Sobre a destruição do milho transgénico em Silves, o Movimento Verde Eufémia, Acção Directa e… Os transgénicos

“o milho transgênico é mais amigo do Ambiente que o convencional, porque não precisa de pesticidas”, Jaime Silva

“o principal ponto de debate é a impacto na saúde humana e no equilíbrio do ecossistema.”

“Em 2006 entraram em vigor as normas que asseguram a coexistência entre estas culturas. Entre elas devem ser respeitadas distâncias minímas de 200 a 300 metros para prevenir os riscos de contaminação”.

Público, 21 de Agosto de 2007

A propósito da recente “acção directa” do Movimento Verde Eufémia, mais especificamente na destruição de um hectar de milho transgénico (ver AQUI) e onde os manifestantes recorreram à violência física, não só contra o milho, mas também contra o agricultor (como documentam as imagens recolhidas no local), a verdade é que a invocação do 21º artigo da Constituição (ver AQUI):

Todos têm o direito de resistir a qualquer ordem que ofenda os seus direitos, liberdades e garantias e de repelir pela força qualquer agressão, quando não seja possível recorrer à autoridade pública.”

Não faz sentido e aparece aqui completamente descontextualizada. Em primeiro lugar, “autoridades públicas”, na forma de militares da GNR era coisa que não faltava, tendo sido aliás muito criticada a sua passividade, tanto quanto foi a mesma elogiada pelos elementos do Movimento Verde Eufémia… E se assim foi, tal deve ter-se devido a terem concordado com a mesma, dispensando assim a justificação do “direito de resistência”… Já que as autoridades não só estavam presentes como agiram (ou não) de forma a agradar aos manifestantes…

Por outro lado, é certo que é preciso ainda fazer muitos estudos científicos sobre as consequências a longo prazo dos transgénicos, e por vezes uma consequência pode surgir a muito longo prazo, como se viu ainda não há muito tempo atrás no caso da “doença das vacas loucas”… Mas actualmente não ha indícios claros que os transgénicos sejam perniciosos para a saúde humana, animal ou vegetal… Sabe-se que podem aumentar exponencialmente a produção de alimentos, num mundo em plena e descontrolada explosão demográfica… Consomem poucos pesticidas num mundo cada vez mais poluído… Se forem tomadas medidas básicas de precaução (distância de segurança, monitorização científica, vigilância da aplicação das regras) não devemos temer os transgénicos, pelos menos à luz da ciência actual… Devemos é talvez temer a atitude de algumas multinacionais que aproveitaram o barco para criar sementes transgénicas que a pretexto da mesma “segurança” são… estéreis e que colocam os agricultores na total dependência das suas produções (actualmente cerca de 20% de todas as sementes cultivadas resultam da sementeira anterior).

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16 thoughts on “Sobre a destruição do milho transgénico em Silves, o Movimento Verde Eufémia, Acção Directa e… Os transgénicos

  1. É bom falar neste assunto!
    E saúdo mais uma vez o Quintus por isso.
    Já se disseram muitos disparates sobre transgénicos – Jaime Silva e Cavaco Silva.
    Remeto-vos para os postes sobre o assunto publicados no Espaço Aberto.
    Não se entende a posição do Senhor Presidente da República, ao vir a terreiro defender os transgénicos. O mesmo senhor que há alguns meses atrás defendeu a Energia Nuclear.
    Não há dúvida que estamos entregues à «bicharada» e aos lobbys das grandes empresas.
    É muito comprometedora a ligação do governo português face aos grandes grupos económicos como a Monsanto e a Microsoft.

  2. Golani

    Já se disseram muitos disparates sobre transgénicos ….
    Não se entende a posição do Senhor Presidente da República, ao vir a terreiro defender os transgénicos. O mesmo senhor que há alguns meses atrás defendeu a Energia Nuclear.

    O Presidente da Republica não defendeu os transgénicos.

    O Presidente da Republica defendeu um dos direitos fundamentais numa democracia, o direito á propriedade privada.

    Defendeu a Justiça, a Lei, o Estado de Direito.

    O post está equilibrado.

    O surgimento dos transgénicos estéreis impedirá a contaminação de outras culturas.

