do português em muitos países lusófonos que este Acordo pode ajudar a resolver.

“É, antes de mais, quanto às competitividades em presença no interior do universo da língua portuguesa que a questão do seu valor deve ser analisada.
A adopção do Acordo redundara em total beneficio para o Brasil
Os PALOP e Timor ficarão completamente dependentes da edição e das industrias culturais brasileiras.”

Este discurso proteccionista (porque e disso que se trata) está ultrapassado e condenado a prazo. Angola tem deixado claro que se Portugal não ratificar o protocolo modificativo avança sozinha e adopta a grafia brasileira. E Portugal nessa “guerra de competitividade” parte com vantagem teórica sobre o Brasil: é que as editoras nacionais já estão presentes em África ao contrario das brasileiras e – sobretudo – o Brasil estará ocupado em renovar o seu imenso parque editorial próprio e não vai prioritizar assim, num primeiro momento que deve ser aproveitado, a expansão editorial para África e Timor.

“Os prejuízos serão astronómicos:
– ficarão inutilizadas existências gigantescas de dicionários e livros escolares nas linhas de produção e nos armazéns dos editores;
– as famílias terão de suportar custos inadmissíveis na compra de novos materiais;
– milhões de livros adquiridos pelo Plano Nacional de Leitura e pelas bibliotecas escolares tornar-se-ao inúteis para os jovens;
– a importante posição das exportações da edição portuguesa para os países africano acabara por se perder.”

Os livros actualmente em armazém ou em produção não serão obviamente destruídos… Serão comercializados e vendidos ainda dentro da moratória de seis anos prevista pelo governo (ou 3, como defende a petição do MIL). O argumento dos manuais escolares também não colhe… Estes são renovados periodicamente e numa dessas renovações os livros alterados serão introduzidos pacificamente e sem tensões nem custos acrescidos. Quanto aos livros em bibliotecas, em Portugal e nos PALOP, a sua renovação devia ser vista como um desafio e uma oportunidade para os editores de VGM parece representar, já que poderá implicar uma multiplicação dos números das vendas!

“Constituirá também uma autentica violência para os falantes da terceira idade, em quem, como em toda a gente, a representação mental das palavras é indissociável da grafia que aprenderam.”

As mesmas palavras foram antes usadas e em relação a mesma camada populacional, aquando da introdução do Euro… E hoje essa adopção e pacifica. E o Acordo não terá forca de Lei; isto e ninguém será detido ou multado por não escrever segundo a nova grafia pelo que não faz sentido falar em “violência”. Alem de que se hoje e possível a um idoso ler Os Lusíadas, com um muito maior numero de palavras alteradas, porque seria violentado por uma alteração de um numero muito inferior de palavras?

“Levará a desorientação dos estudantes de português das principais comunidades da nossa emigração”

Bem pelo contrário! A maior aproximação da grafia a fonética da língua ira facilitar a aprendizagem, alem de que se a aprendizagem for já feita com os novos manuais e dicionários a transição será praticamente invisível. Este é aliás um dos argumentos mais frágeis de VGM, precisamente por esta razão…

“Angola aspira a uma posição de liderança na África Austral e no mundo de língua portuguesa.
Tem potencial humano e económico para isso.
Vive tempos de paz, de reconstrução, de crescimento e de prosperidade.
Não lhe interessa ficar subordinada a interesses brasileiros.”

Angola foi um dos signatários e os seus peritos participaram de pleno direito na redacção do texto. Ao contrario do que parece querer dizer nestas palavras, VGM assume uma posição paternalista e colonialista em relação a Angola e aos seus interesses. E este pais que saberá melhor defende-los, não as editoras portugueses, que naturalmente defendem os próprios seus interesses….

“Em Moçambique e na Guine-Bissau que, de resto, tem de evitar quaisquer equívocos e precipitações de modo a escaparem, respectivamente, as pressões de sinal anglófono e francófono, os problemas são idênticos.

“Poderão estes países dar-se ao luxo de reciclar professores e de inutilizar milhões de livros e de materiais didáticos, de repente tornados obsoletos para populações cuja alfabetização e cujo domínio da escrita e da leitura são bastantes mais frágeis do que entre nos?”

