Daily Archives: 2007/11/26

O projecto PAK-FA e estado actual da parceria russo-indiana para o desenvolvimento do mesmo

PAK-FA
(concepção artística do que poderá ser um PAK-FA in http://www.janes.com)

A família de caças russos Sukhoi Su-27 e Su-30, assim como as suas muitas variantes, tiveram as suas origens na já longínqua década de oitenta, e surgiram como uma adaptação local para os conceitos introduzidos no mundo da aviação pelos aviões americanos que a então União Soviética esperava ter que defrontar – mais cedo ou mais tarde – nos céus da Europa Central, os F-14, F-15, F-16 e F-18. Contra estes aparelhos, mesmo o mais modesto e antigo Su-27 continua a ser um oponente formidável, sem bem pilotado e bem armado (o que não necessariamente o caso em todas as circunstâncias), mas o essencial dos aparelhos desta família começa a revelar-se incapaz de manter o passo com os mais recentes aparelhos americanos, desde o F-35, ao F-22 (sobretudo em relação a este último). Ao contrário do soberbo – mas escasso e sobretudo extremamente dispendioso F-22 Raptor – a família Su-27 e derivados não inclui Stealth completo, um radar AESA avançado que o torna num “mini-AWAC”, um poder computacional impressionante capaz de reunir numa imagem única e integrada todos os dados de todos os diversos sensores do aparelho e a capacidade de “supercruise”, isto é, de voar acima de Mach 1 em períodos longos, embora tenha a chamada “supermanobrabilidade”, de sobra, como se pode bem ver aqui:

O F-35 Lightning II que irá equipar a maioria das forças aéreas ocidentais num futuro muito próximo é uma versão “à escala” do F-22, com o seu radar AESA, algunas características furtivas e fusão de sensores.


(primeiro vôo do F-35)

A resposta russa aos F-22 e ao F-35 é um desenvolvimento directo a partir dos projectos MiF 1.44 e irá conceber um caça de 5ª geração capaz de ombrear com os dos aviões americanos desenvolvido em parceria com a Índia, um antigo cliente dos caças MiG:


(Protótipo do projecto MiG 1.44 (“I-21”) )

Alternativamente, e embora os russos queiram já ar por encerrado as especificações do PAK-FA, o novo caça poderá ser um desenvolvimento a partir do Sukhoi Su-30 como motores supercruise, fusão de sensores e um radar AESA. A furtividade não parece ser uma prioridade em nenhuma das duas propostas, ao contrário da obsessão americana na mesma… O projecto PAK-FA esbarra agora com discussões entre os dois parceiros: a Índia quer introduzir novas características e os russos querem avançar já para a fase seguinte com as especificações já conhecidas. Existem também questões quanto à divisão de custos, já que a HAL indiana quer participar apenas com 2 biliões de dólares, enquanto o acordo previa uma participação de 6 biliões… Pelo menos, as dúvidas sobre se o PAK-FA será uma evolução a partir do MiG 1.44 ou do Sukhoi Su-30 parecem esclarecidas, com vantagem para o segundo…

O primeiro PAK-FA deverá voar até 2015, ignorando-se ainda quantos protótipos serão construídos por cada uma das duas empresas associadas no projecto, a Hindustan Aeronautics Ltd indiana e a russa Sukhoi Design Bureau. A participação indiana num projecto tão avançado poderá estranhar-se ao primeiro instante… Mas a indústria aeronáutica indiana é muito activa e detém um elevado grau de conhecimento técnico, adquirido ao longo dos anos fabricando e desenvolvendo vários modelos indígenas entre os quais o mais recente é o caça LCA Tejas. Por outro lado, a Índia conhece os planos chineses de expansão do seu poder naval para o Índico, graças às suas bases na Birmânia e com o gigante asiático tem um orçamento milutar real que deverá ser 4 a 5 vezes maior que o Indiano, o equilibrio entre estas duas potencias emergentes que na década de 60 chegaram a travar combates fronteiriços nos Himalaias tende cada vez mais o lado chinês… Assim é de compreender que a Índia tente recuperar algum do espaço perdido especialmente antecipado o projecto chinês para um caça de 5ª geração (ver AQUI ) rentabilizando a sua longa associação com a Rússia e o projecto russo PAK-FA.

