Fernando Pessoa: As Três Doutrinas do Interregno

Fernando Pessoa
(Fernando Pessoa in http://br.geocities.com/prosapoesiaecia)

“Três Doutrinas do Interregno:
1. A Nação está divida contra si mesma
“(…) porque não temos uma ideia portuguesa, um ideal nacional, um conceito missional de nós mesmos”.
2. Portugal, hoje, é um Estado de Transição
“(…)a condição de um país em que estão suspensas as actividades superiores da Nação como conjunto e elemento histórico (…), mas não está suspensa a própria Nação como conjunto e elemento histórico (…), mas não está suspensa a própria Nação que tem de continuar a viver e, dentro dos limites que esse Estado lhe impõe, a orientar-se o melhor que pode. (..) os governantes de um País em um período destes, têm pois que limitar a sua acção ao mínimo, ao indispensável.”
3. As esferas superiores da Nação acham-se quase completamente desnacionalizadas
“Estamos hoje sem vida provincial definida, com a religião convertida em superstição e em moda, com a família em plena dissolução. (…) Ora um país em que isto se dá, e em todos sentem que se dá, um país onde (…) não pode (…) haver opinião pública em que elas se fundem ou com que se regulem, nesse paíos todos os indivíduos e todas as correntes de consenso, apela,instintivamente ou para a fraude ou para a força, pois, onde não pode haver lei, tem a fraude, que é a substituição de lei, ou a força, que é abolição dela, necessariamente que imperar.”

Fernando Pessoa, manifesto “O Interregno: Defesa e justificação da Ditadura Milityar em Portugal” (Lisboa, 1928)

Este texto pessoano, redigido em 1928 permanece estranhamente actual… Portugal está dividido. Não já mesma forma em que estava em 1928, mas entre diversos graus de apatia política e de adomercimento, enquanto aqui e ali começam a despontar alguns movimentos cívicos que deixam antever que algo de novo começa a surgir à superfície deste mar quedo e morno que é o Portugal do século XXI… Se não havia “uma ideia portuguesa” em 1928, bem menos a há hoje… Os líderes que nos têm governado desde a feliz eclosão da Democracia, em 1975, não passam de imitadores dos pensamentos que se nos derrama a Europa a partir do norte, e geralmente, são até mais imitadores, e tendo enformar Portugal e a portugalidade numa forma que não pode ser a sua, falham e deixam que o país vegeta e perda cada vez mais o seu orgulho, precisamente porque a bitola a que o tentam conformar, não é sua, nem feita para si, mas para as gentes loiras e frias do norte gélido e germânico que rege a Europa com mão económica de ferro. Portugal precisa de expelir estes corpos estranhos que tentam introduzir na sua Alma e cessar com estes “séculos de transição para coisa nenhuma” que é esta regência dos números, dos índices macroeconómicos e dos orçamentos em nome dos quais tudo e todos se sacrificam apenas para agradar aos “senhores do Norte”.

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