Daily Archives: 2008/01/09

Agostinho da Silva: Europa, Japão, o Futuro e o Universo

Conversas Vadias
CD1
Entrevistado por Joaquim Letria

JL: “Nós demos mundos ao mundo (…) demos matéria-prima ao mundo, demos força de trabalho à Europa e aqueles que transformam essa matéria-prima, ajudámos a construir a riqueza dessa Europa. O que é que acha que no futuro (…) vamos dar o quê ao mundo?”

AS:
“Vamos dar ao mundo aquilo que de melhor temos. (…) ver o mundo tal qual ele é.”

“Quando falo de Europa não me refiro só aquela que vai até aos Urais. Estou-me referindo também aos Estados Unidos que é aquela Europa que vai até ao Atlântico e também referindo à classe industrial japonesa que é uma Europa instalada no Japão, tendo aproveitado do Japão a capacidade japonesa de obedecer. Porque o ideal deles é ser o menos possível, que é a coisa perfeita para entrar numa companhia.”

“No Japão havia essa esquizofrenia: metade do dia eram americanos trabalhando como americanos, a outra metade do dia era japoneses trabalhando menos do que ninguém.

JL: “Mas também são eles que mais preocupação têm com o lazer?”

AS: “Pois claro, porque eles sabem perfeitamente – porque são budistas – que a coisa vai nesse sentido. E foi por isso que não seu precisamente o ajustamento da pregação dos magníficos jesuítas portugueses que foram para lá e a gente japonesa. Os japoneses se converteriam todos ao mesmo tempo ao cristianismo se os jesuítas os deixassem ser ao mesmo tempo budista e xintu, tudo junto.”

JL: “Nós estamos perante um grande parênteses da História. Temos um passado com referências seguras e certas e à frente um futuro que não sabemos o que é que vai ser. (…) Fala-se do Fim da História. O que vem aí?”

AS: “Quando digo que o Futuro será de tal maneira, estou apenas a dar a ideia de um Presente melhorado ao máximo que eu posso imaginar. Mas nada que seja assim o Futuro. Uma coisa que hoje se pode dar como filosofia do Universo é de que há não só aquilo que nós entendemos dele, mas outras muitas maneiras de entender. É curiosíssimo que se nós juntarmos as duas palavras com que podemos designar um certo objecto das nossas atenções podemos chamar ou Universo ou Mundo. Num Universo, a palavra indica que todas as coisas estão ali juntas, é dos vários lados um movimento para o centro, para o Universo. E Mundo, que todos tomamos como substantivo é efectivamente um adjectivo. Mundo significa “limpo”. Camões fala nas “mundas almas”, as almas que podem ir para o Paraíso Eterno, as “almas limpas”. Então o que é o Mundo diferente do Universo? O Mundo chamamos nós aquilo que entendemos do Universo. Como se considerássemos o outro exactamente o antónimo da palavra Mundo, isto é, Imundo.”

“Talvez a certa altura surja no mundo alguma coisa de diferente e que se possa rir das ideias que nós tivemos do Futuro.”

“Ver o Futuro, não como uma coisa que muita gente vê como impossível de realizar, mas como uma coisa possibilíssima de ultrapassar de tal maneira que nós nem a pudéssemos entender. Há maneiras variadíssimas de ver o mundo. Há coisas por exemplo na matemática que estão fora da nossa dimensão real.

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Os caças AMX da Força Aérea Brasileira e Italiana

AMX A-1
(Caça AMX A-1 da FAB in http://www.ibge.gov.br)

O AMX surgiu da necessidade OTAN de encontrar um caça ligeiro de apoio táctico, capaz de operar em segunda linha, no cenário europeu em apoio a aviões mais pesados como o Panavia Tornado ou o F-16. Daqui nasceu a proposta inicial do consórcio italiano Alenia e Aermacchi. Na época, estas empresas trabalhavam já naquilo que viria a ser o Typhoon, mas estes requisitos eram tão diferentes que o projecto continuou e antecipando a existência de um mercado na América Latina, as empresas italianas contactaram o Brasil, para onde a Aermacchi já estabelecera antes relações muito frutuosas que haveriam de levar ao “Xavante” (Aermacchi MB-326 construído no Brasil pela Embraer na década de 70).

Em 1982, a Embraer entrava no consórcio italiano com uma participação de 29,7% (a Alenia tinha 46.5% e a Aermacchi, 23,8%). Contudo, logo desde o início houve dificuldades em conciliar as necessidades das duas forças aéreas… Enquanto a Itália queria um avião leve, de curto raio de acção e maior carga útil, o Brasil pretendia um aparelho de longo raio de acção, necessário para cobrir o extenso território brasileiro… Da conciliação das duas tendências, nasceria um avião de ataque ao solo, com alguma capacidade de defesa aérea que iria tomar o lugar dos envelhecidos Xavantes brasileiros e dos Fiat G-91 (que a FAP portuguesa também usou extensivamente em África e no Continente) italianos. Até aos dias de hoje…


(Video do AMX A-1 da FAB)

