Língua-hipótese: o Hebraico, o Cónio como uma Língua Afro-Asiática?

Oliveira Martins na sua “História da Civilização Ibérica” defende a pertença dos iberos ao ramo Afro-asiático adiantando que “não sendo lícito confundi-los mais na estirpe dos celtas, como supôs Humboldt, porque estes últimos provêm da raça indo-europeia”. Opinião semelhante tem Guy Rachet que diz outro tanto em “L´Univers de la Archeologie”. Recorrendo às fontes clássicas, encontramos também uma citação bíblica, num passo do Velho Testamento em que o profeta Abdias fornece alguma substância a estas teses quando, escrevendo no século V a.C. que “Os deportados de Jerusalém, que estão em Sefarad (designação da Península Hispânica), possuirão as cidades do meio-dia (Sul da Península Ibérica).”

Estes afro-asiáticas, ou hebreus, para ser mais específico, chegaram efectivamente à Península Ibérica no começo do ano mil a.C. A expansão comercial promovida pelos monarcas hebreus e fenícios Salomão e Hirão levava os mercadores destas nacionalidades até ao Ocidente europeu em busca de estanho e ouro. Não existem contudo provas suficientes que indiquem a existência de uma colonização afro-asiática na Península, mas apenas a presença de entrepostos comerciais e de contactos regulares e sistemáticos. A tese da lavra de Moisés Espírito Santo da pertença da língua cónia a uma família afro-asiática não colhe assim grandes probabilidades de vir a ser provada com sucesso. E torna-se ainda menos provável se nos recordarmo-nos de que nas escritas afro-asiáticas não existem palavras começadas por vogais e que destas temos diversos testemunhos nas estelas cónias.

Por outro lado, um dos traços distintivos das línguas afro-asiáticas consiste no papel desempenhado pelas consoantes nas raízes dos verbos. Com efeito, os radicais verbais nestas línguas são formados por consoantes em que a adição de vogais permite a criação de novas palavras a partir desta raiz. John Healey (“O Primeiro Alfabeto” in “Lendo o Passado”) dá um exemplo deste interessante mecanismo: “(…) existe uma raiz arábica, KTB. Em si mesma KTB não significa nada. Na verdade, é totalmente impronunciável. Mas, se lhe adicionarmos vogais em diferentes combinações (e, às vezes prefixos especiais), a raiz KTB ganha vida e adquire um significado enquanto autêntica palavra da língua: katib significa “escritor”; kataba, “ele escreveu”; kitab, “livro”; kutub, “livros”; kutubi, “livreiro”; kitaba, “escrita”; maktab, “escritório”; e maktaba, “biblioteca, livraria”. Observando essas palavras, podemos confirmar que existe uma raiz KTB e deduzir que está relacionada com “escrita”.” Como é evidente, se a língua dos cónios fosse afro-asiática este traço seria observável nas suas inscrições.

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Categories: A Escrita Cónia, História | Deixe um comentário

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