Daily Archives: 2007/11/25

CurtasLinhas (1): O Julgamento do cozinheiro seropositivo

Como saberão, um despedimento de um cozinheiro que trabalhava num hotel foi confirmado quer na 1ª instância, quer na Relação, baseando os juízes a sua decisão no facto de trabalhando com facas, este poderia cortar-se e logo contaminar algum dos clientes do dito hotel. Ora bem, o contágio ocorreria supostamente se o homem se cortasse, se o não visse ou omitisse, se o fizesse sobre uma salada (já que o calor destrói o vírus) e se esta… fosse servida em dois minutos (tempo que o vírus sobrevive fora do corpo humano) e se, – sobretudo – o cliente tivesse uma ferida na boca. É altamente improvável, tanto que não se conhecem casos de contágio idênticos, será então Justo estabelecer e reconfirmar tal sentença? E se o é (pela remota hipótese do risco), porque não determina já agora a morte do cozinheiro já que – ao fim ao cabo – enquanto estiver vivo pode contaminar alguém? Aliás, porque não determina final o Tribunal o abate de todos nós, já que de facto todos temos uma hipótese de vir a ser contaminados um dia e de assim passarmos a ser assim também outros improváveis focos de contágio?

P.S.: Esta “CurtaLinha” vai inaugurar uma série de pequenos Posts que irão surgindo por aqui irregularmente e que tentarão ser sucintos, sem ser lacónicos, e que se debruçarão sobre temas da actualidade. Não deverão ter mais que um parágrafo, imagens e não terão links externos.

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Categories: CurtasLinhas, Saúde, Sociedade Portuguesa | 2 comentários

O “Caso Roswell” do “The Nebraska State Journal” de 7 de Junho de 1884

Uma das primeiras notícias sobre “Discos Voadores” data de 1884 e descreve os acontecimentos ocorridos nesse ano no Estado americano do Nebraska. A fonte é um artigo do jornal “The Nebraska State Journal” de 7 de Junho de 1884.

Eis o artigo em questão, traduzido para português:
“Um Visitante Celestial
Uma espantosa e curiosa história da região do condado de Dundy

Um fenómeno muito notável ocorreu por volta da uma da tarde ontem a cerca de 35 milhas a noroeste deste lugar. John W. Ellis. um rancheiro bem conhecido, levava o seu gado para o campo com 3 dos seus filhos e vários outros vaqueiros para o encontro anual. Quando cavalgavam ao longo da planície ouviram um som terrível, como um rugido pairando sobre eles e olhando para cima, viram aquilo que parecia ser um meteoro de tamanho imenso caindo em ângulo sobre a terra. Um momento depois precipitou-se para a terra e saiu de vista. Subindo apressadamente a colina viram o objecto caindo a cerca de meia milha e desaparecendo atrás de outra colina.

Galopando a toda a velocidade, ficaram espantados ao ver vários fragmentos de rodas dentadas e outras peças de maquinaria espalhadas pelo chão, ao longo do caminho percorrido pelo visitante dos céus, brilhando com um calor tão intenso que a erva estava queimada até uma longa distância em torno de cada fragmento e tornando impossível a aproximação a cada um deles (“they were astounded to see several fragments of cog-wheels and other pieces of machinery lying on the ground, scattered in the path made by the aerial visitor, glowing with heat so intense as to scorch the grass for a long distance around each fragment and make it impossible for one to approach it”). No fundo de uma ravina funda onde o objecto tinha caído, havia um calor tão intenso que era impossível de suportar e havia aqui uma luz tão intensa que o olho humano não a podia suportar a não ser por breves instantes.

Uma ideia deste calor pode ser adquirida do facto que um membro do grupo, um cowboy chamado Alf Williamson, deixando a sua cabeça descuidadamente exposta sobre o banco da ravina tombou sem sentidos ao fim de meio minuto. A sua face estava desesperadamente queimada e o seu cabelo estava queimado e quebradiço (“hair singed to a crisp”). O seu estado era perigoso. À distância do aerolito, fosse ele o que fosse, era de cerca de 200 pés. O homem queimado foi levado até à casa de Mr. Ellis, tratado da melhor maneira possível de acordo com o que as circunstâncias permitiam e foi chamado um médico. O seu irmão, que vivia em Denver foi chamado por telégrafo.

Descobrindo ser impossível a aproximação ao visitante misterioso, o grupo voltou para trás sobre o seu rasto. Onde este primeiro tocou o solo estava areia e alguma era. A areia estava fundida até uma profundidade desconhecida num espaço de cerca de 20 pés de extensão por oito, e o material fundido ainda borbulhava e silvava. Entre este o local de paragem final havia vários pontos onde tinha entrado em contacto com o solo, mas nenhum estava tão bem marcado como este.

Descobrindo ser impossível fazer alguma investigação, Mr. Ellis voltou para a sua casa e enviou mensageiros para os ranchos vizinhos. Quando a noite chegou a luz do objecto maravilhoso era tão forte como o sol, e os visitantes que o foram ver continuavam a ser incapazes de suportar o brilho.

