Daily Archives: 2008/02/15

“Pátria”: Ontem, Hoje e… Amanhã

“Pátria”: O Ontem

A palavra “Pátria” radica na palavra latina “patris“. E esta, por sua vez, radica na combinação das palavras gregas patris + otes (“pertencente à terra do pai”). Ou seja, o termo em nome do qual se verteu tanto sangue na Europa e em tantas outras partes de nosso tão turbulento mundo, faz assentar as suas raízes mais profundas na civilização matricial e fundadora do próprio Ocidente: a Grécia, civilização que muito paradoxalmente não conheceu senão na modernidade o reconhecimento da sua existência una, nacional e a formação de uma Pátria única e uniforme, já que os gregos que moldaram o termo viviam em intensa divisão entre cidades-estado… Nunca passaria pela cabeça de um tebano sentir-se da mesma pátria que um ateniense, ou vice-versa. Mesmo quando Filipe da Macedónia uniu sob a força da espada as diversas cidades gregas fê-lo apenas porque era… macedónio e comandava os excelentes hoplitas deste povo, ou seja, fê-lo não porque fosse de encontro a um determinado sentimento de união ou comunhão dos “gregos”, mas apenas porque tinha às suas ordens as mais eficiências forças armadas da época…

“Pátria” significa assim, tão somente, a “terra dos pais”, isto é, o local geográfico e fisicamente delimitado onde os nossos antepassados viveram e sobre o qual deixaremos também a nossa descendência. É pois um termo que remete simultâneamente para o Passado, para a Genética e para a Geografia tópica, oposta da Geografia U-Tópica de Thomas More. A Pátria é assim sempre um lugar concreto e terreal e logo essencialmente não utópico e é por essa razão que a palavra “paisagem” tem a mesma raiz latina que “Pátria”. Poderão assim haver utopias fundadas em conceitos de “Pátrias”? Não nos parece que tal possa suceder… Estas utopias patrióticas podem apenas existir mantendo em si mesmas contradições insanáveis e neuróticas que descarrilam facilmente em extremismos para-religiosos como aqueles que teve o seu apogeu na Europa da Segunda Grande Guerra e no Japão do “Bushido“. As Utopias não podem nunca materializar-se em “Pátrias” ou Estados, porque quando o tentam fazer, criam em si mesmas os germens da sua auto-destruição pela via de uma esquizofrenia colectiva que descamba rapidamente naqueles citados excessos. À força de se pretenderem criar “Estados” ou “Pátrias” perfeitas, com e para Homens imperfeitos, acabam por criar monstros perigosos, destrutivos e quase sempre (felizmente) auto-fágicos.

A noção de “Pátria” e de pertença a uma “Pátria” é assim constitutiva do próprio ser humano e essencial à formação da sua personalidade individual. A ligação mental que o individuo estabelece com aquela que designa como Pátria lança um laço geralmente exclusivista e ciumento que perante o reconhecimento de partilhas, parcerias e comunhões de interesses com outros seres humanos força à erupção do “Outro”, tido então como o membro de uma outra Pátria, quase sempre antagónica… São estes sentimentos imanentes de antagonismo visceral que são frequentemente usados pelos Governos em períodos de Crise para congregarem em torno de si o apoio da população a regimes discutíveis, por vezes lançando países inteiros em guerras perdidas à partida, como sucedeu em 1982 na Guerra das Malvinas que opôs a Argentina ao Reino Unido, lançada pela ditadura dos generais quando sentiam que estavam a perder o apoio popular e decidiram unir em torno de si os argentinos, numa guerra e causa populares contra o “império britânico”. A Guerra acabou por ser perdida e em consequência, a ditadura militar foi derrubada, dando enfim, razão aqueles que cedo reconheceram que tendo a ditadura militar investido tanto do sentimento patriótico argentino numa guerra, perdendo-a, só poderiam com essa derrota perder a própria face e precipitar assim o estabelecimento da Democracia na Argentina. Como acabou fatalmente por suceder, aliás.

