Daily Archives: 2008/01/27

Fernando Pessoa: As Três Doutrinas do Interregno

Fernando Pessoa
(Fernando Pessoa in http://br.geocities.com/prosapoesiaecia)

“Três Doutrinas do Interregno:
1. A Nação está divida contra si mesma
“(…) porque não temos uma ideia portuguesa, um ideal nacional, um conceito missional de nós mesmos”.
2. Portugal, hoje, é um Estado de Transição
“(…)a condição de um país em que estão suspensas as actividades superiores da Nação como conjunto e elemento histórico (…), mas não está suspensa a própria Nação como conjunto e elemento histórico (…), mas não está suspensa a própria Nação que tem de continuar a viver e, dentro dos limites que esse Estado lhe impõe, a orientar-se o melhor que pode. (..) os governantes de um País em um período destes, têm pois que limitar a sua acção ao mínimo, ao indispensável.”
3. As esferas superiores da Nação acham-se quase completamente desnacionalizadas
“Estamos hoje sem vida provincial definida, com a religião convertida em superstição e em moda, com a família em plena dissolução. (…) Ora um país em que isto se dá, e em todos sentem que se dá, um país onde (…) não pode (…) haver opinião pública em que elas se fundem ou com que se regulem, nesse paíos todos os indivíduos e todas as correntes de consenso, apela,instintivamente ou para a fraude ou para a força, pois, onde não pode haver lei, tem a fraude, que é a substituição de lei, ou a força, que é abolição dela, necessariamente que imperar.”

Fernando Pessoa, manifesto “O Interregno: Defesa e justificação da Ditadura Milityar em Portugal” (Lisboa, 1928)

Este texto pessoano, redigido em 1928 permanece estranhamente actual… Portugal está dividido. Não já mesma forma em que estava em 1928, mas entre diversos graus de apatia política e de adomercimento, enquanto aqui e ali começam a despontar alguns movimentos cívicos que deixam antever que algo de novo começa a surgir à superfície deste mar quedo e morno que é o Portugal do século XXI… Se não havia “uma ideia portuguesa” em 1928, bem menos a há hoje… Os líderes que nos têm governado desde a feliz eclosão da Democracia, em 1975, não passam de imitadores dos pensamentos que se nos derrama a Europa a partir do norte, e geralmente, são até mais imitadores, e tendo enformar Portugal e a portugalidade numa forma que não pode ser a sua, falham e deixam que o país vegeta e perda cada vez mais o seu orgulho, precisamente porque a bitola a que o tentam conformar, não é sua, nem feita para si, mas para as gentes loiras e frias do norte gélido e germânico que rege a Europa com mão económica de ferro. Portugal precisa de expelir estes corpos estranhos que tentam introduzir na sua Alma e cessar com estes “séculos de transição para coisa nenhuma” que é esta regência dos números, dos índices macroeconómicos e dos orçamentos em nome dos quais tudo e todos se sacrificam apenas para agradar aos “senhores do Norte”.

Categories: Movimento Internacional Lusófono, Portugal | Etiquetas: | Deixe um comentário

USS Liberty: Um episódio pouco conhecido da Guerra dos Seis Dias…

USS Liberty
(O USS Liberty antes do ataque israelita in http://www.eaec.org)


(O USS Liberty depois de ter sido atacado

Um dos episódios menos conhecidos da história dos conflitos israelo-árabes é o do bombardeamento do navio-espião americano “USS Liberty” por… aviões israelitas em 8 de Junho de 1967. Os oficiais norte-americanos na ponte do USS Liberty ouviram os pilotos israelitas a comunicarem várias vezes com o comando e a dizerem a este que se tratava de um navio de bandeira norte-americana e sobrevoaram o navio por doze vezes até que acabaram a metralhar o navio com os seus canhões e foguetes até quase o afundaram com o lançamento de um torpedo. Durante o ataque a este navio desarmado, que durou 75 minutos, as comunicações foram abafadas por Israel, mas a notícia acabou por chegar ao porta-aviões USS Saratoga que ordenou o lançamento de uma esquadrilha de interceptores, mas o Secretário de Estado na época, Mc Namara, teve conhecimento que se aproximava um combate aéreo entre caças da Marinha dos EUA e aviões israelitas, e ordenou o regresso dos caças, sacrificando assim o navio-espião e a sua tripulação.

Oficialmente, Israel afirmou ter confundido o navio, com um navio de bandeira egípcia, mas a bandeira americana esteve sempre visível, algo que não salvou, contudo a vida a 34 marinheiros americanos, nem impediu outros 140 de ficarem feridos, a maioria com gravidade. Depois de recolhidos no mar e enviados para hospitais militares nos EUA, os sobreviventes foram visitados, um por um, por altos oficiais da Marinha que os avisaram de que seriam presos se revelassem algo do sucedido com o USS Liberty.

