E lá se safaram outra vez…


(Mervyn King, governador do Banco de Inglaterra)

Mervyn King, governador do Banco de Inglaterra declarou que não queria tornar a safar os especuladores… Isto a propósito das consequências bolsistas do fenómeno do crédito malparado (“Subprime”) que começou nos EUA mas que se estendeu rápidamente – à velocidade da Luz – até todo o mundo… Este aviso, foi antecedido por outros emitidos pela Reserva Federal dos EUA, também na mesma direcção. Contudo, a pressão do sector financeiro e dos grandes especuladores soube vencer esta orientação (correcta) inicial dos bancos centrais, e estes, rapidamente, estavam a encher as impressoras de tinta e a emitir dólares e euros a toda a força para injectarem milhões no sistema.

O sector financeiro está sempre a apelar para disciplina orçamental, contenção de custos, mas quando se deixa imergir em maus e desavisados investimentos, vai logo a correr com as calças na mãos bater às portas dos Bancos Centrais clamando por salvação. O sector financeiro tem recolhido bastos benefícios de um sector bolsista onde os rendimentos têm alcançado paroximos de irracionalidade crescentes nos últimos anos. De facto, o rendimento de um investimento bolsista nos últimos anos tem sido tão elevado, que muito capital tem sido desviado de investimentos produtivos a caminho das Bolsas, recolhendo aqui rendimentos irracionais, que esta Crise poderia reparar, reintroduzindo alguma razão em que a perdeu. Agora com esta injecção de papel, e com a aparente recuperação de saúde dos índices bolsistas toda a irracionalide foi desculpada e voltámos à estaca zero. De novo.

É claro que com esta injecção de papel, aumentaram as pressões inflaccionistas, mas a taxa de desemprego nos EUA continua baixa, o que funciona em contracorrente a estas pressões… Já que aumenta a tendência para salários altos e altos níveis de consumo. Mas isto está na raíz do tradicional desiquilíbro da Balança Comercial dos EUA! Assim, o que fazer? Recorrer ao método aplicado no México e na Tailândia em finais de 90 e deixar que uma recessão se desenvolva e corrija estes desvios irracionais do Mercado? Usar uma “recessão controlada” (existe tal coisa?) e esperar que a euforia consumista se reduza e que se recomecem a aplicar poupanças, reduzir importações e que se desvie a Economia mundial desta tresloucada espiral consumista em que está imersa?

Fonte: Podcast de Doug Henwood

Categories: Economia | 6 comentários

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6 thoughts on “E lá se safaram outra vez…

  1. Golani

    Mas isto está na raíz do tradicional desiquilíbro da Balança Comercial dos EUA! Assim, o que fazer?

    deixar o dólar desvalorizar

  2. como está a acontecer… ok… é nestas coisas que se manifesta a crença (ou não) nas virtudes de auto-regulação dos Mercados, suponho… crença que em mim não é forte, já que por todo o lado temos mecanismos de contenção e vectores de perturbação… por exemplo, o déficit da BP dos EUA, do seu orçamento, o nível de endividamente e a baixíssima taxa de poupança das famílias americanas, etc, etc.
    E bastará usar (ou deixar correr) um factor meramente financeiro para corrigir um desiquilibrio estrutural e até cultural que é o do grave e profundo desiquilibrio entre produção e consumo na economia dos EUA?

  3. Golani

    dados acabados de sair:

    U.S. Economy Grew More Than Forecast in Third Quarter

    By Bob Willis

    Oct. 31 (Bloomberg) — Economic growth in the U.S. unexpectedly accelerated in the third quarter as increases in exports, consumer spending and business investment made up for another plunge in home construction.

    Gross domestic product grew at an annual rate of 3.9 percent in the quarter, the most since the first three months of 2006, compared with a 3.8 percent pace in the prior quarter, the Commerce Department said today in Washington. The Federal Reserve’s preferred price gauge rose more than forecast.

    The report comes as Federal Reserve policy makers meet to set interest rates, with most economists predicting officials will lower their benchmark rate for a second month. The figures may give the central bank reason to signal it isn’t inclined to make further reductions, analysts said.

    “Looking forward, the Fed is probably still going to argue that the economy is softening,” said Peter Kretzmer, a senior economist at Bank of America Corp. in New York. “The language in today’s statement could become a little more indicative of a Fed that will be reluctant to move again.”

