Monthly Archives: Outubro 2007

A Bulgária moderniza a sua Marinha enquanto Portugal… Mais ou menos (menos?)


(Corveta “Gowind”, um modelo que será adquirido brevemente pela Bulgária)

No contexto desta notícia em que o chefe do Estado-Maior da Armada, almirante Melo Gomes avisa que as nossas corvetas e patrulhas estão no limite e que o seu estado já está para além do “urgente”, já uns e outros acumulam a muito respeitável idade de quarenta anos de serviço e que a entrada em serviço dos patrulhões deve ocorrer apenas em 2008 e mesmo essa não vai cumprir todas as missões destes dois tipos de navios, não deixa de ser irónico ver um dos mais pobres e com menos tradições navais países europeus a modernizar a sua Marinha pela encomenda de 4 corvetas Gowind por um valor que deverá ascender a 900 milhões de euros.

As quatro novas corvetas búlgaras de 103 metros de comprimentos e 2150 toneladas são uma evolução a partir do conceito franco-italiano de fragatas FREMM e são do mais moderno que equipa actualmente uma marinha europeia… Capazes de lançar “Unmanned Surface Vehicles” (USVs) e “Underwater Unmanned Vehicles” (UUVs), podem operar helicópteros e estarão armadas com mísseis anti-aéros Aster 15 ou Mica-VL, assim como oito MM40 Exocet ou Harpoon enquanto mísseis anti-navio, acumulando ainda um canhão naval.

Enquanto um país cuja ambição marítima é apenas a de defender uma pequena costa de um mar interior como o Mar Negro reequipa a sua Marinha, Portugal contenta-se em ver perder a maioria da sua frota substituindo SEIS corvetas com 40 anos por DOIS patrulhões (“navios de patrulhamento oceânico” (NPO), eficazes em patrulhamento oceânico, mas nulos em combate naval e comprando DUAS fragatas Karel Doorman com quase 20 anos à Holanda, meios modernos, certamente, mas menos que estas quatro corvetas búlgaras…

Fonte: Defense Industry Daily

Categories: DefenseNewsPt, Defesa Nacional, Portugal | 9 comentários

QuidSZ S3-1: O que aconteceu a esta caixa do correio?

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Dificuldade: 5

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E lá se safaram outra vez…


(Mervyn King, governador do Banco de Inglaterra)

Mervyn King, governador do Banco de Inglaterra declarou que não queria tornar a safar os especuladores… Isto a propósito das consequências bolsistas do fenómeno do crédito malparado (“Subprime”) que começou nos EUA mas que se estendeu rápidamente – à velocidade da Luz – até todo o mundo… Este aviso, foi antecedido por outros emitidos pela Reserva Federal dos EUA, também na mesma direcção. Contudo, a pressão do sector financeiro e dos grandes especuladores soube vencer esta orientação (correcta) inicial dos bancos centrais, e estes, rapidamente, estavam a encher as impressoras de tinta e a emitir dólares e euros a toda a força para injectarem milhões no sistema.

O sector financeiro está sempre a apelar para disciplina orçamental, contenção de custos, mas quando se deixa imergir em maus e desavisados investimentos, vai logo a correr com as calças na mãos bater às portas dos Bancos Centrais clamando por salvação. O sector financeiro tem recolhido bastos benefícios de um sector bolsista onde os rendimentos têm alcançado paroximos de irracionalidade crescentes nos últimos anos. De facto, o rendimento de um investimento bolsista nos últimos anos tem sido tão elevado, que muito capital tem sido desviado de investimentos produtivos a caminho das Bolsas, recolhendo aqui rendimentos irracionais, que esta Crise poderia reparar, reintroduzindo alguma razão em que a perdeu. Agora com esta injecção de papel, e com a aparente recuperação de saúde dos índices bolsistas toda a irracionalide foi desculpada e voltámos à estaca zero. De novo.

É claro que com esta injecção de papel, aumentaram as pressões inflaccionistas, mas a taxa de desemprego nos EUA continua baixa, o que funciona em contracorrente a estas pressões… Já que aumenta a tendência para salários altos e altos níveis de consumo. Mas isto está na raíz do tradicional desiquilíbro da Balança Comercial dos EUA! Assim, o que fazer? Recorrer ao método aplicado no México e na Tailândia em finais de 90 e deixar que uma recessão se desenvolva e corrija estes desvios irracionais do Mercado? Usar uma “recessão controlada” (existe tal coisa?) e esperar que a euforia consumista se reduza e que se recomecem a aplicar poupanças, reduzir importações e que se desvie a Economia mundial desta tresloucada espiral consumista em que está imersa?

Fonte: Podcast de Doug Henwood

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Língua-hipótese: o Sardo

Alguns textos clássicos mencionam a existência de um parentesco étnico entre os indígenas da Sardenha e as populações da Península Ibérica. Esta pista, apontada por Raymon Bloch, parece indicar que as populações das ilhas do Mediterrâneo pertencem maioritariamente a um estrato étnico e linguístico muito antigo, anterior às invasões indo-europeias. É isto que se deduz quando observamos que os historiadores gregos afirmam que em tempos idos, toda a Sicília estava ocupada pelos Sicanos. Ora estes Sicanos, pelos topónimos que deixaram parecem ser de origem pré-indoeuropeia e provavelmente Mediterrânea. Por estas razões, o estudo do Sardo moderno é importante e será realizado por nós no âmbito deste estudo. Ainda assim, não será realmente o Sardo que se encontrará na base da língua dos Cónios, mas a existência de afinidades entre estas duas línguas do grupo Mediterrâneo é mais do que provável, embora não existam a um nível tão intenso como o de outras proximidades, como aquelas com as línguas do Norte de África.

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Sobre o Excedente registado no Serviço Nacional de Saúde… Britânico


(Flickr: box-head*)

Nos últimos tempos têm subido de tom os protestos contra os cortes orçamentais no sistema público de saúde britânico, especialmente depois do anunciado… excedente de quase 1 bilião de libras (1,4 biliões de euros)! Com efeito, este excendente vem colocar em causa os cortes draconianos recentes, com o encerramento de vários serviços de urgências, bem ao modo socrático de “conter o Orçamento”, mas aparentemente, sem a mesma sustentação financeira.

Os números são espantosos, especialmente tendo em conta que em 2005/2006 havia um déficit de 547 milhões de libras. De facto, então 80 dos “local trusts” responsáveis pela administração financeira dos serviços de saúde britânicos apresentavam déficits, e agora, essa situação só ocorre em 22. Contudo, destes 22, têm um déficit ainda maior do que em 2005/2006, pelo que nem tudo são rosas… Mas é claro que agora que o sistema público de Saúde britânico é estável e financeiramente sustentável, o que contraria as loas pessimistas de alguns ultraliberais, sempre ansiosos em demonstrarem a falência a longo prazo dos sistemas públicos de Saúde e a “absoluta” necessidade da sua total substituição por um sistema de “seguros de saúde” como aquele que tantos mais resultados (em termos de custos e eficiência) tem dado nos EUA… Sobretudo, este excedente ocorre ainda antes de se terem reflectido no sistema os cortes de urgências ocorridos neste ano, cuja motivação parece agora ser bastante… frágil, para não dizer suspeita.

De uma forma ou de outra, estes resultados indicam que é possível manter um sistema de saúde pública financeiramente equilibrado e prestando um nível razoável de serviços. Por muito que esta conclusão possa desagradar aqueles que defendem a pura e simples supressão do mesmo e a entrega dos mesmos a seguros privados de Saúde…

Fonte: Telegraph

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Quid S3-23: Como se chama este animal?

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Dificuldade: 4

Categories: QuidSZ S3 | 14 comentários

Os Robin Hood do Marrocos e a Tecnologia ao serviço do combate à corrupção

“Um grupo de jovens marroquinos armados de câmaras digitais, está a agitar o país, pondo em causa a poderosa Gendarmerie real: filmaram 4 videos que mostram polícias a receberam subornos, como se fosse um passou-bem, numa estrada com berreiras policiais, e puseram-nos no sítio de partilha de videos na Internet YouTube em Julho.”
(…)
“«Alguém tinha que reagir», disse um dos snipers, entrevistado pela revista Marrquina TelQuel. E porquê colocar os vídeos no YouTube» «Não nos íamos voltar para a Justiça. que não é um modelo de independência. A Internet é muito mais eficaz.”
“(..) mas depois foram publicadas várias notícias dando conta da detenção de vários jovens em Targuist, noticiou a AFP.”