Só recentemente, com a publicação de uma biografia por um dos oficiais da ponte do USS Liberty é que estes acontecimentos chegaram ao público e se expôs um dos episódios mais negros da História recente… O que faziam os americanos tão perto do conflito israelo-árabe? E, sobretudo, porque estavam a espiar Israel, o seu mais fiel aliado no Médio Oriente e a quem salvaram por diversas vezes? Bem… Todos os aliados se espiam uns aos outros… E sabe-se que o Mossad e outros serviços de informações israelitas estavam também activos nos EUA nessa época, como o estão hoje… Mas chegarem ao ponto de atacarem um navio da marinha? Terá sido um impulso de um piloto mais exaltado? Um erro humano? Fosse o que fosse, custou muitas vidas e nunca houve um esclarecimento israelita sobre as motivações deste incidente, e esse esclarecimento, volvidos que foram 60 anos já devia ter ocorrido… Isto embora Israel em 1987 tivesse acabado por admitir o erro e pago 13 milhões de dólares de indemnizações às famílias das vítimas.

Categories: DefenseNewsPt, História | 20 comentários

O Cruzador lança-mísseis russo “Moskva” vai estar até 28 de Janeiro no Cais da Rocha Conde de Óbidos !

Até amanhã, entre as 14:00 e as 17:00 podem ainda visitar o cruzador russo Moskva da Frota do Mar negro que está apenas até domingo, em Portugal. A notícia da RTP, do Diário Digital e do Correio da Manhã dizia que era a primeira vez que um navio da Marinha de Guerra russa estava em Portugal, o que não é verdade, já que em 2004 já fomos visitados por dois navios russos…

O Moskva (Project 1164 ou Classe Slava) pode ser visitado no cais da Rocha do Conde de Óbidos, em Alcântara, mas tendo em conta que só está de cada vez no navio de cada vez cerca de 50 visitantes… E que a fila chegou a ter uma três mil pessoas (mais de metade das quais russas), é melhor começarem a formar fila antes das 12:00… Como eu.

O “Moskva” é um cruzador lança-mísseis de 9,800 toneladas com uns impressionantes 186,5 metros de comprimento. Propulsado por duas turbinas a gás (!) de 90 mil cavalos, o navio consegue alcançar uns notáveis 32 nós e um raio de acção de 9 mil quilómetros, a 15 nós.

Esta é a lista do armamento embarcado:
16 xSS-N-12 Sandbox Mod SSM,
8 x 8 SA-N-6 Grumble SAM (com modo SSM) VLS (64 mísseis),
2 x SA-N-4 Gecko SR SAM (48 mísseis),
1 x 2 canhão 130 mm DP AK-130,
6 x 6 30 mm canhões gatling AK-630,
2 x 5 553 mm tubos de torpedo,
1 Ka-27 / Helix

Tudo manuseado pela impressionante tripulação de… 510 homens!

Como curiosidade, a União Soviética tinha planos para terminar um gémeo deste “Moskva”, num navio de nome “Ukraina”, mas nunca os conseguiu executar. Quando entregou parte da frota do Mar Negro à Ucrânia, o “Ukraina” ficou nesta nova nação do Mar Negro, e com os seus crónicos problemas orçamentais, nunca foi terminado. E em 2004 teria estado para vender à China (ver AQUI).

Antes de se chamar “Moskva” (Moscovo), este navio chamava-se “Slava” (o nome da Classe), até 1995. Foi lançado ao mar em 1976, o que explica algum ar “envelhecido” quando o seu equipamento é visto de perto… Com excepção do motor fora-de-borda da lancha que é um “Mercury“, Made in USA! 🙂

Os mísseis que populam o convés e que impressionam pelo tamanho e número (e guarda armada com AK-47…) são os 16 P-500 mar-mar (SS-N-12 Sandbox), concebidos para afundar porta-aviões americanos

