Das supostas vantagens para o Estado do dito “Negócio do Casino de Lisboa”


(http://i2.photobucket.com)

“Talvez porque, entre outra razões, as receitas geradas possibilitem significativos financiamentos em áreas carenciadas. No caso Governo britânico, o recurso às contrapartidas do jogo tem sido crucial no financiamento público do património e das artes. Na construção do Casino Lisboa, da responsabilidade da Estoril-Sol (lei 15/2003) 17 milhões na aquisição à Parque Expo, 70 milhões em obras de reconversão, 30 milhões na abertura e mais 50% das receitas brutas a entregar ao Estado e à autarquia lisboeta, para projectos concretos nas áreas da cultura e turismo, a operação parece constituir um bom negócio para o Estado.”
Maria Manuel B. Pinto Barbosa; Expresso, 01 de Março de 2008

Parece, não? Só que não é!… Essas contrapartidas vindas dos Casinos não são donativos que estas empresas generosamente concedam às Artes ou à conservação do Património, mas o fruto de impostos cobrados sobre uma das actividades “económicas” mais rentável de que há memória: o Jogo! E recordemo-nos também de algo que parece ter escapado a esta colunista talvez porque nunca tenha tido o desprazer de visitar uma tal estrutura: é que a maioria das pessoas que frequente os Casinos em Portugal não são cheques de Oman ou do Qatar, nem agentes secretos em missão, mas avós e avôs e empregados de escritório que aqui deixam parcelas muito significativas dos seus escassos rendimentos, prejudicando e delapidando tantas vezes as suas famílias e outras necessidades mais importantes em troca de uma vã e sempre ilusória miragem de enriquecimento ou “sorte” que fatalmente não lhe cabe ou não fossem estes jogos chamados de… Jogos de Azar.

Esse é que é o busílis da questão: Estas receitas são o resultado das perdas de pessoas comuns e frequentemente de baixos rendimentos, não são o produto de qualquer actividade comercial, agrícola ou industrial que produza algures um Serviço, um Bem ou alguma riqueza sistemática e palpável, mas sim o resultado da captação de rendimentos – e com elevados lucros, ou não se fariam tão altos investimentos – de pessoas de camadas sociais e económicas mais desfavorecidas!

E caramba… Se a Autarquia e o Estado precisam de financiamentos para a preservação do património e das Artes, não é precisamente para financiar esses interesses públicos e comuns que já estamos a pagar os nossos (pesados) impostos?

Categories: Economia, Portugal, Sociedade Portuguesa | Etiquetas: | 4 comentários

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4 thoughts on “Das supostas vantagens para o Estado do dito “Negócio do Casino de Lisboa”

  1. Estive um tempo parado para refrescar as ideias, mas conto agora voltar ao activo com um pouco mais de regularidade. Por isso deixo um obrigado a todos os que me presentearam com visitas ao blog e comentários de apoio nestes meses de ausência, tu incluído.

    Cumprimentos do Odysseus.

  2. M4Jor

    Ir a um Casino, sóbrio, é completamente degradante; Refiro-me claro à zona dos jogos. Muita gente completamente viciada, triste, desfocadas da realidade etc etc..
    A evitar…

  3. Eu já lá fui uma vez ou duas, sempre atrás de congressos da Microsoft… e fiquei muito impressionado com aquelas turbas de reformados que esperam pela abertura das máquinas para acorrerem a elas e aí torrarem as suas reformas.
    É o dinheiro desta gente que depois o Casino entrega (em parte…) ao Estado, e nestes artigos sobre este tema este importante aspecto da coisa tem passado quase desapercebido.

  4. M4Jor

    Apenas poderei dizer q concordo em absoluto com o tema, e q este é um ponto muito sensivel ao nível da pobreza, do alcóol e das drogas duras.

    Partilho só uma imagem que nunca mais me saiu da cabeça: quando trocamos s notas em moedas, elas são-nos ( são nos ou nos são) dadas em pacotinhos; Havia um ” viciado” que com uma só mão partia o pacote, colocava as moedas em fila na mão e jogava-as com uma pontaria impressionante para a slot machine e nem uma caia…Uma coisa que só vista! Sei q passar esta imagem em palavras é dificil, mas apenas acrescento que foi aí q pensei: jamais poderei ser viciado no jogo, jamais major!!!!

    Sem falar em fortunas perdidas etc etc..

    Portanto a taxação deveria ser mais elevada, a obrigação para a arte deveria tb ela ser mais elevada e ainda um fundo de maneira a tentar ajudar pessoas ( que são inúmeras, mais do q pensamos) que cairam nesta desgraça e q n t~em neste momento alguém qque lhes dê dois estabefes.

    É de facto um tema muito interessante e muito sensível.

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