Daily Archives: 2007/10/29

Da entrevista de Jacques Attali e do álbum gratuito dos Radiohead…


(http://www.lexpress.fr)

Na sua entrevista à TSF de 20 de Agosto, Jacques Attali, escritor, economista e especialista em politica do Desenvolvimento e ainda conselheiro especial do presidente François Miterrand afirmou que “a Globalização pode levar a um recuo no sentido da barbárie ou pelo contrário…A nossa época pode levar a uma nova Idade Média: criativa, inovadora, mas com enquistamentos em que as pessoas se fecham.”

> Efectivamente, a Idade Média foi tudo isso e muito mais… Uma das épocas em que mais se desenvolveram muitas técnicas e formas de organização social de hoje e não aquele pântano social e técnico dominado pela opressão religiosa e ultracaólica. Esse modelo de Idade Média começou a ser forjado na Renascença e o Iluminismo acrecentou-lhe mais tarde alguma renovada credibilidade. Mas numa coisa, os críticos da medievalidade tinha razão: foi uma das épocas mais fechadas da História humana. Em que as sociedades mais se fecharam sobre si mesmo – algo particularmente verdadeiro nos paises onde o feudalismo mais se soube impôr – e onde a intolerância religiosa e de Pensamento mais se extravasou. A Globalização trás em si a potência para unir todos os povos e sociedades da Terra numa única Sociedade, pacífica e harmoniosa, mas trás também si própria a potência para impôr no Globo um “Governo das Multinacionais” que oriente os príncipios do Livre Comércio contra os Homem e a favor das anónimas e cada vez mais escassas Megacorporações que nos querem governar através de Governos regionais como a União Europeia, ou, sobretudo, através da manipulação via financiamentos partidários dos “partidos do Poder” ou dos Lobbies de influência. Nada temos contra a “Globalização”, no sentido da potenciação das livres potencialidades de cada, da sã competitividade, sem dumpings sociais ou ambientais. Tudo temos contra uma “Globalização” que se afirma a favor do Lucro de Curto Prazo, desprezando consequências para as Sociedades ou para o Meio Ambiente onde todos nos inserimos.

“As relações entre povos sedentários e nómadas em que os primeiros acabam a detestar os segundos.”

> Aqui refere-se Attali à contraposição entre as pessoas que oriundas dos gigantescos fluxos migratórios que hoje transferem imensas moles populacionais para os países desenvolvidos e aquelas que tradicionalmente eram originárias destes. Este “detestamento” oriunda em primeiro da própria necessidade da existência destes fluxos. Por um lado, devido a sociedades ricas onde não existem condições para criar um mecanismo demográfico que seja capaz de as autosustentar a médio prazo, e que as torna dependentes do afluixo permanente de novos emigrantes para compensar esse declínio, por outro lado, esta oposição resulta também da incapacidade das nossas sociedades “ricas” absorveram social e culturalmente estes novos emigrantes – ao contrário do que soube fazer Roma – e de estes próprios frequentemente preferirem transferir para as suas sociedades de acolhimento os padrões de vida e de sociedade das sociedades de onde são originárias. A manutenção de células sociais autónomas e semi-independentes no seio das sociedades do Primeiro Mundo assume-se como um caldo de cultura propício ao desenvolvimento de todo o tipo de anomalias ou extremismos como o recente fenómeno do extremismo islâmico bem testemunha… Idealmente, os homens deviam ter condições para desenvolverem o seu pleno potencial nas suas sociedades de origem, onde quer que elas se encontrem. Assim, o fenómeno das migrações ainda que necessário para todos, não deve seer a base do desenvolvimento das Nações… A mão-de-obra barata não deve ser o maior factor de desenvolvimento de uma Empresa, nem as remessas de emigrantes o maior rendimento de um Estado… Desenvolver as Economias Locais ,descentralizando a sua administração e fundando Moedas Locais, pode ser aqui um elemento determinante para inverter esta doentia espiral migratória que se apossou agora do Mundo Globalizado…

“A música leva a noção da economia do gratuidto e que levará a mudanças sociais profundas.” (…) “O Sétimo Continente (a Internet) é o mundo da Gratuitidade.”

> Precisamente a essência da mensagem de Agostinho da Silva… Haverá um dia um mundo em que o ser humano vai trabalhar não para obter daqui o seu rendimento, mas para expandir a máxima potencialidade da sua energia criativa, deixando para as Máquinas a obrigatoriedade das tarefas repetitivas e desumanizantes da “Produção”. Num mundo onde todos faremos aquilo que realmente quisermos fazer, tudo será gratuito, já que competiremos com as produções dos demais, não pela via do preço ou do custo, mas pela via da qualidade e originalidade das nossas propostas. Essa será o mundo da gratuidade, horror dos economistas, mas potencia do ser humano que viveu a esmagadora parte da sua presença sobre a Terra precisamente num mundo dominado pela gratuitidade. Aqui, a Internet, pode revelar-se fundamental… Neste domínio, as editoras e distribuidoras de música e video estão a lutar desesperadamente para travar este movimento lento e contínuo para a gratuitidade, aplicando a força muscular das polícias e dos tribunais de todo o mundo a favor de modelos de negócio obsoletos. Mas algo está a mudar… O crescimento do tráfego P2P de partilha de música e video é de facto imparável e o surgimento de modelos de negócio novos, como as assinaturas em troca de um valor fixo de downloads, e a própria possibilidade de downloads gratuitos de albuns, como sucede agora com o último album dos Radiohead (ver AQUI).

(http://www.genkizenki.net)

O album “In Rainbows” pode ser carregado da Internet, não de uma forma completamente gratuita, mas quase, em troca de um pagamento mínimo de 1 dólar, um valor que existe para recuperar apenas o custo do uso do cartão de crédito. As vendas do album estão a correr muito bem, e a maioria dos que o foram carregar optaram por entregar cerca de 15 doláres por album, o que indica que as pessoas estão dispostas a pagar aquilo que acham útil ou com a devida qualidade, mesmo quando o podem não fazer. É claro que este movimento para fora da influência de uma editora (a EMI) está a espalhar o pânico entre esse Lobby… Se este modelo vingar, as redes P2P deixam de fazer sentido, e os verdadeiros “fabricantes de música” poderão obter finalmente uma parcela justa dos rendimentos das suas criações, já que se estima que um artista obtenha apenas 1 em cada 17 dólares de um album vendido em retalho:

(in ZeroPaid)

Fonte: Entrevista da TSF a Jacques Attali de 20 de Agosto de 2007 “Pessoal e Intransmíssivel”

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Categories: Economia, Informática, Sociedade | 3 comentários

Quid S3-22: Como se chama este animal?

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Dificuldade: 5

Categories: QuidSZ S3 | 12 comentários

Contactos Comerciais dos Cónios

Se a arqueologia já nos deixou provas de contactos comerciais com as civilizações mercantis do Mediterrâneo Oriental, esses contactos assumem outra escala durante a I Idade do Ferro. Os fenícios fundam entrepostos comerciais como testemunham os achados de Castro Marim, Rocha Branca (Silves), Monte Molião (Lagos) e Alcácer do Sal. Esta presença, a que não é estranho o florescimento do reino de Tartessos entre o século VIII e VI a.C. seria determinante na ascensão civilizacional das populações que Varela Gomes classifica de pré-indoeuropeias, mas nunca teve a importância de uma “colonização” como quis Moisés do Espírito Santo.

Categories: A Escrita Cónia, História | Deixe um comentário

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