  3. Mário e Golani: a minha posição sobre os transgénicos pode ser descrita como uma “aceitação cuidadosa”, ou seja, é mais ou menos a posição oficial da UE e anda uns degraus abaixo no grande entusiasmo pelos mesmos que se propagou pelos EUA: As suas vantagens são evidentes e imediatas (menos poluição, menos custos, maior rendimento, mais produção), mas existem ainda um horizonte cinzento que exige cuidados e uma atenta e feroz vigilância sobre as culturas. Talvez este último aspecto falhe em Portugal (é essa a nossa tradição: excelentes leis e fraca aplicação das mesmas), mas em toda esta questão, penso que falta:
    1. Vigilância
    2. Estudos
    Mas sem sinais da sua potencial negatividade, devem ser aceites e usados, desde que com as devidas percauções.
    Agora continuo é renitente quanto à questão da esterilização de sementes… Sei que se faz alegadamente para impedir a propagação das culturas aos terrenos vizinhos e assim aniquilar com uma espécie mais forte as mais fracas, mas naturais… Mas continuo a achar que esta opção é muito conveniente para as grandes multinacionais da agroindústria e demasiado prejudicial para os interesses dos pequenos e médios agricultores…

  4. Golani

    Agora continuo é renitente quanto à questão da esterilização de sementes… Sei que se faz alegadamente para impedir a propagação das culturas aos terrenos vizinhos e assim aniquilar com uma espécie mais forte as mais fracas, mas naturais… Mas continuo a achar que esta opção é muito conveniente para as grandes multinacionais da agroindústria e demasiado prejudicial para os interesses dos pequenos e médios agricultores…

    esse argumento para mim não cola

    ninguém obriga os agricultores a usarem transgénicos e sujeitarem a uma relação de dependência com os fornecedores

    se existem assim tantos objectores aos transgénicos então estes são potenciais consumidores da agricultura biológica, ou seja, existe mercado

    o importante é categorizar os produtos por biológicos, “tradicionais”, transgénicos

    na posse da informação os consumidores decidem o que comprar e consumir

    a categorização pode sr levada a cabo pelos próprio produtores, em particular os biológicos, que são aqueles que têm a ganhar em comprovar que os seus produtos são livres de transgénicos

  5. Pedro Tavares

    Deve existir espaço para os dois tipos de culturas, o estudo de transgénicos é fruto da investigação de décadas e pode ser vital no futuro para alimentar o planeta, quer-me contudo parecer que a legislação Portuguesa/Europeia (ou recomendações, nem sei se existe legislação) deveria ser ainda mais rígida do que os 200 a 300 metros referidos no post.

    Por exemplo, o simples facto de o terreno de cultivo poder ter um declive acentuado, pode no caso de culturas de regadio propiciar a contaminação de terrenos adjacentes através do escoamento das águas de rega.

    Este exemplo pode ser descabido, não fosse o caso de já o ter observado (não com transgénicos), em que vi um terreno de cultivo ser “infestado” com uma sementeira de um vizinho a montante.

    Um pequeno agricultor que queira garantir o rótulo de produto biológico para a sua produção (esta certificação deveria ser feita por uma entidade externa) terá certamente maiores dificuldades e custos se nas redondezas da sua exploração existirem culturas transgénicas.

  6. Está visto que tenho que explicar ao meu amigo Golani, o que são Trangénicos:
    Transgénicos são plantas criadas em laboratório com técnicas da engenharia genética que permitem “cortar e colar” genes de um organismo para outro, mudando a forma do organismo e manipulando sua estrutura natural a fim de obter características específicas. Não há limite para esta técnica; por exemplo, é possível criar combinações nunca imaginadas como animais com plantas e bactérias.

    Pode-se, com essa tecnologia, inserir genes de porcos em seres humanos, de vírus ou bactérias em milho e assim por diante.

    Quase todos os países da Europa têm rejeitado os produtos transgénicos.

    Devido à pressão de grupos ambientalistas e da população, a UE proibiu a sua comercialização e seu cultivo (quase 80% dos europeus não querem consumir transgénicos).

    As sementes transgénicas são patenteadas pelas empresas que as desenvolveram (empresas norte americanas). Algumas destas empresas na América do Norte e na América Latina tem recolhido sementes de cereais e de outras culturas destinadas à alimentação humana. Quando o agricultor compra essas sementes, ele assina um contrato que o proíbe de replantá-las no ano seguinte (prática de guardar sementes, tradicional da agricultura), comercializá-las, trocá-las ou passá-las adiante.

