Sobre os resultados do exercício EUA-Índia “Cope India 04” e da vantagem dos Sukhoi Su-30 sobre os F-15 e F-16 da USAF


(Um F-15 da USAF voando ao lado de um Mirage 2000 indiano sobre os Himalaias durante o exercício Cope India ’04 in http://www.af.mil)

Depois de um alerta a esta questão feita pelo nosso comentador “Nito”, andei a ver o que se tinha passado no exercício “Cope India ’04“, um exercício militar realizado no Oceano Índico, em 2004 e que envolveram aviões de combate F-15 e F-16 da USAF e aviões da força aérea indiana: Su-30MKs, Mirage 2000, MiG-29 e até MiG-21, estes últimos em plena fase de substituição… Talvez por Rafale ou MiG-39. O que é interessante é que os pilotos indianos venceram perto de 90% das missões de combate simuladas, sendo os resultados mais brilhantes registados com os Su-30 MKI, voando a baixas velocidades, para iludirem os radars Doppler dos F-15s e graças aos radares russos Vympel R-73. De facto, até os MiG-21 e MiG-23 da IAF conseguiram abater caças F-15, mas é certo que se tratam de aparelhos que receberam actualizações recentes os seus radares. Como sempre, os próprios mísseis foram mais importantes no desfecho destes encontros… E sabe-se que a Índia usou mísseis R-77, R-73 e R-27. De facto, os resultados foram tão preocupantes para a USAF que já provocou alguma celeuma no senado americano (ver AQUI) e um pedido para que o número de caças F-22 a adquirir pela USAF fosse aumentado de 183, para os 381 que a USAF tinha pedido. Na verdade, a obsolescência dos meios actuais da USAF parece ser ainda mais grave e abrangente, já que existem outros relatos de que os F-15E foram batidos também pelos Eurofighter Typhoon da RAF britânica em 19 de Fevereiro de 2004 quando dois destes aparelhos da EADS treinaram com dois F-15E da 48 TFW (uma das mais experientes unidades da USAF) e conseguiram inverter posições e apontar os seus mísseis a um dos F-15 (ver AQUI). O exercício “Northern Edge 2006” revelou de uma forma esmagadora a desvantagem dos F-15 e F-16 contra os aparelhos de última geração, aqui representados pelo mais sofisticado (e caro) aparelho de 5ª geração da actualidade: o F-22 Raptor foram completamente cilindrados por este… Combatendo simultaneamente contra 40 alvos (F-15s e F-16s) o F-22 abateu “simuladamente” cada um deles.

A aparente vitória esmagadora dos aviões russos sobre o outrora imbatível F-15 não surpreendou Mikhail Simonov, desenhador-chefe da Sukhoi que afirmou à agência noticiosa RIA Novosti que eram previsíveis já que o Su-27 e o seu sucessor natural, o Su-30MKI destes Exercícios tinham sido desenvolvidos na década de oitenta precisamente como uma resposta ao F-15. Aliás, Simonov admitiu ainda mais: na época os desenhadores soviéticos receberam instruções para criar um aparelho com especificações superiores às do F-15, daí a presença superioridade do Su-30 sobre o F-15 Eagle.

A vantagem dos aparelhos Sukhoi sobre os seus equivalentes ocidentais começou a ser evidente em 1992 quando uma esquadrilha de Su-27 comandada pelo Major-General Alexander Kharchevsky visitaram a base aérea de Langley e onde teve lugar um combate simulado entre dois grupos de aparelhos e trocando de aparelhos. Questionados na época sobre qual seria o melhor avião, os pilotos americanos disseram que “eram ambos bons e com características semelhantes”, mas na verdade, quando interrogaram técnicos e pessoal de apoio da base recolheram um grupo quase unânime de relatos sobre a superioridade do aparelho russo… O que confere com a descrição de que nesses combates simulados os Sukhoi conseguiam colocar-se facilmente na cauda dos F-15 e nenhum sucesso idêntico para estes. Poucos anos depois, em Outubro de 1995, um exercício conjunto russo e sul africano haveria de confirmar a superioridade destes aparelhos também sobre aqueles que na época era dos melhores aviões europeus, ao demonstrar como os Flankers pilotados pelos russos conseguiram bater os Mirage F.1AZ e os Cheetah sul-africanos de todas as vezes (excepto numa única ocasião). Existem também relatos de que este confronto nos céus da África do Sul envolveram também Mirage 2000, mas tal não corresponde à verdade.