Na manhã seguinte outra visita foi feita ao local. A equipa incluia E. W. Rawlins, o inspector para este distrito que tinha chegado a Benkleman nessa noite, e a quem uma amostra de particulas recolhidas no local foi entregue. As partes menores da maquina espalhada tinham arrefecido a um ponto até que já era possível a aproximação, mas ainda não a sua manipulação. Uma peça que parecia uma pá de uma hélice feita de metal e a aparência de ser uma espécie de bronze com cerca de 16 polegadas de largura, 3 de grossura e 3 e meia de comprimento foi recolhida com uma pá. Não devia pesar mais do que cinco onças, mas parecia tão forte e compacta como qualquer outro metal conhecido. Um fragmento de uma roda com um diâmetro aparente de sete ou oito pés, foi também recolhida. Parecia ser do mesmo material e tinha a mesma notável leveza.

O aerolito, ou lá o que fosse, parecia ter entre 50 a 60 pés de comprimento, cilindrico e com 10 ou 12 pés de diâmetro. Havia uma grande excitação na vizinhança mas a aproximação foi suspensa enquanto os cowboys esperavam que esta descoberta maravilhosa arrefecesse de forma a que a pudessem examinar.

Mr. Ellis foi à cidade e contactou o “land office” com a intenção de garantir que a terra onde a estranha coisa estava era sua, de forma a que esta posse não fosse disputada.

Um grupo foi enviado para o local e viajaria durante toda a noite até lá chegar. O terreno na vizinhança era muito selvagem e duro, e os caminhos pouco mais do que trilhas.”

O Jornal em questão tem parte dos seus artigos disponíveis online por AQUI (um site ligado à busca de genealogia), sendo a data mais antiga disponível 1897. E de facto, aqui, neste ano em diante há vários artigos mencionado o nome de John W. Ellis… Será então que a publicação do jornal começou apenas em 1897 e logo, o artigo era um “hoax”? Não… O jornal era publicado em 1893, como se depreende desta biografia e do comentário a esta fotografia:


(“Cather at the Nebraska State Journal offices, c. 1893-1895.”)

Mas… Parece que demos com o rabo do gato. Segundo este site, a primeira edição do Nebraska State Journal ocorreu em 1887:
“Nov 28, 1887 First Monday edition of Nebraska State Journal”. Só que… Se referem à sua edição à segunda-feira! É que segundo este outro site: “Gere founded Lincoln’s first newspaper, The Nebraska Commonwealth (later the Nebraska State Journal) in 1867. When the State Journal became a daily in 1870“. Ou seja, entre 1867 e 1870, o jornal haverai de assumir a forma que tinha em 1884: Nebraska State Journal. Fica por tanto estabelecida a certeza de que pelo menos tal jornal existia nesta data…

A história em torno deste estranho relato foi conhecida pela primeira vez em 1964 (ver AQUI) e embora na altura ainda fosse possível encontrar na região pessoas que tivessem alguma recordação do caso estas não foram encontradas… Alguns acreditam que esta história é um Hoax. Alguns detalhes apontam nesse sentido como o das “rodas dentadas” ausentes de todas as histórias modernas de OVNIs, mas compatíveis com o ambiente técnico da época do relato. É claro que as “rodas” podiam não ser exactamente “rodas dentadas”, mas antes círculos ou outros objectos percepcionados como “rodas dentadas”. É verdade que os jornais da época não estavam muito interessados em reportar factos e que a concorrência feroz colocava-os frequentemente no caminho da pura invenção, apenas para “vender papel”. O facto de haver aqui várias testemunhas designadas pelo nome, de haverem indícios da sua existência nesta época e local (ver acima). No Nebraska havia várias famílias Ellis nessa data (ver AQUI, AQUI). Mas no censo de 1860 desse Estado não aparece nenhum John W. Ellis (ver AQUI) e por estas bandas:

Mas aparece um “John Ellis” no censo estatal de 1885:

Teria então 25 anos? E já 3 filhos? É possível… Já que não há indicações que se tratasse de um recém-chegado ao Condado de Dundy, mas até que era uma figura conhecida…

O incidente é segundo parece o relato mais antigo jamais surgido em jornais em todo o mundo. Um outro caso, de 1897, suportamente ocorrido em Aurora, no Texas (ver AQUI) em cujo cemitério:

Estariam enterrados… 4 alienígenas e que teria dado azo a esta notícia:

( http://www.ufocasebook.com/haydonarticle.jpg)

A lápide funerária foi roubada já há muito tempo (ver AQUI) e parece que o Mayor da cidade tinha motivos para atrair população à cidade e esta possível invenção pode ter feito parte desse estratagema (ver AQUI).

O que mais estranha neste caso “roswelliano” do Nebraska é a ausência de testemunhos materiais… Quer dos pedaços de maquinaria, quer da própria “nave”… Será que ainda existem soterrados algures no vale do rio Republican, onde supostamente estaria esta ravina?

Esta é a região onde se teria despenhado este ovni em 1884 (Google Maps).

Fontes:
Ufologie.net
Daily Nebraskan

Categories: Mitos e Mistérios, OVNIs | 18 comentários

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