Os caças AMX da Força Aérea Brasileira e Italiana

AMX A-1
(Caça AMX A-1 da FAB in http://www.ibge.gov.br)

O AMX surgiu da necessidade OTAN de encontrar um caça ligeiro de apoio táctico, capaz de operar em segunda linha, no cenário europeu em apoio a aviões mais pesados como o Panavia Tornado ou o F-16. Daqui nasceu a proposta inicial do consórcio italiano Alenia e Aermacchi. Na época, estas empresas trabalhavam já naquilo que viria a ser o Typhoon, mas estes requisitos eram tão diferentes que o projecto continuou e antecipando a existência de um mercado na América Latina, as empresas italianas contactaram o Brasil, para onde a Aermacchi já estabelecera antes relações muito frutuosas que haveriam de levar ao “Xavante” (Aermacchi MB-326 construído no Brasil pela Embraer na década de 70).

Em 1982, a Embraer entrava no consórcio italiano com uma participação de 29,7% (a Alenia tinha 46.5% e a Aermacchi, 23,8%). Contudo, logo desde o início houve dificuldades em conciliar as necessidades das duas forças aéreas… Enquanto a Itália queria um avião leve, de curto raio de acção e maior carga útil, o Brasil pretendia um aparelho de longo raio de acção, necessário para cobrir o extenso território brasileiro… Da conciliação das duas tendências, nasceria um avião de ataque ao solo, com alguma capacidade de defesa aérea que iria tomar o lugar dos envelhecidos Xavantes brasileiros e dos Fiat G-91 (que a FAP portuguesa também usou extensivamente em África e no Continente) italianos. Até aos dias de hoje…


(Video do AMX A-1 da FAB)

O primeiro protótipo voou em 15 de Maio de 1984, mas acabaria por se destruir no solo, 15 dias mais tarde, tendo o seu piloto falecido dias depois em consequência dos ferimentos provocados por uma ejecção efectuada a muito baixa altitude. Resolvidos estes problemas iniciais, as entregas começaram em 1988, com a entrega do primeiro aparelho à Força Aérea Italiana e, no ano seguinte, à Força Aérea Brasileira. A versão biplace, de treino começou a ser entregue em 1990. Foi nesta época que se tornaram patentes os problemas na concepção deste aparelho… Pensado para poder ser exportado, o aparelho encontrou neste campo um reduzido sucesso. Em primeiro lugar, problemas com o motor erodiram muito do prestígio comercial que o AMX poderia ter tido (o uso do AMX esteve interdito entre 1992 e 1996) e, sobretudo, o facto de ser um aparelho caro para a época (entre 18 e 20 milhões de dólares por unidade), assim como facto de a maioria das forças aéreas optarem por aviões de treino com capacidade para ataques ao solo, como o bem sucedido Hawk britânico acabaram por impedir o sucesso comercial do AMX que conseguiu apenas exportar 12 aparelhos para a Venezuela de Hugo Chavez, mas que nunca foram entregues, por causa de pressões dos EUA…

Actualmente a Embraer no Basil e a Alenia em Itália estão a actualizar os AMX remanescentes nestes países. Os primeiros aparelhos italianos (num total de 53 unidades) receberão uma nova aviónica, um sistema INS/GPS, um IFF e um novo sistema de navegação, assim como a capacidade para usarem munições JDAM (os AMX italianos foram usados com sucesso nos Balcãs em 1996), os AMX brasileiros receberão écrans digitais multifunções, um écran compatível com óculos de visão nocturna e um novo sistema de navegação e comunicação concebido pela empresa israelita Elbit. Uns e outros deverão manter-se activos e cumprindo as suas missões durante pelo menos mais 20 anos… Ou seja… Ainda vão acompanhar o vencedor do concurso FX-2 por alguns anos…
Fontes:
http://www.militarypower.com.br/frame4-armas13.htm
http://www.areamilitar.net/DIRECTORIO/AER.aspx?nn=11&p=15
http://sistemadearmas.sites.uol.com.br/amx/amx01intro.html
http://www.revistafatorbrasil.com.br/ver_noticia.php?not=18208

Categories: Brasil, DefenseNewsPt | 18 comentários

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18 thoughts on “Os caças AMX da Força Aérea Brasileira e Italiana

  1. Fred

    Pena que os estudos sobre a viabilidade de se substituir o motor do AMX, o RR Spey mk 807 pelo EJ-200 sem Pós-combustão ou pelo GE F-404 não foram para frente.