Todos os países terão prazos de moratória para renovar o seu parque editorial. Os PALOP não serão excepção, e, sobretudo cabe a Portugal e ao Brasil, que tem as industrias editoriais mais desenvolvidas auxiliar nessa renovação. O processo de renovação de manuais pode alias ser usado como uma alavanca para promover campanhas de alfabetização massivas em África, aproveitando o impulso proporcionado pelo Acordo, e logo, afirmar-se como um importante mecanismo de alfabetização negando na exactidão o argumento de VGM.

Categories: Brasil, Galiza, Movimento Internacional Lusófono, Política Nacional, Portugal, Sociedade Portuguesa | Etiquetas: | 29 comentários

Andris Piebalgs: “O vento entregou os resultados mais promissores de todas as outras fontes de energia renovável até ao momento, com um total de 57 GW de capacidade total na União Europeia no final de 2007″

(http://www.ourworldfoundation.org.uk)

Segundo declarou o Comissário Europeu para a Energia, Andris Piebalgs, “o vento entregou os resultados mais promissores de todas as outras fontes de energia renovável até ao momento, com um total de 57 GW de capacidade total na União Europeia no final de 2007. De forma a garantir que esta tendência continua, precisamos de ter uma estrutura legislativa na UE segura e favorável.” Estas declarações foram proferidas na Conferência EWEC 2008 (“European Wind Energy Conference”) em Bruxelas.

Os oradores na conferência estiveram genericamente de acordo com a política europeia sobre as energias alternativas que objectiva uma percentagem de 20% de renováveis até 2020. Mas, Andrej Vizjak, o ministro da economia da Eslovénia (país que detém actualmente a presidência da UE) sublinhou que 80% de todos os subsídios europeus vão ainda para os combustíveis tradicionais (incluindo o nuclear) e apenas 20% para fontes de energia renovável. O ministro português da Economia, Manuel Pinho, também interviu para chamar a atenção para que se hoje a Europa consome 55% da energia que consome, a manter-se o actual ritmo de crescimento dos consumos, em 2030 essa percentagem ascenderá a 66%, isto aumentará a dependência da Economia europeia do petróleo, dos circuitos de transportes e de preços explosivamente crescentes. Pinho, na EWEC 2008 apresentou o modelo português como um modelo a seguir pelo conjunto da Europa: um modelo híbrido de energia hídrica e eólica, já que oferece uma forma flexível de produzir energia localmente e a preços competitivos. Este modelo misto tem a vantagem de permitir compensar com a eólica anos mais secos e de dada o ainda grande potencial hídrico a explorar em Portugal poder manter-se o crescimento da potencia instalada durante pelo menos duas décadas.

Actualmente, a energia eólica oferece 3,7% de todo o consumo energético na União Europeia. Em 2007, a potencial oriundo do setor eólico somou mais 8,5 GW, mas, em média a capacidade eólica terá que subir 9,5 GW todos os anos para que em 2020 a Europa consiga produzir 12 a 14% de toda a procura energética do continente.

Fontes:

http://www.energy-daily.com/reports/With_Ambitious_EU_Legislation_Wind_Energy_Can_Provide_Huge_Benefits_To_Europe_999.html

http://ec.europa.eu/commission_barroso/piebalgs/index_en.htm

Categories: Ciência e Tecnologia, Ecologia, Economia, Política Nacional, Portugal | Etiquetas: | Deixe um comentário

Quids S11-49: Qual é o nome destes dois actores?

Dificuldade: 2

Categories: Quids S11 | 12 comentários

Sobre a proposta de formação de “centros de excelência” na Defesa, os Exercícios Felino e a cooperação militar no seio da CPLP

Felino 2006
(Forças Especiais brasilerias no Exércicio “Felino 2006” realizado no Brasil in http://www.inforel.org)

Portugal vai propôr aos restantes países membros da CPLP durante o próximo mês de Maio a formação de “centros de excelência” no sector da Defesa. Esta proposta vai ser levada à mesa da CPLP pelo ministro da Defesa português, Nuno Severiano Teixeira durante a próxima cimeira de ministros da defesa da CPLP, em Maio, na capital timorense.

