Mugabe, a ruína do Zimbabwe e a passividade internacional


(http://news.bbc.co.uk)

“Os zimbabweanos estão a morrer à fome numa escala comparável à de um genocídio, declarou ontem ao jornal britânico Daily Telegraph o deputado David Coltart, do Movimento para a Mudança Democrática (MDC), segundo o qual já poderá ser considerada a maior crise humanitária mundial, uma vez que a esperança de vida das mulheres desceu para os 34 anos.”
(…)
“o desemprego no país ronda os 80% e o Daily Telegraph prevê o colapso da economia dentro de 4 meses, com um resvalar para a anarquia e o reacender de velhas tensões tribais: o país divide-se essencialmente entre os grupos étnicos shona e ndebele.”
(…)
“perto de 30% dos cerca de 12,5 milhões de habitantes fugiram do país.”

Jorge Heitor
Público, de 22 de Agosto de 2007

A gravidade daquilo que se está a passar no Zimbabwe está actualmente numa tal escalad de gravidade que se impôe uma intervenção armada que remova do poder esse louco enraivecido pelo “racismo branco” e devorado pela “psicose da perseguição” com o nome Robert Mugabe. Se a sua conduta se desenvolvesse noutro local, não faltariam as vozes clamando e aplicando a sua expulsão do Poder. Não é isso que acontece, contudo… Alguns Governos da África Austral, e neles, sobretudo aquela superpotencia regional que é a África do Sul parecem ter uma atitude demasiado complacente perante o regime de Mugabe, como se este estivesse a fazer com os “seus” brancos, aquilo que alguns no ANC, gostariam de fazer com os seus próprios… Depois, e talvez sobretudo, os países mais influentes da região têm quase todos algum tipo de dívida moral para com Mugabe… As forças do Zimbabwe combateram ao lado das de Angola, no Congo… E em Moçambique ao lado do Governo… E Mugabe sempre apoiou o ANC, mesmo nos tempos do Apartheid… O facto dos maiores actores regionais terem esta doentia relação de “dívida” impede que uma libertação do Zimbabwe pela via da invasão de um país vizinho, como aconteceu com a deposição desse outro louco famoso de nome Idi Amin, no Uganda.

Será que Mugabe será deposto por um golpe militar? Existem alguns rumores que dão conta de algum descontentamento entre as suas fileiras, mas o regime tem-se revelado atento e tem mantido um nível de vigilância e repressão alto o basto, para dissuadir estas aventuras militaristas… O colapso da Economia do Zimbabwe parece inevitável, já que nenhuma medida política ou económica tem sido tomada para resolver os problemas que assolam este outrora “celeiro da África Austral”. Talvez quando este colapso suceder, os dois terços de população que ainda não deixaram o País tomem o Poder, pela chamada “força da rua”… Talvez o regresso ao tribalismo não seja necessariamente uma má alternativa. Pessoalmente, acreditamos que pode até ser mais eficiente que a forma “nacionalista” de gestão que em África tem demonstrado bastas vezes não funcionar, já que em África não existem “Estados-Nações” como o modelo que mal foi decalcado da diversa realidade europeia…

Enfim, o caldeirão zimbabweano está prestes a rebentar. Veremos depois o que sai de lá dentro…

Anúncios
Categories: Política Internacional, Sociedade, Wikipedia | 8 comentários

Navegação de artigos

8 thoughts on “Mugabe, a ruína do Zimbabwe e a passividade internacional

  1. Mais uma velha esperança de África a desfazer-se! Já não adianta deitar as culpas a ninguém, mas que força estará por trás da criação destes ditadores?

  2. e neste concreto, é um caso particularmente chocante porque este país era um bom exemplo de convivência racial, mesmo depois de uma turbulenta guerra civil, e, sobretudo, era um dos países africanos com melhores índices de desenvolvimento… Exportando alimentos, inclusivé (coisa rara, em África).
    O Zimbabwe de hoje ilustra bem as consequências do Racismo, quando este se torna Religião de Estado.

  3. Golani

    que se impôe uma intervenção armada que remova do poder esse louco enraivecido

    esta frase é perigosa…..levanta uma série de questões

    pode-se então justificar a invasão do Iraque por ex ?

  4. admito o perigo implícito.
    em primeiro lugar, a intervenção no Iraque ocorreu sob base noutros pretextos, o das ditas “armas de destruição em massa” que não só o Iraque não tinha então, como agora o Irão se prepara para ter – com aparente impunidade – e como Israel sempre teve, sem merecerem um e outro uma intervenção militar.
    em segundo lugar, à intervenção no Iraque faltou a condição essencial para que pudesse ser feita de acordo com a Lei Internacional: um mandato formal da ONU
    em terceiro lugar, aplica-se aqui a teoria do “mal menor”. O sofrimento provocado à sua população pelo regime mugabiano é inegável e uma intervenção armada criaria muito provavelmente as condições para que o exército zimbabweano – já de si muito reninente – se virasse contra o regime. Para ser bem sucedida, a intervenção teria que contar no terreno com forças exclusivamente africanas, com apoio logístico e aéreo internacional. E é aqui que reside o grande busilis… Ninguém parece disposto a intervir. Não há nenhuma “Tanzânia” disposta a livrar o Zimbabwe do seu Idi Amin, nem nenhum Vietname a livrar o Zimbabwe do seu Pol Pot… Para miséria dos Zimbabweanos.
    em quatro lugar, a intervenção no Iraque, foi excelentemente planeada e conduzida, mas o pós-invasão nem sequer teve planeamento nem antecipação… Foi o caso claro que algo bem planeado e executado, mas para onde não se desenharam nem conceberam planos para o momento posterior, como foi feito no Japão, p.ex.