O primeiro protótipo voou em 15 de Maio de 1984, mas acabaria por se destruir no solo, 15 dias mais tarde, tendo o seu piloto falecido dias depois em consequência dos ferimentos provocados por uma ejecção efectuada a muito baixa altitude. Resolvidos estes problemas iniciais, as entregas começaram em 1988, com a entrega do primeiro aparelho à Força Aérea Italiana e, no ano seguinte, à Força Aérea Brasileira. A versão biplace, de treino começou a ser entregue em 1990. Foi nesta época que se tornaram patentes os problemas na concepção deste aparelho… Pensado para poder ser exportado, o aparelho encontrou neste campo um reduzido sucesso. Em primeiro lugar, problemas com o motor erodiram muito do prestígio comercial que o AMX poderia ter tido (o uso do AMX esteve interdito entre 1992 e 1996) e, sobretudo, o facto de ser um aparelho caro para a época (entre 18 e 20 milhões de dólares por unidade), assim como facto de a maioria das forças aéreas optarem por aviões de treino com capacidade para ataques ao solo, como o bem sucedido Hawk britânico acabaram por impedir o sucesso comercial do AMX que conseguiu apenas exportar 12 aparelhos para a Venezuela de Hugo Chavez, mas que nunca foram entregues, por causa de pressões dos EUA…

Actualmente a Embraer no Basil e a Alenia em Itália estão a actualizar os AMX remanescentes nestes países. Os primeiros aparelhos italianos (num total de 53 unidades) receberão uma nova aviónica, um sistema INS/GPS, um IFF e um novo sistema de navegação, assim como a capacidade para usarem munições JDAM (os AMX italianos foram usados com sucesso nos Balcãs em 1996), os AMX brasileiros receberão écrans digitais multifunções, um écran compatível com óculos de visão nocturna e um novo sistema de navegação e comunicação concebido pela empresa israelita Elbit. Uns e outros deverão manter-se activos e cumprindo as suas missões durante pelo menos mais 20 anos… Ou seja… Ainda vão acompanhar o vencedor do concurso FX-2 por alguns anos…
Fontes:
http://www.militarypower.com.br/frame4-armas13.htm
http://www.areamilitar.net/DIRECTORIO/AER.aspx?nn=11&p=15
http://sistemadearmas.sites.uol.com.br/amx/amx01intro.html
http://www.revistafatorbrasil.com.br/ver_noticia.php?not=18208

Categories: Brasil, DefenseNewsPt | 18 comentários

Quids S10-15: Como se chamava este robot?

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Dificuldade: 2

Categories: Quids S10 | 7 comentários

Sobre o sistema de reconhecimento e identificação de Voz da Agnitio e algumas questões em torno do dito


(http://www-rohan.sdsu.edu)

Recentemente, o registo de voz gravado numa intercepção de uma conversa telefónica permitiu à polícia espanhola capturar um barão de droga colombiana que operava no seu país já há alguns anos. A voz do colombiano foi reconhecida entre as várias constantes numa base de dados que tem vindo a ser alimentada pelas cinquenta e seis esquadras espanholas que integram este programa experimental recolhendo amostras de dois a três minutos de conversação a todos os suspeitos que passam por elas, transformando esses registos sonoros em danos binários e em padrões únicos e alimentando uma base de dados que já antes tinha sido usada para capturar um dos bombistas do 11 de Março, em Madrid.

Esta tecnologia desenvolvida pela empresa espanhola Agnitio pode ser fácilmente usada no Brasil – por exemplo – onde se registam todos os anos milhares de telefonemas gravados de raptores contactando as suas vítimas e familiares. A identificação e recolha destas vozes permitiriam estabelecer padrões de acções, e capturar muitos destes perigosos criminosos… E que não se pense que é possível iludir o reconhecimento da voz fácilmente, engrossando ou afinando a voz. Os elementos que são recolhidos informáticamente são neutros ao tom, uma vez que cada registo de voz gera um conjunto único de números que são produzidos por factos inalteráveis, como o tamanho da língua, da laringe, da cavidade bocal, do nariz, etc. Mesmo tapar o nariz é inútil… Se fôr tomado novo registo de voz do suspeito com o nariz tapado…

Ou seja… Já existem há muito tempos bases de dados contendo as nossas impressões digitais… E no Reino Unido começam a construir-se bases de dados de DNA, que permitem identificar criminosos a partir dos vestígios biológicos deixados no local do crime desde que os seus registos já constem destas bases de dados (se foram suspeitos ou declarados de crimes anteriores). Agora abre-se uma nova perspectiva de investigação, que é a do reconhecimento de Voz… Simultaneamente o uso de câmaras de videovigilância (CCTVs) começa a expandir-se por todo o lado… Com todos estes sistemas ligados a sistemas informáticos, e com a certeza de que todos eles estão de alguma forma ligados à Internet torna-se cada vez mais possível a alguém que tenha os recursos suficientes ou a um governo mal-intencionado que a pretexto da eterna “luta contra o Terrorismo” forje um “Patriot Act” e que tenha rápidamente ou em tempo real a estes dados… Imaginem o potencial comercial de todos estes dados nas nãos de uma empresa de publicidade… E o Poder que daria a um Governo saber tudo, mas mesmo tudo sobre nós… Ter a capacidade de identificar-nos pela Voz em qualquer chamada telefónica vigiada… Saber sempre onde estamos pelas redes de CCTVs e pelos cada vez mais sofisticados programas de reconhecimento de rostos… O potencial anti-democrático é enorme. É certo que o potencial usufruto e benefício destes programas, como o da Agnitio também é imenso. Mas compensará o risco? Será que sistemas destes poderão ser montados sem os correspondentes sistemas de monitorização correspondentes?

Fontes:

BBC “Digital Planet” Podcast de 3 de Dezembro de 2007
Science Business

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