Palavras/Conceitos que podem constar das Inscrições Cónias

“Orar”

Nas suas escavações no Sul de Portugal, Mário Varela Gomes descobriu várias estelas datadas do Bronze Final em que duas figuras antropomórficas que colocadas perto de sepulturas se referiam obviamente ao indivíduos tumulados. Situadas na mesma região geográfica onde a civilização cónia conheceu maior influência (no Algarve), as figuras, de tronco triangular e de pernas abertas em V erguem os braços até à altura dos ombros e têm os dedos esticados em atitude de oração. Estas estelas da Figueira (concelho de Vila do Bispo) pertencem a uma época em que ainda não era usada a escrita, mas a população local, o sistema cultural e religioso e a língua devem ser os mesmos que os cónios usavam durante a Idade do Ferro. Sendo assim, não é improvável que os mesmos temas destas estelas da Idade do Bronze subsistam nas estelas inscritas da Idade do Ferro que servem de objecto ao nosso estudo: “o guerreiro em atitude de oração”, a mesma frase deve constar de pelo menos algumas estelas cónias.
Armas e Cães

A representação de lanças, escudos redondos, escudos que apresentam três círculos concêntricos e escotadura em V é comum na arte antropomórfica da Idade do Bronze. Curiosamente também o cão é representado em pelo menos três estelas[1], ao lado das armas do guerreiro tumulado. Esta presença de armamento subsiste na Idade do Ferro[2], em que são encontradas dentro de algumas sepulturas que apresentavam estelas inscritas.

Daqui se infere que palavras referentes a armamento da Idade do Bronze devem constar muito provavelmente das frases presentes nas inscrições cónias, assim como palavras referentes a “cão”. Ressalve-se aqui a menção que fizemos noutro local quanto ao papel do canídeo enquanto símbolo totémico dos cónios e como origem do próprio étimo “cónii”. Assim se explica esta estranha repetição do animal, aliás também existente na parte final das inscrições (“KONII” e “KONI”).

A Espiga dos Nomes Étnicos

Os nomes étnicos inscritos nas estelas cónias terminam sempre com um carácter que graficamente se assemelha a uma espiga. Este carácter pode ser dobrado, talvez para induzir o sentido plural, mas estas espigas múltiplas não são novas no sistema de signos da Idade do Bronze. Na estela de São Martinho II Varela Gomes encontrou três ramos triplos[3] que identificou como símbolos de fertilidade. Esta leitura é perfeitamente coerente com o sentido de pluralidade. A sua aparição no final do tema CON-, que já identificámos com o cão, o animal totémico destas populações, pode significar “filhos de CON”, ou melhor ainda, “filho(s) do Cão”.

O Caracter Taurino

Já vimos nas linhas e parágrafos anteriores a importância do culto taurino nas civilizações ibérica da Idade do Bronze e do Ferro. Não questionamos aqui a tese de M. Almagro que defendia a origem Oriental do culto e a importação do culto tírio de Reshef, mas é inegável que os símbolos ligados a esse deus, os cornos do touro são frequentes nas representações antropomórficas no Sul da Península Ibérica e especialmente nas de guerreiros. No Mediterrâneo Oriental, as representações deste tipo estão associadas aos conceitos de poder e fecundidade e é provável que iguais significados estejam implícitos nas figurações peninsulares. Nas estelas cónias a aparição do caracter taurino é relativamente rara e incomum, mas aparece em praticamente todas pelo menos uma vez e sempre antecedendo o étnico “CONII”, poderá ser assim um dos raros (juntamente com os ícones solar e lunar) ideogramas presentes na Escrita Cónia, um signo para “pertencente ao bravo clã dos Filhos do Cão (os Conii)”.

A Terminação “briga”

É conhecida a presença de cidades com a terminação céltica “briga” naquela região que é conhecida como “Terra Cónia”. É o caso de Lacobriga, no Promontório Sacro, entre algumas outras. Por essa razão, a terminação –briga é uma das prováveis presenças nas inscrições das estelas cónias, especialmente nas mais tardias, que já são contemporâneas da fase decadente da Civilização Cónia e em que os célticos já viviam entre as populações cónias.