O projecto permitirá aprofundar os laços de cooperação militar entre os países da Comunidade e é um dos primeiros passos no sentido da consolidação da cooperação militar entre os países lusófonos. Actualmente, vários países membros estão já a trabalhar na criação de centros locais, mas Portugal e Moçambique estão mais adiantados tendo sido assinado recentemente, assinado um acordo que renova o convénio militar Portugal-Moçambique e que acrescenta explicitamente agora a formação de militares da marinha de guerra moçambicana e da guarda costeira dete país do Índico. Adicionalmente, Portugal vai também assistir Moçambique no levantamento das necessidades para instalar neste país uma rede de comunicações militares eficiente, já que a actual é muito básica. A força área, com a formação de pilotos também serão novidades introduzidas por este acordo. Mantêm-se os projectos já em curso de treinamento local de elementos da Polícia Militar, dos Fuzileiros e das Tropas Especiais moçambicana que decorrem já há anos, com elevado grau de sucesso.

A instalação de centros de formação (“centros de excelência”) em cada país da CPLP, que possa treinar unidades e militares de outros países é fundamental para aumentar o nível de entrosamento e de cooperação entre os países lusófonos, ampliando as acções isoladas de âmbito bilateral que já hoje decorrem (normalmente, em que Portugal treina militares de países dos PALOP) mas onde os restantes países da CPLP estão geralmente ausentes… Existem muitos conhecimentos adquiridos pelas forças angolanas na guerra contra a UNITA que poderiam enriquecer a eficiência de forças especiais de outros países lusófonos… Angola foi também o único país lusófono envolvido em grandes operações militares envolvendo blindados e meios aéreos (Cuito Canavale , por exemplo) e o fruto dessa experiência poderia ser disseminado pelos restantes países… O Brasil tem grande experiência em missões de paz em meios urbanos (Haiti), assim como excelentes forças de selva e pilotos… Portugal forças treinadas pela NATO e pilotos tão bons como os melhores, Moçambique experiência da Guerra Civil com a RENAMO, assim como os timorenses experiência da guerra de guerrilha contra a Indonésia e a Guiné contra a poderosa força coligada que invadiu o país. São estes conhecimentos que deveriam ser cruzados nestes “centros de excelência na área de Defesa”. Talvez protipando a “Força Lusófona” que por AQUI temos vindo a defender…

A proposta vai de encontro aquilo que o actual Director-Geral do Secretariado Executivo da CPLP, Hélder Vaz exprimiu na conferência “Portugal e a CPLP. O espaço de cooperação lusófono”, no Instituto de Estudos Superiores Militares, em Lisboa onde declarou que “a cooperação no sector da Defesa pode servir de inspiração à cooperação noutros sectores.” e recordou que foi esse tipo de cooperação que contribuiu para a resolução dos conflitos na Guiné-Bissau, em Timor e São Tomé e Princípe. Hélder Vaz apoio também aque a iniciativa do MD português para criar os “centros de excelência”.

O Director-Geral da CPLP aludiu ainda aos Exercícios Militares conjuntos “Felino” que desde 2000 têm agrupados forças oriundas dos diversos países da lusofonia e aludiu especificamente aquela nossa proposta que originou a supracitada petição: “os exercícios Felino, iniciados no ano 2000 têm-se revelado importantes exercícios de treino de actuação conjunta de forças dos 8 países, abrindo caminho para a criação de unidades integradas que poderão a seu tempo ser utilizadas nas operações de paz sob a égide das Nações Unidas ou na realização de acções de carácter humanitário em casos de calamidades naturais,” Poderia porventura ser mais clara a expressão de uma convergência com as propostas do MIL?

