Daily Archives: 2007/12/09

Do Acordo Ortográfico


(“Comunidade dos Países de Língua Portuguesa“)

Dado o especial foco que tem sido dado às relações lusobrasileiras, seria impossível não abordar aqui a importância que tem a iminente ratificação por parte do Governo português do Acordo Ortográfico… E assim faremos já de seguida.

Não faltam os “velhos do Restelo” que como Vasco Graça Moura o criticam… Não sem ter parte interessada na questão, já que obtendo parte significativa dos seus proveitos na actividade de tradução. Graça Moura não é propriamente uma figura neutra nesta questão… É que as suas traduções serão afectadas pelo acordo e que os seus livros terão que competir directamente com os de outros autores lusófonos, isso dificilmente não afectará o seu julgamento… Graça Moura acusa os que defendem o Acordo de “falta de visão no plano científico, económico e estratégico” e a generalidade dos editores portugueses alinham pela mesma bitola pessimista. Mas poderão ou deverão os 10 milhões de portugueses ignorar o peso demográfico e económico dos 180 milhões de brasileiros? Poderemos deixar que a nossa língua caminhe para percursos distintos e contrapostos e nada fazer contra isso?

E, sobretudo… Será possível não ratificar o Acordo? Criado em 1990, o Acordo parecia dormente, mas apenas “parecia”, já que em 2006, Cabo Verde e São Tomé e Princípe, o ratificaram, somando-se assim ao Brasil, e dando ao Acordo as três ratificações necessárias para que entrasse imediatamente em vigor nestes três países. Portugal, o país de onde tinha surgido – juntamente com a Galiza – a própria matriz da língua portuguesa podia continuar fora? Compreendemos bem as hesitações dos editores portugueses… Receiam pelos mercados educativos nos PALOPs, um muito significativo destino para as suas edições escolares e onde – com a homogenia da grafia – terão que passar a concorrer com os editores livreiros… A situação é particularmente preocupante em Angola, onde a recuperação económica é cada vez mais viçosa e há dinheiro para fazer um investimento sério e continuado na Educação dos mais jovens.

Sem dúvida que a homogeneização do português poderá favorecer os editores brasileiros, que adoptaram o Acordo logo desde o começo e sem as hesitações dos portugueses e que nem adoptaram a moratória de 10 anos prevista no Acordo e a que vai recorrer Portugal… É certo que o acordo parece mais favorável ao Brasil, pelo menos no domínio restrito das palavras alteradas, já que se no Brasil apenas 0,5% das palavras sofrem alteração, em Portugal essa percentagem irá ascender aos 1,6%, ou seja, o trabalho de “Find&Replace” nos textos portugueses a publicar será maior em Portugal… Mas será um custo assim tão significativo? E será que devemos temer assim tanto o ímpeto exportador do Brasil? O Brasil é ainda infelizmente um país globalmente ileterato, com 20% dentro desse número (ver AQUI) e a esmagadora maioria da edição brasileira fica apenas em duas grandes cidades, Rio de Janeiro e São Paulo, não chegando sequer ao resto do extenso território brasileiro… Os editores portugueses que aproveitem a moratória de 10 anos… Que convertam as suas edições e estabeleçam parceiras com editoras e com governos africanos e o crescimento económico que se regista actualmente nos PALOPs há-de bastar para todos, incluindo para os próprios… E se em vez de temerem o “Outro” começarem a olhar para as oportunidades que o Acordo também deixa antever, talvez se devessem preparar para exportar para o Brasil, país que como vimos, tem neste domínio ainda um grande (o maior) problema a vencer…

Assim, concordamos com a decisão de Luís Amado (nem sempre temos estado de acordo com o ministro dos Negócios Estrangeiros) e acreditamos que o Acordo pode ser um instrumento importante para aproximar os Países Lusófonos, caminhar para aquela União pela qual tanto nos tempos batido neste e noutro espaço e criar novas condições para que se facilite o ensino da língua portuguesa (pela aproximação entre o português falado e o escrito e pela homogeneização da grafia) e contribuir assim decisivamente para vencer essa grande batalha do espaço lusófono que é a batalha pela qualificação e pela potenciação da riqueza humana destes países.