    Você sabia que os transgénicos…

    … podem aumentar a resistência a antibióticos?

    … podem causar alergias?

    … podem contaminar plantações vizinhas e toda a cadeia alimentar?

    … transgénicos são poluição viva!

    … na América Latina os pequenos agricultores são responsáveis pela produção de 50% das batatas, 60% do milho e 70% do feijão?

    … a adopção de métodos de agricultura ecológica possibilitam um aumento médio de 73% na produção de alimentos?

    Agora fica explicado o súbito interesse das grandes companhias americanas, quando se avizinha a era dos bio combustíveis!

    Pergunto-lhe mais uma vez estará Portugal a cumprir as Directivas Quadors da União Europeia acerca dos Transgénicos?

    NÃO.

    Antes de entrar foice em seara alheia informe-se o que são trangénicos acoselho-o a pegar nuns manuais de Biologia e a ler mais sobre o assunto, quando não se está documentado tem de se informar.

    A que estudos se refere aos da Monsanto e associados?

    Quanto a respeitar-se a propriedade privada é outra questão, à luz do Direito, A Verde Eufémia devia ter avançado para Tribunal e ter apresentado queixa contra o estado Português, por desrepeito das Directivas Comunitárias.

    Portugal já não é a primeira vez que desrespeita completamente as Directivas Comunitárias respondendo por isso no Tribunal Europeu e na União Europeia.

    Estará por exemplo a Directiva Comunitária da Água a ser cumprida?

    NÃO.

    Quanto ao Presidente da República não é nenhum santo, quem toma o partido dos grandes interesses económicos e dos lobbys das grandes empresas…

    Está tudo dito.

    Não é nenhum santo.

    Ou também é crente.

    Estão bem um para o outro Sócrates e o PR.

    E não me leve a mal por entrar em desacordo consigo Golani.

  7. Golani

    Está visto que tenho que explicar ao meu amigo Golani, o que são Trangénicos:

    mas tás a explicar o quê, a quem !?

    não estás a dizer nada que eu não saiba

    a realidade é que não existe consenso cientifico sobre o OGM

    apresentam prós e contras

    mas sempre achei piada a tipos como vocês que se julgam os detentores da verdade e do conhecimento absoluto e da arrogância que gostam de impor a vossa visão do mundo, nem que para isso seja necessário recorrer à violência

    são tipos como vc que aplaudem acções como a do Governo da Zâmbia que recusou aceitar transgénicos nem que para isso a sua pop. morresse á fome….felizmente a Zâmbia já reconsiderou a sua decisão

    Quanto ao Presidente da República não é nenhum santo, quem toma o partido dos grandes interesses económicos e dos lobbys das grandes empresas…

    Está tudo dito.

    Não é nenhum santo.

    Ou também é crente.

    Excelente argumentação…o Presidene de Portugal eleito por maioria dos Portugueses não passa de uma marioneta dos lobbys…e como sempre a culpa de tudo que se passa de mal no mundo é das multinacionais, de preferência americanas

    vc é que são os iluminados

  8. Golani

    DN – 16.02.07

    Regras para cultivo de transgénicos garantem protecção a outras culturas

    Filomena Naves

    Coexistência pacífica e contaminação inexistente ou negligenciável. Cumpridas as regras de precaução, tal como elas estão estabelecidas na lei, o cultivo de milho geneticamente modificado (OGM) não afecta as culturas tradicionais (não OGM) da mesma espécie que lhe são próximas. Este é o principal resultado do primeiro estudo no terreno, em condições reais, feito em Portugal sobre esta questão.

    O relatório, da responsabilidade da Direcção-Geral de Protecção de Culturas, é hoje tornado público pelo Ministério da Agricultura. O documento resulta do acompanhamento e avaliação do cultivo em Portugal das variedades de milho transgénico autorizadas na União Europeia (UE) desde 2004.

    Em Portugal essa cultura começou em 2005 e cresceu 62,4% no ano passado, atingindo um total de 1254 hectares. Uma área que pode ser considerada reduzida, tendo em conta que se cultivam 160 mil hectares de milho por ano em Portugal.