Dos Nomes Pessoais e Familiares

Nas sociedades tradicionais, a escolha dos nomes para a criança que acabava de nascer era uma decisão muito importante, com um forte significado religioso e uma influência determinante para o resto da vida da criança. Em primeiro lugar, o nome escolhido iria [4]determinar aquilo que seria a vida adulta da criança baptizada. Em segundo lugar, dar-lhe-ia a obrigatoriedade moral, religiosa e psicológica para agir consoante o seu nome. O factor continuidade e tradição é também muito comum entre as culturas antigas. Assim se explicam os nomes que não passam de continuações dos nomes dos antepassados, do pai, nas culturas masculinas e solares, da mãe, nas culturas femininas e lunares.

Por outro lado, nas sociedades tradicionais, a principal responsabilidade de cada indivíduo era velar pela transmissão da honra e do nome familiar aos seus descendentes, enriquecendo-o se possível através do cumprimento de feitos notáveis ou heróicos. Deste cumprimento dependia a sua própria imortalidade e por essa razão a representação do seu nome, ou da sua figura, nas estelas funerárias é uma presença obrigatória na maioria das culturas tradicionais. Aplicando esta teoria às estelas cónias podemos desde logo inferir que o nome do indivíduo tumulado é nelas presença obrigatória. Outra presença muito frequente deverá ser a fórmula funerária tradicional, no nosso caso algo como “nadoconio”. Somente nas estelas que apresentam uma decoração mais elaborada e um texto mais extenso (algo que, logicamente, coincide) é encontraremos palavras mais funcionais.

Jean Haudry (“Os Indo-europeus”) descreve-nos o tipo de funções adequado segundo o nome nas civilizações indo-europeias: “Cada condição social tem os seus ideais e, consequentemente, os seus nomes, como aliás recomendam as Leis de Manu II, 31-32: o nome de um brâmane deve ser de bom augúrio; o de um ksatriya deve exprimir poder, protecção; o de um vaisya, riqueza e prosperidade; o de um sudra deve reflectir a sua condição servil e desprezível. É desse modo que são designados os primeiros representantes das classes sociais nórdicas no Canto de Rig: os filhos de Servos (Thraell) chamam-se Gritador, Camponês, Lenha; as do Homem livre (Karl), Homem, Bravo, Fiel; as do Nobre (Jarl) Filho, Herdeiro, Chefe e o mais novo, “aquele que conhece as runas”, Rei.” Como este tipo de mecanismos são geralmente comuns a todas as sociedades tradicionais[5] será razoável conjecturar que encontraremos nos nomes presentes nas estelas que servem de objecto ao nosso estudo exemplos semelhantes.

Uma outra observação nos surge ainda a propósito dos antropónimos: Ventris descobriu nas inscrições do Linear B Minóico um conjunto de palavras derivadas e construídas a partir de nomes de cidades mas que apresentavam um conjunto diverso de terminações. A sua primeira tese foi a de considerá-las como antropónimos derivados dos nomes de cidades[6]. Um processo semelhante poderá também ser encontrado na Escrita Cónia.
Topónimos

Um dos conceitos mais frequentes em todas as inscrições funerárias é o do topónimo. Com efeito, para além do nome dos tumulados, e por vezes, dos seus antepassados, o grupo de palavras que logo seguir mais frequentemente surge é precisamente o nome de localidades a que o tumulado esteve em vida associado. Por esta ordem de razões, a presença destas palavras deve também ser uma constante nas inscrições cónias. Tenhamos contudo um elemento em consideração: se encontrarmos um topónimo numa dada inscrição é mais provável que essa aparição surja porque o tumulado foi enterrado longe do seu lugar de origem (aí referenciado) do que no mesmo onde repousa. Ou seja, estes topónimos poderão não se referir aos locais onde foram encontradas as estelas onde os encontrámos, pelo contrário, é bem provável que seja exactamente o contrário.