Será que o Brasil poderia juntar-se a este ambicioso projecto e assim satisfazer o seu programa FX-2?… Ou seja, comprar agora um avião “de transição” como o Rafale ou o Su-35 e simultâneamente embarcar no desenvolvimento de um dos caças mais avançados do mundo que irá entrar em operação daqui a 20 anos quando os Rafale/Su-35 já começarem a entrar em fim de vida?… Haverá em Brasília tanta capacidade de visão?

O Brasil deveria entrar no projecto PAK-FA?
1) Sim
2) Não

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Fonte: DefenseIndustryDaily

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Categories: China, DefenseNewsPt, Política Internacional | 30 comentários

QuidSZ S3-17: Quem era este homem?

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Dificuldade: 5

Nota: Réplicas lentas… (só depois das 18:00?)

Categories: QuidSZ S3 | 9 comentários

A D-Wave demonstra um protótipo de “Computador Quântico” que… envia “qubits” para Universos Paralelos


(Fotografia do computador quântico da D-Wave in http://www.fastcursor.com)
Na conferência “SC07” de Novembro, a empresa norte-americana D-Wave demonstrou aquele que pode ser o primeiro de uma nova vaga revolucionária de computadores: um computador quântico… O sistema demonstrado está a ser construído desde o começo deste ano de 2007 e o protótipo actual foi revelado ao público na conferência sobre supercomputação “SC07” em Reno, no Nevada (EUA).

O primeiro protótipo funcional de um computador quântico, foi demonstrado pela D-Wave em Fevereiro sendo então uma máquina de “16 qubit” (16 bits quânticos), mas agora, em Novembro, a empresa demonstrou um segundo protótipo de “28 qubits”, o que demonstra que não estava perante um beco sem saída – como receavam alguns – e que a tecnologia está suficientemente madura para produzir um computador quântico comercial viável. A D-Wave espera construir um computador de 512 qubits no final de 2008 e um de 1024 até 2009, sendo a partir daqui a máquina quântica produzida capaz de correr aplicações de uma forma muito superior à das máquinas convencionais.

Contudo, a D-Wave nem a partir de 2008 estará pronta para fabricar e comercializar computadores quânticos… O acesso à máquina (de nome “Orion”) será concedido via Internet, sendo o seu tempo de processamento vendido a clientes. Em 2009, a empresa espera possuir uma outra máquina dedicada a correr uma simulação de análise de risco para mercados financeiros adequadamente chamada de “Monte Carlo”.

As primeiras teorias e experiências sobre a possibilidade de construir um computador quântico datam da década de 70, quando se teorizava de que um computador quântico seria capaz de realizar várias operações ao mesmo tempo usando os diferentes estados quânticos de um sistema. Já que num tal sistema todas os estados quânticos possíveis existem efectivametne, é possivel testar todas as respostas ao mesmo tempo, já que todas elas existem simultâneamente em… Universos Paralelos… Na boa onda Philip K. Dick…

Muitos teóricos e especialistas têm colocado em dúvida os feitos da D-Wave… Especialmente porque a maioria dos detalhes técnicos ainda estão imersos em grande secretismo, o que é compreensível data a necessidade de proteger os 44 milhões de dólares investidos no projecto, mas que irrita a comunidade científica onde a publicação de estudos e resultados é um dos pilares essenciais do desenvolvimento científico… Dizem alguns que a performance das duas máquinas demonstradas poderia ser alcançada por máquinas convencionais – já que ninguém imparcial analisou de facto os dois protótipos – mas, uma coisa é certa. Quando em 2008/2009 a D-Wave demonstrar uma máquina cuja performance seja efectivamente impossível de equivaler por uma máquina ou grid convencional… Então aí todos os cépticos (incluindo-se aqui cá o dito) se calarão… Veremos então se é mesmo possível usar computadores que… andam por Universos Paralelos, esperando até 2008!