Fonte: Público de 17 Outubro de 2007

Esta história – curiosa porque é uma retoma sobre aquilo que escrevemos aqui acerca da competência da polícia marroquina – é reveladora de que as autoridades aqui e em todo o lado ainda não conseguem lidar com os desafios que lhes são impostos pela Tecnologia… No Irão, os Ayatollhas proibem as antenas parabólicas e os telemóveis com câmaras digitais, na Birmânia, a ditadura militar apoiada pela China, corta as linhas de acesso à Internet… No Marrocos os polícias corruptos que aqui abundam são apanhados por telemóveis do alto de colinas, na China, a multiplicação de foruns e sites ameaça o regime monolítico chinês que responde com novas e vigorsas formas de censura e perseguição política… De facto, a Tecnologia parece estar a vencer o Autoritarismo, mantendo-se adiante dele, e mesmo das suas intervenções mais “tecnológicas”, como as caixas negras que a China instalou nos seus ISPs, nos filtros de palavras de email na China e na Birmânia, etc…

Será que assim a Tecnologia servirá de libertador para os biliões de seres humanos ainda vivem hoje esmagados por regime opressivos e ditatorias? Será que a Tecnologia vai também libertar os Povos de autoridades corruptas e ineficientes como as do presente exemplo marroquino? Tudo indica que sim… É que uma vez aberta a tampa do caldeirão, este não tarda a transbordar, sobretudo quando há grande pressão…

Categories: China, Ciência e Tecnologia, Sociedade | Deixe um comentário

Divindades Indígenas sob o Domínio Romano

Embora se desconheçam as designações exactas que os cónios davam às suas divindades, o trabalho precioso de José d´Encarnação[1] permite-nos esboçar qual era o panorama religioso no Sul de Portugal à época da presença romana. É razoável acreditar que tenha havido uma continuidade quanto às divindades cultuadas, uma continuidade entre o período pré-romano e o romano. É por esta razão que passamos a listar as divindades indígenas que este historiador encontrou nas estelas votivas romanas. Devido ao âmbito deste estudo, descreveremos apenas aqueles de que temos testemunhos na zona de acção da civilização cónia: os territórios situados a Sul do Tejo e na imediatamente colocada a norte: o centro de Portugal.

10.9.1.1. Abna

Ara encontrada na freguesia de São Martinho do Campo (Santo Tirso).

10.9.1.2. Aernus

Duas lápides descobertas em Castro de Avelãs (Bragança) e uma terceira em Macedo de Cavaleiros.

Segundo Florentino López Cuevillas (em 1934), Aernus seria um dos deuses da civitate dos Zoelas. Para Blásquez Martinez tratar-se-ia de uma divindade protectora da vegetação mas estreitamente ligada ao castro onde foi achada a ara, dada a referência a uma ordo.

10.9.1.3. Albocelus

Este teónimo surge numa inscrição achada em Vilar de Maçada, no concelho de Vila Real.

Segundo A. Tovar o teónimo estaria ligado ao topónimo Albocela, uma cidade mencionada por Políbio (III, 14, 1) que seria habitada pelos Vaccei.

10.9.1.4. Ameipicer

Presente numa ara descoberta na Quinta de Orjais, a sul da cidade de Braga.

Blásquez Martinez acredita tratar-se de uma ninfa, como uma das Nimphae fontis Ameucni, chamando também a atenção para a semelhança do teónimo com Ameucn, uma divindade aquática.

10.9.1.5. Antiscreus

A ara que menciona esta divindade foi descoberta no Castro de Monte Redondo, no concelho de Braga.

Esta divindade dos Bracari é segundo Leite de Vasconcelos de características salutíferas.

10.9.1.6. Aponianicus Poliscinius

O nome desta divindade indígena está presente numa ara achada na cidade de Lisboa.

Para José d´Encarnação, tratar-se-ia de uma divindade tópica em que Aponianicus seria um epíteto do deus Poliscinius. O ilustre autor acredita ainda que se trataria de uma divindade relacionada com o culto das águas, dado mencionar uma nascente Aponus nos arredores de Pádua.

10.9.1.7. Aracus Aranius Niceus

A ara onde está grafado o nome deste deus foi descoberta em Manique de Baixo, freguesia de Alcabideche, concelho de Cascais.

10.9.1.8. Arantius Tanginiciaecus

Presente numa inscrição da ara descoberta no Rosmaninhal no concelho de Idanha-a-Nova.

F. Alves Pereira crê que Arantius seria a divindade territorial dos Igetani.

10.9.1.9. Arentia e Arentius

Os nomes destas divindades surgiram numa ara encontrada nos arredores de Tinalhas, no concelho de Castelo Branco. Arentius também aparece numa ara de Chão do Touro no Concelho de Idanha-a-Nova.

O culto a esta divindade estava bem marcado territorialmente pelo território dos Igetani, como nos recorda F. Alves Pereira. O autor refere igualmente a possibilidade de se tratar apenas de uma divindade pessoal, exclusiva de um determinado crente.

Aras dedicadas a este par divino foram também encontradas em território espanhol, mas em Portugal todas as quatro aras que referem estes dois deuses foram encontradas nas cercanias de Idanha. A estrita delimitação geográfica indica tratarem-se de divindades tutelares, hipótese além do mais reforçada – como nota José d´Encarnação – pelas ligações étnicas dos sufixos -NT e -ENSIS.

10.9.1.10. Arentius Cronisensis

A ara que apresenta o nome desta divindade foi encontrada na freguesia de Zebras no concelho do Fundão.

10.9.1.11. Arus

Existe uma única referência a esta divindade pré-romana numa ara encontrada numa ponte sobre o rio Paiva, no Concelho de Castro Daire, Distrito de Viseu.

Blázques Martinez acredita tratar-se de uma divindade guerreira, possivelmente assimilável a Marte. O nome, aliás bastante semelhante ao grego Aries, faz acreditar nisso mesmo.

10.9.1.12. Ataegina

Embora no território espanhol tenhamos vários exemplos de dedicatórias a esta deusa, em Portugal temos apenas um único exemplo deste culto numa ara descoberta algures no Distrito de Beja.

Para Leite de Vasconcelos, Ataegina era a deusa da terra e dos seus frutos, comparando os seus atributos com os de Proserpina e com os de Libera, deusa da fertilidade dos campos e da procriação. Esta ligação com o renascimento da natureza na Primavera pode resultar numa ligação com o mundo do Além, tanto mais porque existe pelo menos uma ara em que se lhe faz uma “devotio”. Ataegina teria também algumas características salutíferas dada a existência do epíteto “servatix” observado numa ara espanhola, que significa precisamente “conservadora da saúde”.

O número de aras e a extensão do seu culto mostram que Ataegina era[2] uma das divindades indígenas mais cultuadas ao tempo da dominação romana. Alias, Lambrino acredita que estas duas divindades constituíam um par divino embora não existam aras que reunam os dois teónimos.

10.9.1.13. Aturrus

Este teónimo está presente numa ara descoberta na Avenida da República, em Lisboa.

É T. Scarlat Lambrino que observou que o nome desta divindade correspondia exactamente ao do rio Ador, na Aquitânia francesa. Também surgem aqui vários topónimos com este elemento (por exemplo, Vicus Atora) e o povo Aturenses. Em Portugal temos pelo menos um exemplo da presença deste elemento, no nome Aturo Viriati presente numa ara indígena. Para Scarlat Lambrino e Blázquez Martinez tratar-se-ia de uma divindade ctónica, ligada ao culto infernal.

10.9.1.14. Auga

A referência a Auga foi descoberta numa ara achada em Fontes, Santa Marta de Penaguião. Existe um certo consenso nos autores ao a apontarem como uma divindade de origem grega.

10.9.1.15. Banda-

São numerosas as divindades cujos teónimos começam pelo tema band-. As várias divindades que compartilham este tema parecem exclusivas a regiões onde os celtas estiveram presentes. Para Adolfo Coelho, a raiz estaria ligada ao antigo irlandês bandea, feminino de dia (deus), embora para Leite de Vasconcelos o tema, embora céltico, signifique não “deusa”, mas a ideia de ordenar ou proibir, o que confere com a hipótese de Blázques Martinez que as identifica como divindades tutelares dos castros e cidades indígenas.

O tema é bastante frequente na toponímia galega[3] e em Portugal conforme observa Arlindo de Sousa, no artigo “Langóbriga”: “No pequeno quadrilátero com vértices na vila da Feira, Estarreja, Vouzela e São Pedro do Sul temos as três povoações de Bandavizes (concelho de Vouzela), Bandulha (concelho de Estarreja e São Pedro do Sul) e os deuses Bandavelugus e Bandoga. Entendemos que há relação filológica e histórica entre os três topónimos e o nome do deus Band. Próximo à linha São Pedro do Sul-Vouzela, em Castelo de Penalva, consagrou-se a Bandaioilienaicus ou Bandius Ilienaicus. No quadrilátero um pouco maior, com vértices nos concelhos de Paços de Ferreira, Ribeira da Pena, Santa Marta de Penaguião e Mesão Frio, temos as povoações de Bande e Banduja, o hidrónimo Banduje e o deus Bandaraeicus. Na Galiza os topónimos Bande e Baños de Bande devem estar relacionados com os mitónimos Bandua da inscrição brigantina e da igreja moçárabe de Mixós, em Verin, e de Banduaetobrigus, de Santa Maria de Codesás. Na região dos Igaetani, onde se conservam muitos vestígios da civilização céltica temos Ba…dia e Bandiarbariaicus“.

José d´Encarnação[4] acredita tratar-se de uma divindade masculina, dado os epítetos que geralmente o acompanharam se revelarem do género masculino, embora exista de facto a excepção de Isibraia. De qualquer modo, Banda era sem dúvida ao lado de Endovélico e Ataegina uma das divindades mais cultuadas no nosso território.

10.9.1.16. Banda Brialeacus

Presente numa ara descoberta no concelho da Covilhã, em Orjais

10.9.1.17. Banda Raeicus

Embora a ara em que surgia este teónimo se tenha perdido, sabe-se que foi achada em Ribeira da Pena, no concelho de Vila Real.

10.9.1.18. Banda Velugus Toiraecus

A inscrição solitária que contempla este teónimo foi descoberta numa lápide do Castelo de vila da Feira.

10.9.1.19. Banda Arbariaicus

A lápide revelando esta divindade indígena foi encontrada em Capinha, concelho da Guarda.

10.9.1.20. Bandis Isibraia

Duas aras mencionando o nome desta divindade foram achadas na Bemposta, concelho de Penamacor.

10.9.1.21. Bandis Oilienaicus

Registado numa lápide descoberta em Esmolfe, no concelho de Penalva do Castelo.