Associações arbitrárias, Concidências e Grupos linguísticos

Uma das características mais básicas da linguagem humana é que em todas as suas linguagens se aplica a mesma regra: todas as palavras são apenas associações arbitrárias de um conjunto de sons reunidos sem qualquer significado particular. Seguindo esta lógica, uma palavra – pertencente a qualquer língua humana – pode ser formada pela combinação arbitrária das centenas ou milhares de sons disponíveis a uma determinada língua. É por esta razão que se encontramos palavras semelhantes em duas línguas diferentes é pouco provável que esta proximidade se deva exclusivamente ao acaso, mas antes a uma relação genética de qualquer tipo: dada a imensidade de combinações sonoras aleatórias disponíveis, a probabilidade de uma coincidência é extremamente baixa, e se existe essa semelhança é porque uma das palavras deriva da outra. Obviamente, a probabilidade deste coincidência aumenta com o tamanho das palavras. É assim que a probabilidade de dois palavras com as mesmas consoantes, por exemplo ZERONAI, terem um antepassado comum é muito maior do que por exemplo, CONOI.

[1] Nomeadamente em São Martinho II e Ategua.

[2] Túmulos I e II da necrópole da Chada-Ourique.

[3] Triplos, como o caracter supracitado.

[4] Pelos elementos significantes nele contidos.

[5] E mesmo excluindo, como excluímos, a possibilidade da língua dos cónios não ser uma língua indo-europeia.

[6] Um pouco Lisboa / Lisbonense.

Palavras Simbólicas

Apesar desta regra, existem palavras cujas cadeias sonoros são mais do que um simples fruto do acaso. Falamos dos casos daquilo a que Merritt Ruhlen designa como simbolismo do som. É o caso de i (perto do orador) e de a (longe do orador) ou como as palavras imitadores zumbido e murmúrio em que a sonoridade está na raiz do significado. As palavras mamã e papá, extremamente frequente nas línguas do Mundo são também julgadas como pertencentes a este grupo de palavras simbólicas. Dado o seu quase universalismo, é óbvio que estas palavras têm bastantes probabilidades de surgirem também na língua dos Cónios.

Processos de Importação Linguística

Uma vez que a língua cónia sofreu influências dos mercadores fenícios, influências tão fortes que a fizeram adoptar a forma escrita, é muito provável que tenha também importado algumas palavras do Fenício. Como se processam estes fenómenos de importação? Mais uma vez no respeita aos domínios da Linguística Histórica tentarei socorrer-me do “A Origem da Linguagem” de Merritt Ruhlen. E é precisamente aqui que se lêem as seguintes linhas: “Em primeiro lugar, embora seja verdade que, por vezes, qualquer palavra possa ser emprestada, é igualmente verdade que na maioria dos casos apenas alguns tipos de palavras o são. Dentro destes casos, o mais frequente é o do nome de um artigo que é emprestado juntamente com o próprio artigo, tal como os ubíquos “café”, “tabaco” e “televisão”. Por outro lado, palavras básicas como “eu, tu, dois, quem, dente, coração, olho, língua, não, água” e “morto” raramente são emprestadas, e nunca entre numerosas línguas numa área ampla. Assim, quando descobrimos que o vocabulário básico é partilhado por muitas línguas numa ampla extensão geográfica, podemos escolher a regra do empréstimo como explicação; desconhece-se um tal volume de empréstimo do vocabulário básico na linguagem humana. Quando encontramos palavras de facto semelhantes, espalhadas por uma grande área geográfica, a explicação mais provável é a de que estas semelhanças provenham de uma migração primitiva para essa zona.”

Sendo assim, devemos procurar nas estelas cónias palavras pertencentes aos substrato Mediterrâneo e às línguas do Norte de África como “eu, tu, dois, quem, dente, coração, olho, língua, não, água e morto” e palavras ligadas às actividades bélicas, comerciais e técnicas entre as línguas fenícia e grega.

Processos de Transformação Linguística

Nas línguas do Mundo a transformação de p, t e k em b, d e g é frequente quando aparecem separados por vogais. Aplicando este processo podemos descobrir palavras ligadas por laços genéticos que de outro modo não nos pareceriam relacionadas. Na raiz do fenómeno de transformação destas consoantes quando entre vogais está o facto de as vogais serem fonetizadas através da vibração das cordas vogais, algo que também sucede com as consoantes b, d e g, é esta semelhança que está na origem deste processo de transformação linguística.