    As variedades de milho OGM em causa integram um gene que permite à planta sintetizar uma proteína que inibe o desenvolvimento de uma larva destrutiva chamada broca.

    A utilização dessas sementes transgénicas evita aos agricultores dois a três tratamentos por época para eliminar a larva, o que para a generalidade dos que adoptaram esta cultura foi sentido como um factor de satisfação, segundo o relatório. A maioria dos cultivaram sementes OGM manifestaram a intenção de repetir a escolha este ano.

    “A broca não existe em todo o País, está sobretudo no Alentejo, Beira Litoral e Ribatejo Oeste, justamente as regiões em que se localiza o grosso destes cultivos com as variedades transgénicas”, explicou ao DN Flávia Alfarroba, sub-directora-geral de Protecção de Culturas e coordenadora do documento.

    Outros dados mostram que 40 agricultores adoptaram sementes transgénicas e que no ano passado, pela primeira vez, se cultivou este tipo de milho nas regiões de Entre Douro e Minho e Beira Interior.

    O catálogo de OGM cujo cultivo é permitido na UE contém 36 variedades de milho transgénico, todas derivadas do mesmo “tronco”, que confere resistência à broca.

    A avaliação dos técnicos da Direcção-Geral de Protecção das Culturas mostrou que as regras impostas a estas culturas “são apropriadas”, já que a maioria das análises às culturas tradicionais localizadas junto aos campos OGM revelaram contaminação inexistente. Nos casos em que ela foi detectada, era inferior a 0,5%, abaixo de 0,9%, a partir do qual a sua discriminação é obrigatória na rotulagem do produto.

  9. Golani

    DN – 24.08.07

    MODIFICAÇÕES GENÉTICAS

    António Vitorino
    jurista

    A destruição violenta de um hectare de plantação de milho transgénico, no Algarve, suscita duas questões importantes.

    Em primeiro lugar é claro que se trata de um acto criminoso e como tal os seus autores devem ser devidamente punidos. As explicações pueris sobre as razões de saúde pública ou mesmo a curiosa invocação de que a destruição perpetrada por activista de cara semitapada se ficaria a dever à protecção do pólen ou a “razões estéticas” não podem afastar a aplicação efectiva da lei, tanto a título punitivo como preventivo de eventuais futuras réplicas. É imprescindível, pois, que os órgãos do Estado não subestimem o significado deste acto e apliquem agora rigorosamente a lei.

    Este acto de vandalismo inscreve-se num padrão de acção violenta de grupos antiglobalização que é fomentado por alguns “comandos” bem organizados (entre os quais se distingue o denominado Black Blok), especializados em fomentarem actuações violentas como se viu no Conselho Europeu de Gotemburgo, em 2001, e no final do mesmo ano na Cimeira do G8 em Génova. Os atentados terroristas do 11 de Setembro de 2001 vieram isolar estes activistas que optaram pela discrição, mas que agora paulatinamente vão reaparecendo aqui e além.

    Convém por isso perceber bem o que esteve na base desta iniciativa, quem a fomentou e que ligações internacionais estiveram presentes.

    Para além da questão do foro criminal importa não escamotear a segunda dimensão deste acto de vandalismo. Segundo os seus promotores tratar-se-ia de introduzir no debate público a questão dos OGM, dos organismos geneticamente modificados.

    Invocar tal pretexto é também totalmente despropositado e inadmissível!

    Na realidade a autorização para produções agrícolas geneticamente modificadas há vários anos que está na ordem do dia. Para responder às complexas questões que se colocam, a comunidade internacional adoptou um conjunto de critérios que se traduziram na designação genérica de “princípio da precaução” e que está na base quer de moratórias de autorização de produção (como foi o caso durante algum tempo do próprio milho transgénico) quer de interdições.

    Participei longamente nas discussões sobre o caso do milho transgénico na Comissão Europeia ao longo de quase dois anos. De par com a autorização para investigação em determinadas condições sobre células estaminais e com a interdição da importação de carne americana tratada com hormonas terá sido o dossier do milho transgénico o que mais tempo nos ocupou e que foi objecto de mais pareceres científicos e técnicos baseados no princípio do contraditório.

