No rescaldo dos incêndios florestais na Grécia e sobre a Especulação Imobiliária


(http://www.navis.gr)

“Haverá mãos criminosas e, diz-se, pressões imobiliárias. Loucos, Quem quererá visitar um país cheio de hotéis implantados sobre cinzas? Quem se importará com a Grécia sem o apelo de Creta, das marcas de pedra antiga que nos inspiram ainda e sempre humanidade? Essa Grécia que tanto encantou Sophia e encanta ainda Hélia Correia? Os abutres do ganho fácil podem, neste desvairo incendiário, acabar de vez com o seu próprio sustento.”

Nuno Pacheco
Público 29 Agosto de 2007

Esta gangrena imobiliária que devassa todo o mundo e que induz falsas noções de prosperidade em economias como a britânica e espanhola e, em menor medida, na portuguesa está por detrás de alguns dos fenómenos mais perigosos da actualidade… A expansão do sector imobiliário tem alimentado campanhas e partidos políticos de moral duvidosa, como se viu no recente caso Somague e como se vê um pouco por todo o País pelas relações de corrupção que unem tantos autarcas a tantas empresas de Construção Civil… O papel desta especulação imobiliária é também determinante na destruição que estes incendiários “loucos e agindo sob moto próprio” (pois! os desgraçados que se deixam apanhar!) têm tido no mundo mediterrâneo em zonas de maior pressão construtiva… Não basta utilizar os argumentos do Aquecimento Global (verdadeiros, ainda assim), os do ermamento do Interior e do êxodo das populações para as cidades e para o litoral, para explicar a escala assassina daquilo que assolou a Grécia e que tenta destruir todos os anos o Interior deste País. Para compreender cabalmente este fenómeno é preciso procurar as suas raízes num sector imobiliário com as suas taxas de lucro muito superiores às da economia produtiva, com níveis de risco de investimento muito baixos e onde as ligações entre o poder político e os interesses instalados permitem uma cobertura política e policial que – apesar dos esforços recentes – tem largas décadas em Portugal.

Um dia, estes especuladores hão-de queimar a última árvore e construir no seu lugar mais um apart-hotel ou um enésimo sorvedouro-de-água Campo de Golfe, rodeado de palmeiras de plástico e hotéis de turismo de massas. É claro que nesse dia… Nenhum deles estará cá para o ver. Mas isso é a longo prazo… E como dizia Lord Keynes: “a longo prazo estaremos todos mortos” e é este princípio que segue agora esta gente que na vã mira do lucro massivo e imediato não hesita em sacrificar o destino de todos nós e dos seus próprios filhos.

Categories: Economia, Política Nacional, Sociedade | 4 comentários

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4 thoughts on “No rescaldo dos incêndios florestais na Grécia e sobre a Especulação Imobiliária

  1. sa morais

    Concordo contigo, mas na Grécia também não terá havido um jogada política? Hum…

    Mas pelo menos na Grécia assumiram a “mão criminosa”. Por cá ainda se tenta iludir o patego com a cantiga da prevenção. Pois… A melhor prevenção era penas exemplares para os incendiÁRIOS. È o nosso futuro e o futuro das gerações seguintes que esses bandalhos estão a destruir!

    Abraço!

  2. Eu acho que esta gente está convencida que se a europa mediterrânica for um deserto poderá por aqui aparecer petróleo!

  3. assumiram, mas de que lhes serviu? não consta que tenham identificado e detido os verdadeiros responsáveis pela catástrofe, e o governo foi reeleito, espantosamente…
    por cá, a Prevenção é uma grande lacuna… Mas o Governo é dos que menos “prevêm” já que as matas nacionais são aquelas que mais mal estão cuidadas…
    João: Então ainda não perceberam que o Petróleo da Europa do Sul é o Turismo… E que um deserto queimado não atrai nenhum turismo! É a ganância do Lucro imediato que os cega e que os irá falir a médio prazo…

  4. sa morais

    A prevenção poderá ser uma parte do problema, mas o fogo criminoso é realmente o grande problema.
    Se o problema fosse apenas de prevenção, julgo que Portugal teria ardido centenas de vezes de lés-a-lés, nos tempos em que nem haviam… bombeiros! A minha vivência aqui pelas Beiras mostrou-me que a não limpeza das matas é realmente um factor que dificulta o combate aos incêndios, mas a causa é bem diferente…
    E se tivessemos florestas em grande escala?! – atenção que uma floresta não é uma mata “limpa”. Falo de floresta como lugar onde não há intervenção humana. – E quando as tínhamos? Aquelas velhas florestas, onde não haviam acessos, nem limpezas? Portugal ardia anualmente?

    Abraço

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