Os próximos exercícios militares lusófonos “Felino” terão lugar em Portugal, em Setembro de 2008 e suceder-se-ão aos últimos, que ocorreram em São Tomé e Príncipe, em 2007, com forças de todos os países da CPLP, com excepção de Timor e da Guiné-Bissau. O objectivo destes exercícios e aperfeiçoar a eficiência da respista de um Estado-maior conjunto no comando de uma força mista composta pelos vários países da CPLP e entrosando unidades dos três ramos. As missões objectivadas são de ordem humanitária e de manutenção de paz e poderão corresponder a missões concretas dos países da CPLP ou realizadas no quadro da ONU. Em 2007, o ministro são tomense da Defesa e Ordem Interna, Óscar Sousa, afirmou a necessidade imperativa do estabelecimento de uma “articulação política entre as Forças Armadas da CPLP como forma de se combater a criminalidade organizada”, numa alusão indirecta, mas clara à situação que se vive hoje na Guiné-Bissau, tornada na plataforma giratória do tráfico de droga na África Ocidental e ponto de partida para a Europa dessa perniciosa actividade criminosa. Na altura, Óscar Sousa acrescentou ainda que “a defesa e a segurança constituem hoje elementos indispensáveis ao desenvolvimento dos Estados e estão no topo das atenção ao nível mundial“, o que só indica que existe uma vontade política e uma visão comum entre os vários países da CPLP para a criação de uma “força lusófona da manutenção de paz” que poderia estar já hoje activa ajudando as forças de defesa de Timor-Leste a capturar os insurrectos de Gastão Salsinha ou a ajudar as paralisadas forças militares e policiais da Guiné-Bissau a combater o narco-tráfico.

A este respeito, recordo que lançamos a petição “Por uma Força Lusófona de Manutenção de Paz” que ainda pode assinar e que já reune mais de 530 subscritores oriundos de todos os países da CPLP.

Fontes:
Público
Correio da Manhã
CPLP

Nota: Este tema também já foi abordado no Aurora, por AQUI.

Categories: DefenseNewsPt, Movimento Internacional Lusófono, Política Internacional, Política Nacional | Etiquetas: | 17 comentários

Vai ser lançado o segundo satélite da rede europeia de posicionamento global, o GIOVE-B

Com o lançamento do satélite GIOVE-B por um lançador russo Soyuz-Fregat a 27 de Abril. Este será o segundo lançamento russo para a rede europeia de posicionamento global Galileo, tendo o primeiro ocorrido em Dezembro de 2005 com o demonstrador tecnológico GIOVE-A que continua, aliás, em pleno funcionamento. O GIOVE-B será ainda um demonstrador, mas incluirá novas tecnologias que não estavam presentes no GIOVE-A, como um novo relógio atómico de alta precisão e um novo sistemas de transmissão de sinais de navegação de tripla-banda. Outros instrumentos instalados no satélite permitirão medir os níveis de radiação e o ambiente que rodeia o satélite.

O GIOVE-B possui também a capacidade para emitir sinais compatíveis com a rede americana de GPS e assim, cumpre com os resultados de um acordo recentemente assinado entre a União Europeia e os Estados Unidos a este respeito.

Este lançamento tem um atraso de um ano em relação ao prazo inicial e o último de testes sendo colocados em órbita a partir daqui os primeiros satélites dos trinta que irão compor a rede Galileo.

Fonte:

http://www.arianespace.com/site/news/news_sub_featurestory_index.html

Categories: Ciência e Tecnologia, SpaceNewsPt | Etiquetas: | Deixe um comentário

Quids S11-48: Que navio é este?

Dificuldade:3

Categories: DefenseNewsPt, Quids S11 | 44 comentários

Manuela Ferreira Leite: o “Sebastião de Saias” do PSD

(We Have Kaos in the Garden)

FIlipe Menezes lá acabou por mudar de opinião quanto a ser líder do PSD. Nada de espantar, num homem que mudava tantas vezes de opinião sobre tantas outras coisas…

Manuela Ferreira Leite aparece agora como um “Sebastião de Saias” para salvar o seu partido da extinção. Mas um Sebastião cheio de fraquezas… O seu mandato como ministra das finanças foi desastroso: como resposta a um défice galopante vendeu património e cortou nos post-its… Da sua passagem pelo ministério da Educação também não há mais memória do que algumas manifestações de professores…

Se Ferreira Leite é o melhor líder que se pôde arranjar, então esse partido autofágico que é hoje o PSD (em crise por incapacidade de satisfação das suas redes clientelares e pelo desemprego dos seus boys) arrisca-se a sofrer mais uma derrota humilhante em 2009 e o sistema bipartidário que nos rege a… acinzentar-se ainda mais numa espécie de “socratismo” que não é nem social-democracia, nem socialismo, mas apenas uma espécie de tecnocratismo sistémico sem definição política e gerador de abstenções massivas.