  2. pelo custo, presumo… e sim é pena… O AMX poderia cumprir muito bem as suas missões ao lado do FX-2 durante ainda mais anos…

  3. Nesse site todas as informações referentes.

    http://freepages.military.rootsweb.com/~otranto/fab/amx.htm

    Saudações

  4. E nós não precisávamos de novos aviões de intercepção?
    Os nossos F-16 não andam a cair?
    Haverá peças para todos?
    Estarão actualizados ou desactualizados?
    Não era tempo de o estado português remodelar a força aérea portuguesa?
    Que fazer face à remodelação russa?
    Nada…
    A Europa passou ao lado da remodelação e está extremamente dependente dos EUA para a sua defesa!
    Portugal em termos europeus falhou na política europeia de defesa!
    Não vamos mais longe as forças aéreas de Marrocos e da Argélia, países do 3º terceiro mundo estão mais bem equipadas que a portuguesa.
    Não serão os Mig 29 ou os Shukoi mais baratos e eficazes que os F-16?
    Estes devem estar alguns 10 anos ou mais desactualizados.
    E que dizer da aquisição dos helicópteros britânicos?
    Um verdadeiro desastre…
    Os Puma que voltem e depressa!

  5. Graxaim: Obrigado. É um bom link que lerei atentamente mais tarde.
    Mario: Os F-16, com o upgrade MLU ficaram relativamente eficazes e ao nível do suficiente que têm os nossos vizinhos. É claro que frente a Marrocos também com F-16 (http://movv.org/2007/11/19/sobre-o-reequipamento-naval-e-aereo-marroquino-e-do-atraso-portugues-nesse-campo-e-dos-perigos-daqui-decorrentes/)
    e frente à Argélia com os novos MiG-29 SMT e Su-30MKA (http://en.wikipedia.org/wiki/Algerian_Air_Force) já começam a ficar para trás…
    E sim, não vão durar muito mais. Importaria começar agora a tratar do processo, com imcorporação de indústria nacional (parte da montagem nas OGMA, por exemplo).
    Neste contexto, escolheria o EF-2000 ou Rafale, já que sendo Portugal um país NATO… A opção russa deve ser completamente descartada.

  6. Edmar.

    Os AMX A-1 de modernizados serão de muita importância na defesa do país junto com o vencedor do programa FX-2 ( Dassault Rafale, Saab Gripen NG e Boing F-18 S. H.

  7. Edmar.

    Os AMX A-1 depois de modernizados serão de muita importância na defesa do país junto com o vencedor do programa FX-2 ( Dassault Rafale, Saab Gripen NG ou Boing F-18 S. H.
    Os Mirage F-2000 devem ser vendidos, pois esta quase sendo defasado e os F-5 Modernizados ainda vão durar e atuar bem por algum tempo.

  8. Edmar

    Como eu já comentei no parágrafo acima…, o AMX A-1 depois de modernizados

  9. Edmar

    O AMX A-1 depois de modernizados serão aviões ainda mais úteis a FAB e ganhará uma vida útil de 15 a 20 anos.

    Eles serão aviões muito importantes na defesa do país e vão até atuar juntos com o vencedor do FX-2.

  10. Então srs. temos o AMX p/+ 20 anos, quem precisa de f.35? Precisamos de um caça = ou melhor que o SU 35 ou 37..de preferência “MADE IN BRASIL”..p/ ontem.

  11. Edmar

    FAB e seus aviões de defesa.:

    50 “F-5 Modernizados”.
    53 “AMX A-1 Modernizados”.
    12 “Mirages F-2000″.
    99 ” Super-Tucanos”.
    12 ” Xavantes”.
    55 “Tucanos”.
    12 ” AF1 A-4″ da Marinha Modernizados.

    36 ” FX-2 ???” Quem será?

    Essa é a defesa do “Brasil”.

  12. eu muito maça meu irmao

  13. Considere o seguinte: o > comprador de armas do continente está sem verbas para suas compras, o petróleo está abixo de U$39,00..estamos com . poder de compras que “ele” ou eles , neste exato momento…é só aproveitar é ampliar as vantagens…saberemos reconhecer esse momento?

  14. a 38 usd!
    quem diria isto (eu próprio) há apenas meio ano???
    http://www.oil-price.net/

  15. BECKENBAUER

    RAPAZ ,VEJO COM DESPREZO A INDUSTRIA AVIÔNICA AMERICANA.SAO VERDADEIROS CANIBAIS ,FEROZES VENDEDORES ,MAIS UM DESASTRE COMO FORNECEDORES DE PEÇAS DE REPOSIÇÃO E TRANSFERENCIA DE TECNOLOGIA.FORÇAM AOS PAISES QUE COMPRAM SEUS EQUIPAMENTOS A SEREM ESCRAVOS DE SUA INDUSTRIA .A POLITICA SE METE EM TUDO POR LÁ ,E AI DAQUELES QUE NAO FOREM SEUS ALIADOS .NAO VENDEM NEM UM PARAFUSO E AINDA ATRAPALHAM QUEM QUER VENDER

  16. bem, os russos não são melhores… a acreditar nos problemas om peças que os venezuelanos estão agora a ter…
    (e que houve aqui em Portugal, nos anos 90, quando começaram a chegar alguns jipes Lada)

  17. Na marinha são 12 ou 24 A4?

  18. São 24 A4…deveriam ser +, e repontencializados.

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