Daily Archives: 2007/10/01

Dos engasgamentos nas Exportações portuguesas e… mais alguma pancada na Tercialização da nossa economia


(Flickr)

“Eis agora a confirmação dos receios do economista Presidente: os números divulgados pelo INE e pelo banco de Portugal, nas últimas semanas, confirmam o que mais se temia. As aparentes melhorias do primeiro trimestre não passaram, afinal, da habitual mãozinha da conjuntura externa favorável e estavam ainda longe de corresponder ao tão esperado reforço do investimento empresarial que só muito lentamente dá sinais de querer reanimar”
(…)
“A marcha-atrás do crescimento iniciou-se já em consequência de um abrandamento nos nossos parceiros, cuja retoma explicava, sabe-se agora, quase integralmente a força do nosso “milagre” exportador. No segundo trimestre, as coisas mudaram lá por fora e já se registou uma quebra da taxa de crescimento das exportações de mais de 5 pontos percentuais.”
(…)
“Grosso modo parece ter-se tornado explosiva a mistura de um euro “forte”, que prejudica a competitividade nacional fora da Europa e o fim da crise dos refinados, que no ano passo justificiou boa parte do disparo das vendas de combustíveis para alguns mercados fora da Zona Euro.”
(…)
“Além disso, a globalização parece estar a jogar a nosso desfavor. Os empresários portugueses investem agora em qualquer parte do mundo e os estrangeiros já não encontram em Portugal o atractivo de há duas décadas. Este ano, até Junho, os portugueses investiram no estrangeiro 2,9 mil milhões enquanto os estrangeiros investiam em Portugal 2,4 mil milhões.”
(…)
“Quanto aos mercados europeus, o abrandamento das economias de grandes clientes como a Alemanha e a França (a somar ao abrandamento espanhol) não torna o cenário mais animador. Na Alemanha, o crescimento passou de 3,6% par 2,5% em 2 trimestres”.

Graça Franco
Público de 24 de Agosto de 2007
Ou seja, toda aquela conversa de pavão do ministro das Finanças e do Primeiro-Ministro sobre o suposto renovado fulgor das nossas exportações então não tinham qualquer substância… Portugal continua a ser demasiado dependente da conjuntura externa, e a ter uma Economia que sendo pouco autónoma – um fenómeno agravado pela crescente tercialização da Economia – depende demasiado do vigôr das importações dos nossos vizinhos europeus. A moeda forte que a Europa do Norte nos impingiu nos idos de 2002 (ver AQUI) está a revelar-se cada vez mais como uma dificuldade, já que estando sobrevalorizada está a prejudicar as nossas Exportações, especialmente agora que as exportações de produtos petrolíferos refinados da GALP e que tantas divisas nos renderam estão a esgotar-se e isto só pode querer dizer que os números das exportações até final do ano ainda vão cair mais…

Pagamos hoje as consequências das decisões políticas tomadas em finais da década de oitenta e que definiram a tercialização da nossa Economia, com especial enfoque no Turismo… Se os influxos turísticos diminuem ou se se reduzem os padrões de consumo destes turistas, a Economia afunda… Num cenário de campos agrícolas em desertificação, cidades do Interior em pleno ermamento e de evaporação das nossas indústrias transformadoras assistimos ainda ao papel daqueles que sem dúvida são – isoladamente – os maiores responsáveis pela má performance da nossa Economia: os grandes “empresários”, que em vez de realizarem investimentos produtivos e úteis para a Economia onde estão inseridos dedicam parcelas cada vez mais significativas do seu Capital à especulação bolsista, a investimentos no Exterior e a fusões improdutivas e danosas para a nossa Economia e para o Emprego, como a Sonae na sua cruzada perdida contra a PT…

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QuidSZ S3-7: Que carro é este?

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Dificuldade: 3

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Silva Lopes: “os reduzidos spreads que estamos a aplicar nos empréstimos e que temos na obtenção de financiamento vão acabar”


(Fila de pessoas à porta de um balcão do banco Northern Rock in http://www.telegraph.co.uk)

“…nem as intervenções do BCE, com uma injecção de liquidez no mercado superior a 200 mil milhões de euros, impediram que este indicador (a Euribor a 6 meses) subissse ontem para os 4,613%, o valor mais alto desde Maio de 2001.”
Para o BCE, existe ainda a possibilidade de baixar as taxas de referência. mas, por enquanto, o máximo que se pode esperar (e sem confirmação) é que a subida prevista para Setembro possa ser adiada. Uma opção que o BCE receia, devido ao risco de poder vir a alimentar pressões inflacionistas e novos excessos no futuro.”
(…)
“Ontem em entrevista ao Diário Económico, Silva Lopes, economista e presidente do Montepio Geral, afirmava que “os reduzidos spreads que estamos a aplicar nos empréstimos e que temos na obtenção de financiamento vão acabar”.
(…)
“A banca portuguesa não está, à partida, muito exposta ao crédito imobiliário de alto risco norte-americano e os níveis de malparado são considerados baixos. Todavia, dado o nível de endividamento das famílias, a recente subida das taxas de juro a estagnação dos salários nos últimos cinco anos, as campaínhas do risco de crédito começam a soar.”

Sérgio Aníbal
Público, 17 de Agosto de 2007

Se as taxas de juro praticadas pela banca portuguesa estão a subir é porque esta está a depender excessivamente da requisição de empréstimos interbancários para sustentar a concessão de novos empréstimos… O quase-colapso e a corrida aos balcões recentemente verificada no Reino Unido naquele que era o 5º maior banco de retalho britânico, o Northern Rock (vale a pena dar um salto até este link…) e que resultou também de uma excessiva dependência dessa forma de obtenção de capitais (e de uma exposição excessiva aos subprimes americanos) indicou que a chamada “Economia Real” está a ser finalmente infectada por esta turbulência dos Mercados de Capitais… E esta ameaça de redução dos Spreads – feita por aquele que é hoje um dos mais prestigiados economistas portugueses – certamente que será concretizada… Sendo este aumento de margem usado para compensar o maior risco e o aumento das próprias taxas têm que pagar neste empréstimos entre bancos, crescentes em virtude do aumento do risco.

Na verdade, o que está efectivamente mal é uma Economia que depende excessivamente do Consumo, e sobretudo, do Consumo sob Empréstimo bancário, sendo aqui especialmente perigosos os empréstimos para “Consumo”, como para a aquisição de equipamentos domésticos electrónicos, viagens, automóveis, computadores, etc. É aqui – e reforçados agora com estes “empréstimos para estudantes” que criticámos já noutro lado – que assistimos ao crescimento dos níveis de endividamento dos portugueses até patamares perigosos, não somente para si, mas para a própria Banca e para todo o tecido económico… É que a dita “Crise dos Subprime” é precisamente a crise daqueles milhões de americanos que por razões várias se vêm impedidos de continuar a pagar os seus empréstimos e estas subidas das taxas de juro, dos níveis de endividamento, assim como a contenção salarial dos últimos tempos verificados em Portugal se arriscam a replicar…

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Do Carácter Exclusivamente Funerário da Escrita Cónia

Uma dos aspectos mais estranhos quanto à Escrita Cónia é a quase total ausência de outras expressões, para além das estelas funerárias. Com efeito, para além de alguns raros signos encontrados em objectos de cerâmica, todos os exemplos de signos e textos de escrita cónia foram encontrados nas estelas descobertas no Sul de Portugal e nos territórios espanhóis que nos são, a Sul, imediatamente adjacentes. A questão que se impõe é a de saber se as poucas dezenas de estelas encontradas e as centenas muito provavelmente perdidas ao longo da História seriam as únicas formas de expressão escrita das populações cónias do Sul de Portugal. Ter-se-ia criado um sistema de escrita próprio, e distinto do dos vizinhos povos de escrita ibérica de além-Guadiana, se não tivesse antes existido um uso continuado, comum e alargado da escrita? Isto é, de que serviria registar em estelas os nomes, os feitos e a ascendência dos tumulados se quase ninguém as pudesse ler? Parece-nos portanto óbvio de que existiam bastantes outros registos de escrita entretanto perdidos. Provavelmente utilizavam materiais perecíveis, como o papiro, cascas de árvore (como o interior da cortiça) ou o barro por cozer[1].

A importância do território cónio no comércio que Tartessos dominava, os fluxos de mercadorias que atravessavam a rota que levava do litoral centro do país até às terras turdetânicas do Sul da Península Ibérica faria da utilização dos registos escritos (que dominavam) uma obrigação. É muito pouco provável que os cónios não utilizassem a escrita para as suas actividades comerciais. Pela sua natureza, e como nos testemunham as tabuínhas de argila cretenses em Linear B, estes registos eram realizados em materiais perecíveis ou reutilizáveis. Esta característica, juntamente com as condições naturais e a ausência de grandes incêndios explicariam a ausência deste tipo de registos. Existe contudo a esperança que a arqueologia nos dê a conhecer algumas inscrições deste tipo….

Existe contudo ainda outra explicação para o carácter exclusivamente funerário das inscrições. Para os povos antigos, a escrita era para além de um útil mecanismo comercial, um fundamental meio de comunicar com a divindade. Seria a Escrita Cónia um exclusivo de uma casta sacerdotal, única detentora desse conhecimento e do seu exercício? Isso explicaria a raridade dos testemunhos e o seu carácter funerário. Encontramos um exemplo de um destes sistemas de escrita “sagrada” na Escrita Ogâmica, que era de uso reservado aos druidas celtas das Ilhas Britânicas.


[1] Recordemos que se as estelas minóicas, micénicas ou assírias nos chegaram foi devido a grandes incêndios nos palácios onde eram armazenadas.

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