Categories: CurtasLinhas, Política Nacional, Portugal | 18 comentários

Sobre a vendas das fragatas “João Belo” ao Uruguai e do estado da Marinha Portuguesa


(Cerimónia de transferência das fragatas da classe João Belo)

Portugal entregou a 8 de Abril, na Base Naval do Alfeite, à marinha do Uruguai as 2 fragatas João Belo que vendeu a este país sul-americano por 13 milhões de euros. O valor da venda foi considerado por muitos como um mau negócio para Portugal, uma vez que a própria Lei da Programação Militar avaliava os dois navios em cerca de 30 milhões de euros. Isso mesmo foi aliás admito implicitamente pelo secretário de Estado da Defesa, João Mira Gomes quanso declarou que” Nós entendemos isto não apenas como uma venda, mas também como um projecto de cooperação bilateral porque poderá haver uma colaboração entre a Marinha Portuguesa e a Marinha do Uruguai.” E há também uma certa polémica quanto aos sonares que equipam os navios… Os sonares não são equipamento original destas fragatas e foram instalados na década de 90 no âmbito de um programa de modernização que devia garantir a sua operacionalidade mínima em padrões NATO durante pelo menos mais dez anos. Inicialmente, havia informações segundo as quais, os sonares seriam retirados e transferidos para as últimas três fragatas da Marinha, mas parece que afinal nada foi removido dos navios e assim, estes serão entregues com os ditos à marinha uruguaia. Uma boa razão está em que as Vasco da Gama já estariam equipadas com os mesmos sonares de médio alcance AN/SQS 510, o que retira fundamento a esta polémica… É claro que poderiam ser instalados nas duas “novas” (usadas) fragatas Karel Doorman que têm radares diferentes DSBV 61 e PHS-36, sendo o último equivalente ao SQS 510 e provavelmente inferior… mas o custo da transferência, remoção e instalação seria proibitivo, razão pela qual o processo foi abortado. De qualquer forma, o Uruguai acaba na posse de duas fragatas com os melhores sonares da América do Sul com o seu alcance de 27 mn. Assim, a notícia da RTP, com fonte do minisério da Defesa, que dá como certa “a retirada dos sonares foi acordada entre as partes durante o processo negocial” e que esse equipamento ou parte dele será utilizado nas fragatas (Meko) Vasco da Gama.” não se confirma. As restantes modernizações (realizadas entre 1987 e 1989) estão assim também elas todas presentes nos navio, tais como os novos lançadores de torpedos (semelhantes aos das “Vasco da Gama”), novos sistemas de defesa contra ataques por torpedos e novos equipamentos de guerra electrónica.

Estas fragatas foram compradas por Portugal à França, na década de 60 como uma alternativa às fragatas inglesas Leander que Portugal queria comprar, mas por motivos políticos teve que desistir da compra. Estas fragatas da classe “Comandant Riviére” não eram “fragatas” convencionais, mas “avisos” concebidos para missões de afirmação de soberania no ultramar francês. Não precisavam assim de ser navios especialmente sofisticados, para enfrentamentos contra marinhas de primeiro nível ou contra a marinha soviética, mas deviam ser capazes de operar a longas distâncias, com autonomia e poder bélico mínimo. Por esta razão, as fragatas não estavam equipadas com mísseis… O que haveria de levar aos planos de remoção das torres de canhão da popa para substituição de lançadores de mísseis Harpoon ou Exocet, posteriormente abandonados por causa do seu custo. As duas peças de 100 mm, com um alcance de 17 Km, revelaram-se decisivas nas campanhas de África para apoiar vários desembarques e são uma mais valia significativa, mesmo hoje, e não podem ser desprezadas nesse tipo de missões…