10.9.1.22. Bandis Tatibeaicus

A lápide que mostra este teónimo foi achada em Queiriz, em Fornos de Algodres. Para Russel Cortez, esta divindade estaria associada ao culto lunar, profusamente registado na Península. Blázques Martinez julga reconhecer na terminação do teónimo um dativo pré-céltico.

10.9.1.23. Bandis Vorteaeceus

A ara onde esta divindade está registada foi descoberta no Salgueiro, concelho do Fundão.

10.9.1.24. Bandoga

Este teónimo foi registado numa lápide votiva descoberta no castro de Mau Vizinho, situado no concelho de São Pedro do Sul. Tratar-se-ia de uma divindade feminina.

10.9.1.25. Bandua

Esta divindade foi descoberta numa ara em Nossa Senhora de Hedra, em Bragança.

10.9.1.26. Bormanicus

São duas as aras que apresentam gravada esta divindade, tendo sido descobertas em Caldas de Vizela, no recentemente criado concelho de Vizela. Cabe a Francisco Sarmento a melhor descrição desta divindade: “Borvo ou Bormânico era um deus céltico, cujos benefícios se manifestaram nos bolhões de água”. Édouard Philibon defende semelhante opinião ao acreditar que o tema Bormo- está próximo do indo-europeu guhormo-, que significaria “quente”. Contudo, F. Russel Cortez defende uma corrente diversa colocando-se ao lado daqueles que acreditam na grande disseminação dos povos lígures pelo sul da Europa, nomeadamente ao ver em Bormânico uma divindade lígure.

10.9.1.27. Brigus

A referência a esta divindade indígena foi descoberta numa ara achada em Delães, no concelho de Vila Nova de Famalicão. O teónimo pode estar relacionado com a palavra celta briga que entra na formação de tantos topónimos peninsulares.

10.9.1.28. Cabar

Embora se tenha perdido à muito o rasto da inscrição que estaria numa parede da igreja de Pinho, no concelho de São Pedro do Sul, o teónimo Cabar que aqui estaria registado parece – segundo Blázquez Martinez – estar ligado ao indo-europeu “kapro” que para o ilustre linguista J. Pokorny teria como significado “cabra”. Poderá assim tratar-se de uma divindade totémica, possivelmente tutelar.

10.9.1.29. Caepus

Este teónimo pode ser encontrado numa ara descoberta na Quinta de São Domingos, no concelho de Sabugal. Leite de Vasconcelos acredita que o vernáculo caepus (cebola) pode estar na origem do teónimo, arriscando afirmar que seria um “deus das cebolas, protector das hortas”.

10.9.1.30. Carneus/Ptarneus

Presente numa ara encastrada nas paredes da Igreja Matriz de Sant´Ana, em Arraiolos, esta divindade segundo José d´Encarnação pode estar ligada a Karneios, a divindade nacional dos Dórios. Tratava-se de um protector dos rebanhos, identificado com Apolo, o que não deverá ser estranho ao indo-europeu kar, kára, karnos associadas precisamente a carneiros e ovelhas.

10.9.1.31. Carus

O teónimo Carus encontra-se num cipo achado em Santa Vaia de Rio de Moinhos no concelho de Arcos de Valdevez. Para Holder a existência de um rio Carus poderia indicar o carácter aquático desta divindade.

10.9.1.32. Castaecae/Castaeci

A ara mencionando esta divindade foi encontrada (e entretanto perdida) em Santa Eulália de Barrosas, em Caldas de Vizela. Se Hübner acreditava tratar-se de uma ninfa, no que era secundado por Leite de Vasconcelos. De qualquer modo, Blázques Martinez salienta que na Gália existia um topónimo Castae, o que parece indicar uma origem céltica para esta divindade.

10.9.1.33. Coronus

A ara mencionando esta divindade pré-romana foi encontrada em Serzedelo, no concelho de Guimarães. Tratava-se provavelmente de um deus da guerra, conforme defende Blázques Martinez, dado ter sido registada a sua aparição conjuntamente com Corotiacus, uma divindade associada a Marte.

10.9.1.34. Cosus

Descoberta em Vale de Ervosa, Santo Tirso, a ara que incluía o nome desta divindade, pode referir-se a um deus ligado à água, dado o potamónimo Cosa, ter sido registado por Dauzat.

10.9.1.35. Cosunae

Presente numa inscrição achada na Citânia de Roriz, este teónimo parece indicar uma ninfa ou ninfas que aí eram adoradas. Essa é a opinião da maioria dos autores (como Leite de Vasconcelos e Blázques Martinez).

10.9.1.36. Dafa

Este teónimo está presente numa inscrição achada no Castro de São Lourenço, no concelho de Esposende.

10.9.1.37. Densus

A ara com este teónimo foi descoberta em Felgar, Moncorvo.

10.9.1.38. Dii Deaeque Coniumbricensium

A ara mencionando este interessante teónimo para o assunto desta obra foi encontrada no concelho de Vila Nova de Foz Côa. Dizemos interessante porque a presença do elemento “conium” já levou alguns investigadores a levantarem a hipótese de os Cónios terem descido do Centro de Portugal para o Sul. Alias, o topónimo Conimbriga seria precisamente um traço de migração.

10.9.1.39. Durbedicus

Encontrada em Ronfe, Guimarães, a ara com este teónimo, segundo Adolfo Coelho podia basear-se no antigo irlandês derb (certo, verdadeiro ou ilustre).

10.9.1.40. Durius

Descoberta na cidade do Porto, a ara em que se achava o nome desta divindade achava-se certamente na origem do nome do rio que banha a Invicta.

10.9.1.41. Endovelicus

Existem mais de sete dezenas de aras e inscrições incluindo este teónimo, todas elas oriundas do mesmo local, o monte de São Miguel da Mota, em Terena, no concelho do Alandroal. O número registado mostra bem a importância deste culto, especialmente se comparado com a média das inscrições com outros teónimos que não excede os 1,2.

O teónimo é grafado em pelo menos três formas: endovellico, endovollico e endovolico.

Este santuário de Endovelicus era muito concorrido, segundo Leite de Vasconcelos, aqui se adivinhava o futuro, o mesmo autor refere que a presença da palavra deus, indicia tratar-se de uma divindade tópica e adianta também tratar-se de uma divindade com carácter naturalístico e um dos génios tutelares da medicina. Mas Lambrino discorda deste carácter medicinal. Para o autor, não se justificaria a sua coexistência com Esculápio, cujo culto foi registado na mesma região, nota igualmente a falta de qualquer nascente medicinal nas redondezas do santuário. Conjuntamente com A. Tovar, defende tratar-se de uma divindade infernal lendo Endo-beles, como “muito negro”. O javali, animal associado a este teónimo, a palma e a coroa de louros levam a acreditar que se trate de um deus dos mortos, representado nas aras pela figura de um génio alado erguendo uma tocha ardente.

10.9.1.42. Frovida

O culto a esta divindade foi registado no concelho de Braga. Leite de Vasconcelos supõe que Frovida seria uma divindade aquática, um risco que aliás corre para muitas divindades sem provas muito substanciais.

10.9.1.43. Genius Civitatis Baniensium

A lápide onde estava registado este teónimo foi encontrada em Mesquita, Moncorvo.

10.9.1.44. Genius Conimbricae

A ara foi descoberta no Fórum de Conimbriga.

10.9.1.45. Genius Cor

A lápide com o nome desta divindade foi encontrada em Soutinho, no concelho de Aguiar da Beira.

10.9.1.46. Genius Depenoris

Esta divindade era adorada no Castro do Mau Vizinho, no concelho de São Pedro do Sul.

10.9.1.47. Genius Laquiniensis

A ara foi descoberta em São Miguel das Caldas de Vizela, no concelho de Vizela.

10.9.1.48. Genius Tiauranceaicus

Este Genius foi descoberto numa ara presente no concelho de Ponte de Lima. Tiauranceaicus é uma palavra claramente ibérica, pelo menos no seu radical. Leite de Vasconcelos afirma a propósito deste teónimo que -aicus é uma terminação presente em genis loci.

10.9.1.49. Genius Toncobricensium

Descoberta em 1882 em Freixo, Marco de Canavezes, esta inscrição do século I apresenta o tema longo-, como a vários nomes peninsulares.

10.9.1.50. Hermes Devorix

A lápide apresentando esta divindade foi descoberta e acha-se ainda na Capela de Nossa Senhora do Rosário, em Outeiro Seco, no concelho de Chaves. Devorix pode encontrar as suas origens no celta deiuos ou no indígena devorus, segundo Maria de Lourdes Albertos.

10.9.1.51. Igaedus

O teónimo foi descoberto em Idanha-a-Nova. D. Fernando de Almeida acredita que esta era a divindade adorada pelos igaeditani. A presença de uma ara com este nome grafado junto de uma fonte medicinal pode indicar que se trata de um deus com personalidade Salutífera.

10.9.1.52. Ilurbeda

Duas aras encontradas em Covas dos Ladrões, Góis, testemunham o culto a esta divindade. O coronel Mário Cardozo escreveu a propósito: “Que Ilurbeda é um nome de ressonância tipicamente ibérica parece não haver dúvida. As raízes i-, ili-, ilur-, são frequentes no onomástico ibérico (…) Há numerosos exemplos de nomes étnicos e geográficos ibéricos com essas raízes: Ilerda (Lérida) e os Ilergetes, os Ileates, do Bétis (Guadalquivir), vizinhos dos Cempsos; Ilucia, a noroeste de Cástulo, Ilici (Elche); Iliturgis, perto de Córdova; Iliberris, etc. Com a raiz ilur-, é citado (…) o nome da divindade (?) ibérica Ilurberrixo, bom como os nomes geográficos Iluro e Ilurco. Shulten cita a tribo dos Ilurgavones.”