Specifications
Builder: Nikalayev North ( 61 Kommuna )
Year: 1983
Displacement: 11,500 tons full load
Speed: 32 knots
Dimensions: 186 x 20.8 x 9.3 meters / 610.2 x 68.2 x 30.5 feet
Propulsion: COGOG: 2 M70 cruise gas turbines, 20,000 shp, plus 2 exhaust gas boilers, 2 cruise steam turbines; 4 M8KF boost gas turbines, 4 shafts, 110,000 shp,
Crew: 454 + 51 flag
Radar: MR-800 Voshkod/Top Pair 3-D long range air search
MR-700 Fregat/Top Steer 3-D air search
Sonar: MG-332 Tigan-2T/Bull Nose hull mounted LF
Platina/Horse Tail MF VDS
Systems: Volna/Top Dome SA-N-6 SAM control
MPZ-301 Baza/Pop Group SA-N-4 SAM control
Argument/Front Door-C SSM control
Missiles: 16 x P-500 / SS-N-12 Bazalt / Sandbox SSM
8 x B-303A VLS systems (64 S-300MPU / SA-N-6 Fort / Grumble SAM)
2 x Osa-MA SAM systems (40 4K-33 / SA-N-4 Gecko SAM)
Guns: 1 – Twin 130 mm. / 70 cal. AK 130. DP
6 – AK-630 CIWS. Gatling Guns
2 – 45 mm. / 85 cal Gun
Aviation: Aft helicopter deck and hangar for 1 Ka-25/26/27 series helicopter
Ect. armament: 2 – Quin 533 mm Launchers. Reloads
2 – RBU 6000 Rocket Mortar launchers

Dados obtidos em http://flot.sevastopol.info/eng/ship/cruisers/slava.htm

E agora… Umas fotografias tiradas no local!

26-01-08_1630.jpg

As duas turbinas a gás.

26-01-08_1631.jpg

A fila de SS-N-12 Sandbox… Os tais mísseis “anti-portaaviões americanos”.

26-01-08_1632.jpg

26-01-08_1636.jpg

O único canhão duplo do “Moskva”, o AK 130 DP.

26-01-08_1637.jpg26-01-08_1639.jpg26-01-08_1640.jpg26-01-08_1641.jpg26-01-08_1642.jpg26-01-08_1643.jpg

O fusileiro russo armado com  uma AKS e com auriculares que vigia a fila…26-01-08_1644.jpg

O canhão de salva e o hangar do helicóptero de guia de tiro Kamov 25/26/27.

26-01-08_1725.jpg26-01-08_1738.jpg26-01-08_1744.jpg

Segundo oficial que conduziu a visita seriam estes os contentores dos mísseis S-304, mas de facto, os 64S-300MPU… Os melhores mísseis anti-aéreos da actualidade. Simplesmente.

26-01-08_1745.jpg

26-01-08_1746.jpg

26-01-08_1747.jpg26-01-08_1751.jpg26-01-08_1752.jpg26-01-08_1753.jpg26-01-08_1754.jpg26-01-08_1755.jpg

Categories: DefenseNewsPt, Defesa Nacional, Portugal | 17 comentários

Site no WordPress.com.

Eleitores de Portugal (Associação Cívica)

Associação dedicada à divulgação e promoção da participação eleitoral e política dos cidadãos

Vizinhos em Lisboa

A Vizinhos em Lisboa tem em vista a representação e defesa dos interesses dos moradores residentes nas áreas, freguesias, bairros do concelho de Lisboa nas áreas de planeamento, urbanismo, valorização do património edificado, mobilidade, equipamentos, bem-estar, educação, defesa do património, ambiente e qualidade de vida.

Vizinhos do Areeiro

Núcleo do Areeiro da associação Vizinhos em Lisboa: Movimento de Vizinhos de causas locais e cidadania activa

Vizinhos do Bairro de São Miguel

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos

TRAVÃO ao Alojamento Local

O Alojamento Local, o Uniplaces e a Gentrificação de Lisboa e Porto estão a destruir as cidades

Não aos Serviços de Valor Acrescentado nas Facturas de Comunicações !

Movimento informal de cidadãos contra os abusos dos SVA em facturas de operadores de comunicações

Vizinhos de Alvalade

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos de Alvalade

anExplica

aprender e aprendendo

Subscrição Pública

Plataforma independente de participação cívica

Rede Vida

Just another WordPress.com weblog

Vizinhos do Areeiro

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos do Areeiro

MDP: Movimento pela Democratização dos Partidos Políticos

Movimento apartidário e transpartidário de reforma da democracia interna nos partidos políticos portugueses

Operadores Marítimo-Turísticos de Cascais

Actividade dos Operadores Marítimo Turísticos de Cascais

MaisLisboa

Núcleo MaisDemocracia.org na Área Metropolitana de Lisboa

THE UNIVERSAL LANGUAGE UNITES AND CREATES EQUALITY

A new world with universal laws to own and to govern all with a universal language, a common civilsation and e-democratic culture.

looking beyond borders

foreign policy and global economy

O Futuro é a Liberdade

Discussões sobre Software Livre e Sociedade