Daily Archives: 2007/10/19

Sobre o mito (hoax?) do tipo que mandou… alterar cirurgicamente os polegares por causa do iPhone


(Steve Jobs na já “histórica” apresentação do gadget mais sobrevalorizado do Universo, conhecido e desconhecido…)

Uma das histórias mais curiosas que circular por aí fala de um indivíduo, de nome Thomas Martel que vive no Colorado (EUA) e que depois de comprar um muito ansiado iPhone teria tido dificuldades em escrever palavras no reduzido teclado virtual no telemóvel (Steve Jobs disse na apresentação do aparelho que era possível escrever aqui usando apenas os polegares). Bem, este Martel decidiu que as suas mãos não eram adequadas a esta utilização do aparelho da Apple, e como bom seguidor do “guru” Steve Jobs (também conhecido como “o-empresário-que-inspirou-berardo-a-não-mudar-de-camisola”), Thomas Martel decidiu que eram as suas mãos que eram incompatíveis com o seu iPhone e não ao contrário. Como teria dito: “Desde o meu antigo Treo, ao meu Blackberry e agora ao iPhone, tinha dificuldade em escrever naqueles teclados e como perco sempre as canetas, fiquei com um problema nas mãos” (literalmente…).

E vai daí Martel contactou um… cirurgião plástico para que este lhe alterasse os dedos, reduzindo as dimensões do osso dos polegares e fazendo alguns pequenos cortes na carne dos dedos. É claro que ficou com as mãos um tanto femininas (ao que parece são estes as mãos preferidas pelo iPhone, sabe-se lá porquê…)

Bem… A boa notícia é que a história deste imbecil é… falsa! Embora tenha surgido inicialmente no Engadget como verdadeira, este site publicou posteriormente um desmentido e o mesmo fez depois a Information Week. Aparentemente, o hoax começou num artigo “satírico” (admitem-no só agora…) publicado no jornal North Denver News

Categories: Hoaxes e Mitos Urbanos, Informática, Sociedade | 1 Comentário

A Escrita da Sardenha

A Escrita da Sardenha poderia ser a que mais impacto teria no nosso estudo. Com efeito, sendo o sardo uma língua que a maioria dos autores identificam como “mediterrânea” , e tendo em conta que também ela, à sua semelhança usou como ponto de partida o alfabeto fenício, tudo isto a colocaria como uma passagem obrigatória a quem pretendesse estudar a Escrita Cónia. Os processos de adaptação fonética e de caracteres podiam portanto ser de grande importância. Infelizmente, existem apenas duas inscrições incompletas e uma completa, a chamada “Pedra de Nora”, todas datadas do começo do século IX a.C. Ou seja, a escassez de elementos conhecidos sobre a Escrita da Sardenha impede qualquer uso prático da mesma no âmbito de um estudo como o nosso.

Categories: A Escrita Cónia, História | Deixe um comentário

A Escrita Cónia: Três Problemas de Tradução

A Língua da Escrita é Total ou Parcialmente Conhecida Mas a Escrita Pode ser Desconhecida

Foi este o caso da tradução do Persa Antigo, cumprida por Grotefend em 1802. Quando Grotefend encetou os seus trabalhos a escrita Cuneiforme era desconhecida, mas o persa era relativamente conhecido através do estudo dos nomes próprios e dos textos do Avesta.

A Língua da Escrita é Conhecida Mas a Escrita é Desconhecida

Exemplo de um destes casos é o da Escrita Etrusca, escrito com uma variante do alfabeto grego, mas utilizando uma língua desconhecida e isto apesar de – ao contrário do Cónio – existir um numeroso lote de inscrições.
A Língua da Escrita é Desconhecida e a Escrita é Desconhecida