    A conclusão a que se chegou foi a de que estavam no caso devidamente observados os critérios em que se traduz o “princípio da precaução”, em função da evidência científica produzida e devidamente certificada por entidades independentes. Daí a autorização que foi endossada pelos Estados membros segundo os procedimentos apropriados.

    É verdade que esta decisão foi do agrado de muitas multinacionais. Mas é bem mais longa a lista de desagrado dessas mesmas multinacionais sobre outros produtos geneticamente modificados que não foram autorizados com base na aplicação do mesmo “princípio da precaução”. E não me parece sequer que o senhor Lameiras seja o rosto avançado dessas temíveis multinacionais…

    É neste ponto que se coloca a questão da democracia! Com efeito o funcionamento de um sistema democrático, tanto no plano nacional como no plano europeu, significa não apenas o respeito por um conjunto de valores fundamentais (entre os quais figuram tanto a protecção da saúde pública e do equilíbrio ambiental como o da protecção da propriedade privada e da iniciativa individual) mas também o respeito pelos procedimentos democráticos da tomada de decisões.

    Ora, no caso do milho transgénico, o processo de decisão compatibilizou aqueles valores e observou escrupulosamente as regras procedimentais exigidas. Pode-se naturalmente discordar das conclusões, mas não se pode contestar a sua legitimidade democrática e muito menos subvertê-la pelo recurso à acção directa e violenta. E isto tem de ser compreendido e acatado mesmo pelos democratas geneticamente modificados…

  10. Sr. Golani
    Mais uma vez recomendo-lhe a leitura duns manuais de Biologia e de Engenharia Zootécnica e que tal uma passagem pela Biblioteca do Instituto Botânico, Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra?
    Não fale de cátedra sem conhecer a matéria, ouça a opinião de Biólogos e de Botânicos, que pode ser diferente das dos juristas.
    Reproduzo tudo aquilo que disse em cima.

  11. Sr. Golani
    Houve uma época em que o Marco Paulo era o artista mais popular em Portugal e o que vendia mais discos.
    Está visto que há quem goste de seguir o pastor para dentro do poço.
    Quanto à questão do Presidente da República, não está lá com o meu voto, houve muita gente que se absteve e não o legitimou como tal. Será bom respeitar a opinião dos outros que pode não ser coincidente com a sua douta opinião!
    Não faço parte dos «yes men» que puxam do cartão rosa ou laranja, conforme lhe convenham e estão presentes ora nos jantares do Marques Mendes ora nos do Sócrates, assim asseguram um tacho, com certeza.
    Em 32 anos de democracia alternaram o poder em Portugal, o PS e o PSD, com o CDS a espaços, verdade?
    Há quem se pode pedir contas da real situação do País?
    Quanto aos tipos como vocês, o senhor não me conhece de lado nenhum para me misturar com activistas arruaceiros da Verde Eufémia ou outros que tais.
    Não tire conclusões precipitadas sem conhecer as pessoas, por que estas também podem ter formação em Direito.
    E com este «fait diver» perdeu-se a oportunidade de fazer na Assembleia da República um verdadeiro debate sobre transgénicos, conforme foi referido pelos deputados do PCP.
    Acaso não lhe dê jeito vir a Coimbra fale com alguns especialistas da Escola Superior Agrária de Santarém, sobre os OGM, talvez lhe possam dar umas luzes sobre o assunto.

  12. Golani

    Sr. Golani
    Mais uma vez recomendo-lhe a leitura duns manuais de Biologia e de Engenharia Zootécnica e que tal uma passagem pela Biblioteca do Instituto Botânico, Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra?

    e continua você como o seu discurso arrogante e paternalista, sem acrescentar nada de novo

    Não fale de cátedra sem conhecer a matéria, ouça a opinião de Biólogos e de Botânicos, que pode ser diferente das dos juristas.

    o “jurista” foi Comissário da União Europeia e esteve directamente envolvido na criação de legislação e normas europeias sobre este assunto e passou bastante tempo a ouvir a opinião de Biólogos e de Botânicos:

    “Na realidade a autorização para produções agrícolas geneticamente modificadas há vários anos que está na ordem do dia. Para responder às complexas questões que se colocam, a comunidade internacional adoptou um conjunto de critérios que se traduziram na designação genérica de “princípio da precaução” e que está na base quer de moratórias de autorização de produção (como foi o caso durante algum tempo do próprio milho transgénico) quer de interdições.