    The median forecast of 82 economists surveyed by Bloomberg News projected the growth rate at 3.1 percent. Estimates ranged from 2.0 percent to 4.0 percent.

    The dollar strengthened against the euro and yen in the minutes after the GDP report was released, before later paring its gain. Treasury notes declined. A report from the National Association of Purchasing Management-Chicago today showed business activity unexpectedly shrank this month.

    Advance Report

    Companies in the U.S. added 106,000 jobs in October, more than economists had forecast, according to a report today from ADP Employer Services. A report from the Labor Department also showed employment costs rose in the third quarter at a slower pace than in the previous three months, suggesting increases in wages and benefits aren’t heating up inflation.

    The GDP report is the first for the quarter and will be revised in November and December as more information becomes available.

    The Fed’s preferred inflation gauge, which is tied to consumer spending and strips out food and energy costs, rose at a 1.8 percent annual pace following a 1.4 percent increase the prior quarter, according to the report.

    The gain leaves prices within the 1 percent to 2 percent range policy makers, including Ben S. Bernanke before becoming Fed chairman, have said is their preferred zone.

    Certain Rate Cut

    Federal funds futures indicate a near certainty that the Fed will cut its benchmark rate by 25 basis points today to 4.5 percent, following its half percentage point cut on Sept. 18. The Fed will announce its decisions today at around 2:15 p.m.

    Consumer spending grew at a 3 percent pace following a 1.4 percent increase in the prior quarter, contributing the most to the gain in growth. Still, many economists project spending will slow as declining property values turn Americans pessimistic.

    “The dreaded collateral damage from the housing market hasn’t showed up yet in consumer spending, though it’s just a matter of time,” said Ethan Harris, chief U.S. economist at Lehman Brothers Holdings Inc. in New York. The economy will probably expand at a 1.8 percent pace in the current quarter, according to the median forecast of economists surveyed earlier this month.

    Consumers weren’t the only ones buying last quarter. Gains in both commercial construction projects and purchases of equipment and software contributed to a 7.9 percent increase in business investment. The 5.9 percent rise in spending on new equipment was the biggest since the first quarter of 2006.

    An increase in inventories contributed another 0.4 percentage point to growth.

    Rise in Exports

    The economy was also buttressed by a narrowing of the trade deficit that added 0.9 percentage point to the rate of expansion. The gap shrank to $546.2 billion at an annual pace, the smallest since the last three months of 2003.

    General Electric Co.’s third-quarter profit rose as large- equipment orders climbed 39 percent amid a surge in demand from countries that are building airports and power grids, the Fairfield, Connecticut-based company said Oct. 12.

    “We see orders everywhere around the world,” GE’s Chief Executive Officer Jeffrey Immelt said on a conference call earlier this month. “That seems to be accelerating, not diminishing.”

    Home construction remained the biggest drag on GDP, the report showed. A 20.1 percent plunge in homebuilding, the seventh consecutive decline, subtracted a percentage point from growth.

    Credit restrictions since the August collapse in subprime lending intensified the blow to housing at the end of the quarter. Existing home sales in September fell 8 percent from the prior month, while housing starts declined 10 percent to the lowest since March 1993, reports earlier this month showed.

    To contact the reporter on this story: Bob Willis in Washington at bwillis@bloomberg.net

    Last Updated: October 31, 2007 09:48 EDT

  4. Golani

    ver SPAM

  5. ena pá, o Optimismo vai de vento em popa, lá nos EUA…
    mas tudo isto parece bem conjuntural, enquanto que os problemas com o crédito para habitação e com a bolha imobiliária são estruturais e radicam (nas palavras do pp Greenspan) na década de 90…

  6. Golani

    houve foi uma bolha de crédito ( o FED desceu os juros para niveis históricos, e apareceram no mercado inúmeros instrumentos financeiros que permitiam emprestar dinheiro a qq um) isto criou outra bolhas, nomeadamente no Imobiliário, e fomentou o Consumo, crescimento económico, o mercado accionista.

    a bolha no Imobiliário estourou já em meados de 2005, e continua a esvaziar…a questão se isso não vai ter efeitos negativos no Consumo (mais difícil ir buscar dinheiro via refinanciamento das casas)….os últimos dados no PIB parecem indicar que não

    mas isto é um proceso que ainda não terminou …. vamos andando e vendo

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