10.9.1.53. Issibaeus

Registado numa ara descoberta em Miranda do Corvo, Issibaeus seria para José d´Encarnação mais uma divindade indígena cultuada no actual território português.

10.9.1.54. Iuno Meirurnarum

A estela mencionando este teónimo foi achada em São Veríssimo, no concelho de Felgueiras.

10.9.1.55. Iuno Veamuaearum

A ara mencionando esta divindade foi achada em Freixo de Numão, Meda. Infelizmente, foi dada como perdida e sobre ela nada mais se sabe.

10.9.1.56. Iupiter Assaecus

Descoberta em Lisboa, a divindade presente nesta estela de Belém possui o elemento assa- presente em vários nomes hispânicos. Por outro lado, a terminação -ecus é também frequente nesta onomástica, o que reforça o seu carácter indígena.

10.9.1.57. Lares Caireieses

A ara com este teónimo foi descoberta em Zebreira, no concelho de Idanha-a-Nova.

10.9.1.58. Lares Cerenaeci

Os Cerenecos eram um povo que vivia no concelho de Marco de Canavezes, e o nome desta divindade não é certamente alheia a este nome.

10.9.1.59. Lares Cusicelenses

Esta inscrição dedicada a este teónimo encontra-se no número daquelas que foram perdidas. Foi achada em Couto de Algeriz, Chaves.

10.9.1.60. Lares Findenetici

Descoberto em Chaves, a inscrição que incluí este teónimo apresenta como oferente um nome frequente em inscrições hispânicas, conforme nos recorda Blázques Martinez.

10.9.1.61. Lares Erredici

A ara foi encontrada em São Pedro de Agostém, em Chaves.

10.9.1.62. Lares Lubanc

Esta divindade está presente numa ara descoberta em Conimbriga e em que surge o antropónimo indígena CAMAL.

10.9.1.63. Mandiceus

A árula votiva que apresenta esta divindade foi descoberta em Madre de Deus (Sintra) em 1956 e apresenta aquela que Mário Cardozo considera ser “uma divindade indiscutivelmente ibérica”.


[1] “Divindades Indígenas sob o Domínio Romano em Portugal”.

[2] No que se assemelhava a Endovelico.

[3] Como notou Lopez Cuevillas.

[4] O autor que seguimos mais de perto no que respeita às divindades indígenas.

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A Religião dos Cónios

A reconstrução do sistema religioso cónio é, sem dúvida, um exercício particularmente difícil. Desde logo escasseiam os vestígios arqueológicos, os testemunhos monumentais estão completamente ausentes e as fontes escritas ou estão por traduzir, ou escasseiam entre os autores clássicos. Existem contudo alguns elementos disponíveis que podem ser utilizados para tentar uma reconstrução parcial do sistema de crenças dessas populações do Sul do actual território português.

O Cão

No começo do período neolítico as populações Magdelenenses da zona do Mar Báltico introduziram a domesticação do cão. Esta domesticação foi importante para o aumento do sucesso do caçador, o qual podia agora contar com um aliado que possuía um olfacto muito desenvolvido e um elevado grau de mobilidade, para além da fidelidade que lhe é proverbial. Donald Mackenzie acreditava que a este papel deveria corresponder um forte papel religioso, se não entre os Magdalenenses, pelo menos entre os Crô-Magnons.

E, efectivamente, são comuns os exemplos de adoração do Cão nas religiões humanas. No Antigo Egipto, temos Anubis, o protector e guia das almas dos Mortos no Além; assim como Apuatua, outra divindade egípcia que também era um deus-cão. Entre os hindus, Yama, deus dos mortos e Dharma, deus da Justiça, eram deuses com aspecto canídeo. Na complexa mitologia grega, o cão era o guardião do Inferno que Hércules devia vencer. Na mitologia celta, Cuchulin, mata o cão que guarda as portas do Inferno e toma o seu lugar, aliás daqui deriva o seu próprio nome Cu (cão) de Culann. Na Escócia o povo venera ainda hoje as “pedras cão”.

Todos estes vestígios representam uma sobrevivência neolítica do culto do Cão, o facto de terem em comum o seu carácter infernal não deve ser ignorado. A sua presença nas estelas descobertas em território nacional e datadas da Idade do Bronze indica que manteve entre os nossos antepassados o mesmo sentido.

Deusa Salutífera

A confirmada presença fenícia não pode ter deixado de influência a religião das populações indígenas. O arqueólogo Mário Varela Gomes pode ter encontrado vestígios dessas influências em Garvão: “enorme depósito votivo secundário indica ter existido em Garvão (Ourique). Neste local prestava-se culto a uma divindade feminina do tipo da Tanit cartaginesa, senhora da luz, da felicidade, mas também da morte e da regeneração a quem se ofereciam ex-votos, alguns anatómicos, em ouro e prata, além de peças coroplásticas e grande quantidade de recipientes com diversas formas e funções.” Mas aquilo que pode indicar essa influência semítica é negado por se tratar de um santuário “céltico” e pelas características demasiado genéricas da divindade cultuada.

Divindades Guerreiras

Seguindo ainda atentamente o trabalho de Varela Gomes, citamos mais uma passagem do seu artigo “Testemunhos iconográficos na Proto-história do Sul de Portugal: smiting gods ou deuses ameaçadores”: “Foi possível atribuirmos, através da observação da sequência estratigráfica, técnica e estilística, à Idade do Bronze Final, uma cena pintada existente no Abrigo Pinho Monteiro. Este, situa-se nos contrafortes da serra de São Mamede, perto da Aldeia da Esperança, no concelho de Arronches (Portalegre)”.

“A cena que nos propomos agora tratar, e para a qual não detectamos nenhum contexto material, é constituída por dois antropomorfos. Um oferece corpo quase bitriangular, braços caídos e pernas dispostas em V invertido, encontra-se sobre o dorso de um quadrúpede esquemático e tem na cabeça um gorro ou tiara cónica. A parte inferior do corpo e metade das pernas parecem cobertas por um saiote. A identificação do quadrúpede é dado o seu grau de esquematismo, difícil de concretizar. Pois poder-se-á tratar de um equídeo controlado pelo antropomorfo através de uma rédea que este quase agarraria na mão esquerda, ou, antes, de um touro, cuja armação seria representada com certo grau de perspectiva, interpretação para a qual mais nos inclinamos. À esquerda, e pintado da mesma cor mas um pouco mais acima, encontra-se o segundo antropomorfo, ostenta na cabeça o que julgamos ser a representação de um capacete de cornos e, na mão esquerda, segura um bastão. Encontramo-nos, por certo, perante uma figuração de carácter guerreiro.”

Apesar do carácter pacífico dos povoamentos cónios, um aspecto que podemos deduzir a partir da ausência de muralhas ou de qualquer outra estrutura defensiva, o certo é que são frequentes a referências a guerreiros entre os vestígios cónios, como aquelas que Varela Gomes descobriu. Não se tratando de uma sociedade guerreira, quem serão então essas personagens? Líderes tribais? Heróis míticos? Divindades Guerreiras? É difícil saber. Podem ser vestígios de uma época de transição, de uma época em que a ameaça dos invasores célticos vindos da Meseta se começava a fazer sentir, o que explicaria a aparição de homens armados no seio de uma sociedade que não protegia suficientemente as suas povoações. À parte esta questão, a presença do touro, aliás muito comum noutros locais arqueológicos do Sul de Portugal, indica a existência de um culto contínuo desde o Neolítico.

O Culto do Touro

São frequentes as representações de personagens com capacetes de cornos, de cabeças de touro, ou de outros elementos directamente relacionáveis com o touro. Temos provas físicas deste culto entre os cónios na necrópole de Fonte Santa (Ourique) onde não longe do Túmulo VIII, Caetano Beirão encontrou uma máscara de cerâmica em forma de uma cabeça de touro, que se destinava obviamente a ser utilizada num ritual hoje desconhecido. Também no Túmulo IX de uma outra necrópole, desta feita a de Keition (Alcácer do Sal) Vergílio Correia descobriu associados a alguns enterramentos da II Idade do Ferro pequenos bovinos em argila. Não é impossível estarmos aqui perante uma influência oriental, trazida até à Península através de contactos comerciais. De facto, este elemento é comum na civilização micénica, na Idade do Bronze cipriota. Também os soldados do Império Hitita são representados com estes capacetes no alto relevo de Ramsés II que comemora a sua vitória na batalha de Kadesh. Aliás, já Diodoro Sículo mencionava que o Culto dos Touros era comum entre os Iberos, algo a que Estrabão alude indirectamente na sua descrição do mito do roubo dos touros de Geryon por Herakles. Na Irlanda e em Inglaterra, a cabeça de touro era utilizada como um símbolo de adoração divina.

O Mundo dos Mortos

Nas estelas de São Martinho II e Ategua surgem ainda três covas colocadas sob as duas figuras humanas. Varela Gomes julga que estas covas são uma representação do “mundo dos mortos”. Estas mesmas covas estão igualmente presentes na mais conhecida estela cónia e podem ser bastante significativas para a leitura da inscrição que esta apresenta.

O Culto Solar

Os escudos redondos seriam[1] uma representação do disco solar. O escudo seria uma imagem solar que o guerreiro transportaria consigo no combate e de cuja protecção dependeria. Esta interpretação do arqueólogo português concorda com a interpretação que J. Déchelette já tinha proposto em 1909.

O culto solar estava directamente ligado com a aplicação do Poder político, como se depreende da associação do guerreiro com o Sol e com a continuação desta ligação com a administração local durante o período romano, conforme nos testemunham os restos epigráficos desse período.

O Culto Lunar

A Serra de Sintra é identificada por Ptolomeu (século I-II) como “A Serra da Lua”, um tipo de culto astral que deve recuar ao próprio Calcolítico como testemunham as lúnulas descobertas na região. Não existem contudo vestígios deste culto entre os testemunhos arqueológicos que os cónios nos legaram.

Divindades adoradas pelos Cónios: Influências Exteriores

A adopção do culto de divindades salutíferas romanas pode ser um indicador de que já preexistia nas populações a predisposição a este tipo de deuses, ou que cultos semelhantes haviam sido “latinizados” pelo ocupante romano. Testemunho deste processo pode ser o tempo de Esculápio de Miróbriga[2] e a estátua descoberta em Serpa representando ao mesmo semideus.

Não existem sinais suficientes para nos permitir a continuação de um da Deusa-Mãe desde a época neolítica e do megalistismo. É certo que alguns vestígios arqueológicos[3] indiciam a sobrevivência de cultos femininos na Idade do Ferro do Sul, como se depreende dos “dois brincos de orelha, lunulares e terminados com duas pequenas esferas de ouro, na lúnula estão soldadas 14 pequenas cabeças femininas representando talvez Hathor, Astarté ou Aphrodite” que o citado arqueólogo descobriu no Tesouro do Gaio, em Sines.


[1] Ainda segundo Varela Gomes, cujo meritório trabalho seguimos de perto.

[2] Actual Santiago do Cacém, Baixo Alentejo.

[3] Trazidos à luz da nossa era mais uma vez por Caetano Beirão.

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Da entrevista de Jacques Attali e do álbum gratuito dos Radiohead…


(http://www.lexpress.fr)

Na sua entrevista à TSF de 20 de Agosto, Jacques Attali, escritor, economista e especialista em politica do Desenvolvimento e ainda conselheiro especial do presidente François Miterrand afirmou que “a Globalização pode levar a um recuo no sentido da barbárie ou pelo contrário…A nossa época pode levar a uma nova Idade Média: criativa, inovadora, mas com enquistamentos em que as pessoas se fecham.”

> Efectivamente, a Idade Média foi tudo isso e muito mais… Uma das épocas em que mais se desenvolveram muitas técnicas e formas de organização social de hoje e não aquele pântano social e técnico dominado pela opressão religiosa e ultracaólica. Esse modelo de Idade Média começou a ser forjado na Renascença e o Iluminismo acrecentou-lhe mais tarde alguma renovada credibilidade. Mas numa coisa, os críticos da medievalidade tinha razão: foi uma das épocas mais fechadas da História humana. Em que as sociedades mais se fecharam sobre si mesmo – algo particularmente verdadeiro nos paises onde o feudalismo mais se soube impôr – e onde a intolerância religiosa e de Pensamento mais se extravasou. A Globalização trás em si a potência para unir todos os povos e sociedades da Terra numa única Sociedade, pacífica e harmoniosa, mas trás também si própria a potência para impôr no Globo um “Governo das Multinacionais” que oriente os príncipios do Livre Comércio contra os Homem e a favor das anónimas e cada vez mais escassas Megacorporações que nos querem governar através de Governos regionais como a União Europeia, ou, sobretudo, através da manipulação via financiamentos partidários dos “partidos do Poder” ou dos Lobbies de influência. Nada temos contra a “Globalização”, no sentido da potenciação das livres potencialidades de cada, da sã competitividade, sem dumpings sociais ou ambientais. Tudo temos contra uma “Globalização” que se afirma a favor do Lucro de Curto Prazo, desprezando consequências para as Sociedades ou para o Meio Ambiente onde todos nos inserimos.

“As relações entre povos sedentários e nómadas em que os primeiros acabam a detestar os segundos.”

> Aqui refere-se Attali à contraposição entre as pessoas que oriundas dos gigantescos fluxos migratórios que hoje transferem imensas moles populacionais para os países desenvolvidos e aquelas que tradicionalmente eram originárias destes. Este “detestamento” oriunda em primeiro da própria necessidade da existência destes fluxos. Por um lado, devido a sociedades ricas onde não existem condições para criar um mecanismo demográfico que seja capaz de as autosustentar a médio prazo, e que as torna dependentes do afluixo permanente de novos emigrantes para compensar esse declínio, por outro lado, esta oposição resulta também da incapacidade das nossas sociedades “ricas” absorveram social e culturalmente estes novos emigrantes – ao contrário do que soube fazer Roma – e de estes próprios frequentemente preferirem transferir para as suas sociedades de acolhimento os padrões de vida e de sociedade das sociedades de onde são originárias. A manutenção de células sociais autónomas e semi-independentes no seio das sociedades do Primeiro Mundo assume-se como um caldo de cultura propício ao desenvolvimento de todo o tipo de anomalias ou extremismos como o recente fenómeno do extremismo islâmico bem testemunha… Idealmente, os homens deviam ter condições para desenvolverem o seu pleno potencial nas suas sociedades de origem, onde quer que elas se encontrem. Assim, o fenómeno das migrações ainda que necessário para todos, não deve seer a base do desenvolvimento das Nações… A mão-de-obra barata não deve ser o maior factor de desenvolvimento de uma Empresa, nem as remessas de emigrantes o maior rendimento de um Estado… Desenvolver as Economias Locais ,descentralizando a sua administração e fundando Moedas Locais, pode ser aqui um elemento determinante para inverter esta doentia espiral migratória que se apossou agora do Mundo Globalizado…

“A música leva a noção da economia do gratuidto e que levará a mudanças sociais profundas.” (…) “O Sétimo Continente (a Internet) é o mundo da Gratuitidade.”

> Precisamente a essência da mensagem de Agostinho da Silva… Haverá um dia um mundo em que o ser humano vai trabalhar não para obter daqui o seu rendimento, mas para expandir a máxima potencialidade da sua energia criativa, deixando para as Máquinas a obrigatoriedade das tarefas repetitivas e desumanizantes da “Produção”. Num mundo onde todos faremos aquilo que realmente quisermos fazer, tudo será gratuito, já que competiremos com as produções dos demais, não pela via do preço ou do custo, mas pela via da qualidade e originalidade das nossas propostas. Essa será o mundo da gratuidade, horror dos economistas, mas potencia do ser humano que viveu a esmagadora parte da sua presença sobre a Terra precisamente num mundo dominado pela gratuitidade. Aqui, a Internet, pode revelar-se fundamental… Neste domínio, as editoras e distribuidoras de música e video estão a lutar desesperadamente para travar este movimento lento e contínuo para a gratuitidade, aplicando a força muscular das polícias e dos tribunais de todo o mundo a favor de modelos de negócio obsoletos. Mas algo está a mudar… O crescimento do tráfego P2P de partilha de música e video é de facto imparável e o surgimento de modelos de negócio novos, como as assinaturas em troca de um valor fixo de downloads, e a própria possibilidade de downloads gratuitos de albuns, como sucede agora com o último album dos Radiohead (ver AQUI).

(http://www.genkizenki.net)

O album “In Rainbows” pode ser carregado da Internet, não de uma forma completamente gratuita, mas quase, em troca de um pagamento mínimo de 1 dólar, um valor que existe para recuperar apenas o custo do uso do cartão de crédito. As vendas do album estão a correr muito bem, e a maioria dos que o foram carregar optaram por entregar cerca de 15 doláres por album, o que indica que as pessoas estão dispostas a pagar aquilo que acham útil ou com a devida qualidade, mesmo quando o podem não fazer. É claro que este movimento para fora da influência de uma editora (a EMI) está a espalhar o pânico entre esse Lobby… Se este modelo vingar, as redes P2P deixam de fazer sentido, e os verdadeiros “fabricantes de música” poderão obter finalmente uma parcela justa dos rendimentos das suas criações, já que se estima que um artista obtenha apenas 1 em cada 17 dólares de um album vendido em retalho:

(in ZeroPaid)

Fonte: Entrevista da TSF a Jacques Attali de 20 de Agosto de 2007 “Pessoal e Intransmíssivel”

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Quid S3-22: Como se chama este animal?

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Contactos Comerciais dos Cónios

Se a arqueologia já nos deixou provas de contactos comerciais com as civilizações mercantis do Mediterrâneo Oriental, esses contactos assumem outra escala durante a I Idade do Ferro. Os fenícios fundam entrepostos comerciais como testemunham os achados de Castro Marim, Rocha Branca (Silves), Monte Molião (Lagos) e Alcácer do Sal. Esta presença, a que não é estranho o florescimento do reino de Tartessos entre o século VIII e VI a.C. seria determinante na ascensão civilizacional das populações que Varela Gomes classifica de pré-indoeuropeias, mas nunca teve a importância de uma “colonização” como quis Moisés do Espírito Santo.

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Porque é que as mulheres preferem o côr-de-rosa e os homens o… azul?

Segundo um interessante estudo da Universidade de Newcastle no Reino Unido, a maioria das pessoas preferem a côr azul, mas que existe uma tendência para que as mulheres tendam a escolher variantes de cores na banda do encarnado, enquanto que os homens parecem preferir cores na banda cromática do azul… Os testes foram conduzidos sobre voluntários oriundos de várias matrizes culturais, desde chineses Han a causasianos e os resultados foram transversais à cultura dos sujeitos da experiência, parecendo revelar algo de mais essencial nessa preferência, e talvez de raíz genética…

Parece claro que esta preferência tem raízes genéticas e que existe para conferir ao seu possuidor uma vantagem evolutiva, especulando-se se as suas origens estariam os papeís tradicionais da divisão de trabalho, forjados em épocas pré-históricas e quando haviam divisões claras de actividades funcionais entre homens e mulheres… Nessas sociedades pré-neolíticas as mulheres estariam especializadas na recolha (recolecção) de frutos e bagas, onde predominava a côr vermelha e rosa. Outra teoria – paralela mas não contraditória – advoga que as mulheres seriam particularmente sensíveis ao rosa porque essa seria a côr das crianças quando adoeciam e ficavam com febre… Os homens, por sua vez, prefeririam o azul, porque essa era a côr do céu, elemento dominante das planícies até onde levavam as suas caçadas…
Assim se pode explicar porque preferem as mulheres o côr-de-rosa e os homens o azul, independentemente da cultura onde estão inseridos.
Ou não?

Fontes:
Edição Impresa do The Economist de 23 de Agosto de 2007
Time.com

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A Organização Política dos Cónios

É no Calcolítico que surge um sistema económico que mercê da hierarquização social e da constituição de uma organização pré-estatal forma uma sociedade que envolta em conflitos com as comunidades circundantes cerca as suas povoações de muralhas defensivas. Estas muralhas ovaladas e irregulares, posteriormente reforçadas com a adição de torres e bastiões indiciam um processo de centralização e organização do trabalho que traria, com sucesso, a paz às suas populações. É assim que notamos que as povoações cónias já são inteiramente desguarnecidas de fortificações de qualquer tipo, conforme já observámos no ponto anterior.

A dispersão dos povoados conhecidos indica uma densidade populacional semelhante à actual, embora em povoados muito menores que os actualmente existentes. A uniformidade do povoamento, assim como a pequenez das povoações, sem que nenhuma predomine sobre as demais pode indicar que os grandes centros administrativos estão ainda por descobrir. É também possível que estes simplesmente não existissem, mas sendo assim dificilmente surgiria a “massa crítica” intelectual suficiente para a introdução de um processo tão revolucionário e complexo como era então a escrita alfabética. A tradição grega fala ainda de uma federação de cidades, o que não entra necessariamente em contradição com a tese da “capital desconhecida”. Com efeito, não é impossível que essa cidade ou cidades partilhassem o seu poder com outras, ainda que de menores dimensões mas de fortes tradições, talvez uma espécie de “berço” dos cónios. Tal situação não seria inédita na História dos povos mediterrâneos.

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Quer comprar a sua força aérea?

Quer comprar um bombardeiro soviético Tupolev Tu-95 “Bear” (ver AQUI)?

Ou prefere antes um C-130A Hercules usado na força aérea do Sri Lanka (ver AQUI)?

Um Antonov An-2 (ver AQUI)?

ou ainda um…

Transporte Illyushin Il-76TD (ver AQUI )?

É simples, basta clicar nos AQUI e… formar a nossa própria força aérea… Aparentemente, aqui tudo, mas tudo mesmo está à venda…

Fontes: Alibaba

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A Sociedade Cónia

As localidades que os trabalhos arqueológicos nos permitiram conhecer são formadas por pequenos agrupamentos de habitações rectangulares, apresentando vários núcleos habitacionais contíguos. Em comum, para além da sua pequena dimensão, têm também o facto de não terem sido construídas em locais elevados, que seriam mais adequados a posições defensivas. Esta quebra de tradição com os povoados calcolíticos que os precederam na região, indicia uma época sem ameaças militares significativas e mas acabaria por se tornar na causa mais determinante para o rápido e fulminante sucesso dos invasores indo-europeus vindos do centro da Península Ibérica e que submeteriam estas populações pacíficas sem grandes dificuldades.

O sucesso dos invasores célticos resulta em primeiro lugar da falta de preparação militar dos cónios, habituadas a séculos de paz e à ausência de fortificações nas suas povoações, mas, sobretudo, ao carácter descentralizado da sua civilização, muito semelhante a uma federação de cidades como a da Etrúria e destituída de um centro político. Mas tudo seria diferente se estes invasores tivessem encontrado uma civilização no seu apogeu. Não foi efectivamente esse o caso. Temos testemunha disso mesmo nos túmulos. Se inicialmente chegavam a apresentar estruturas envolventes, com círculos de pedras ou muros em ser redor, na fase mais tardia esta monumentalidade decresce e a riqueza das oferendes funerárias diminui.

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A Fonética da Língua Cónia

É por demais evidente a imensa dificuldade de discernir a fonética de uma língua desaparecida e com uma escrita que surge como intraduzível. Não é contudo completamente impossível o exame das tendências fonéticas, exame que terá que ser limitado aos nomes de divindades conhecidos e às raras palavras que podem ser isolados por entre os densos – e desprovidos de separação de palavras – textos cónios.

Sequências de Consoantes

Observamos com alguma frequência a existência de cadeias de consoantes, algumas bastante longas, nas inscrições cónias. Uma interpretação precipitada poderia colocar em causa a valoração consonantal desses signos, mas existe um fenómeno conhecido em diversas escritas e que serve de fundamento ao alfabeto fenício[1] que é o da presunção, por parte do escriba, de que o leitor poderia compreender o significado da palavra, mesmo com a omissão das vogais. Esta omissão pode resultar de uma economia de espaço devida às limitações físicas da pedra epigrafada. Este mesmo mecanismo era também usado escrita hieroglífica egípcia e no cunciforme acadiano.

Um Silabário Simples?

Designam-se de “silabários simples” os sistema de escrita silábicos que apenas têm representações para vogais puras e para consoantes acompanhadas de vogais. Daqui resulta que os signos para as vogais só aparecem no meio de palavras se forem imediatamente precedidas por outra vogal, mas que todas as palavras que tenham uma vogal como primeiro som têm que começar com um signo dessa classe. Torna-se então patente a existência de um padrão que pode ser encontrado nas escritas deste sistema: as vogais simples aparecem raramente a meio das palavras, mas mais frequentemente no seu começo, uma vez que as palavras que tenham vogais no seu início têm que começar com signos vocálicos. A meio das palavras, a maior parte das vogais são antecedidas por consoantes, ou seja, pelo signo que reúne consoante com vogal. Através do mesmo processo, se encontrarmos aquilo que parece ser uma lista e se, no final de cada palavra, surgir sempre um mesmo carácter estaremos muito provavelmente perante a conjunção “e” ou de outra com idêntico valor.


[1] Que serviu de matriz ao Cónio, não o esqueçamos.

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O projecto HALE: Um drone lançado por foguetão


(O UAV experimental Condor da Boeing, movido a hidrogénio)

A Agência de pesquisa militar americana DARPA, deu arranque a um projecto para construir um drone, conhecido como HALE (High Altitude Long Endurance), capaz de alcançar qualquer ponto no Globo em menos de uma hora e de assegurar aqui um tipo de vigilância aérea contínua. O HALE, de forma a poder cumprir estes objectivos, deverá ser lançado a partir de um míssil balístico intercontinental reconvertido e dispôr dos mais avançados sistemas de vigilância da actualidade, substituindo os satélitres convencionais em flexibilidade e em custo, numa escala muito significativa.

O HALE deverá ser desenvolvido pela Boeing e vai usar um motor revolucionário a hidrogénio. Se o conceito vingar (os testes em laboratório foram bem sucedidos) poderemos estar perante uma solução para o grande problema que é o contributo para as emissões de carbono da aviação comercial, que se estima rondar os 2% do total (ver AQUI), uma percentagem que deverá subir com o esperado aumento do tráfego aéreo para os próximos anos. É claro que, actualmente, a produção de hidrogénio produz ela próprio emissões de carbono, já que os processos actuais resultam da transformação de gás natural em hidrogénio e estes produzem o mesmo carbono que depois, os motores de hidrogénio poupam… Mas estão a ser estudados métodos alternativos (por algas e bactérias, p.ex.) e estes, sim, é que seriam uma verdadeira revolução…

Fontes:
Revista Défense & Sécurité de Outubro de 2007
The Register

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QuidSZ S3-21: Que aparelho é este?

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A Origem dos Cónios

Autores gregos e latinos referem que a região hoje chamada Algarve foi habitada, em tempos pré-romanos, pelos Cónios. É provável que em épocas mais antigas fosse maior a área ocupada por eles, como se pode depreender do nome Conimbriga (<Coniumbriga), mas possivelmente a invasão de tribos célticas acabara por os levar mais para o Sul. Representariam eles, assim, uma camada pré-indoeuropeia. Uma camada populacional que, na visão de Menendez Pidal, radicaria nos tempos paleolíticos nas populações capcenses migrantes desde o Norte de África e da Líbia que se estendiam, na Península desde as costas do Sul até ao Norte da Catalunha e que serviriam de matriz para Iberos, Cónios, vetões, e outras populações locais. Em oposição teríamos as populações de matriz cantábrico-pirenaica a partir das quais se formariam os povos basco e asturiano. No âmbito desta tese, não haveria qualquer relação entre cónios e bascos e as teses que julgam encontrar no basco um sobrevivente moderno do Ibero e do Cónio cairiam por terra.