    Justifica-se sempre à luz da Lei e da Moral a invasão de um regime que viola os mais básicos direitos humanos, que persegue a sua própria população, que extermina uma determinada etnia, que viola os mais básicos princípios do Direito Internacional. Veja-se o que aconteceu no Ruanda, com as hesitações intervencionistas da comunidade internacional, e dos EUA e de França, sobretudo…

    E note-se que tipo de amigos internacionais – outros campeões dos Direitos Humanos – é que Mugabe conseguiu congregar:
    http://news.bbc.co.uk/2/hi/africa/4713961.stm
    http://www.iht.com/articles/2005/07/24/news/zimbabwe.php
    http://www.orwelltoday.com/chinazimbabwe.shtml

  5. Portugal precis dum Mugabe, que nos traga a ruína e mais passividade internacional.

  6. sa morais

    Aquele bigodinho do Mugabe, não faz lembrar alguém em versão ariana?!

  7. Golani

    no Burundi/Ruanda a ONU teve semanas a analisar se o que se passava poderia ser considerado Genocídio ou não ( a carta das ONU obriga-a a intervir em caso de Genocídio )

    como nunca chegaram a uma conclusão, nem a ONU nem nenhum pais isoladamente fez nada para impedir o genocídio (os que tinham mais responsabilidades eram os ex-colonizadores: França e Bélgica)

    A situação para resolver estes “problemas” poderá passar pela uso de “mercenários”

    vídeo:

    Private Military Contractors – Sierra Leone

  8. Sá: esse “bigode” por acaso é esquisito… Já o vi nesta fotografia em sites de jornais ingleses, pelo que penso que a foto não é retocada… Mas o efeito de sombra revelado aqui é muito curioso e… contextualizado, sobretudo!
    Golani: Essas hesitações fatais são infelizmente característica da ONU e da sua própria forma interna de funcionamento… Os Belgas (penso que o Ruanda era uma colónia sua) tinham a obrigação moral de intervir logo que se tornou claro que a situação estava a entrar em descontrolo, e sem dúvida que a presença de umas centenas de militares belgas no país teria bastado para conter a explosão de violência, mas optaram por não o fazer, e por isso (e por muito mais) penso eu tão mal dessa cinzenta nação do centro da Europa…
    Quando à solução “mercenária”… Seria preferível haver um grupo de intervenção da UA (neste caso) sempre pronto a intervir e coberto por logística da NATO ou de outras potencias… Com mercenários, nunca se sabe a quem vão eles prestara sua fidelidade… mas provavelmente fá-lo-ão a quem apresentar o próximo cheque mais chorudo… Vê p.ex. o caso da Executive Outcomes em Angola, que alinhou ora por um ora por outro lado, de acordo com as conveniências e os… cheques.

Deixe uma Resposta para Paulo Ribeiro Cancelar resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

Site no WordPress.com.

Eleitores de Portugal (Associação Cívica)

Associação dedicada à divulgação e promoção da participação eleitoral e política dos cidadãos

Vizinhos em Lisboa

A Vizinhos em Lisboa tem em vista a representação e defesa dos interesses dos moradores residentes nas áreas, freguesias, bairros do concelho de Lisboa nas áreas de planeamento, urbanismo, valorização do património edificado, mobilidade, equipamentos, bem-estar, educação, defesa do património, ambiente e qualidade de vida.

Vizinhos do Areeiro

Núcleo do Areeiro da associação Vizinhos em Lisboa: Movimento de Vizinhos de causas locais e cidadania activa

Vizinhos do Bairro de São Miguel

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos

TRAVÃO ao Alojamento Local

O Alojamento Local, o Uniplaces e a Gentrificação de Lisboa e Porto estão a destruir as cidades

Não aos Serviços de Valor Acrescentado nas Facturas de Comunicações !

Movimento informal de cidadãos contra os abusos dos SVA em facturas de operadores de comunicações

Vizinhos de Alvalade

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos de Alvalade

anExplica

aprender e aprendendo

Subscrição Pública

Plataforma independente de participação cívica

Rede Vida

Just another WordPress.com weblog

Vizinhos do Areeiro

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos do Areeiro

MDP: Movimento pela Democratização dos Partidos Políticos

Movimento apartidário e transpartidário de reforma da democracia interna nos partidos políticos portugueses

Operadores Marítimo-Turísticos de Cascais

Actividade dos Operadores Marítimo Turísticos de Cascais

MaisLisboa

Núcleo MaisDemocracia.org na Área Metropolitana de Lisboa

THE UNIVERSAL LANGUAGE UNITES AND CREATES EQUALITY

A new world with universal laws to own and to govern all with a universal language, a common civilsation and e-democratic culture.

looking beyond borders

foreign policy and global economy

O Futuro é a Liberdade

Discussões sobre Software Livre e Sociedade

%d bloggers like this: