Hillary Clinton e Barack Obama estão juntos na crítica ao comércio livre e à NAFTA

NAFTA
(http://www.infoescola.com)

(…) “Hillary Clinton e Barack Obama juntos na crítica ao comércio livre. Ambos criticam o NAFTA (North American Free Trade Agreement) que tinha sido calorosamente apoiado pelo Presidente Clinton. E ambos defendem que todos os acordos de troca livre têm de ser revistos pelo próximo Presidente americano. Em suma, ambos parecem concorrer ao título de maior opositor do comércio livre.”

“Na Europa, também parecem crescer as vozes favoráveis ao proteccionismo. o comissário europeu Peter Mandelson tem estado debaixo de fogo devido à sua defesa do comércio livre, em particular devido à sua oposição à imposição de tarifas europeias sobre as importações da China.”

(…) “a troca livre é em regra favorável a ambas as partes. Aos países pobres, obviamente, permite-lhes começar a sair da pobreza, aos países ricos, proporciona aos consumidores acesso a bens mais baratos, elevando o nível de vida geral. É certo que ameaça sectores nacionais onde esses bens são produzidos a custos mais elevados. Mas isso, em contrapartida, liberta recursos que se encaminharão para sectores mais competitivos, gerando no final um acréscimo líquido de postos de trabalho (em regra mais qualificados e mais bem remunerados).

A experiência inglesa e escandinava recomenda mais qualificação profissional e apoio efectivo aos que perdem o emprego, assim como incentivos aos geradores de novos empregos.”

João Carlos Espada; Expresso, 1 de Março de 2008

Após a década em que maior riqueza no mundo se criou (a década de noventa) o mundo parece agora começar a arrepiar caminho e o Ocidente está a reflectir as fragilidades de um sistema económico assente no crescimento exponencial dos padrões e das quantidades de consumo, a troca da transferência massiça e generalizada do sector produtivo para o Oriente. Esta desindustrialização – muito mais intensa nalguns Estados americanos do que em qualquer país ou região europeia – começam a criar uma camada cada vez mais numerosa de cidadãos eleitores descontentes com o presente estado das coisas e que se encontra ou numa situação de desemprego crónico ou numa situação de subemprego ou com novos empregos de remuneração muito inferior à anterior. É que se as estatísticas continuam a dar números impressionantes de criação de Emprego nos EUA, já não espelham tão bem quanto desse novo emprego corresponde a uma remuneração inferior à anterior e, sobretudo, quanto desse novo Emprego não em qualquer Seguro de Saúde… E nos EUA há hoje já mais de 48 milhões de pessoas sem qualquer cobertura de saúde!

Como saberão aqueles que frequentam habitualmente estas paragens, sou um acérrimo defensor das virtudes das Economias Locais e no livre empreendedorismo. Isto é, defendo a empresa privada, mas de pequena e média escala e de âmbito principalmente local e regional. Assim, acredito que a maioria dos bens consumidos numa dada região deve provir precisamente dessa região e daquelas que lhe são imediatamente adjacentes. A esta rede económica local deve ainda corresponder uma rede global, mais ampla e extensa, que inclua todos os países do mundo ou de uma dada região geográfica (a Europa) ou cultural (o mundo lusófono), ou seja, não advogo um isolacionismo económico ou regional, mas o estabelecimento de uma rede de complementaridades onde o essencial da produção é fornecido localmente e a parte acessória e sucedânea coberta pela rede regional (União Europeia ou União Lusófona), cabendo apenas à escala regional a satisfação das necessidades urgentes (crises ambientes ou naturais) ou pontuais (determinados tipos de equipamentos tecnológicos muito raros ou muito específicos).

Estas declarações coincidentes dos dois candidatos democratas indicam que a direcção para onde os ventos sopram na política económica mainstream nos EUA está a mudar… e que as mudanças de política económica a implementar pelo candidato ganhador (provavelmente um destes democratas) serão no sentido de contracorrente às pressões liberalizantes e globalizantes impostas pelos poderosos advogados do “Pensamento Único”, mais nacionais e menos globais… E que este será o tom dominante na reacção à crise de grandes proporções que se prepara para abater sobre a economia dos EUA e que afectará rapidamente – em efeito de bola de neve – aqueles que mais exportam para os EUA (Europa e China) e que trarará uma resposta reactiva de reforço do proteccionismos e das medidas para defesa e incentivo das
economias locais um pouco por todo o mundo.

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Categories: E. F. Schumacher Society, Economia, Movimento Internacional Lusófono, Política Internacional | 10 comentários

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10 thoughts on “Hillary Clinton e Barack Obama estão juntos na crítica ao comércio livre e à NAFTA

  1. Já é um sinal de mudança. É importante que o futuro líder dos EUA tenha um pensamento contra a lógica do sistema actual.

