Daily Archives: 2007/09/23

Sobre os empréstimos a estudantes, do envidamento das famílias e das desvantagens de um investimento “cego”


(http://newsimg.bbc.co.uk)

(…) “Com o endividamente desproporcionado por referência aos proventos da sociedade portuguesa, com o desemprego que atinge os jovens e continua a crescer particularmente no grupo dos licenciados, como poderão ser pagos os empréstimos em análise? O sistema prevê um ano de carência, após a conclusão dos estudos. Feitas as contas genéricas para o montante máximo possível, chegaremos a valores de reembelso próximos dos 500 euros mensais. Será isto exequível com as negras prespectivas do desemprego jovem?”
(…)
“Sócrates e Gago garantiram que não baixarão os apoios sociais aos mais carenciados e que este modelo de empréstimos se somará às bolsas de estudo existentes. Mas por que hei-de eu acreditar em já fez hoje o contrário do que prometei ontem?”

Santana Castilho

“Apesar de constituir um compromisso político do Governo, a surpresa veio com o novo regime de empréstimos bancários para a frequência do ensino superior. Era uma lacuna importante na promoção do acesso ao ensino superior, para além do apoio social escolar. Com ele, novas pessoas poderão sustentar o investimento na sua educação superior. Trata.-se de um regime geral e universal, aberto a todos os interessados, estudantes e investigadores, e para todos os graus de ensino terciário, incluindo os planos de mobilidade internacional (programa Erasmus)”.
(…)
“Nem todos os aspectos são isentos de reserva, como sucede com o prazo de carência reduzido a um ano para o início do reembolso, depois da conclusão do curso, o que pode constituir um factor de constragimento nos casos em que o início da actividade profissional remunerada demora mais do que isso, como acontece nas profissões sujeitas a estágio profissional longo, muitas vezes sem pagamento digno desse nome”.
Vital Moreira

Público, de 28 de Agosto de 2007

Bem sei que este tema já deixou as agendas mediáticas… Mas como já escrevi aqui, algures, este espaço não é um jornal de actualidades… Mas sim um espaço de debate e de opinião, para além de uma plataforma de divulgação dos projectos do Movimento Quintano. Assim, não poderíamos fugir a este curioso tema dos “empréstimos para estudantes”, ainda que tenha passado já mais de um mês sobre este anúncio governamental…

O modelo é importado, e apesar de alguns problemas tem funcionado mais ou menos bem nos EUA, por isso é natural que se tente agora importá-lo para a realidade portuguesa… E de facto, quem estiver atento às séries e aos filmes Made in USA que as televisões nos apresentam pode antever aqui e acolá referências a jovens trabalhadores que aludem a estes pagamentos… Ainda há pouco vi duas dessas referências, uma no CSI, e outra na Anatomia de Grey… É que o problema do endividamento dos jovens é muito sensível… E se as famílias portuguesas já apresentam hoje um elevado nível de endividamente, o mesmo não deixa de ser verdade para as famílias americanas. Pessoalmente, repudio qualquer sistema de financiamento que se baseia no modelo de empréstimo. Os Bancos – que estão neste negócio óbviamente para fazer dinheiro – não emprestam a juro zero… E a carga de dívida recai assim naturalmente sobre os ombros de quem tem a acima dita dificuldade em entrar no mercado de trabalho e que – quando finalmente o faz – é sujeito a salários baixos. Será que a solução para facilitar a entrada no mundo universitário de jovens terá mesmo que passar pela subsidiação indirecta a universidades privadas e pela criação de novos patamares de endividamento para os portugueses?

Será que a solução para os problemas educativos e na formação dos jovens passa pelo financiamento cego a todos os cursos, ou pela criação de mecanismos que favoreçam a frequência universitária em determinados cursos onde o País precisa de mais quadros? Precisaremos mesmo de financiar com o Orçamento Público novas fornadas de legiões de Advogados ou de Sociólogos desempregados ou eternamente frustados porque nunca encontrarão emprego nas suas áreas de formação? E, sobretudo… Precisaremos mesmo de mais uma forma de endividamento e de enriquecimento bancário?

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Categories: Educação, Política Nacional, Portugal | 6 comentários

Sobre o abastardamento do conceito de “Quinto Império” cometido aquando da realização material do “império português”

Sejamos claros. Portugal é – como já escrevemos – mais do que um Substantivo, uma Coisa Material e uma realização material, mas sobretudo um Verbo, um sentimento de movimento para uma forma de organização que as profecias de Bandarra, Vieira e Pessoa. O Movimento Quintano, com a sua proposta de relançamento do conceito de Quinto Império pretende ser uma cristalização destes conceitos agostinianos e contribuir para o cumprimento da missão portuguesa de ligar o Ocidente ao Oriente, pela via pacífica, da coesão humanitária e do respeito pelo Homem e pela Liberdade e re-ligar aquilo que a Geografia separou, cumprindo enfim o legado dos descobridores que depois os impulsos inquisitoriais e capitalistas de Dom João III haveriam de corromper.

Com efeito, o “império português” forjado no Oriente a golpe de espada e a tiro de canhão por Albuquerque e Francisco de Almeida é já uma deturpação dos princípios que levou o povo e as gentes portugueses a participarem nos irrealistas, mas motivadores projectos henriquinos de reconhecimento da costa africana e de procura de um caminho para a Índia. Estes portugueses de quinhentos e seiscentos que construiram, primeiro no Oriente, e depois no Brasil, o dito “império” foram exploradores de recursos naturais, mas também explorados e manipulados por um “capitalismo régio” e por hostes de mercadores germânicos sediados na Flandres cuja cupidez e explosiva riqueza alimentavam com o seu próprio sangue e ardor combativo. Este Império “real e corpóreo” foi aquilo que fez efectivamente perder Portugal, não o desastre de Alcácer Quibir… Ao procurar ser algo que não podia ser, porque incompatível era com a Alma Portuguesa, os portugueses cometeram o supremo pecado de agirem contra a sua mais profunda essência: o motor espiritual que levou Portugal, essa ideia e não um país, para o Oriente em busca de uma realização terrestre de um princípio imaterial e espiritual que o sentir popular de então, e Bandarra e Vieira depois proclamariam ser o “Quinto Império”.

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