Fontes:
ZDnet
D-Wave Systems

Categories: Ciência e Tecnologia, Informática | 8 comentários

Palavras/Conceitos que podem constar das Inscrições Cónias

“Orar”

Nas suas escavações no Sul de Portugal, Mário Varela Gomes descobriu várias estelas datadas do Bronze Final em que duas figuras antropomórficas que colocadas perto de sepulturas se referiam obviamente ao indivíduos tumulados. Situadas na mesma região geográfica onde a civilização cónia conheceu maior influência (no Algarve), as figuras, de tronco triangular e de pernas abertas em V erguem os braços até à altura dos ombros e têm os dedos esticados em atitude de oração. Estas estelas da Figueira (concelho de Vila do Bispo) pertencem a uma época em que ainda não era usada a escrita, mas a população local, o sistema cultural e religioso e a língua devem ser os mesmos que os cónios usavam durante a Idade do Ferro. Sendo assim, não é improvável que os mesmos temas destas estelas da Idade do Bronze subsistam nas estelas inscritas da Idade do Ferro que servem de objecto ao nosso estudo: “o guerreiro em atitude de oração”, a mesma frase deve constar de pelo menos algumas estelas cónias.
Armas e Cães

A representação de lanças, escudos redondos, escudos que apresentam três círculos concêntricos e escotadura em V é comum na arte antropomórfica da Idade do Bronze. Curiosamente também o cão é representado em pelo menos três estelas[1], ao lado das armas do guerreiro tumulado. Esta presença de armamento subsiste na Idade do Ferro[2], em que são encontradas dentro de algumas sepulturas que apresentavam estelas inscritas.

Daqui se infere que palavras referentes a armamento da Idade do Bronze devem constar muito provavelmente das frases presentes nas inscrições cónias, assim como palavras referentes a “cão”. Ressalve-se aqui a menção que fizemos noutro local quanto ao papel do canídeo enquanto símbolo totémico dos cónios e como origem do próprio étimo “cónii”. Assim se explica esta estranha repetição do animal, aliás também existente na parte final das inscrições (“KONII” e “KONI”).

A Espiga dos Nomes Étnicos

Os nomes étnicos inscritos nas estelas cónias terminam sempre com um carácter que graficamente se assemelha a uma espiga. Este carácter pode ser dobrado, talvez para induzir o sentido plural, mas estas espigas múltiplas não são novas no sistema de signos da Idade do Bronze. Na estela de São Martinho II Varela Gomes encontrou três ramos triplos[3] que identificou como símbolos de fertilidade. Esta leitura é perfeitamente coerente com o sentido de pluralidade. A sua aparição no final do tema CON-, que já identificámos com o cão, o animal totémico destas populações, pode significar “filhos de CON”, ou melhor ainda, “filho(s) do Cão”.

O Caracter Taurino

Já vimos nas linhas e parágrafos anteriores a importância do culto taurino nas civilizações ibérica da Idade do Bronze e do Ferro. Não questionamos aqui a tese de M. Almagro que defendia a origem Oriental do culto e a importação do culto tírio de Reshef, mas é inegável que os símbolos ligados a esse deus, os cornos do touro são frequentes nas representações antropomórficas no Sul da Península Ibérica e especialmente nas de guerreiros. No Mediterrâneo Oriental, as representações deste tipo estão associadas aos conceitos de poder e fecundidade e é provável que iguais significados estejam implícitos nas figurações peninsulares. Nas estelas cónias a aparição do caracter taurino é relativamente rara e incomum, mas aparece em praticamente todas pelo menos uma vez e sempre antecedendo o étnico “CONII”, poderá ser assim um dos raros (juntamente com os ícones solar e lunar) ideogramas presentes na Escrita Cónia, um signo para “pertencente ao bravo clã dos Filhos do Cão (os Conii)”.