Na verdade, “Pátria” é um conceito algo ligado ao termo tão usado por Agostinho da Silva e assente directamente num das mais basilares esteios da portugalidade e, nela, do Culto do Espírito Santo trazido para Portugal com Dom Dinis: “Confraria”. Como “Pátria”, a Confraria agrega indivíduos unidos por uma mesma causa, praticada num mesmo local e unidos por determinados valores práticos, por uma história comum e onde os seus pares assumem o papel de irmãos (“fraria“). Se na Pátria, todos somos “filhos do mesmo Pai”, mítico como Rómulo e Remo – pais fundadores de Roma – na “Confraria”, todos somos irmãos do mesmo Pai Criador ou dentro da mesma causa. Assim, uma Pátria não seria mais do que uma forma entendida e mais alargada de Confraria e uma Confraria… Uma pequena Pátria contida no seio de uma Confraria maior. E os núcleos de pessoas unidas por causas comuns, não passariam de pequenos “Estados” dentro de “Estados” ou “Pátrias” dentro de uma grande “Confraria” designada sumamente por… “Pátria”.

A implícita delimitação territorial do termo “Pátria” esteve na origem de várias guerras ao longo da História… Desde a “Guerra do Chaco“, na América do Sul, até às teses expansionistas do “Espaço Vital” alemão (Lebensrau) forjado em 1897 por Friedrich Ratzel no contexto temporal dos mesmos pensamentos esotéricos que dariam origem aquilo que seria mais tarde o “Partido Nacional Socialista Alemão dos Trabalhadores“. Este espaço territorial, originalmente julgado como “cedido pelos deuses aos nossos antepassados” implicava também a existência de uma comunidade humana estável e uma ocupação contínua do solo, oposta ao nomadismo das civilizações pré-neolíticas e por isso mesmo é que a ideia de Pátria, nasce também com a ideia de “Cidade” e do conceito de “urbanismo” e… durante a revolução agrícola que possibilitou a existência destes primeiros aglomerados urbanos. E se o único terreno fértil para que se pudesse desenvolver a ideia de “Pátria” era a cidade, razão primária pela qual as primeiras cidades do mundo, em Mohenjo Daro e na Suméria, foram precisamente “Cidades-Estado” (conceito muito Agostiniano, aliás) estas comunidades urbanas, com as suas noções implícitas de “Outro” e de contraposição com as demais “Cidades-Estado” estiveram também na origem das primeiras guerras de grande escala da História (as campanhas de Sargão I, na Suméria). Assim se estabelece não somente a ligação genética entre Cidade e Pátria… Mas também entre Pátria e Guerra. Ou seja, só pode haver Guerra porque há Pátrias, e sem esta última, não há condições para que assistamos ao surgimento da primeira. Na Suméria, a “Pátria” ainda não estava ligada indissoluvelmente a ideia de “língua”, com Roma essa ligação instalou-se definitivamente, já que “bárbaros” eram todos aqueles que de etnias muitos diversas, o eram simplesmente não porque fossem persas ou cónios, visigodos ou marcomanos, mas porque em comum tinham o facto de… não falar Latim. Este conceito foi ressuscitado mais tarde, por esses imitadores que foram os teóricos do nazismo ao procurarem estender a “Pátria Alemã” por toda as parcelas da Europa onde se falasse alemão, anexando via Anschluss a Áustria e, pouco depois os Sudetas checo-eslovacos e criando assim as bases para o conflito de 1938-1945.

No Portugal medieval, Martim de Albuquerque encontra a primeira utilização do termo em Portugal logo na auto-intitulação de Afonso Henriques como “portugalensium patrie princeps” e, tendo depois o nosso primeiro rei consolidado o uso corrente do termo em 1158 com a utilização da fórmula: “portugalensium patrie rex“. Ou seja… Em Portugal, o conceito de “Pátria” nasce com a identificação de alguém com o estatuto político de “Rei”, e sem este não cabia a noção de “Pátria”.

Pátria: O Hoje

“Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta.Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não discriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação, da violência ao roubo,donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro. Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País.A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas. Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes,vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar.
Guerra Junqueiro, “Pátria”, 1896.

