Daily Archives: 2007/10/15

J. Bradford DeLong: “Parafraseando Franklin D. Roosevelt, é preciso expulsar os “cambistas” dos seus “tronos do templo da civilização”


“Parafraseando Franklin D. Roosevelt, é preciso expulsar os “cambistas” dos seus “tronos do templo da civilização”. Temos de “repor as antigas verdades”, que nos dizem que crescer, fazer, gerir e inventar merece honra, estatuto e recompensa maiores do que as iniciativas dos especuladores financeiros.”
“De facto, há razões para temer o moderno mundo financeiros global. A escala agiganta-se: as fusões e aquisições (F&A) ascenderam este ano a mais de 4 biliões de dólares, ao passo que os activos financeiros líquidos (teoricamente) e ostransaccionáveis deverão rondar até final do ano, os 160 biliões num mundo onde o PIB anual não deverá ultrapassar os 50 biliões de dólares.
“Segundo estimativas do McKinsey Global Institute, os activos financeiros mundiais são hoje 3 vezes superiores ao PIB mundial – o triplo do rácio registado em 1980 e cerca de 2/3 acima do PIB mundial após a II Guerra. A istosomam-se os números astronómicos e difíceis de interpretar: 300 biliões de dólares em “derivados financeiros”, dos quais 3 biliões são geridos por 12 mil ” hedge funds” globais e 1,2 biliões por fundos de “private equity”.
(…)
“Tomemos como exemplo os 4 biliões de dólares realizados este ano em F&A. O objectivo? Converter a compra e “spin off” de sucursais e unidades de produção em sinergias, poder de mercado ou, muito simplesmente, numa melhor gestão.- A venda destes activos vai render aos seus titulares cerca de 600 mil milhões deólares face ao valor anterior á operação de fusão.”
(…)
“Mas de onde vêm os ganhos líquidos de cerca de 500 mil milhões de dólares em valor de mercado? Não sabemos. Parte corresponde a uma transferência destrutiva dos consumidores para os accionistas à media que as empresas ganham mais poder de monopólio; outra parte releva de uma maior eficácia que resulta, por sua vez, de uma melhoria na gestão e numa escala mais adequada das operações; e outra ainda advém dos pagamentos excessivos dos investidores que se tornam “irracionalmente exuberantes quando o nome das empresas aparece nos jornais.”
(…)
“os ganhos brutos, isto é, as comissões, lucros sobre as transacções e mais-valias arrecadados pelos “vencedores” que obterão, estima-se, 800 mil milhões de dólares em F&A este ano, deverão exceder largamente os 170 mil milhões de dólares em ganhos líquidos”.

J. Bradford DeLong; professor de Economia da Universidade da Califórnia, Berkeley
Público de 24 de Agosto de 2007

1. Existe actualmente uma anormal e perniciosa inclinação da Economia para os investimentos especulativos e realizados na “Economia Virtual” das Bolsas e dos Mercados de Investimento que desvia torrentes imensas de Capitais de investimentos mais produtivos (manufactura e produção) para actividades meramente especulativas e financeiras. A extraordinária valorização dos investimentos bolsistas tem propiciado a isto mesmo, potenciada agora pela adesão quase generalizada aos dogmas neoliberais da “livre circulação de capitais”. Aliás, o recente (e escandaloso) aumento das fortunas dos 100 homens mais ricos de Portugal (ver AQUI) em mais de 35 em 2007 sobre os dados de 2006, um aumento que corresponde a 22% do PIB e que radica quase totalmente no aumento do PSI20 em mais de 18 pontos no ano de 2007… Sinal disso mesmo, foi que a grande notícia do ano, não foi a construção de uma grande fábrica ou de uma grande unidade de produção em dificuldades, mas a tentativa falhada daSonae.com comprar a PT… Um dos maiores beneficiários deste enriquecimento foi Berardo que embora seja apresentado pelos bajuladores da televisões como “empresário”, não tem em seu nome uma única empresa e não emprega nem produz “riqueza real” alguma…

2. Existe claramente hoje no mundo um excesso de liquidez… O que é bom, porque pode impedir o agravamento da actual crise dos Mercados provocada pelo colapso do mercadosubprime nos EUA. E de facto, os ricos estão cada vez mais ricos e a desproporção de rendimentos caminha a par com o aumento do PIB na maior parte dos países do mundo, neste contexto de Globalização das economias. Mas esta liquidez não é investida na Economia Real e logo, produz um desinvestimento que cedo ou tarde vai reduzir o nível de produtividade, inovação e eficiência das empresas e logo, afectar seriamente os padrões de crescimento double digit a que os Mercados se habituaram.

3. Esta onda furiosa de Fusões & Aquisições são a ameaça económica e democrática global mais séria da actualidade. A tendência a longo (médio?) prazo é de que sejam criados imensos conglomerados, empresas multinacionais de escala mundial que em número muito reduzido por sector, por vezes em pleno monopólio efectivo, ocupem o papel de Carlos Slim no México ou da Microsoft na Informática. Esta redução no número de players do mundo económico vai reduzir efectivamente a concorrência, a motivação para a inovação e para a eficiência de gestão, já que os monopólios de facto não favorecerem nem a inovação nem a eficácia. E aliás… Small is Beautiful (ver AQUI).

4. São estes ganhos fabulosos em comissões que mais chocam… Todo o trabalho merece ser justamente remunerado, mas a importância exagerada que o sector financeiro tem vindo a assumir nesta época de Globalização e Liberalização dos Mercados é excessiva e socialmente injusta… Hoje não compensa financeiramente encetar uma carreira de investigador, empreendedor, empresário ou gestor. Nenhuma delas será tão bem remunerada como a de Especulador Bolsista ou, de seu agente ou intermediário e esta disfunção está a afastar de sectores mais produtivos e úteis da Economia demasiadas mentes brilhantes e um número altíssimo de jovens prometedores…

Categories: Economia | 3 comentários

QuidSZ S3-16: Que avião é este?

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Dificuldade: 3

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Sobre o aumento da Despesa dos Estados, o Envelhecimento e do Centralismo

“Os liberais também não gostam do Estado, que alguns pretendem Mínimo. A ideia de limitar radicalmente o poder político já circulava há mais de um século, quando a despesa pública no conjunto dos actuais membros da OCDE não chegava, em média, aos 13% do PIB. Em 1937 essa média estava em 23%. Mas em 1980 atingia os 43%. Depois, a “revolução liberal” (no sentido de favorável à economia de mercado), que Reagan e Thatcher simbolizaram, o mais que conseguiu foi travar o ritmo de crescimento dos gastos do Estado (46% do PIB em 1996, na OCDE). Com o envelhecimento da população nos países desenvolvidos, obrigando a financiar com impostos boa parte da segurança social e dos cuidados de saúde, tudo indica que o peso do Estado na economia não irá diminuir no século XXI.”
(…)
“Em proporção, não temos menos operadores da Justiça do que a França, mas ineficácia do nosso sistema judicial é conhecida. Na Educação, em percentagem do PIB, Portugal gasta mais dinheiro público do que a média europeia, com os resultados que se conhecem. A despesa do Estado português na saúde é de 7,4% Do PIB, contra a média de 6,5% na OCDE.”
(…)
“Veja-se o caso do Ensino: ao querer decidir tudo centralizadamente, torná-los ingerível o monstro da educação pública. Quando se pretende controlar tudo, não se controla nada.”

Francisco Sarsfield Cabral
Público de 27 de Agosto de 2007

Nem sempre estou de acordo com as posições de Sarsfield Cabral, mas esta tendência para um crescimento imparável da Despesa Pública, não somente em Portugal, mas em todo o mundo dito Desenvolvido é impossível de sustentar a Prazo. Ou enveredamos pela “Solução” Sócrates, que é a de aumentar a carga fiscal a um nível tal que bloqueia o próprio desenvolvimento e a expansão da Economia ou temos que passar a gastar menos ou… melhor. As movimentações de Reagan e Tatcher falharam em boa medida, porque embora tivessem reduzido o peso da Despesa nalguns sectores, aumentaram-no violentamente noutros, e falo sobretudo das despesas militares… As quais de facto foram uma espécie de “subsidio” federal às grandes empresas como complexo militar-industrial americano para saírem da crise com verbas provenientes dos impostos. Por isso, se limitaram a “travar”, algo que devia ter retrocedido…

O problema do envelhecimento da população não é um beco sem saída. E certamente que não tem como saída a redução generalizada dos apoios sociais ou ao sistema de Saúde. A Sociedade não pode – não deve – quebrar a rede social de solidariedade e comunhão que deve ser a base essencial da sua própria existência. Mas deve ser capaz de suportar um momento que deve ser de transição de para uma Sociedade demograficamente mais equilibrada e sustentar – pela via migratória – estes desfasamentos clássicos em sociedades economicamente mais desenvolvidas que são geralmente caracterizadas pela baixa demografia… O problema não é o envelhecimento da população. O problema está em que não existem jovens em número suficiente para suportar esta pirâmide etária, fruto de décadas de erros políticos e de opções políticas tomadas tendo sempre em perspectiva não a próxima geração, mas as próximas eleições… E não devemos ser radicais, nem obtusos, nesta questão. Hoje em dia, cada vez mais idosos podem continuar a serem produtivos, e se sim, porque têm que sair necessariamente do mercado de trabalho? Podendo, todos devemos trabalhar até quando for possível, quer para manter a nossa sanidade mental (todos já vimos que muitos reformados, após alcançarem esse estatuto, se deixam morrer sentados num sofá, à frente da televisão), quer para manter o contributo para a Sociedade e permitir a sobrevivência digna daqueles que efectivamente já não podem trabalhar…

Mas o maior peso deste crescimento da Despesa vem – acreditamos – do pendor centralista do nosso Estado… Na nossa inclinação maquiavélica após Dom João III para formar um Estado Central, poderoso e quase omnipotente, mas gerador de desperdícios e grandes ineficiências… São estes imensos e confusos gabinetes kafquianos que sorvem boa parte desta Despesa… Se fossem extintos e transferidos nas suas competências para mais próximo dos cidadãos, das Comunidades Locais, da sua vistoria, fiscalização e monitorização, a redução da distância entre eleitos e eleitores fariam aumentar a eficiência (Small is Beautiful) e reduzir a despesa. Por isso defendemos tão vigorosamente a supressão deste “Estado Central” e a sua substituição por uma rede de municípios semi-independentes, livres, responsáveis perante si e perante as suas comunidades e transferindo apenas as responsabilidades económicas, internacionais e militares para uma entidade central.

Categories: Economia, Política Nacional | 5 comentários

Tabela de Derivações encontradas na numismática indígena da Península Ibérica

A -> E

A -> I

E -> I

Ee -> E

Is -> I

Iom -> Io

K -> C

K -> G

Kis -> Ki

Kos -> S

Lens -> Les

Sa -> S

Ss -> S

U -> Es

Um -> U

Categories: A Escrita Cónia, História | Deixe um comentário

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