As fragatas “Comandante João Belo” e “Comandante Sacadura Cabral“, serão rebaptizadas, respectivamente de ROU01 “Uruguay” e ROU02 “Cte. Pedro Campbel” e partem já a 25 de Abril para a África do Sul de forma a participarem aqui, já sob a bandeira uruguaia nas manoras navais “Atlasul”, com navios argentinos, brasileiros e sul-africanos. O Uruguai já opera navios desta classe, comprados à França quando esta descontinuou esta classe, mas sem estarem tão modernizadas como as portuguesas. As “João Belo”, não deverão contudo operar nesta marinha por muito tempo… Há planos para as substituir em 2012-2014 pelas mais modernas fragatas alemãs Bremen construídas na década de 80 (e não em finais de 50, como as “João Belo”).

É certo que as duas João Belo remanescentes (as outras duas já foram desactivadas à mais tempo) eram hoje navios incapazes de se defenderem sozinhos e que só podiam ser integrados numa força naval maior, mas tinham sistemas electrónicos, de torpedos e um sonar ao nível dos melhores que equipam a NATO… A sua saída, deixa a marinha portuguesa com apenas três fragatas Meko, modernas, muito competentes, mas escassas para a nossa costa e zona económica e, sobretudo, para que Portugal possa ombrear lado a lado com os seus parceiros da NATO e em missões de Paz como aquelas que ocupam muitas forças portuguesas por esse mundo fora e este esvaziamento da capacidade operacional da Marinha não é temporário, mas para ficar. A própria Lei da Programação Militar admite que estas fragatas serão substituídas por 2 fragatas holandesas, relativamente modernas, mas insuficientes para as nossas necessidades (faltariam pelos menos mais duas fragatas ou a modernização urgente das corvetas “Baptista de Andrade”). A Lei apresenta como plano:

“a) Na Marinha:

i) Modernização de meia-vida das fragatas da classe «Vasco da Gama»;

ii) Continuação do programa de substituição das fragatas da classe «João Belo»;

iii) Substituição do NRP «Bérrio» por outro reabastecedor de esquadra;”

O que implica que tão cedo não haverá nem mais fragatas nem a substituição dessas vetustas corvetas… Nem para o tão preciso NAVPOL

Quanto aos submarinos U-209PN/U214 “Tridente”, que custaram mil milhões de euros serão entregues em 2010 e 2011, uma verba que devia ter sido gasta em fragatas ou corvetas modernas, já que não se antevê que sejam meios capazes de cumprir nenhuma das missões que acima listámos e que desde muito cedo nos afirmamos como opositores a esta compra.

Fontes:

RTP

http://www.areamilitar.net/DIRECTORIO/nav.aspx?nn=2
http://militaryzone.home.sapo.pt/VG-file.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Classe_Vasco_da_Gama http://www.marinha.pt/Marinha/PT/Menu/DescobrirMarinha/MeiosOperacionais/Superficie/Fragatas/VascodaGama/VG.htm http://www.naval-technology.com/projects/karel/ http://www.gdcanada.com/content/detail.cfm?acronym=ANSQS_510&CFID=14611690&CFTOKEN=26247678 http://www.globalsecurity.org/military/world/europe/riviere.htm
http://www.areamilitar.net/noticias/noticias.aspx?NrNot=458
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=328373

Categories: DefenseNewsPt, Defesa Nacional, Portugal | 4 comentários

Quids S11-46: Que moeda é esta?

Dificuldade: 3

Categories: História, Quids S11 | 13 comentários

O SNA e o C-290 teriam sido cancelados pelo governo brasileiro?


