Daily Archives: 2007/09/22

As redes P2P e o “Traffic Shapping” dos ISPs… Alguns considerandos

Um pouco por todo o mundo, os fornecedores de acesso à Internet (ISP) estão a introduzir mecanismos de controlo e redução de tráfego Internet… Pelo menos desde 17 de Novembro de 2005 que a Netcabo usa mecanismos e ferramentas activas de “traffic shapping”. E como ela, assim faz o Sapo e, provavelmente, a maioria dos demais ISPs. O “Traffic Shapping” está particularmente orientado para penalizar o tráfego P2P, e favorece em situação de sobrecarga da Rede o tráfego HTTP (Browsers), FTP (Downloads “oficiais”) e SMTP e POP3 (Correio Electrónico). Segundo alguma fontes, o balanceamento seria de 50% em períodos diurnos e de 76% em períodos nocturnos. A proporção pode ser hoje bem diferente com toda a sanha que foi agora lançada contra as redes P2P (de que o encerramento de vários sites nacionais pela PJ foi bom exemplo).

O uso de tecnologias de “Traffic Shapping” enferma contudo de algumas ambivalências éticas… É certo que a esmagadora maioria do tráfego P2P existe para disseminar software ou ficheiros protegidos com direitos de autor e que é imoral que esse tráfego prejudique quem apenas navegue na Internet para… ler estas linhas. Mas também é certo que os ISPs portugueses e em todo o mundo não têm investido suficientemente nas suas redes, concentrando os seus esforços de investimento no Marketing e na Publicidade e não nas estruturas ou na qualificação do seu pessoal (cada vez mais ineficiente devido à disseminação de duplo e triplo outsourcing). E sobretudo… Quando uma campanha de um ISP promete “tráfego ilimitado”, não está implícito que estamos a prometer tráfego P2P? É que ninguém chega aos 2 Gb mensais de download só a navegar no Firefox e a ler email… Ou seja, os ISPs vendem tráfego nos seus pacotes, mas depois estrangulam-no porque não têm estruturas para o suportar e têm que recorrer ao “Traffic Shapping“… E os contratos de fornecimento de serviço omitem que algum do tráfego vendido e pago pode ser retirado sem aviso prévio… E as campanhas das “3 Meninas” repetem. “navegue na Internet sem limites de tráfego“:

Há porventura o argumento moral… É imoral usar ferramentas de P2P para fazer download de conteúdos protegidos por direitos de autor, mas não cabe ao ISP agir como uma Polícia ou um Tribunal. Existe o princípio que devia ser sacrossanto da “Net Neutrality” e que devia fazer com que todos os ISP fossem neutrais em relação ao tráfego que passa pelos seus circuitos… A REFER é responsável pelos assaltos aos comboios que correm pelas suas linhas? A Brisa por todos os acidentes que acontecem nas suas autoestradas? Os senhorios pelos assaltos às casas que alugam? Os ISP responsáveis criminalmente pelo tráfego com conteúdo pedófilo, terrorista ou mafioso que percorre as suas redes? Não… É claro que não!… Então porquê esta limitação aos utilizadores de redes P2P? Existem sites perfeitamente legais de Torrents como o legaltorrents.com, o creativecommons.org e o demoscene.tv. De qualquer forma, se os ISPs se preocupam assim tanto com o tipo de conteúdos que andam pelas suas redes porque incluem frases como “enviei e recebi videos e músicas” nas suas campanhas?:

Este não é um apelo claro à realização de downloads ilegais de videos e músicas pela Internet em redes P2P?

Ignoramos qual é o peso relativo por tipo de tráfego que a Netcabo e os outros ISPs nacionais aplicam… Mas é quase certamente mais agressivo que o de finais de 2005 que acima indicámos… No Reino Unido, o ISP Nildram (da Pipex) declarou estar a reduzir o tráfego disponível para redes P2P e tráfego “não interactivo“, declarando que este tráfego seria reduzido até aos 64 Kbits/segundo, mas apenas em horário diurno… Alguns utilizadores empresariais ficaram furiosos, porque a maioria do tráfego FTP (também considerado “não interactivo“) é geralmente legal. De facto, no Reino Unido e em Portugal ocorreu o mesmo fenómeno… Os ISPs não investiram suficientemente nas suas redes de forma a poderem acompanhar o aumento explosivo do seu número de clientes e das novas formas de usar a Internet, como o VoiP e a agora muito falada “Televisão sobre IP“.

Preferiram investir em campanhas como a das “Três Meninas”…

Fontes:
http://www.theregister.co.uk/2007/05/23/nildram_bandwidth_throttling/
http://foruns.netcabo.pt/lofiversion/index.php?t5426.html

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Agostinho da Silva: “É claro que eu acredito no Quinto Império, porque senão o acto de viver era inútil.”

“Eu sinto-me cada vez mais apaixonado,

mas por coisas que a matemática não prova que existam. (…)

É claro que eu acredito no Quinto Império,

porque senão o acto de viver era inútil.

Para quê viver se não achássemos que o futuro vai trazer-nos uma solução

que cure os problemas das sociedades de hoje?”

Agostinho da Silva, 1997.

Neste poema, Agostinho define aquilo que deve nortear as nossas vidas, se as queremos manter realmente vivas e não pretendemos desmerecer a inteligência que nos foi concedida. Em vez de vivermos como vegetais, consumindo cega e acéfalamente produtos e serviços de cuja necessidade a máquina de marketing das multinacionais e as televisões nos fazem convencer de que precisamos absolutamente para sermos “felizes”, precisamos de definir um “Norte” para a nossa vida e encontrar um rumo, superior, frequentemente e provavelmente necessariamente irrealizável a curto prazo ou que até pareça de todo irrealizável. Esse mote é para nós, o cumprimento das profecias da instalação de um “Quinto Império”, fraterno, coeso, mas multiforme e tolerante e que conceda a primazia às comunidades locais, às empresas unipessoais e de pequena e média dimensão, contra as frias e tenebrosas grandes corporações multinacionais. É o caminho para esta nova sociedade que devemos percorrer, sem ignorar as dificuldades impostas pelas poderosas e multimilionárias forças da Globalização.

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