O terceiro problema que pode enfrentar quem quer que se aventure a procurar traduzir uma escrita desconhecida é o de encontrar uma escrita desconhecida que tenha sido utilizada para registar uma língua desconhecida. A tarefa não é absolutamente impossível, como demonstrou o sucesso de Ventris no seu combate pessoal contra a misteriosa Linear B minóica. Surge aqui a questão de saber em qual destes três grupos devemos colocar a Escrita Cónia, uma vez que a sua língua – apesar de algumas propostas frustadas – continua desconhecida. A utilização de uma maioria de caracteres de inspiração fenícia aponta para a sua pertença ao segundo grupo, mas a presença de um numeroso lote de signos novos empurra-a para o terceiro grupo. Contudo, não julgamos que este lote seja tão numeroso que justifique a sua inclusão no terceiro lote. Sendo assim, vamos trabalhar sob o pressuposto de que a maioria dos signos utilizados na Escrita Cónia seguiram a matriz fonética afro-asiática (semítico/fenícia).

Perante uma escrita nestas condições acredita-se geralmente que a única espoleta para a sua compreensão é a descoberta de uma inscrição bilingue. Foi o que sucedeu com a escrita hieroglífica egípcia que, com a descoberta da Pedra de Roseta pelas tropas napoléonicas, permitiu a Champollion chegar à compreensão dessa escrita a partir da compreensão dos nomes contidos na inscrição grega com os caracteres incluídos nas cartelas do texto hieroglífico. Para azar de quem se dedica como nós ao estudo da Escrita Cónio não existe uma inscrição semelhante entre as estelas cónias conhecidas.

Na falta dessa inscrição bilingue resta ao investigador uma última arma: a criptografia. Pela sua utilização é agora teoricamente possível traduzir qualquer código desde que tenhamos o número suficiente de textos codificados. Não cabe aqui enunciar pormenorizadamente os detalhes desta abordagem, mas o processo de análise criptográfica passa – grosso modo – por catalogar todas as inscrições conhecidas de uma dada escrita procurando identificar matrizes e repetições. Perante o número suficiente de textos é possível identificar um conjunto de caracteres como sendo, por exemplo, um artigo. Com este tipo de conhecimento, e perante outros, tais como a função da inscrição, a posição relativa é possível levar ainda mais longe essas conclusões. Perante inscrições utilizando uma língua desconhecida, como é o caso das inscrições cónias, estamos perante um problema evidente: é possível chegar à compreensão de um grupo de signos sem chegar a saber como o pronunciar. Em último grau, é possível compreender todas as inscrições de uma determinada escrita sem nunca alcançar a compreensão do seu valor fonético.

Uma vez identificada a natureza do problema que enfrentamos, urge seguidamente identificar o tipo de escrita que encontramos na Escrita Cónia. Existem apenas três tipos básicos de passar uma língua a formato escrito e todas as escritas conhecidas utilizam um destes sistemas uma combinação. O primeiro usado pelo Homem foi a representação de um conceito através do seu desenho. Nasceu assim a escrita pictográfica. Começando geralmente com formas muito gráficas estes signos vão-se gradualmente estilizando até que, nas suas formas finais, pouco mais resta de identificável com o objecto que lhe deu origem. Embora possam parecer um tanto primitivas, actualmente são ainda muitos os utilizadores de uma escrita deste grupo: falamos da escrita ideográfica chinesa.

Para além do registo ideográfico existe ainda dois outros métodos de passar uma língua a escrito: ambos se baseiam no registo sonoro das palavras. Neste método fonético aparecem duas variantes: o registo de grupos de sons, na sua forma silábica ou o registo de sons isolados, na sua forma alfabética. O registo silábico produz um número total de signos muito inferior ao necessário a uma escrita ideográfica, mas substancialmente superior ao necessário a uma escrita alfabética. Com efeito, a escritas alfabéticas precisam apenas entre 26 a 35 signos para representar todos os fonemas da língua.

Comutação e Monemas

Quando um linguista enfrenta uma dada mensagem escrita uma das suas primeiras tarefas consiste em identificar as unidades reais da mensagem (Monemas). Por exemplo, perante a frase “Aqui Jaz José”, o linguista extrairá pelo menos dois elementos, “Aqui Jaz” e “José”, que depois através de uma operação de Comutação poderá aplicar noutras frases, tais como “Aqui jaz Manuel”. Um método que não é contudo completamente impermeável a erros, como demonstra Georges Mounin: “Assim, por exemplo, a existência, no exemplo francês, de um segmento comutável –ère (p –ère, m –ère, fr –ère) susceptível de ser interpretado como “parente”, poderia incitar a crer na existência de unidades p- (“do sexo masculino”), m- (“do sexo feminino”), fr- “descendente do mesmo grau que o ego”). Mas a própria comutação mostraria rapidamente que não era possível voltar a empregar essas pretensas unidades noutras mensagens. Nunca se encontraria nessa língua nem pcousin ou mcousin, mas cousin e cousine; nem poncle e moncle.”

Algumas Generalidades

As escritas ibéricas, como já vimos, pertencem ao grupo de escritas derivadas do cartaginês. A Escrita Cónia parece aparentar-se mais ao Fenício do que propriamente ao cartaginês, como parece suceder com as outras escritas da Península Ibérica. Mas descendam do fenício ou do cartaginês, todas as escritas da família canaanita têm algo em comum: o número total de caracteres e o seu valor fonético manteve-se essencialmente o mesmo e a direcção da escrita é maioritariamente da direita para a esquerda, como também demonstra o facto de encontrarmos espaços vazios à esquerda de quase todas as inscrições. Daqui se pode razoavelmente inferir que o valor dos caracteres na escrita cónia permanece essencialmente o mesmo. Sabemos que o repertório de signos da Escrita Cónia é muito mais reduzido do que o da Meridional. Sendo assim, podemos partir do princípio de que a signos semelhantes possam corresponder valores fonéticos muito semelhantes. Algo que assume ainda mais força se admitirmos a relação genética entre a Escrita Cónia e a Meridional.

Existem vários exemplos de caracteres que resultaram da união de dois ou mais caracteres. Este fenómeno não é único no universo das escritas alfabéticas e silábicas: o cirílico, forçado pela existência de fonemas estranhos aos do grego, produziu novos caracteres ligando dois caracteres gregos. O mesmo mecanismo surge em vários caracteres cónios.

O alfabeto descoberto recentemente é, obviamente, de grande importância para o nosso estudo e vital para a determinação do valor fonético dos símbolos. Ora precisamente esse alfabeto mostra nas últimas posições os caracteres que são estranhos aos sistemas fenícios e cartagineses. O exemplo do alfabeto latino e do fenómeno por ele sofrido após a invasão da Grécia no século I a.C. revela-nos que os romanos então para registarem os sons Y e Z acrescentaram esses novos caracteres ao seu alfabeto e os colocaram, precisamente, no final da lista de letras. Deduzimos então que os caracteres finais representam fonemas que não existem nas línguas afro-asiáticas. Aliás, a sua própria existência nega substância aqueles que defendem que o cónio era uma língua pertencente a este ramo[1].

Se adoptarmos o sistema de leitura fonética de Javier de Hoz, um dos fenómenos mais curiosos da Escrita Cónia é a aparição frequente de sequências de caracteres silábicos seguidos de vogais, formando conjuntos ka-a ou ke-e. A sua frequência parece excluir o acaso e merece reflexão. Tratar-se-ia de um modo de acentuar vogais, prolongando a sua intensidade e duração vocal? De qualquer modo, trata-se de um traço distintivo da Escrita Meridional e uma indicação que a língua falada dos dois lados do Guadiana não era a mesma.

[1] Como Oliveira Martins e, mais recentemente, Moisés Espírito Santo.

Categories: A Escrita Cónia, História | Deixe um comentário

Tabela de Estelas Cónias: . Generalidades aplicáveis à tradução de todas as estelas cónias

Nesta tabela utilizaremos unicamente os caracteres da Tabela de Caracteres. Os caracteres cónios desenvolvem-se sempre na mesma direcção da escrita e da leitura, mas nas reproduções não respeitaremos essa convenção de modo a ser possível utilizar os mesmos caracteres da supracitada tabela de caracteres.

A tarefa de traduzir as estelas é – já o dissemos – de uma grande dificuldade. Prova disso mesmo é o facto de terem resistido a todas as tentativas de tradução até agora ensaiadas. Mas temos um instrumento precioso e que foi, por exemplo ignorado pelo de Nora Falashi: o tema das inscrições. Com efeito, praticamente todas as estelas que foram encontradas em contextos arqueológicos enquadráveis foram-no no âmbito de enterramentos humanos. Um teor que foi reforçado pela descoberta da Estela 40 (“Mealha III” de Caetano Beirão) que apresentava cunhas de pedra, junto da sua base, o que veio a comprovar a sua posição erecta sobre o túmulo, algo que muito provavelmente se repetia por todas as outras estelas.

Confirmado que está o carácter funerário das inscrições podemos acrescentar a esta uma outra certeza que se reflectirá provavelmente nos textos nelas grafados: a crença numa vida no Além, num “mundo dos mortos”. A existência de diversas divindades funerárias ctónicas (a que aludimos noutro ponto desta obra) e, sobretudo, os enterramentos de indivíduos em posição fetal indicam a crença num novo nascimento, num novo mundo.

Outro ponto fundamental para alcançar o objectivo a que nos propomos, que é a tradução da Escrita Cónia, consiste em pré-determinar quais são os conceitos que poderão constar nas inscrições. Varela Gomes acredita, muito razoavelmente, que a temática presente nas narrativas das estelas da Idade do Bronze deverá permanecer nos textos das estelas cónias. Ou seja, devemos procurar as palavras e conceitos que surgem nestas no universo das línguas-hipótese que listámos em capítulo próprio.

Conforme indicámos no capítulo dedicado às divindades indígenas cultuadas sob o domínio romano no Sul de Portugal, Endovélico é o deus de quem nos restaram mais provas e vestígios de devoção. O número relativamente largo das estelas com o seu nome permite-nos também adivinhar quais eram os processos de substituição fonética em voga entre essas populações. Não seria de estranhar se os encontrássemos também nas estelas cónias. Falamos nomeadamente das substituições o/e, e/o e l/ll testemunhadas pelas três formas: endovellico, endovollico e endovolico.

Categories: A Escrita Cónia, História | Deixe um comentário

Create a free website or blog at WordPress.com.

Eleitores de Portugal (Associação Cívica)

Associação dedicada à divulgação e promoção da participação eleitoral e política dos cidadãos

Vizinhos em Lisboa

A Vizinhos em Lisboa tem em vista a representação e defesa dos interesses dos moradores residentes nas áreas, freguesias, bairros do concelho de Lisboa nas áreas de planeamento, urbanismo, valorização do património edificado, mobilidade, equipamentos, bem-estar, educação, defesa do património, ambiente e qualidade de vida.

Vizinhos do Areeiro

Núcleo do Areeiro da associação Vizinhos em Lisboa: Movimento de Vizinhos de causas locais e cidadania activa

Vizinhos do Bairro de São Miguel

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos

TRAVÃO ao Alojamento Local

O Alojamento Local, o Uniplaces e a Gentrificação de Lisboa e Porto estão a destruir as cidades

Não aos Serviços de Valor Acrescentado nas Facturas de Comunicações !

Movimento informal de cidadãos contra os abusos dos SVA em facturas de operadores de comunicações

Vizinhos de Alvalade

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos de Alvalade

anExplica

aprender e aprendendo

Subscrição Pública

Plataforma independente de participação cívica

Rede Vida

Just another WordPress.com weblog

Vizinhos do Areeiro

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos do Areeiro

MDP: Movimento pela Democratização dos Partidos Políticos

Movimento apartidário e transpartidário de reforma da democracia interna nos partidos políticos portugueses

Operadores Marítimo-Turísticos de Cascais

Actividade dos Operadores Marítimo Turísticos de Cascais

MaisLisboa

Núcleo MaisDemocracia.org na Área Metropolitana de Lisboa

THE UNIVERSAL LANGUAGE UNITES AND CREATES EQUALITY

A new world with universal laws to own and to govern all with a universal language, a common civilsation and e-democratic culture.

looking beyond borders

foreign policy and global economy

O Futuro é a Liberdade

Discussões sobre Software Livre e Sociedade