O Substrato Mediterrâneo: Presente nas raízes da língua basca?

Em 1971, o professor Huxley publicou um estudo sobre a etnologia das populações pré-romanas das Ilhas Britânicas. Do seu trabalho – ainda actual – resulta uma conclusão: no princípio da Era Cristã a população da Bretanha era constituída por dois povos distintos, um de tez clara, o outro de tez escura. A população escura assemelhava-se aos aquitanos e aos iberos, e a de tez clara aos gauleses da Bélgica e da Gália. Tácito no seu “Agricola” escreveu que os habitantes da Bretanha apresentavam uma grande variedade de tipos físicos: os caledónios tinham cabelos ruivos e grande estatura, como os germanos, pelo contrário, os siluros apresentavam cabelos encaracolados e uma cor de pele mais escura como os iberos. Estrabão reforça esta posição quando escreve que “os homens da Bretanha são mais altos que os celtas, com cabelo menos amarelo; individualmente são também mais habilidosos”.

Estas palavras dos autores clássicos vão de encontro aos tipos morfológicos encontrados nos túmulos pré-romanos da Bretanha onde se descobrem frequentemente crânios longos e outros mais largos, um fenómeno com paralelismos na Gália. Algo de semelhante foi também registado na Irlanda, sendo contudo aqui mais frequentes os crânios mais longos.

Huxley reconhece esta tipologia mais escura em França, na costa lígure da Itália, na Itália ocidental e do sul, na Grécia, Ásia, Síria e Norte de África, na Península Arábica, no Irão, Afeganistão e até no Indostão. Em França, onde viviam no momento de chegada dos romanos, três nacionalidades: Belgae, Celtae e Aquitani, sabe-se que os primeiros e os segundos se assemelhavam em quase tudo, opondo-se a estes os aquitanos, quer fisicamente, quer no ponto de vista estritamente linguístico. A este povo, que grosso modo corresponderia no continente europeu às populações mediterrâneas ainda hoje sobreviventes na bacia deste Mar, Huxley chamaria de “Melanochroi”. É a partir deste raciocínio que Huxley conclui que existem bastantes provas da existência de uma língua não-indoeuropeia falada pelos “Melanochroi” no extenso território em que habitavam e que no decorrer dos tempos seria sucessivamente reduzido pelo avanço imparável de várias vagas de invasores militarmente superiores. Huxley leva ainda mais longe a sua especulação, reunindo a oposição da maioria dos investigadores, mais especificamente quando concluí enfim que essa língua era o Euskari, a língua nacional dos bascos e que o professor julgava ainda relacionada com o Lígure e o Osco da Península Itálica.

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Categories: A Escrita Cónia, História | Deixe um comentário

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