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Da loucura consumista…


(Flickr: Adulau)

“A valorização dos activos dos americanos – desta vez casas e não já acções – deu-lhes uma sensação de maior riqueza, estimulando o consumo das famílias, frequentemente a crédito. Ora o motor da Economia dos EUA tem sido o consumo, responsável por mais de 90% do crescimento do PIB nas últimas décadas.”
(…)
“É um consumo largamente financiado por poupanças externas. (…) Os EUA absorvem 70% dos excedentes de liquidez do mundo. A Europa e o Japão estão a crescer razoávelmente, mas a economia é hoje Global e a crise ainda não parou…”

Público
13 de Agosto de 2007
Francisco Sarsfield Cabral

Esta hipervalorização do papel do Consumo no curso das economias modernas (das quais a americana é talvez o melhor exemplo) está na directa raíz da insustentabilidade a médio prazo das Economias Modernas. Simplesmente, não existem recursos materiais infinitos, na nossa Terra finita para alimentarem os níveis de Consumo galopantes do Ocidente e, sobretudo, as imensas vagas de novos consumidores que estão a afirmar-se a Oriente, sobretudo na China e na Índia.

E uma Economia que depende tanto (totalmente?) do Consumo interno é saudável? Seria possível sustentar este ritmo de crescimento e de (espantosa) geração de Emprego sem um nível de Consumo tão elevado se não houvesse um afluxo de poupanças de todo o mundo a caminho dos Mercados Financeiros americanos? Mas, caramba, se estes são por essência tão voláteis (e rápidos), um pequeno revez não pode rapidamente descapitalizar os EUA e logo, retirar esta ténue e fugaz sustentação para um tão alto padrão de Consumo?

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QuidSZ S3-20: Que catedral é esta?

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As Raízes Mediterrâneas dos Lusitanos

Quer os Lusitanos pertençam a velhas populações autóctones, quer sejam Iberos, parece indiscutível a sua pré-celticidade[1].

O professor Mendes Correia, conjugando os elementos da Antropologia, a Arqueologia e da História, apresenta os lusitanos “não como simples recém-vindos Celtas, Iberos ou Celtiberos, mas como um povo que tinha fundas e longínquas raízes no território, relacionando-se genealogicamente com os portadores duma velha cultura ocidental, os construtores dos dolmens. Eram decerto parentes dos Iberos e dos Celtiberos, tinham recebido ou viriam a receber a influência celta. Mas não representavam um estrato fundamentalmente distinto dos remotos habitantes neolíticos do país”.


[1] Apesar disso, o nome do seu mais ilustre líder, Viriato, é derivado de uma palavra celta viriae, “bracelete”.

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Podemos sobreviver no Espaço sem um Fato Espacial?


(Arnold Schwarzenegger na superfície marciana em “Total Recall” in http://sydlexia.com)

No filme Sunshine um astronauta é obrigado a abandonar o seu fato espacial e a sair para o Vácuo espacial… No filme Total Recall o personagem principal sobrevive a alguns momentos de exposição na superfície marciana, praticamente desprovida de qualquer atmosfera… Ora bem. Será que é então possível ao Homem sobreviver no vácuo do Espaço ou estamos perante mais um Hoax ou Mito Urbano?

Bem, segundo os especialistas em medicina espacial consultados pela slate.com sim é possível… As principais funções de um escafandro espacial são as de proteger o astronauta no interior dos raios ultravioletas e das temperaturas extremamente altas ou extremamente baixas no exterior. Se fosse exposto ao vácuo, sem um fato, o astronauta teria como maior problema imediato a falta de oxigénio para respirar e uma embolia massiva, resultante da diferença de pressão entre o exterior e o interior do seu corpo. Mas nem uma nem outra matam imediatamente, pelo que seria possível sobreviver algum tempo no Espaço… Desde que por muito pouco tempo! Estima-se que esse tempo esteja limitado a pouco menos de 15 segundos até que ocorra a inconsciência pela falta de oxigénio. É verdade que aqui, no solo, podemos suster a respiração por cerca de cinco minutos (se formos yogiis do último nível, claro…), mas no Espaço não é possível “suster a respiração”, pelo contrário, para aguentarmos mais alguns escassos mas preciosos segundos até à comporta aberta da nossa nave espacial devemos esvaziar completamente de ar os nossos pulmões, de forma a evitar que o ar aqui conservado expanda e destrua os tecidos e vasos sanguíneos dos pulmões…

Bem, ficam a saber, já que nunca se sabe quando podem ser apanhados no Espaço sem um Fato Espacial…
Fonte: Slate.com

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QuidSZ S3-19: Que APC é este?

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Dificuldade: 5

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O Sistema Fonético Cónio

Segundo o trabalho de Javier de Hoz: “El origen oriental de las antiguas escrituras hispanas y el desarrollo de la escritura del Algarve”, a língua dos Iberos possuía duas vibrantes: “r” e “´r” para além de nasais que assumiam representações gráficas diversas segundo a Escrita ibérica em que eram registadas. Hoz julga reconhecer na fonética da Escrita Meridionais, que é das ibéricas a mais próxima do Cónio e a Ibérica, nortenha, importantes e significativas diferenças. Encontra nos sistemas sulistas um grupo de vogais mais numeroso que o nortenho. Encontra ainda outra diferença nas oclusivas que o Ibérico distingue entre sonoras e surdas, mas que a Escrita Meridional ignora.

Os Três Substratos da População Peninsular

A base indígena da população peninsular tem três elementos essenciais:

a) O pirenaico, originariamente estabelecido no norte, e de que hoje os bascos são representantes, constitui um elemento étnico de origem europeia. A língua vasca, entretanto, é de filiação dificílima, parecendo, depois dos estudos de Schuchardt e de outros, uma língua ibérica. É o que admite Menendez Pidal, admitindo que os vascos se contam entre os povos que mudaram de língua.

b) O pré-ibérico, que pode identificar-se com a civilização chamada de Capsence, a qual no período eneolítico começou a extinguir-se, dela persistindo fortes massas em Portugal, Galiza, Astúrias, Leão, na maior parte da Extremadura, em Castella a Nova. A invasão céltica matizou muitos dos povos indígenas derivados dos Capsences, mas alguns se conservaram mais indemnes, tais como os Astures de boa parte de Astúrias e Leão, e talvez os Cinetes do Sul de Portugal.

c) O ibérico que surge no neolítico, na região sudeste, e é provavelmente de origem africana.

Substrato Mediterrâneo

Hubschmid em 1960 defendia a tese da existência de um “Substrato Mediterrâneo” que, na sua opinião, se podia dividir em duas famílias:

a) A Euro-Africana, que reunia as antigas línguas da Hispânia, da Península Itálica, dos Alpes Ocidentais e que depois chegariam até ao Norte de África.

b) A Hispano-Caucasiana, que a partir da Hispânia avançou até aos Balcãs e à Ásia Menor.

Segundo este autor, a moderna língua Basca teria elementos destas duas famílias, assim como o Etrusco e o Tirreno.

À semelhança de Hubschmid, também o investigador italiano Sergi dedicaria a maior parte do seu trabalho ao estudo das origens da raça Mediterrânea, condensando o seu pensamento nesta citação que fazemos aqui da sua obra: “Mas a geração original não teve o seu berço na bacia do Mediterrâneo, uma bacia adequada à confluência de povos e ao seu activo desenvolvimento; o berço de onde dispersou em várias direcções foi mais provavelmente África. O estudo da fauna e flora do Mediterrâneo exibe o mesmo fenómeno e torna-se outro argumento a favor da origem africana dos povos mediterrâneos.” Sergi leva ainda mais longe a sua tese ao afirmar a existência de relações de parentesco entre a raça Hamítica (que inclui Egípcios, Núbios, Abissínios, Somalis, Berberes e os Guanches) e esta raça Mediterrânea.

De igual maneira se movimentou o professor búlgaro V. Georgiev que anteviu a existência desta língua mediterrânea no livro que publicou em Sófia no ano de 1953 sob o título de “Problemas da Língua Minóica”. Contudo, Georgiev não a designa sob a mesma capa de Sergi, mas debaixo da classificação de “Língua Minóica” que ele considerava tratar-se de uma dialecto de uma língua pré-helénica muito falada na bacia do Mediterrâneo e que julgava relacionada com o hitita e com outras línguas da Anatólia. É verdade – e John Chadwick[1] observou isso mesmo – que a maioria dos topónimos gregos não são formados a partir de palavras gregas. É o caso de Thermopylai (Térmopilas), Athenai (Atenas), Korinthos (Corinto), e muitos outros.

Dos três substratos que apontámos na secção anterior, é o Substrato Mediterrâneo que mais nos interessa. São diversas as provas linguísticas que apontam para a existência em tempos remotos de uma única língua falada nas regiões da bacia do Mediterrâneo. Não está no universo deste trabalho a sua exaustiva enunciação, mas, ainda assim, gostaríamos de listar os seus aspectos mais importantes. Tanto mais porque são traços que também se podem espelhar nas inscrições das estelas cónias:

  • Menendez Pidal: “passagem de f a h, mudança que, além da área hispânica, também se verifica noutras regiões: no norte da Itália, na região de Bergamo, no sul, na Calábria, região de Catanzaro, na Sardenha oriental, na região de Nuoro. Apesar disso, não podemos separar o fenómeno hispânico do substrato ibérico”;
  • Serafim da Silva Neto: “É ainda o caso das mudanças de nd em nn, mb em m, ld em ll, assimilações passíveis de se verificar em qualquer espaço ou tempo, mas que, por singular coincidência, ocupam áreas homogéneas no norte da Península Ibérica e no sul de Itália. A História, suporte humano dos factos linguísticos, esclarece a coincidência, pois aqueles câmbios se podem explicar por influência do osco-úmbrio, substrato das áreas italianas e elemento demográfico significativo na colonização do norte da Hispânia. É ainda, mais ou menos, o caso de câmbios como nt > nd; nk > ng; lt > ld, cuja explicação por influência do substrato fica evidente se atentarmos na coincidência das áreas.
  • No seu “Der Vokalismus des Vulgärlateins”, Schuchardt observava a proximidade linguística entre os dialectos do Sul de Itália e as línguas da Península Ibérica. Um paralelismo que antes também descortinara entre os dialectos galo-itálicos com os de França, os do Sul de Itália e os da Península. Como exemplo deixava as semelhanças entre o calabrês dassare, o siciliano dassari, o castelhano dejar e o português deixar.
  • Rohlfs descobria semelhanças entre os dialectos do Sul de Itália com o romeno, o sardo e o castelhano. Mencionava como exemplos timpa, fervere e afflare, assim como cras, gleba, gremia, horreum, pecus e murrus. Realçava sobretudo a extensa área dos verbos petere e applicare, que se estendia desde o Tejo até às margens do Mar Negro.

