Daily Archives: 2008/02/21

Da queda dos EUA e da ascensão da China no mundo…

“O pico histórico do seu poder geopolítico situou-se no final da 2ª Guerra Mundial. No entanto, o que se tem degradado mais não é do domínio económico, nem militar. O pecado mora no campo da legitimidade da actuação da superpotência na última década, diz o académico de Harvard, Joseph Nye, que vai publicar um livro em que aconselha a América a ser mais “inteligente” na estratégia de poder.

(…)

“No campo do poder económico, o produto interno bruto (medido em paridades de poder de compra – ppc, para permitir uma comparação realista) dos EUA está próximo do da União Europeia (a 27 membros), é o dobro da China e mais do triplo do da Índia. Na área militar, a diferença é ainda mais acentuada: as despesas militares (avaliadas, também em ppc) são quase o triplo das da EU e das da China, quase 5 vezes as da Índia e mais de 6 vezes as da Rússia. No entanto, alguns analistas alegam que a economia americana sofre de uma fragilidade perigosa. A nódoa no pano económico é a dependência crítica dos EUA em relação aos seus “fornecedores” anuais de liquidez financeira. Os fundos nacionais dos países exportadores de petróleo e os bancos centrais asiáticos dominam 22% dos activos estrangeiros em dólares americanos”

(…)

“é a debilidade do “soft power” americano, uma doença que se agravou com a Administração Bush: “Esse poder declinou muito acentuadamente na última década. O primeiro tropeção foi a nova doutrina americana de legitimação do uso pela superpotência de guerras “pré-entivas” (de que o caso do Iraque em 2003 foi uma primeira aplicação).” (…) O segundo erro foi o abandono da inovação em “bens públicos globais”, em iniciativas internacionais um terreno onde a UE tem liderado, e onde a Administração americana é hoje olhada como um opositor militante.”

(…) “O rácio entre as despesas militares e o investimento em diplomacia pública é da ordem das 500 vezes.”

Jorge Nascimento Rodrigues

Expresso 15 de Dezembro de 2007

 

Este interessante texto dá uma boa medida (através da expressão da comparação do PPC) do quanto o nível de vida da média europeia (não confundir com o “europeu”) se encontra perto do dos EUA e estes, longínquos dos da China e da Índia. Olhando para o PPC, os números brutos e cegos do PIB e do PIB per capita perdem relevo e tornam-se mais concretos e realistas. Militarmente, o nível de despesas dos EUA é ainda esmagador, sustentando a única verdadeira máquina capaz de projectar forças significativas e em vantagem decisiva até qualquer ponto do mundo. O seu prestígio (um factor determinante em qualquer conflito) tem sido erodido pela estagnação e desgaste sofridos no Iraque, uma situação que contudo se está lentamente a inverter, merçê da estratégia inteligente, mas porventura tardia do general Petraeus. Mas aqui se vê, o quanto longe está ainda a China de poder rivalizar com o poder militar dos EUA no mundo… Embora as suas despesas militares tenham aumentado extraordinariamente nos últimos anos e decorra uma política generalizada de modernização nas suas forças armadas, importantes sectores destas dependem ainda de tecnologia obsoleta (ver AQUI) e ainda que esteja a captar (comprando) tecnologia de ponta russa e ocidental (civil), as suas armas continuam a ser massivamente obsoletas – apesar de um grande esforço na modernização da sua Força Aérea – e ainda não existe uma verdadeira “classe média” e, sobretudo, não existe ainda uma consciencialização crítica e uma cultura democrática num regime tão centralista e autoritário como ainda é o chinês. Estas limitações tornam a China num gigante com pés de barro e sujeito aos ditames autocráticos de uma reduzida oligarquia não-democrática que não estando sujeitada ao escrutínimo popular pode cometer erros tremendos e não sofrer correcções nos mesmos. A própria política de Desenvolvimento da China é extremamente frágil… Assenta em padrões de crescimento contínuo das exportações e estas – num mundo que em 2008 se crê que vá atravessar uma das maiores recessões dos últimos 60 anos (Georges Soros) dificilmente poderá continuar a absorver tais volumes de exportações… De facto, será pela mesma via que garantiu a continuidade do regime, que este poderá ceder: é que no contrato silencioso que o partido comunista chinês assinou com a sua população: “enriqueçam e deixem-nos governar”, se a primeira cláusula fracassar… Porque deixarão os chineses continuar um governo que não elegem e que os rege de forma tão autocrática?

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Categories: China, Economia, Política Internacional | 22 comentários

Quids S11-5: Como se chama esta modelo?

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Dificuldade: 3

Categories: Quids S11 | 8 comentários

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