Daily Archives: 2007/12/19

Situação do projecto para a construção de um Submarino Nuclear Brasileiro

Começam a surgir informações mais substanciais sobre o projecto brasileiro de construir um submarino nuclear… Depois de um alerta enviado pelo Ultramar (habitual frequentador destas paragens) andei pesquisando pela Internet e eis o resultado (eternamente provisório) dessas caminhadas…:

Embora o programa se limite por enquanto à construção de um único submarino nuclear, a nossa previsão de que teria que haver uma frota parece confirmada, já que é o próprio almirante Júlio de Moura Neto, chefe máximo da Marinha Brasileira que o declara afirmando a este propósito que “depois que a primeira unidade estiver pronta, exaustivamente testada, e estudados todos os aperfeiçoamentos que serão introduzidos”.


(O almirante Júlio de Moura Neto in http://www.inforel.org)

O estudo, projecto, desenvolvimento e construção deste primeiro submarino, não de um primeiro protótipo, mas de uma unidade naval totalmente funcional deve levar cerca de 12 anos, o que implica que a primeira actividade operacional da unidade deverá ter lugar por volta de 2020, isto a um custo total (apenas para este primeiro submarino) de 2,04 biliões de Reais (ou seja, 800 milhões de euros) sendo as dotações orçamentais anuais para este projecto da ordem dos 130 milhões de Reais anuais.

O projecto regressara à superfície (uma analogia muito adequada neste concreto…) depois das declarações do Ministro da Defesa brasileiro, Nelson Jobim, quanto à necessidade de defender as novas descobertas petrolíferas ao largo da costa brasileira, já que os meios convencionais, de superfície, estão sujeitos “a fácil localização por meio de satélites”. Jobim, não se limita contudo a aludir à necessidade do desenvolvimento de um submarino de ataque nuclear, referindo també a necessidade de expandir os meios submarinos convencionais brasileiros: “a esquadra terá de construir submarinos convencionais, de propulsão diesel-elétrica”. Aqui é que se me levantam as primeiras objecções… Se a maior motivação para que o Brasil construa um submarino nuclear é a defesa das suas plataformas petrolíferas, então porque não compra um, mais barato, provavelmente mais eficiente (pela sua maior experiência) submarino Akula por 600 milhões de dólares (quase metade do custo deste SNA brasileiro)? O objectivo de defender estas instalações não é assim cumprido de uma forma mais eficiente? É certo que o salto tecnológico decorrente do domínio da delicada e secreta arte de fabricar reactores nucleares para submersíveis poderá consolidar o domínio da tecnologia nuclear no Brasil… Mas será este domínio realmente importante? As nossas reticências quanto ao uso civil da Energia Nuclear são já bem conhecidas… E aplicam-se neste caso, por completo. Por outro lado… Um submarino nuclear de ataque será mesmo a melhor forma de defender uma plataforma petrolífera? Quem a vai atacar? Com que meios? Os casos únicos de ataques a plataformas petrolíferas ocorreram no Golfo, entre o Irão e o Iraque. E neste caso, o emprego de meios aéreos foi dominante… Aliás, todas as instalações destruídas, foram-no por via de ataques aéreos. Sendo quase nula a capacidade anti-aérea de um Submarino, não seria mais eficiente investir essa mesma soma no reequipamento (por exemplo com Rafales ou Sukhoi-35 navalizados) do porta-aviões Foch, ou, construir um pequeno porta-aviões para o substituir no mesmo prazo? (2020)?


(Nelson Jobim, o Ministro da Defesa do Brasil in http://www.estadao.com.br)

Daquilo que se sabe até ao momento, o submarino nuclear brasileiro terá 96 metros de comprimento, 4 toneladas de deslocação, enquanto submerso e 17,8 metros de altura, contando com a sua torre. O navio será operado por uma centena de tripulantes. O desenho deste submarino começou na década de oitenta no Centro Tecnológico da Marinha, na cidade de São Paulo e tem sido revisto e actualizado praticamente sem parar, até aos dias de hoje. Para fazer testes e produzir um navio tão silencioso quanto o possível, a Marinha vai construir um Túnel de Cavitação, na região de Sorocaba, com 400 metros de profunidade e 7,5 de profundidade. Embora no começo do programa, se acreditasse que era possível transformar um submarino convencional, e introduzir-lhe um reactor nuclear, a dura realidade dos factos veio provar a impossibilidade deste arranjo e a necessidade de desenvolver de raíz também um casco e todo o equipamento necessário ao funcionamento do navio. O grande problema, aqui, parece ter residido no diâmetro do casco, que num submarino nuclear tem que ser de pelo menos 9 metros, algo que não existe em nenhum submarino convencional da actualidade… O volume deve-se não somente ao tamanho do reactor, mas também dos sistemas de controlo e arrefecimento que o rodeiam, assim como a blindagem que protege as tripulações da radiação emanada a partir do seu centro.