    Participei longamente nas discussões sobre o caso do milho transgénico na Comissão Europeia ao longo de quase dois anos…..terá sido o dossier do milho transgénico o que mais tempo nos ocupou e que foi objecto de mais pareceres científicos e técnicos baseados no princípio do contraditório.

    A conclusão a que se chegou foi a de que estavam no caso devidamente observados os critérios em que se traduz o “princípio da precaução”, em função da evidência científica produzida e devidamente certificada por entidades independentes. Daí a autorização que foi endossada pelos Estados membros segundo os procedimentos apropriados.”

    Sr. Golani
    Houve uma época em que o Marco Paulo era o artista mais popular em Portugal e o que vendia mais discos.
    Está visto que há quem goste de seguir o pastor para dentro do poço.

    e novamente o discurso paternalista e arrogante sem nada a acrescentar como se este discurso per si lhe desse maior autoridade e legitimidade sobre o assunto

    Será bom respeitar a opinião dos outros que pode não ser coincidente com a sua douta opinião!

    e eu respeito a sua opinião

    que não respeita as opiniões dos outros são tipos como você que invadem e destroem a propriedade privada de um agricultor que tinha uma cultura de acordo com as normas e a lei em vigor

    Não faço parte dos «yes men» que puxam do cartão rosa ou laranja, conforme lhe convenham e estão presentes ora nos jantares do Marques Mendes ora nos do Sócrates, assim asseguram um tacho, com certeza

    eu tb não … e isto acrescenta exactamente o quê à conversa ?

    Em 32 anos de democracia alternaram o poder em Portugal, o PS e o PSD, com o CDS a espaços, verdade?
    Há quem se pode pedir contas da real situação do País?

    pode encontrar as respostas nos meus comentários a posts anteriores

    reparo que não menciona o PCP, será que se o PCP fosse governo a real situação do pais seria melhor ou pior ? e pq o PCP não consegue mais de 10% de votos sempre q vai a eleições gerais ?

    E com este «fait diver» perdeu-se a oportunidade de fazer na Assembleia da República um verdadeiro debate sobre transgénicos, conforme foi referido pelos deputados do PCP.

    é sempre anedótico receber eleições de ecologia de comunistas

    basta recordar Chernobyl e o mar de Aral

    Acaso não lhe dê jeito vir a Coimbra fale com alguns especialistas da Escola Superior Agrária de Santarém, sobre os OGM, talvez lhe possam dar umas luzes sobre o assunto.

    permita-me então que lhe recomende uma passagem pelo Laboratório de Engenharia Genética de Plantas da Universidade Nova de Lisboa onde poderá falar com Biólogos e de Botânicos que fazem investigação em biotecnologia para aplicação em culturas …. talvez lhe possam dar umas luzes sobre o assunto

  13. Sr. Golani
    Não se ponha a adivinhar se as pessoas são comunistas ou não…
    Porque podem não ser…
    Podem estar desencantadas com os políticos e os partidos.
    E duvidar do sistema partidário e das pessoas e os interesses que gravitam em volta deles.
    Interessantes os casos Somague, Portucale e Alcochete. Só assim se percebe como alguns partidos angariam fundos. Pena a Judiciária não levar às vezes as investigações até ao fim, doa a quem doer.
    Ou será que nega a História da Somague?
    Respeito a sua opinião quanto aos transgénicos.
    Eu tenho a minha.
    E a cada um a sua dama, o senhor fica com a sua e eu com a minha.

  14. Sem dúvida que este é um tema que suscita algumas paixões…
    Mas vejamos, à laia de resumo:
    Argumentos da Favor dos Transgénicos:
    1. Redução do consumo de pesticidas: Logo
    Menos poluição
    Menos custos de produção
    Maior rendimento para os agricultores
    Menos riscos para a saúde humana (não há pesticidas nos alimentos ingeridos)
    2. Aumento da produção de alimentos
    Menor custo do produto final
    Maior rendimento para o agricultor
    Menos condições para haver Fome no mundo
    3. Consomem menos água, num mundo onde se sabe que a sua escassez será cada vez um problema mais grave