(O projecto C-390 da Embraer in http://www.defesanet.com.br)


(Modelo do SNA (Submarino Nuclear de Ataque) brasileiro in http://www.mar.mil.br)

Segundo uma notícia do jornal “Correio Braziliense”, o governo Lula da Silva teria terá cancelado o projecto de construção de um submarino nuclear de ataque assim como todos os demais planos de modernização da já algo vetusta frota. Igualmente cancelado (ou “congelado”, não está ainda bem claro) teria sido o projecto para financiar a construção por parte da Embraer de um cargueiro táctico com até 20 toneladas. Aparentemente, o corte resultou de uma “insuficiência de recursos alocados para cobrir os custos e assegurar a conclusão dos projetos“.

A notícia é estranha, porque não confere com a garantia dada recentemente pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim de que “não haveria cortes nas Forças Armadas”, garantia que deu em entrevista à revista “Tecnologia e Defesa” e que, mais tarde, na “Gazeta Mercantil” viria a reafirmar, sublinhando até um reforço na dotação orçamental: “Para criarmos uma estratégia nacional precisamos ter um setor de insumos para as forças armadas que seja autônomo e independente de outros segmentos internacionais. Para isto, crescemos o orçamento das Forças Armadas de R$ 6 bilhões para R$ 9 bilhões, com a possibilidade de a execução orçamentária chegar a R$ 10 bilhões”.

O C-390 pode contudo, ainda vir a salvar-se se este corte se confirmar… É que embora o projecto tivesse nascido de um pedido expresso da FAB à Embraer, esta está a conseguir cativar o interesse de parceiros internacionais e isto poderá significar que o C-390 avançará mesmo sem o apoio financeiro do governo brasileiro….

E se os recursos são insuficientes, mas foram provisionados no orçamento, então isso significa que estão a ser desviados para outros projectos mais prioritários? Para o FX-2 ou para a sua mais recente encarnação, o acordo (ou “pré-acordo”) Rússia-Índia-Brasil a propósito do desenvolvimento de um caça de 5ª geração, a partir do projecto russo PAK-FA? Ou para a sobrevivência do FX-2 (Rafale ou Su-35) conjuntamente com o ingresso no pesado e dispendioso projecto PAK-FA? A última tese tem pelo menos a plausibilidade de ser algo inesperado, enquanto que o FX-2 é um projecto já relativamente avançado que vem do ano passado…

Está notícia terá credibilidade? Tem já alguns dias e não encontrei em mais nenhuma fonte eco destas informações…

Categories: Brasil, DefenseNewsPt | Etiquetas: , | 49 comentários

Sobre o aumento da carga fiscal, do “milagre” da redução do déficite e… Small is Beautiful

(http://www.southplainfieldnj.com)

“A carga fiscal portuguesa subiu, durante o ano passado, a um ritmo mais elevado do que o esperado pelo próprio Governo, contribuindo de forma decisiva para a descida do défice público até aos 2,6 por cento do Produto Interno Bruto.”

De acordo com os números das contas públicas divulgados na quarta-feira pelo INE, a carga fiscal da economia portuguesa (calculada como a soma dos impostos e contribuições sociais efectivas cobradas pela Administração Pública em percentagem do PIB) atingiu um novo máximo de 36,5% em 2007, uma subida de 0,8 pontos em relação ao ano anterior. Em Dezembro do ano passado, quando apresentou o Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC), o Governo estava a apontar para uma subida deste indicador de apenas 0,5 pontos percentuais.

Visto de outro modo, a subida da receita fiscal e das contribuições sociais foi de 7,5% por cento face ao ano anterior. Um valor que fica acima dos 6,3% que eram previstos pelo Executivo quando no passado mês de Outubro apresentou a sua proposta de Orçamento para 2008.

Este acréscimo não antecipado das receitas do Estado – explicado pelos ganhos de eficiência da Administração Fiscal e da Segurança Social – foi o factor decisivo para que o défice público ficasse, não nos 3 por centro que nessa altura o Executivo esperava, mas sim em 2,6 por cento. O valor mais baixo das últimas três décadas.”

(…)

“A tendência de subida do nível de subida da carga fiscal em Portugal não é de agora. Verifica-se, quase ininterruptamente, desde os anos 70, quando não ultrapassava os 25%. Ainda assim, agora, permanece abaixo dos 39,6% registados no total da União Europeia”.