(Cerca do CTSMP in http://www.eca.usp.br)

A outra parte desse programa previa o desenvolvimento de um casco – tecnicamente chamado plataforma – que pudesse comportar o reator nuclear. Nesse particular, o êxito não se repetiu. Apesar das tentativas, não foi possível adaptar o casco do submarino convencional para o nuclear, basicamente porque, para ter segurança, um submarino nuclear deve ter um diâmetro de pelo menos dez metros – coisa difícil de se conseguir a partir de um submarino convencional de 1.400 toneladas.


(Submarino convencional Tikuna in http://www.naval.com.br)

O reactor nuclear para o submarino está a ser desenvolvido desde 1979 e apesar do projecto ter sido congelado várias vezes devido a problemas orçamentais, sobreviveu e, actualmente, não incorpora nenhuma tecnologia directamente importada do exterior, uma vez que essa é uma das áreas mais secretas da aplicação da energia nuclear, e isto apesar dos rumores que davam como certo a presença de tecnologia francesa e russa (uns e outros desmentidos pelos próprios). O reactor é assim um produto directo da ciência brasileira, nomeadamente do IPEN (“Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares”), da Universidade de São Paulo, do Unicamp, e do IPT (“Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo”) assim como do Centro Aeroespacial.


(Reactor nuclear IEA-R1 do ITEN in http://www.eca.usp.br)

Uma vez que actualmente o Brasil detêm toda a tecnologia nuclear e existe inclusivé um protótipo do reactor nuclear para o submarino, em Aramar, sendo a próxima fase a construção do primeiro reactor para o primeiro submarino. Mas antes, deverá ter lugar a construção de um submarino seguindo todo o projecto do submarino nuclear, mas com propulsão convencional, de forma a testar todo o navio, a sua fiabilidade, desenho, concepção e construção, antes de passar ao passo seguinte que será a construção de um navio idêntico, mas já destinado a acolher o reactor que deverá então estar já pronto.


(Inserção de um reactor nuclear num submarino de ataque russo Alpha in http://www-pmg8.cea.fr)

Conforme já escrevemos noutro lugar, para apoiar esta nova frota, a Marinha Brasileira terá que construir uma nova base naval, provávelmente perto de São Paulo, em São Sebastião, não muito longe do estaleiro de Sepetiba, onde serão construídos.


(Estaleiro naval de Sepetiba in http://www.terra.com.br)

Mas será que hoje em dia, com a existência da tecnologia AIP continua a ser rentável investir e suportar os riscos de operar um navio nuclear? Não seria mais razoável continuar a investir nos excelentes Tikuna em vez de produzir a partir do zero um reactor nuclear e um navio totalmente novo? Um submarino nuclear só poderia ser usado em caso de o Brasil se ver envolvido numa Guerra Total, isto é, num tipo de conflito que não trava desde o século XIX e para qual não existem perspectivas a curto ou médio prazo. E a ser empregue neste cenário, o navio não poderia ser apenas um submarino de ataque, equipado com torpedos, mas para que fosse utilizado com eficácia, teria que poder lançar mísseis de cruzeiro e não é fácil adquirir essa tecnologia no mercado internacional e ainda menos desenvolvê-la de raíz…


(Submarino AIP alemão U214 in http://www.caswellplating.com)

Em vez de investir no desenvolvimento de raíz de um reactor nuclear e, depois e simultâneamente, um submarino nuclear, o Brasil deveria construir pelo menos mais 3 Tikuna, com AIP e manter actualizados os Tupi, de forma a mantê-los como unidades de segunda linha e protecção portuária. Uma tal força, com 8 submarinos, seria suficiente dissuassora e igualmente tão eficiente quanto um ou dois submarinos nucleares, por muito tempo que estes pudessem passar submersos (meses) e, certamente, a apenas uma fracção do custo destes… E sem o riscos de acidentes como os do K-19.