    Argumentos contra o uso de transgénicos:
    1. Sendo espécies mais fortes que as espécies “naturais” podem invadir o seu espaço, extingui-las e reduzir drásticamente a biodiversidade
    2. É impossível antecipar completamente as consequências de uma alteração de um gene. Podem advir consequências imprevisíveis a longo prazo, danosas para a espécie e para quem a ingere
    3. Existem estudos (alemães) que apontam para contaminação genética em ratos que comeram cereais OGM. O mesmo se passará assim com o Homem, quando ingere soja, trigo ou outro OGM. Qual é a consequência desta contaminação a médio e longo prazo?
    4. Crê-se que 95% dos geneticistas estão de alguma forma ligados à indústria (ou fazem parte dos seus quadros, ou as suas pesquisas são financiadas pela Indústria). Isso pode anular a imparcialidade de muitos estudos que poderiam ser negativos para as consequências dos OGM
    5. Embora existem centenas de milhar de variações de cereais, há apenas algumas dezenas que são usadas em OGM. Se estes prevaleceram, a biodiversidade será reduzida a prazo
    6. As multinacionais agroalimentares estão a registar patentes e a controlar a produção de sementes, aumentando a dependência dos agricultores com sementes estéreis (para evitar contaminação, mas tb para criar fidelização)

    Em suma:
    1. Continuar a fazer estudos, mas assegurando sempre e religiosamente a sua independência
    2. Admitir o uso de OGM, mas apenas em formas que não possam contaminar a alimentação humana, nem directa nem indirectamente (rações para animais)
    3. Respeitar as distâncias de segurança das culturas e vigiar muito cuidadosamente a sua aplicação
    4. Assegurar que as regras que asseguram o direito ao conhecimento dos consumidores pela origem dos seus produtos não é violado

    Por isso, defendo esta posição: “OGM? Sim, mas…”

  15. Golani

    Não se ponha a adivinhar se as pessoas são comunistas ou não…
    Porque podem não ser…

    eu não adivinhei nada…pelo contrário, até lhe coloquei umas questões….que não respondeu

    E duvidar do sistema partidário e das pessoas e os interesses que gravitam em volta deles.
    Interessantes os casos Somague, Portucale e Alcochete. Só assim se percebe como alguns partidos angariam fundos. Pena a Judiciária não levar às vezes as investigações até ao fim, doa a quem doer.
    Ou será que nega a História da Somague?

    a minha opinião sobre este assunto, escrita neste blog há meses atrás:

    Portugal é um estado corporativista em que os políticos usam o erário público para enriquecerem, para ganharem eleições e manterem-se no poder, operam em conluio com os interesses corporativistas de vários outros sectores da sociedade:

    sindicatos (função pública, professores, juízes…)
    ordens profissionais (dos médios, dos advogados…)
    empresas que financiam os partidos (banca, construção civil, imobiliário)

    pq q acha q querem fazer a OTA e o TGV ?

    eu defendo um Estado pequeno e forte e não gordo e fraco

    um árbitro, e não um jogador, na economia

    Respeito a sua opinião quanto aos transgénicos.
    Eu tenho a minha.
    E a cada um a sua dama, o senhor fica com a sua e eu com a minha.

    este é busílis da questão!
    não existe consenso cientifico

    os tipos que destruiram o campo do milho, nem pensam assim, não respeitam a opinião dos outros, acham-se detentores da verdade absoluta e não hesitaram recorrer à violência para impor a sua opinião

  16. Golani

    Os limites do activismo

    RUI RAMOS
    [Público 12.09.07]

    Qualquer causa precisa deles: os activistas são os que nunca têm mais que fazer, os que nunca duvidam, os que nunca admitem que a questão pode ter outro lado, os que estão prontos para tudo. Vivem num mundo simples, a preto e branco, imunes a todas as nuances. Mantêm-se, em todos os sentidos da palavra, inocentes: tão puros como inconscientes. Existem para a acção. Mas há um momento, em todas as grandes causas, em que o activismo se torna redundante ou contraproducente. Talvez no caso dos “eco-guerreiros” – os activistas mais desesperados da causa ambientalista – esse momento já tenha chegado ou esteja a aproximar-se. É o que sugerem dois episódios de “acção directa” no mês passado: o holocausto do milho em Silves, em Portugal, e o acampamento de protesto em Heathrow, em Inglaterra. A reprovação e distanciamento de fontes inesperadas num caso, ou a hesitação dos próprios manifestantes noutro, desenharam as fronteiras do activismo.