Todos estes linguistas concordam com a existência de um substrato linguístico comum às populações mais antigas da bacia do Mediterrâneo, uma camada étnica anterior às invasões indo-europeias e que parece encontrar as suas raízes nas populações neolíticas do Norte de África. Acreditamos que os cónios pertenciam a este substrato e esta será a fundação para o nosso ensaio de tradução.

Embora os autores citados – e outros mais – defendam portanto a existência de um substrato comum às populações neolíticas da bacia do Mediterrâneo. Outros, julgam que não se trata propriamente de uma família linguística mas de um agrupamento por localização de uma série de línguas sem qualquer relação genética, mas que não podem ser facilmente classificadas noutras famílias linguísticas.

É possível dividir este grupo Mediterrâneo em três subgrupos:

  • Línguas pré-indoeuropeias do Mediterrâneo Oriental;
  • Línguas não-indoeuropeias e pré-latinas da Itália e
  • Línguas dos Pirineus.

Do primeiro grupo temos como melhor e mais conhecido exemplo, a língua do Linear A cretense (datável do século XVI a.C.), a Escrita cipriota entre outras conhecidas também em Chipre e Creta. Permanecem ainda intraduzidas no essencial, apesar de terem sido já realizadas diversas arremetidas contra a Linear A, especialmente após o sucesso brilhante de Ventris em relação à Linear B.

Das línguas pré-latinas da península itálica temos como exemplo mais evidente o Etrusco. Aparentando, segundo se julga à língua raética e à da língua de Estela de Lemnos. Com estas já se tentado formado um certo “Grupo Tirrénico”, o que se nos afigura difícil, porque o que se conhece delas é tão pouco que se torna pouco mais do que conjecturável a existência ou não de traços comuns. É certo que existem paralelismos fonéticos e morfológicos, identificáveis sobretudo entre a razoavelmente conhecida escrita etrusca e raética, já que da estela de Lemnos pouco se sabe.

O último grupo é o das línguas pré-indoeuropeias da Península Pirenaica. Este é provavelmente aquele que mais testemunhos escritos deixou, exemplos que já abordámos noutro ponto. Apesar deste dinamismo em épocas pré-romanas e até durante a fase republicana da dominação romana na Península Ibérica estas inscrições e as línguas que elas registavam desapareceram. Alguns supõem que o basco seja uma das suas sobrevivências, mas de concreto não existem certezas quanto a esta certeza. A este grupo pertenceriam o antigo Ibero e a celtizada língua lusitana.

Em conclusão, e seguindo de perto a conclusão de Paul M. Dolukhanov, existem vestígios suficientes para ser possível defender a tese da existência de uma língua Mediterrânea e que incluía no seu seio o pré-Basco, o pré-Caucasiano, o Lígure, o Etrusco, o Sumério, o Hatíco, o Hurrita-Urartiano, o Elamita, entre outras. Todas estas línguas derivariam em primeira mão de uma língua falada na bacia do Mediterrâneo e áreas adjacentes na época da última glaciação, em pleno Alto Paleolítico entre 25.000 a 15.000 anos a.C.


[1] O mesmo Chadwick que contribuiria de um modo tão determinante para a tradução da escrita Minóica Linear B.

Categories: A Escrita Cónia, História | 1 Comentário

Rafale ou Typhoon… Análise comparativa… Qual é o melhor caça?

Colocando a questão de uma forma muito sintética, podemos dizer que o Rafale é uma adversário mais pequeno, mais leve, mais barato e menos capaz do que o Typhoon, o programa que a França abandonou na década de 80 para construir o seu próprio avião de combate de 4,5 geração (ver AQUI). De facto, nem um, nem o outro são comparáveis às características oferecidas actualmente peo F-22 Raptor ou pelo projecto russo PAK-FA. Contudo, o Rafale não pode deixar de ser uma boa alternativa, nalgumas condições… Os EUA não estão a vender Raptors a ninguém, mesmo aos seus mais fiéis aliados que o estão a tentar comprar (Japão e Austrália, nomeadamente). O Rafale deveria ser mais barato que o Typhoon, custando entre os 45 e os 64 milhões de euros cada, enquanto que o Typhoon ronda os 120 milhões, mas sabe-se que ambos os aparelhos foram oferecidos à Coreia do Sul pelo mesmo preço: 95 milhões por unidade… Ou seja, o consórcio EADS anda numa de dumping…

Em termos genéricos, o Rafale é quase tão capaz como o Typhoon (ver AQUI ), pelo que pode sempre ser uma alternativa “económica” a esta caça, mais pesado, maior e, logo, mais capaz e caro. Se o seu uso em Porta-Aviões é determinante, o Rafale é a única alternativa ao F-35 dos EUA… Aliás, a França já o usa nesse papel no seu porta-aviões nuclear “Charles de Gaulle“.


(Rafale operando no “Charles de Gaulle”)

Em termos de furtividade, o Typhoon deveria ser mais capaz que o Rafale, mas existem informações que apontam para que o caça francês, porque é menor, tem afinal de conta um menor RCS, menos 50% que o Typhoon, segundo alguns.

A grande diferença entre o Typhoon e o Rafale está assim na banda financeira… A diferença a favor do Rafale reside nas suas menores dimensões e na sua inferioridade em algumas das suas características em relação ao avião da EADS. É também certo que programas puramente nacionais tende a ser mais baratos do que programas multinacionais (redudâncias, tempo gasto em reuniões e acordos, transporte de peças e montagem, etc). Esta vantagem tem sido anulada porque se estão a construir mais Typhoon do que Rafale, e a decorrente economia de custos está a baixar os preços do primeiro.


(Video promocional do Typhoon)

Os dois aviões são também diferentes, nos objectivos para os quais foram concebidos. Enquanto que o Rafale foi criado para ser um caça táctico, o Typhoon foi concebido de raíz para ser um caça de superioridade aérea. Isto confere com aquilo que se julga, que é o facto do Typhoon ser mais competente no papel de interceptor, do que o Rafale. Contudo, o Typhoon pode levar menos peso em bombas e mísseis (6500 Kg) do que o Rafale (9500 Kg) e isto, num cenário em que as operações contra alvos no solo são fundamentais, é uma vantagem importante para o aparelho gaulês…

O radar do Rafale está entre o melhor que hoje existe na aviação militar… Com efeito, o radar de “Phased Array” RBE2 permite o tracking de alvos múltiplos a distâncias superiores aos alcances dos mísseis Ar-Ar da actualidade. De facto, o RBE2 é apenas comparável ao APG-77 do F-22. O radar do Typhoon é de uma geração anterior e o seu upgrade (inevitável…) será complexo e caro. E quando fôr feito, provavelmente o Fase 3 RBE2 da Thales já deverá estar operacional nos Rafale, já que este modelo superior do RBE2 tem vindo a ser ensaiado nos Rafale desde 2003 e deverá ser tornado o padrão dos Rafale em 2008.

Em termos de manobrabilidade, o Rafale é um melhor avião… Aqui, o Typhoon paga o preço das suas maiores dimensões e peso.

Em termos de armamento embarcado, ambos os aparelhos podem usar o excelente míssil europeu de longo alcance Meteor, em médio alcance, o MICA do Rafale equivale ao AMRAAM do Typhoon… Em dogfight, são equivalentes….

O maior problema com o Rafale tem talvez a ver com a sua não integração com armas americanas… Estas são produzidas em grande número, e consequentemente, são mais baratas que as europeias ou francesas, um argumento importante se o mesmo país usar o JSF e o Typhoon, como sucederá pelo menos no caso britânico.

Conclusão:

De facto, o Rafale parece superior ao Typhoon… E isto colide com a ideia pré-concebida que alimentava ao começar este modesto estudo comparativo, admito… Aliás, o Rafale parece estar adiantado uns bons cinco anos em relação ao Typhoon e se o governo francês continuar a financiar o projecto, sendo aqui vital o encontro de algum cliente externo, esta vantagem vai manter-se com os programas de upgrade que estão já previstos e que o Typhoon dificilmente acompanhará. Actualmente, a Índia está a considerar o Rafale, assim como a Suíça. E a Líbia, parece ter encomendado entre 13 a 18 aparelhos (ver AQUI)… Isto somente, pode continuar esta ligeira vantagem a favor do Rafale.

Outras Fontes:
http://news.scotsman.com/uk.cfm?id=114082005
http://www.iht.com/articles/2006/07/16/business/rairfight.php?page=2

  Qual é o melhor avião de combate?
1) Rafale
2) Typhoon

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Categories: QuidSZ S3 | 10 comentários

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