Contra o declínio das Empresas Locais e uma exaltação das virtudas das Economias Locais


(http://www.dixonprice.com)

O declínio das empresas locais não é inevitável. É possível definir e implementar políticas que combatam a expansão e a influência das grandes corporações de todos os ramos de actividade que estão a colonizar as comunidades e a substituir negócios locais, tantas vezes familiares e geracionais por armazéns amorfos e cinzentos. Nos Estados Unidos este fenómeno é especialmente flagrante na “Walmatização” das pequenas cidades, em Portugal, são as grandes superfícies que extinguem o comércio tradicional.

O recente declínio das vendas das grandes superfícies e a transferência de clientes para redes de retalho, expôs o problema: concebidas como formas de reduzir os preços ao consumidor, as grandes superfícies apresentam hoje preços superiores aos das cadeias de desconto e prova disso pode ser encontrada na recente fuga da rede Carrefour de Portugal (ver AQUI). Óbviamente que por economia de escala conseguem preços mais baixos junto dos seus fornecedores, mas na ânsia de recolherem mais lucros, aumentam as margens, ainda mais do que as cadeias de desconto e hoje começam a deixar de ser a opção preferencial de muitos portugueses.

Os negócios locais (lojas, pequenos supermercados, cafés, sapatarias de rua, etc.) apresentam níveis de serviços, atendimento, especialização e personalização que nunca poderão ser alcançados pelas grandes superfícies. Muitos, servem de escoador principal para as quintas agrícolas e para as pequenas indústrias da sua região, e contribuem activamente para a Economia Local. A própria evidência da sua localização, junto ao bairro ou na rua, implica uma redução de consumos de combustível, já que basta sair para a rua ou atravessar a dita, para chegar aos locais onde operam, ao contrário das grandes superfícies que estão geralmente longe dos centros urbanos. Assim, se poupa nas importações de combustível, no déficit da balança comercial e se contribui para a redução das emissões de carbono…

A erosão da Economia Local patente hoje em praticamente todos os locais do chamado “Mundo Desenvolvido” é consequência directa de uma visão das coisas que reduz o Homem ao papel de mero consumidor, esquecendo que cada um de nós para ser completo, congrega em si muitos outros papéis, como o de produtor, trabalhador, empresário, ingestigador, etc.

Para que as Economias Locais possam deixar o estado de morte lenta e estagnação generalizada em que vivem actualemente é necessário que as Autarquias abandonem as políticas, velhas de décadas, que dão primazia à construção de “zonas comerciais” longe das cidades, preenchidas preferencialmente por “grandes superfíceis” ou cadeias de retalho multinacionais que esvaziam negócio das grandes cidades, mas que são mais generosas para as sempre ávidas tesourarias partidárias e onde as licenças de construção contribuem de uma forma demasiado generosa (e Dependente) para os cofres camários… É necessário recentrar a actividade comercial nas comunidades locais, criar mecanismos que favoreçam o negócio de escala familiar e que prejudiquem o negócio de “comércio em massa” e que reduzindo até as distâncias entre os espaços comerciais e as residências, reduzam também o consumo de combustíveis fósseis e o Aquecimento Global.

Estas estratégias devem ser conjugadas com uma campanha vigorosa e sistemática junto às populações para que prefiram comprar localmente aquilo que consomem localmente… Os custos ocultos de importações e dos preços baixos praticados nos grande armazéns devem ser determinados e publicitados (custos ambientais, sociais e económicos). Formas de criar um Marketing “local” e distinto das máquinas de Marketing das multinacionais, assim como Moedas Locais devem ser implementados de forma a propiciar o renascimento do tipo de Economias Locais que floresciam em Portugal na auge da nossa Idade Média, servindo de bastião para um regime monárquico que se transformava numa autêntica Federação de Municípios Livres e que é, efectivamente, a “Idade de Ouro” para o qual o Movimento Quintano pretende reencontrar o caminho…

Baseado livremente na conferência de Stacy Mitchel de 2006 “Declaration of Independents,” editada por
Hildegarde Hannum (disponível em http://www.smallisbeautiful.org/publications.html)

Categories: Brasil, Economia, Movimento Internacional Lusófono, Política Internacional, Política Nacional, Portugal | Deixe um comentário

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