A Terminação “briga”

É conhecida a presença de cidades com a terminação céltica “briga” naquela região que é conhecida como “Terra Cónia”. É o caso de Lacobriga, no Promontório Sacro, entre algumas outras. Por essa razão, a terminação –briga é uma das prováveis presenças nas inscrições das estelas cónias, especialmente nas mais tardias, que já são contemporâneas da fase decadente da Civilização Cónia e em que os célticos já viviam entre as populações cónias.

Dos Nomes Pessoais e Familiares

Nas sociedades tradicionais, a escolha dos nomes para a criança que acabava de nascer era uma decisão muito importante, com um forte significado religioso e uma influência determinante para o resto da vida da criança. Em primeiro lugar, o nome escolhido iria [4]determinar aquilo que seria a vida adulta da criança baptizada. Em segundo lugar, dar-lhe-ia a obrigatoriedade moral, religiosa e psicológica para agir consoante o seu nome. O factor continuidade e tradição é também muito comum entre as culturas antigas. Assim se explicam os nomes que não passam de continuações dos nomes dos antepassados, do pai, nas culturas masculinas e solares, da mãe, nas culturas femininas e lunares.

Por outro lado, nas sociedades tradicionais, a principal responsabilidade de cada indivíduo era velar pela transmissão da honra e do nome familiar aos seus descendentes, enriquecendo-o se possível através do cumprimento de feitos notáveis ou heróicos. Deste cumprimento dependia a sua própria imortalidade e por essa razão a representação do seu nome, ou da sua figura, nas estelas funerárias é uma presença obrigatória na maioria das culturas tradicionais. Aplicando esta teoria às estelas cónias podemos desde logo inferir que o nome do indivíduo tumulado é nelas presença obrigatória. Outra presença muito frequente deverá ser a fórmula funerária tradicional, no nosso caso algo como “nadoconio”. Somente nas estelas que apresentam uma decoração mais elaborada e um texto mais extenso (algo que, logicamente, coincide) é encontraremos palavras mais funcionais.

Jean Haudry (“Os Indo-europeus”) descreve-nos o tipo de funções adequado segundo o nome nas civilizações indo-europeias: “Cada condição social tem os seus ideais e, consequentemente, os seus nomes, como aliás recomendam as Leis de Manu II, 31-32: o nome de um brâmane deve ser de bom augúrio; o de um ksatriya deve exprimir poder, protecção; o de um vaisya, riqueza e prosperidade; o de um sudra deve reflectir a sua condição servil e desprezível. É desse modo que são designados os primeiros representantes das classes sociais nórdicas no Canto de Rig: os filhos de Servos (Thraell) chamam-se Gritador, Camponês, Lenha; as do Homem livre (Karl), Homem, Bravo, Fiel; as do Nobre (Jarl) Filho, Herdeiro, Chefe e o mais novo, “aquele que conhece as runas”, Rei.” Como este tipo de mecanismos são geralmente comuns a todas as sociedades tradicionais[5] será razoável conjecturar que encontraremos nos nomes presentes nas estelas que servem de objecto ao nosso estudo exemplos semelhantes.

Uma outra observação nos surge ainda a propósito dos antropónimos: Ventris descobriu nas inscrições do Linear B Minóico um conjunto de palavras derivadas e construídas a partir de nomes de cidades mas que apresentavam um conjunto diverso de terminações. A sua primeira tese foi a de considerá-las como antropónimos derivados dos nomes de cidades[6]. Um processo semelhante poderá também ser encontrado na Escrita Cónia.
Topónimos

Um dos conceitos mais frequentes em todas as inscrições funerárias é o do topónimo. Com efeito, para além do nome dos tumulados, e por vezes, dos seus antepassados, o grupo de palavras que logo seguir mais frequentemente surge é precisamente o nome de localidades a que o tumulado esteve em vida associado. Por esta ordem de razões, a presença destas palavras deve também ser uma constante nas inscrições cónias. Tenhamos contudo um elemento em consideração: se encontrarmos um topónimo numa dada inscrição é mais provável que essa aparição surja porque o tumulado foi enterrado longe do seu lugar de origem (aí referenciado) do que no mesmo onde repousa. Ou seja, estes topónimos poderão não se referir aos locais onde foram encontradas as estelas onde os encontrámos, pelo contrário, é bem provável que seja exactamente o contrário.