  2. Isso parece certo. Até McCain está a anoz-luz em coerência e inteligência de Bush. E entre Clinton e Obama… talvez escolhesse Clinton… Mas Obama tem um discurso fantásticamente polarizador…

    Agora-se compare-se estes 3 candidatos com os nossos Meneses, Sócrates, Louçãs, Portas, etc, etc…

    O sistema americano tem muitas falhas (veja-se as últimas eleições e e força dos lobbies e das corporações), mas foi capaz de gerar estes 3 candidatos e parece tão capaz de se auto-regenerar com o império romano do século III, quando todos já o davam como defunto e apareceram esses fantásticos imperadores que foram os Antoninos…

    A História repete-se?

  3. concordo. Os EUA é um país que se regenera com maior velocidade. e vê-se pelo debate interno que existe, e as criticas internas. não é por acaso que surgem filmes com grande impacto sobre o Vietname e agora sobre o Iraque. Aqui em Portugal nem se conta a história da Guerra Colonial. Só agora ao fim de 30 anos é que surge um trabalho sério de Joaquim Furtado. Mas ainda falta muita coisa!!!

    sim a qualidade dos principais dirigentes é … deprimente. mas nós como povo não conseguimos reagir contra esta mediocridade

  4. E essa dinâmica vem directamente do facto de ser um dos países mais descentralizados do mundo, inclusivé ao nível municipal… Um exemplo de dinâmica e auto-regeneração que a “velha Europa” e este “portugal decadente” bem que podiam aprender…

    e temos os dirigentes que merecemos. Sempre.
    Veja-se a abstenção de 60% em Lisboa e a votação incrível que o inepto e talvez corrupto Carmona obteve!

  5. Clavis: bem citado o texto do espada que é duma estupidez e duma desonestidade tremenda…

    Quanto ao duo dinâmico Clinton/Obama talvez fosse melhor não criar expectativas tão altas, por duas razões.
    A)Penso que Mccain vai ganhar;
    B )acaso não ganhe nenhum dos dois irá implementar de facto essa política, porque o prefiram, mas sim porque estarão, de certa forma economicamente, condicionados a terem que o fazer e sempre a contra gosto.

    Parece-me soundbyte eleitoral, mais do que outra coisa…

  6. As linhas do “comércio livre” estão a quebrar-se DissidenteX… Até já o “liberal” Sarkozy defende agora uma audaz e ferenha defesa dos “interesses franceses” (e bem)!…
    McCain… Talvez… Ele tem um programa consistente de política externa, é inteligente e muito respeitado em todos os lados… E não fugiu à guerra como o palonço do Bush.
    Começam a haver muitas pressões para que Clinton abdique a favor de Obama… penso que já se sentem os “ventos da vitória” para o lado de Obama e este está também a começar a apresentar propostas concretas, coisa que lhe faltava até agora.

    Soundbyte… não sei… a Globalização e a sua ímplicita aberta radical de fronteiras está finalmente a perder terreno, a favor de um regressado-dos-mortos proteccionismo económico, e esse é o caminho para onde aponta a crise nos EUA… Por isso, quem ganhar terá que aplicar uma forma qualquer desse proteccionismo e assim, devolver força e influência às economias regionais…

  7. “”As linhas do “comércio livre” estão a quebrar-se DissidenteX… Até já o “liberal” Sarkozy defende agora uma audaz e ferrenha defesa dos “interesses franceses” (e bem)!…””

    Concordo e exactamente…

    “”Soundbyte… não sei… a Globalização e a sua ímplicita aberta radical de fronteiras está finalmente a perder terreno, “”

    Eles já são proteccionistas em algumas partes da economia americana e desde 1984. Existiu uma lei criada nessa altura a impor não entrada de estrangeiros em certas áreas, especialmente as militares.

    A conversa do”comércio livre” não passou de um mito e de um embuste…

    Quanto a Obama/clinton, concordo: penso que Obama será mais “capaz ” de bater Mccain do que Clinton.

    Mas no final Mccain irá ganhar.
    Mesmo não sendo da minha área política, digamos assim,Maccain é solido apesar de tudo…

    Sarkozy não “é liberal”… apenas disse na campanha eleitoral aquilo que muita gente queria ouvir…

    E volto a repetir: ainda bem que este post foi feito.
    Este tipo de posts é muito importante por muitas razões.

  8. E a China e a Índia têm também muitos sectores económicos onde sempre mantiveram um feroz proteccionismo… experimente-se comprar terrenos num destes dois países, por exemplo!
    E o comércio livre, até que pode funcionar, mas não quando há dumping massivo e nestes casos, há-o! Laboral, ecológico e resultante de um regime opressor e ditatorial (no caso chinês)

    Mc Cain, se ganhar, não ficarei preocupado… como fiquei quando o Bush ganhou, mais todos os lobbies que governam de facto por detrás dele…

  9. M4Jor

    Sim, comércio livre nunca existiu, e o proteccionismo existiu desde sempre. Tenho sérias dúvidas que alguma vez exisitrá, penso ser mais uma demagogia igual a outros ideiais, feliz ou infelizmente..

  10. Ela era “livre” onde mais interessava… veja-se p.ex. os subsidios à exportação de bens agrícolas que o governo dos EUA sempre manteve… à custa das agriculturas dos países do 3º mundo que forçaram (via OMC) a abrir…

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