Para além destes casos, existem outros casos de sons semelhantes entre si e que por isso são alvo de substituições quando a mesma palavra transita de uma língua para outra. É o caso das vogais i, e e que são foneticamente muito próximas o que também acontece com u e o. Apesar de serem mais complexas, as consoantes também sofrem processos semelhantes. Assim sucede com os grupos:
1) Pronunciadas com os lábios: p, ph, f, b, 
2) Pronunciadas com a ponta da língua: t, th, d, 
3) Pronunciadas com a parte posterior da língua: k, kh, x, g, 
4) Sibilantes: ts, s, dz, z

Listemos ainda algumas outras transformações:
1) Também os l se transmutam frequentemente em y ou em r um pouco por todo o Mundo, veja-se por exemplo, o rio AmsteL que atravessa a cidade de Amsterdão;
2) Como sucede no Finlandês, o t- inicial pode também transformar-se num s- se for seguido de uma vogal;
3) A vogal u é semelhante à consoante w;
4) A vogal i é semelhante à consoante y;
5) A vogal i, quando precedida por t ou k transforma essa consoante em ch;
6) A sequência ti- transforma-se frequentemente em tsi-, e esta, por sua vez, em si-. Esta transformação não ocorre quando a consoante é seguida pelas vogais u e a.
7) Em algumas línguas o k > c
8 ) ki > ci > si > si > hi > i
9) p > f > h
10) d > z
11) t > th > s
12) i > y
13) u > w

A Família Euro-asiática

O linguista americano Joseph Greenberg descobriu traços comuns entre as famílias indo-europeia, urálica, altaica, coreano-japonesa-aino, chukchi-kamchatkan e esquimó-aleúte, a esta grande “super-família”, Greenberg chamou de euro-asiática. Exemplos desta proximidade podem ser encontrados nas palavras ti “tu”, ya “o quê”, xip “casca”, polm “cegar”, qlai “conversar” e kip “tomar”, que como Merritt Ruhlen observa são comuns a várias línguas desta grande família.

Uma das provas da existência deste grupo é a frequência com que os plurais dos nomes são formados pela adição do sufixo –t enquanto que os duais são formados com a adição de –k.

Categories: A Escrita Cónia, História | 2 comentários

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2 thoughts on “Palavras/Conceitos que podem constar das Inscrições Cónias

  1. Carlos A. B. Castelo

    Resposta:
    É verdade que nomes de pessoas do povo Konii, se encontram em nomes de cidades,e de terras tais como: Laethy,(Laetania);Bethy(Bética);Iirnes (Iernes-Hibernia);Kordy(Corduba); Ores(Orense)etc.etc.etc.
    Agora, ZERONAI, não é uma só palavra são duas a saber:ZER (Ser), em que o “Z” é uma variante do “S” e podemos ver essa equivalência na língua peninsular Euskara-Vascone.A outra palavra é ONAI ou ONAH que também aparece nos Herouns(Estelas)Konii, significa: Um, Uma, Uns, Umas,depende do singular ou do plural da frase gravada. Carlos castelo (Epigrafista)

  2. Carlos A. B. Castelo

    O nome Konii gravado nas Estelas, é o masculino de Kona(Vulva feminina). Os primeiros Kones(Menires)são simbolos do falus humano, que pode serem vistos nos menires achados no Algarve em especial no Concelho de Lagos. E os dolmens tinham o nome de Arkis (Arcas). Esse nome original encontra-se gravado na Estela, da Idula Thina.Pelas gravações nas Estelas podemos saber que os construtores dos Megalíticos foram os primitivos Konii da época pré-histórica e que os Konii da proto~história são descendentes dos primeiros. Mais uma vez tenho que repetir que o alfabeto do povo konii não é de origem fenicia, mas, sim formado pelos primitivos konii pré-históricos a partir dos simbolos iconográficos da Arte Rupestre Sureño do sul da Península Ibérica, a partir de simbolos tais como: Osramiformes,esteliformes,pectiniformes,sepentiformes,zigzagos,ovais,cruzeiros,petrogliformes,etc.etc.etc Assina, Carlos castelo – Epigrafista

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