Associações arbitrárias, Concidências e Grupos linguísticos

Uma das características mais básicas da linguagem humana é que em todas as suas linguagens se aplica a mesma regra: todas as palavras são apenas associações arbitrárias de um conjunto de sons reunidos sem qualquer significado particular. Seguindo esta lógica, uma palavra – pertencente a qualquer língua humana – pode ser formada pela combinação arbitrária das centenas ou milhares de sons disponíveis a uma determinada língua. É por esta razão que se encontramos palavras semelhantes em duas línguas diferentes é pouco provável que esta proximidade se deva exclusivamente ao acaso, mas antes a uma relação genética de qualquer tipo: dada a imensidade de combinações sonoras aleatórias disponíveis, a probabilidade de uma coincidência é extremamente baixa, e se existe essa semelhança é porque uma das palavras deriva da outra. Obviamente, a probabilidade deste coincidência aumenta com o tamanho das palavras. É assim que a probabilidade de dois palavras com as mesmas consoantes, por exemplo ZERONAI, terem um antepassado comum é muito maior do que por exemplo, CONOI.

[1] Nomeadamente em São Martinho II e Ategua.

[2] Túmulos I e II da necrópole da Chada-Ourique.

[3] Triplos, como o caracter supracitado.

[4] Pelos elementos significantes nele contidos.

[5] E mesmo excluindo, como excluímos, a possibilidade da língua dos cónios não ser uma língua indo-europeia.

[6] Um pouco Lisboa / Lisbonense.

Palavras Simbólicas

Apesar desta regra, existem palavras cujas cadeias sonoros são mais do que um simples fruto do acaso. Falamos dos casos daquilo a que Merritt Ruhlen designa como simbolismo do som. É o caso de i (perto do orador) e de a (longe do orador) ou como as palavras imitadores zumbido e murmúrio em que a sonoridade está na raiz do significado. As palavras mamã e papá, extremamente frequente nas línguas do Mundo são também julgadas como pertencentes a este grupo de palavras simbólicas. Dado o seu quase universalismo, é óbvio que estas palavras têm bastantes probabilidades de surgirem também na língua dos Cónios.

Processos de Importação Linguística

Uma vez que a língua cónia sofreu influências dos mercadores fenícios, influências tão fortes que a fizeram adoptar a forma escrita, é muito provável que tenha também importado algumas palavras do Fenício. Como se processam estes fenómenos de importação? Mais uma vez no respeita aos domínios da Linguística Histórica tentarei socorrer-me do “A Origem da Linguagem” de Merritt Ruhlen. E é precisamente aqui que se lêem as seguintes linhas: “Em primeiro lugar, embora seja verdade que, por vezes, qualquer palavra possa ser emprestada, é igualmente verdade que na maioria dos casos apenas alguns tipos de palavras o são. Dentro destes casos, o mais frequente é o do nome de um artigo que é emprestado juntamente com o próprio artigo, tal como os ubíquos “café”, “tabaco” e “televisão”. Por outro lado, palavras básicas como “eu, tu, dois, quem, dente, coração, olho, língua, não, água” e “morto” raramente são emprestadas, e nunca entre numerosas línguas numa área ampla. Assim, quando descobrimos que o vocabulário básico é partilhado por muitas línguas numa ampla extensão geográfica, podemos escolher a regra do empréstimo como explicação; desconhece-se um tal volume de empréstimo do vocabulário básico na linguagem humana. Quando encontramos palavras de facto semelhantes, espalhadas por uma grande área geográfica, a explicação mais provável é a de que estas semelhanças provenham de uma migração primitiva para essa zona.”

Sendo assim, devemos procurar nas estelas cónias palavras pertencentes aos substrato Mediterrâneo e às línguas do Norte de África como “eu, tu, dois, quem, dente, coração, olho, língua, não, água e morto” e palavras ligadas às actividades bélicas, comerciais e técnicas entre as línguas fenícia e grega.