“We started off on the first day with mixed formations doing fingertip flying, which was really cool. Next was some BFM, ACM, and Tactical intercepts. Then came the BVR Air Combat Tactics with us flying in mixed LFE formations with Su-30s, Mig 29s, Mig-27s, Mig-21 Bisons, and Mirage 2000s. The last phase was HVAA (High Value Asset) OCA and DCA. We did get into close combat with every jet they had and it was awesome… Their Sus and Migs really have a lot of power and it was impressive to see how they handled in BFM. The SU-30 was soooo easy to spot those because it makes the F-15 look like a Viper. One thing to note on the BFM strategies was that their pilots would do maneuvers that we had not really thought of before…I am not saying that we didn’t know how to react to it, I just mean that when we saw them do a certain maneuver we would think “wow, I never thought of doing that before”….so it was good learning on both sides.” declaração do piloto A. Arshad, da USAF que participou nas manobras

Por outro lado, embora os aviões da IAF tenham vencido 90% de todos os combates simulados, parece que estes enfrentamentos eram feitos oponto números diferentes de adversários. Segundo fontes americanas, 4 F-15s enfrentavam frequentemente de cada vez 12 aviões indianos, o que é um padrão comum nos treinos da USAF, mas nestes, os aviões dispõem de radares AESA e nestes exercícios o seu uso foi restringido… E, sobretudo, os F-15 foram impedidos de usar os seus mísseis de longo alcance AIM-120. Vinod Patney, um oficial reformado da IAF admitiu a propósito destes exercícios “O Sukhoi é… um avião melhor que o F-16”, “mas não podemos falar apenas de um único avião. Temos que falar de toda a infraestrutura, dos sistemas de comando e controlo, dos radares em terra e no ar, nas equipas técnicas no solo, e como maximizar toda essa estrutura.” Ou seja… admitiu implicitamente, que ainda que os Su-30MKI fossem capazes de bater claramente os F-15 e os F-16, isso não bastaria para vencer um conflito, já que a decisão do mesmo depende de toda uma estrutura densa e muito pesada que poucos países do mundo conseguem alinhar e onde, os EUA, continuam ainda a dominar… Mas a vantagem registada nos céus do Iraque e sobre a Sérvia pode ter já desaparecido e a menos que os F-35 Lightning II e os F-22 Raptor começem a entrar em serviço rápidamente em grandes números e que as recentes reduções nos seus números de fabrico não sejam anuladas… o desfecho da próxima guerra aérea pode não ser aquele a que os EUA têm estado habituados…

Fontes:
Wikipedia
Pakistani Defence Forum
Patriot News

Categories: DefenseNewsPt | 4 comentários

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4 thoughts on “Sobre os resultados do exercício EUA-Índia “Cope India 04” e da vantagem dos Sukhoi Su-30 sobre os F-15 e F-16 da USAF

  1. Nito

    “wow, I never thought of doing that before”
    De facto o problema de voar em simuladores contra a “máquina” dá nisto…

  2. Bem, eles treinam muito (mais horas que qualquer outra FA do mundo) em combates reais, alguns até contra aviões russos… (MiG-29 alemães, p.ex.) aparentemente, o problema é que treinam contra pilotos seus ou da OTAN; e é isso que têm que mudar… De qualquer modo, repara que é um problema actual, isto é, o desfasamento é contra os F-15 e F-16 e a superioridade confortável que a USAF está habituada a usufruir deverá reestabelecer-se com a entrada em funcionamento de mais F-22 e dos F-35. A questão é que esta está a demorar muito e os seus números… não parecem suficientes.

  3. cravo

    Uma observação: Nesse exercício os Su-30MKI não tomaram parte, apenas os Su-30K. É preciso notar que os 30MKI são incomparavelmente mais sofisticados que os 30K, têm tudo o que tinham os primeiros prototipos Su-35 e Su-37 e mais ainda. Os americanos alinharam com os F-15C mais avançados que existem, os poucos equipados com radar AESA. Mas nestes exercícios ninguém usa todos os trunfos. Nem os americanos usaram todos os modos do radar, e muito menos os indianos, que guardaram a “bomba atomica” MKI muito provavelmente para não exporem os segredos e as capacidades do radar e o elo de dados que os equipam.
    Na minha opinião estes exercícios internacionais não revelam grande coisa por causa de todas as restrições em que são envolvidos.

  4. Não sabia. Penso que li algures que tinham usado os MKI. E de facto, no Google essa informação abunda… Mas ok, isso ainda aumenta mais a vantagem potencial dos aparelhos russos e das nações que os utilizam… Algo que o Brasil devia ponderar no contexto do FX-2, diga-se…

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