Estas duras palavras de Guerra Junqueiro surgem num contexto histórico muito preciso, sendo o livro “Pátria” (de onde este extracto foi recolhido) escrito no mesmo ano em que Guerra Junqueiro deixava Portugal e o partia para Paris, ou seja, foram escritas apenas seis anos depois do Ultimato de 1890 onde este texto, juntamente com um outro de António José de Almeida serviram para criar as bases do descontentamento que haveria de provocar mais tarde a erupção do regime republicano em Portugal, em 5 de Outubro de 1910. É devido a este contexto que estas palavras deixam transpirar uma intensa desilusão pelo próprio povo português – incapaz em 1890 de derrubar um regime monárquico que cedera tão humilhantemente perante Inglaterra – e de cujo estado anímico Junqueiro e outros Republicanos de então responsabilizaram a Igreja católica. É com este estado de servilitude anímica da portugalidade de então que Guerra Junqueiro se indigna, reconhecendo neste povo uma incapacidade para a “rebelião” que o irrita… E de facto, em Portugal, a História não registou muitas “revoltas populares”, sendo a última verdadeira revolta popular sido registada em… 1383-1385! Após esta, todas as “revoluções” foram de origem aristocrática (como a Restauração de 1640) ou militar (como a Revolução Liberal de 1820 ou a de 1975) encontraram raízes em descontentamentos por parte de grupos castrenses (guarnição do Porto em 1820, os oficiais milicianos em 1975) ou numa multidão de interesses difusos e particulares durante os numerosos “reviralhos” do século XIX. Nuns e noutros, embora o “Povo” (entendido aqui como a saída espontânea de grandes massas populares para a rua) ocorresse sempre em momentos já avançados da “revolta” e quando a sorte das armas já estava praticamente decidida. Em momento algum, após 1383-1385, vemos em Portugal o tipo de “Revolução de Veludo” que na Checoslováquia depôs o regime comunista em 1989 ou a “Revolução Laranja” ucraniana de 2004 ou o Sérvio em 2000. Algo na força anímica portuguesa parece ter sido quebrado após 1385, e quebrado de uma forma muito radical, já que até a energia para “escoicear” parece ter-se evaporado…

Guerra Junqueiro acusava a Igreja Católica por esta castração da “alma portuguesa” e provavelmente tinha razão na medida em que os danos provocados pela Inquisição e pelo Santo Ofício desde 1385, mais concretamente desde a sua introdução em Portugal pela mão de Dom João III em 1536 tinha afectado a capacidade criativa de cada português… desde então todo o pensamento original, revolucionário, livre, radical e plenamente criativo ficava automaticamente sob suspeita de heresia… E todos os empreendedores empresariais eram rotulados de “judeus” ou “cristão-novos” e forçados a emigrar, eles, mais a sua capacidade empreendedora e o seu Capital… Os danos profundos provocados por este êxodo de “proto-capitalistas” e esta ameaça damocliana sobre todos os inventores e livres-pensadores foram acentuados em vagas sucessivas, onde o “capitalismo régio” dos monarcas portugueses e o regime paternalista do “Estado Novo“, com os seus longos 41 anos de vigência não foram isentos de culpas…

Pátria: O Amanhã (ou ePátria…)

Se a Pátria é:

“pátria | s. f.
fem. sing. de pátrio
pátria
do Lat. patria
s. f.,
país em que nascemos;
terra da naturalidade;
nação.

mãe- -: metrópole;
– -celeste: o Céu.”
(http://www.priberam.pt/dlpo/dlpo.aspx)

A “terra em que nascemos”, a nossa “nação” estará a mudar neste contexto de generalização do acesso à Internet, da expansão e desenvolvimento daquilo a que nos meios informáticos se designa de “Web 2.0“? A “Web 2.0” é por oposição à anterior e ultrapassada “Web 1.0” é o local cibernético onde o utilizador, o navegador destes novos Mares do Século XXI já não tem a atitude passiva de “leitor” e espectador expectante da anterior versão da Rede. Na “Web 2.0” espera-se interacção, partilha e comunhão de informação e saberes. Na “Web 2.0” o utilizador não é um mero alvo da informação produzida, nela, o cibernauta é um participador, e até, um criador de conteúdos. Suprema forma de democratização não só do acesso à Informação, mas também da democratização da própria produção de informação, a nova Rede abre novas perspectivas, virtualiza o mundo (por vezes literalmente, como no “Second Life” e no “World of Warcraft“). Ora essa comunhão de ideias, opiniões e debates não é a forma fundadora de uma Cultura nacional? O território é aqui virtual, é certo, e logo descontínuo e ainda que não seja o local do nosso nascimento real, concreto e material, é um território electrónico, “real” na medida em que existe nas mentes dos seus utilizadores, tanto quanto o território físico que atravessam os cabos de rede e as ondas de rádio onde vive a Internet. É nesta forma de Realidade que nascem os “Avatares“, as personalidades virtuais ou cibernéticas que cada um enforma na Pátria Virtual a que adere, um nascimento que ocorre de uma forma muito idêntica ao próprio processo de identificação do “Eu” com a ePátria, ou “Pátria Virtual”.

Os pilares essenciais desta nova visão do mundo, verdadeiros Jachim e Boaz, prefigurados aqui como um novo Templo de Salomão, são os Blogs e as Comunidades Virtuais… Os primeiros são a presença mais frequente dos cibernautas na Internet desta “Web 2.0”, como o nosso conhecido “Nova Águia“. Os segundos são pontos de união, locais de debate e troca de ideias como a “Países de Língua Portuguesa” ou a “Portugalidades“. Jan Fernback e Brad Thompson em “Virtual Communities: Abort, Retry, Failure?” (1998) esclareceram que uma comunidade virtual nasce no seio de uma fronteira virtual… De um laço que une e atrai um conjunto de “avatares” para o mesmo foco gravitacional virtual, incentivando os seus contactos sociais e servindo não somente como ponto de assentamento de ligações sociais electrónicas e virtuais, mas também como ponto de partida para relacionamentos mais “duros” e concretos que assentam sobre estas… Neste caso, estas eComunidades tornam-se de constructos abstractos em formas físicas e assentam arraiais na Terra, perdendomas reforçando os laços virtuais das eComunidades, as quais, reforçadas pelo quase sempre inevitável encontro físico dos seus elementos ou células reforçam assim o laço simbólico que a forma em momentos de Reunião ou de Assembleia (Jantares de Blogeiros, encontros de comunidade virtuais, etc) e reforçando assim, pela exclusão implítica de todos os que não comungam nas ditas, a própria Fronteira que cria esta espécie de “Pátria Virtual”, ou ePatria do Século XXI, estabelecendo uma extensão ciberterritorial que não conhece limites físicos e que é tão potencialmente extensa como o é a extensão da própria Rede Global com prolongamentos desde o Pólo Sul até à fronteira do Espaço, na “Estação Espacial Internacional“. Assim, a Internet, este “Espaço Virtual” é a promessa cumprida de um mundo sem fronteiras tão ao gosto dos portugueses de Quinhentos, antes de ser perderem nos Cesarismos de Maquiavel e de Dom João III e assim também um dos múltiplos terrenos onde as profecias quintanas se podem vir a cumprir…

Estes dois pilares da “Web 2.0”: Joachim (Blogues) e Boach (Comunidades Virtuais), são os focos catalizadores para a forma mais fascinante de partilha de Cultura da actualidade… Os “Wikis“, páginas de acesso partilhado onde todos os utilizadores têm a cada momento permissões para alterarem em tempo real o conteúdo dos artigos. Vigiando-se mutuamente, controlando em grupo a qualidade dos conteúdos, já sem as noções ultrapassadas de “Autoridade Escolástica” ou a figura tutela ou paternalista do Mestre de onde todo o Saber emana, mas admitindo apenas a figura do “moderador” que monitoriza a qualidade e fidelidade dos conteúdos introduzidos ou alterados, não como um “dono do Saber”, mas como um monitor e um guarda atento do Saber assim criado e partilhado de forma absolutamente gratuita, e logo, tão ao gosto dos sonhos do Professor Agostinho da Silva…

A Internet é além do mundo do futuro, o local onde passaremos cada vez mais tempo (este texto, por exemplo, está a ser directamente escrito no “Google Docs” e dispensa qualquer ferramenta de edição de texto como o Microsoft Word ou o OpenOffice). De futuro, e em grande medida até já hoje, poderemos trabalhar, fazer compras, conversar e… escrever, sempre na e para a Internet. E a Internet é o grande “reino da gratuitidade”, como afirma Jacques Attali, já que todos os “bens binários” são naturalmente… gratuitos porque eternamente reproduzíveis e logo, porque abundantes, tendencialmente gratuitos. Assim, a própria profecia da “Economia do Gratuito” feita por Agostinho se poderia concretizar não só na, como pela Internet.

A Pátria estará assim condenada a tornar-se numa ePátria? A intensificação galopante e aparentemente irreversível da Globalização económica e cultural tende a esbater cada vez mais as fronteiras territoriais dos Estados convencionais, dissipando-os em entidades supranacionais como a “União Europeia” ou a “NAFTA“, restam assim duas alternativas a estas dissoluções que se arriscam a reafirmar a corrida para o Vazio já antevista por Gilles Lipovetsky: Ou reforçamos o carácter Local da vida política e económica, humanizando aquilo que a Globalização consumista e materialista procura desumanizar ou reforçamos todas as formas virtuais de ligação e de realização pessoal que a tecnologia motriz da própria Internet nos disponibiliza, usando a nosso favor as ferramentas da “Web 2.0″…

Publicado também em:

Nova Águia

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Quids S11-1: Que filme é este?

sdaaa3.jpg

Dificuldade: 2

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A mancebaria de Portimão e… Sobre a legalização da prostituição


(Um prostíbulo medieval in http://www.sewerhistory.org)

O conde Dom Martinho, recebe do rei Dom Manuel, em 1514, novos benefícios sobre a sua Vila Nova de Portimão, nomeadamente a capacidade de recolher os proveitos da fundação de uma “mancebia pública” da qual só o Conde obtinha rendimentos… Ora na época, uma “mancebia” era nada mais nada menos do que o local onde tinham lugar as práticas de actividades ligadas à prostituição… A benfeitoria e a dita casa eram fundadas com o pretexto de que havia “a necessidade de garantir a honestidade das mulheres casadas com as quais as mancebas solteiras que ganham dinheiro por seu corpo) não devem entrar em contacto.” (Valdemar Coutinho: “O foral e o condado de Vila Nova de Portimão”)

Ou seja… Não só na nossa Idade Média (onde esta prática também era comum), como em pleno período da Expansão portuguesa vemos que as actividades ligadas à prostituição era legais, regulamentadas e,apesar de estarmos numa época em que a influência da Igreja, estávamos num patamar que as reconhecia e enquadrava. Como saberão, defendemos em vários pontos o reencontro com as tradições medievais portuguesas, como forma de recuperar este “Portugal abastardado” em que vivemos hoje em dia.

Será que devemos também regressar a uma forma de legalização da Prostituição? Sem dúvida que legalizar este fenómeno poderia melhorar a qualidade de vida destas mulheres (e homens), garantindo a sua cobertura pela Segurança Social, um patamar de dignidade mais alto e retirar alguma da degradação e decorrente sofrimento que decorre da sua actividade. Mas legalizar a prostituição nunca poderia implicar legalizar também os proxenetas e toda a demais “estrutura”” administrativa” que vive e se alimenta parasitariamente da indústria do sexo. Legalizar a prostituição, implicaria necessariamente “legalizar” bordéis, “casas de massagem” e demais locais, nomeadamente as actividades profissionais daqueles que se alimentam desses locais? Não. Não poderia implicar legalizar estas actividades parasitárias. Legalizar a prostituição iria potenciar – sem dúvida – aquele fenómeno que próprio ministro da Administração Interna classificava há dias como sendo a mais preocupante situação de segurança da actualidade. E esta conclusão não radica em especulação, mas em estudos realizados na Holanda em 1994 e 1996 que apontavam que entre 70 a 80% das mulheres que praticavam legalmente prostituição na Holanda haviam sido trazidas para este país por redes de tráfego humano. Valores idênticos foram registados na Alemanha, em 2002. Os argumentos de que a legalização pode controlar e eventualmente, fazer recuar a indústria do sexo, também não colhem fruto na realidade… Na Holanda, essa indústria representa 5% do PIB e o número de bordéis aumentou exponencialmente. Na Austrália, onde também ocorreu uma tal legalização, o número de bordéis, serviços de acompanhantes mais do que duplicou entre 1989 e 1999. Quanto à possibilidade da legalização retirar mulheres das ruas… Tal também não aconteceu em nenhum país onde ocorreu esta legalização… Bem pelo contrário.

Na verdade, e em conclusão, ainda que legalizar a prostituição – se feita dentro de estritos limites – possa vir a contribuir para a qualidade de vida e para a redução do sofrimento em que vivem as mulheres e homens que trabalham nessa “indústria”, quer pela simples saída do mundo da marginaldiade e pelo lançamento de redes sociais e sanitárias impossíveis de lançar quando operam na plena ilegalidade, na verdade, tal legalização contribui pouco para reduzir o fenómeno, bem pelo contrário, ao que atestam os exemplos holandeses, alemães e australianos pode até incentivar a actividade das máfias criminosas que traficam mulheres para o Ocidente…

Fonte principal:
Action.web.ca

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