Fica por fim, uma muito sumária lista de algumas palavras alteradas, aqui e além-mar, baseada no artigo da passada semana do jornal “Público”:

Em Portugal:
acção -> ação
óptimo -> ótimo
tecto -> teto
lêem .> leem

No Brasil:
lingüiça -> linguiça
seqüência -> sequência
assembléia -> assembleia
idéia -> ideia
vôo -> voo

Em todos os países lusófonos:
As letras k,w e y são inseridas na lista de letras aceites em todos os alfabetos da lusofonia e o hífen tem novas regras que levam a que, por exemplo:
contra-regra -> contrarregra e
anti-semita -> antissemita

P.S.: E quem diria que eu e… este senhor estaríamos de acordo sobre a mesma coisa?

Fonte: Público de 6 de Dezembro de 2007

Categories: Brasil, Educação, Movimento Internacional Lusófono, Portugal | 35 comentários

Será que os EUA de George Bush vão assinar também o Protocolo de Quioto?

Aquecimento Global
( http://oldorchardcinemapub.com)

Depois da derrota eleitoral conservadora na Austrália, os EUA são juntamente com a pouco digna companhia chinesa a última grande nação industrializada a permanecer fora do Protocolo de Quioto. O movimento resulta não somente de uma mudança no Poder na Austrália, mas também – e principalmente – de uma avolumar de provas científicas que estabelecem um grau cada vez maior de certeza sobre a existência do fenómeno do Aquecimento Global e da influência que o Homem tem no mesmo. Será que agora, os EUA de Bush vão também assinar? Em vários discursos recentes, George Bush reconheceu publicamente o fenómeno do Aquecimento Global, mas não a sua antroponegia (provávelmente anda a ler muito o Blasfémias) e pelo menos alguns representantes da Casa Branca estão a dar sinais de que… talvez haja alterações mesmo ainda nesta Administração: “The challenges of climate change are big, and serious. The next step is to reach agreement in Bali on a negotiating roadmap for a new post-2012 framework. We look forward to continuing to work together constructively with Australia, as we have in APEC, the Asia Pacific Partnership, and the Major Economies process” e não foi um funcionário anónimo que falou, mas Kirsten Hellmer, do “White House Council on Environmental Quality“…

Recordemo-nos de que o Protocolo, em aplicação desde 2005 foi assinado por mais de 170 países vai expirar em 2012 e terá que substituído por qualquer outra coisa e tem como principal objectivo reduzir as emissões de gases com efeito de estufa para um patamar 5% inferior ao que eram em 1990 até 2008-2012.

Fonte:
ABC

Categories: Ecologia | 4 comentários

Site no WordPress.com.

Eleitores de Portugal (Associação Cívica)

Associação dedicada à divulgação e promoção da participação eleitoral e política dos cidadãos

Vizinhos em Lisboa

A Vizinhos em Lisboa tem em vista a representação e defesa dos interesses dos moradores residentes nas áreas, freguesias, bairros do concelho de Lisboa nas áreas de planeamento, urbanismo, valorização do património edificado, mobilidade, equipamentos, bem-estar, educação, defesa do património, ambiente e qualidade de vida.

Vizinhos do Areeiro

Núcleo do Areeiro da associação Vizinhos em Lisboa: Movimento de Vizinhos de causas locais e cidadania activa

Vizinhos do Bairro de São Miguel

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos

TRAVÃO ao Alojamento Local

O Alojamento Local, o Uniplaces e a Gentrificação de Lisboa e Porto estão a destruir as cidades

Não aos Serviços de Valor Acrescentado nas Facturas de Comunicações !

Movimento informal de cidadãos contra os abusos dos SVA em facturas de operadores de comunicações

Vizinhos de Alvalade

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos de Alvalade

anExplica

PEDAÇOS DE SABER

Subscrição Pública

Plataforma independente de participação cívica

Rede Vida

Just another WordPress.com weblog

Vizinhos do Areeiro

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos do Areeiro

MDP: Movimento pela Democratização dos Partidos Políticos

Movimento apartidário e transpartidário de reforma da democracia interna nos partidos políticos portugueses

Operadores Marítimo-Turísticos de Cascais

Actividade dos Operadores Marítimo Turísticos de Cascais

MaisLisboa

Núcleo MaisDemocracia.org na Área Metropolitana de Lisboa

THE UNIVERSAL LANGUAGE UNITES AND CREATES EQUALITY

A new world with universal laws to own and to govern all with a universal language, a common civilsation and e-democratic culture.

looking beyond borders

foreign policy and global economy