Sérgio Aníbal

Público, 28 de Março de 2008

Este artigo de Sérgio Aníbal exprime aquilo que por aqui já várias vezes afirmei: ainda que não se deva retirar mérito ao presente governo por ter feito algo para reverter o descontrolo das contas públicas, o certo é que este controlo se deve essencialmente a um aumento da receita, pela via fiscal. A despesa do Estado não é mais virtuosa, nem mais eficiente. Isto é, o balanço entre os recursos gastos e o retorno dos mesmos não é maior agora do que era nos Governos anteriores, bem pelo contrário, já que houve uma generalizada redução da cobertura social do Estado com o encerramento de Escolas, Centros de Saúde, SAPs, Urgências, Maternidades e da redução da cobertura em caso de doença ou desemprego. Em consequência, houve nestes sectores uma redução da Despesa, mas esta foi compensada pelo aumento dos custos da máquina burocrática, já que o valor da Despesa global aumentou, não reduzindo, como se poderia depreender!

E os ganhos de Receitas registados devem-se a um aumento claro e inequívoco da carga fiscal… Aumentar o peso do Estado, sem aumentar a sua eficiência não pode produzir resultados positivos a longo prazo. No curto, podem cumprir-se os ditamos de Bruxelas, mas a longo, a máquina fiscal há de tornar-se autofágica e devorar o país que supostamente devia alimentar. E como poderá aumentar a eficácia desta Despesa? Descentralizando… aproximando das populações os investimentos, os projectos, as decisões, afastando o mais possível das torres de cristal do poder a decisão e devolvendo às entidades que mais próximas estão dos cidadãos. Quanto menor fôr o grau do Investimento e da Despesa, mais fácil será impedir e controlar desvios. A isso chama-se “Small is Beautiful”, um dos princípios basilares do tipo de política económica que defendemos.

Categories: E. F. Schumacher Society, Economia, Política Nacional, Sociedade Portuguesa | Deixe um comentário

Quids S11-45: Que modelo de nave espacial é este?

Dificuldade: 1

Categories: Quids S11, SpaceNewsPt | 14 comentários

Site no WordPress.com.

Eleitores de Portugal (Associação Cívica)

Associação dedicada à divulgação e promoção da participação eleitoral e política dos cidadãos

Vizinhos em Lisboa

A Vizinhos em Lisboa tem em vista a representação e defesa dos interesses dos moradores residentes nas áreas, freguesias, bairros do concelho de Lisboa nas áreas de planeamento, urbanismo, valorização do património edificado, mobilidade, equipamentos, bem-estar, educação, defesa do património, ambiente e qualidade de vida.

Vizinhos do Areeiro

Núcleo do Areeiro da associação Vizinhos em Lisboa: Movimento de Vizinhos de causas locais e cidadania activa

Vizinhos do Bairro de São Miguel

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos

TRAVÃO ao Alojamento Local

O Alojamento Local, o Uniplaces e a Gentrificação de Lisboa e Porto estão a destruir as cidades

Não aos Serviços de Valor Acrescentado nas Facturas de Comunicações !

Movimento informal de cidadãos contra os abusos dos SVA em facturas de operadores de comunicações

Vizinhos de Alvalade

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos de Alvalade

anExplica

aprender e aprendendo

Subscrição Pública

Plataforma independente de participação cívica

Rede Vida

Just another WordPress.com weblog

Vizinhos do Areeiro

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos do Areeiro

MDP: Movimento pela Democratização dos Partidos Políticos

Movimento apartidário e transpartidário de reforma da democracia interna nos partidos políticos portugueses

Operadores Marítimo-Turísticos de Cascais

Actividade dos Operadores Marítimo Turísticos de Cascais

MaisLisboa

Núcleo MaisDemocracia.org na Área Metropolitana de Lisboa

THE UNIVERSAL LANGUAGE UNITES AND CREATES EQUALITY

A new world with universal laws to own and to govern all with a universal language, a common civilsation and e-democratic culture.

looking beyond borders

foreign policy and global economy

O Futuro é a Liberdade

Discussões sobre Software Livre e Sociedade