(O acidentado submarino soviético K-19 in http://content.answers.com)

Este risco – sempre improvável, e sempre presente – é aliás a maior objecção ao projecto levantada por Ruy de Goes, o coordenador da campanha nuclear da Greenpeace: “Se a missão é defender o país, então eles estão no caminho errado, já que o submarino pode representar um risco para nós mesmos. Se chegar a ser produzido, o submarino será uma ‘Chernobylzinha’ flutuante”.

Fontes Principais:
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20071215/not_imp96407,0.php

http://www.terra.com.br/reporterterra/nuclear/rep_12.htm

http://www.terra.com.br/istoe/1901/ciencia/1901_submarino_nuclear.htm

http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI2078147-EI306,00.html

http://www.energiatomica.hpg.ig.com.br/ad36.htm

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Quids S10-3: Que submarino era este?

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Dificuldade: 3

Categories: Quids S10 | 16 comentários

As novas IEDs no Iraque… descem dos céus


(Video de um ataque de uma IED no Iraque)

Os insurgentes iraquianos mostram que nem só de alta (e cara) tecnologia se fazem as guerras modernas… Depois dos ataques com RPGs, minas e IEDs, agora as martirizadas, mas em maré de relativa acalmia, forças americanas no Iraque têm também que enfrentar ameaças vindas dos… céus. É que os insurgentes aperceberam-se que com a adaptação de todos os APCs e MBTs americanos com a instalação de protecção extra contra minas e ataque laterais pela instalação de redes de protecção a eficiência dos ataques normais diminui (ver AQUI ) e então, demonstrando que basta algum engenho para vencer cada barreira começaram a lançar granadas que lançam manualmente, mas que têm um pequeno paraquedas que se abre na queda e as faz detonar sobre o veículo atacado, em cima, precisamente num dos pontos onde estes estão tradicionalmente menos blindados. Ignora-se quantas baixas já foram provocadas desta forma, mas é um número em ascensão, segundo algumas fontes…

Fonte:
DSI: DÉFENSE & SÉCURITÉ INTERNATIONALE – Nº30 – OCTOBRE 2007

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Economias Locais: Um critério ético para as nossas “compras de Natal”

Um dos pontos centrais das propostas do economista E. F. Schumacher era o de implementar um sistema económico assente numa rede estrutura de economias locais em que a maioria dos produtos fabricados na região, eram consumidos na região. Quando a produção dos artigos consumidos é Local, temos um melhor conhecimento – enquanto consumidores – dos processos de produção e do ponto em que estes afectam o meio ambiente, consomem recursos e como são integradas as pessoas no processo de fabricação… A proximidade permite ao cliente final decidir melhor, pelo conhecimento imediato e muitas vezes directo sobre o impacto da fábrica ou quinta no Ambiente, sobre a forma como os desperdícios são tratados ou não e se existem condições de trabalho dignas e humanas.

Schumacher observou que quando a produção era local, os bens não tinham naturalmente que ser transportados a muito longa distâncias com a consequente redução de consumo de combustíveis fósseis e de degradação do Clima e da Natureza. A primazia dada à produção local, reduzirá também os impulsos para criar fluxos migratórios que afastassem os melhores e mais dinâmicos elementos da comunidade e poderia responder aos intensos e insustentáveis a longo prazo fluxos migratórios que hoje inundam o mundo.

Em consequência, temos a responsabilidade pessoal de nas nossas compras de Natal consumirmos localmente de forma a potenciar e a incentivar as nossas economias locais. Alguns poderão chamar a isto “isolacionismo”, mas este mesmo mandato devia aplicar-se em todo o mundo, potenciando assim a criação local de Emprego e de Riqueza. Nos países e locais onde existem Moedas Locais como a Palmas brasileira ou a BerkShares, nos EUA, o uso dessa moeda automatiza essa escolha, nos demais locais… Devemos olhar para as etiquetas de origem, escolher o produto fabricado no local mais próximo de nós ou… Preferir comprar produtos que sabemos de antemão que sabemos que são fabricados nas imediações.

Tradução livre de uma newsletter da “The E. F. Schumacher Society

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