Processos de Transformação Linguística

Nas línguas do Mundo a transformação de p, t e k em b, d e g é frequente quando aparecem separados por vogais. Aplicando este processo podemos descobrir palavras ligadas por laços genéticos que de outro modo não nos pareceriam relacionadas. Na raiz do fenómeno de transformação destas consoantes quando entre vogais está o facto de as vogais serem fonetizadas através da vibração das cordas vogais, algo que também sucede com as consoantes b, d e g, é esta semelhança que está na origem deste processo de transformação linguística.

Para além destes casos, existem outros casos de sons semelhantes entre si e que por isso são alvo de substituições quando a mesma palavra transita de uma língua para outra. É o caso das vogais i, e e que são foneticamente muito próximas o que também acontece com u e o. Apesar de serem mais complexas, as consoantes também sofrem processos semelhantes. Assim sucede com os grupos:
1) Pronunciadas com os lábios: p, ph, f, b, 
2) Pronunciadas com a ponta da língua: t, th, d, 
3) Pronunciadas com a parte posterior da língua: k, kh, x, g, 
4) Sibilantes: ts, s, dz, z

Listemos ainda algumas outras transformações:
1) Também os l se transmutam frequentemente em y ou em r um pouco por todo o Mundo, veja-se por exemplo, o rio AmsteL que atravessa a cidade de Amsterdão;
2) Como sucede no Finlandês, o t- inicial pode também transformar-se num s- se for seguido de uma vogal;
3) A vogal u é semelhante à consoante w;
4) A vogal i é semelhante à consoante y;
5) A vogal i, quando precedida por t ou k transforma essa consoante em ch;
6) A sequência ti- transforma-se frequentemente em tsi-, e esta, por sua vez, em si-. Esta transformação não ocorre quando a consoante é seguida pelas vogais u e a.
7) Em algumas línguas o k > c
8 ) ki > ci > si > si > hi > i
9) p > f > h
10) d > z
11) t > th > s
12) i > y
13) u > w

A Família Euro-asiática

O linguista americano Joseph Greenberg descobriu traços comuns entre as famílias indo-europeia, urálica, altaica, coreano-japonesa-aino, chukchi-kamchatkan e esquimó-aleúte, a esta grande “super-família”, Greenberg chamou de euro-asiática. Exemplos desta proximidade podem ser encontrados nas palavras ti “tu”, ya “o quê”, xip “casca”, polm “cegar”, qlai “conversar” e kip “tomar”, que como Merritt Ruhlen observa são comuns a várias línguas desta grande família.

Uma das provas da existência deste grupo é a frequência com que os plurais dos nomes são formados pela adição do sufixo –t enquanto que os duais são formados com a adição de –k.

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Os Valores Fonéticos

A ascendência fenícia dos caracteres da escrita cónia é inegável. Embora existem signos de aparente influência grega, estes encontram-se em franca minoria. Assim sendo é razoável que a caracteres semelhantes correspondam valores semelhantes. Com efeito, seria pouco razoável acreditar que alguém tivesse importado uma escrita encontrando depois correspondências completamente diferentes. Pese embora este argumento, não podemos seguir esta teoria com demasiada fidelidade. Com efeito, temos actualmente os exemplos do cirílico e do português, em que a caracteres semelhantes como X, B, C e P correspondem valores fonéticos completamente diferentes. Esse mesmo erro foi também seguido pelos primeiros investigadores que abordaram a tradução do alfabeto cipriota que procuravam associar os mesmos sons a signos que surgiam nesta e no alfabeto fenício.

Existem alguns caracteres cónios com uma provável origem ideográfica e falamos mais especificamente de
16.jpg, seguindo o princípio da acrofonia é provável que à semelhança do sinal egípcio para “boca”, e que por causa da sua correspondência em r´t assumiu o valor de “r” não é impossível que algo de semelhante se tenha passado com estes caracteres. É então necessário procurar as palavras correspondentes a estes ideogramas nas línguas-hipótese e averiguar da sua validade.

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