    O maior problema dos activistas, como notou o Guardian, é que estão a tentar arrombar uma porta aberta. O ambientalismo prevalece hoje nos círculos governamentais e bem pensantes do Ocidente. Os governos assumem metas contra a poluição. Al Gore é oficialmente acolhido como um profeta à direita e à esquerda. Qualquer chuva a mais ou a menos enche a imprensa popular de histórias de apocalipse ambiental. A causa “verde” anda hoje amparada por poderosos interesses comerciais – como a indústria das energias alternativas – e pelos lóbis proteccionistas ocidentais, prontos para usar o ambientalismo contra a concorrência dos países em desenvolvimento. Em Inglaterra, o Partido Conservador fez-se “verde”. Espera-se até que George Bush, na conferência de Washington a 27 de Setembro, apareça com uma cor aproximada.

    A causa “verde” ganhou o debate público. Isto quer dizer que pode, crescentemente, contar com a lei e a força da lei. Ora, para uma causa nesta situação, não convém dar cobertura à “acção directa”, isto é, declarar a lei irrelevante. A activistas como os de Silves nunca ocorre que a “desobediência civil” é uma avenida com dois sentidos. E se os fumadores ou os lavradores de transgénicos adoptam a mesma atitude? Quem está a ganhar não tem interesse em mudar as regras do jogo. Daí a distância ou mesmo a reprovação com que a acção de Silves foi recebida pelo clero oficial da causa “verde”. Neste momento, os activistas precisam mais da causa do que a causa precisa deles.

    Os activistas poderão argumentar que os legalistas do movimento se renderam ao “sistema”, ou que é preciso abandonar pragmatismos e cautelas e ir mais longe. Mas não é fácil ir mais longe. Para isso, a causa precisará de pensar para além das antigas rábulas. O activismo ambientalista explorou com sucesso a desconfiança contra os governos e o ressentimento contra a plutocracia. Só que em Silves, os activistas defrontaram, não uma grande companhia multinacional, mas um agricultor com família; e em Heathrow, não o jet set, mas os professores e as cabeleireiras à espera de voos baratos para as praias do sul da Europa. A retórica “proletária” voltou-se contra os militantes verdes: ei-los caricaturados como meninos ricos, saudosos da época em que só os seus avós voavam. Puxada pelos activistas, a causa começa a enfrentar agora, não a indiferença ou o egoísmo de uma oligarquia, mas um tipo de vida partilhado pela maioria, e a que todos aspiram. Aquilo que propõe já pode ser visto do lado da privação: não é mais (árvores, ar puro), mas menos ou mais caro (alimentos, roupa, viagens). Em Heathrow, os activistas desistiram do seu plano de perturbar, por um dia, o funcionamento do aeroporto. Faltou-lhes coragem para enfrentar as massas. E também, provavelmente, bons argumentos.

    A causa precisa agora de mais do que espíritos simples, vivendo de dois ou três slogans e do gosto da acção pela acção. Numa sociedade que, em nome da ciência e das inclinações individuais, renunciou a quase todos os limites tradicionais, como justificar novos limites à experimentação e às aspirações de cada um? Será possível converter as massas ao neo-paganismo verde, inspirado pela Gaia de James Lovelock? Em Heathrow, os activistas declararam-se apenas “armados com a ciência”. Mas a ciência é, para qualquer causa política (como o ambientalismo, no fundo, é), uma má companheira de estrada. A ciência moderna, vivendo de controvérsia, é pouco hospitaleira para ortodoxias duradouras. Durante o Verão, a imprensa inglesa divertiu-se a resumir demonstrações científicas de que a maior parte dos rituais e gestos ambientalistas das classes médias (reciclar ou comprar produtos orgânicos produzidos localmente) tinham benefícios tão duvidosos como tomar água benta.

    Perante tudo isto, o folclore de acampamentos e destruições que o ambientalismo tem justificado é, do ponto de vista da causa “verde”, simultaneamente demais e de menos. O reino dos céus pode ser dos pobres de espírito. Este mundo, porém, nem sempre é deles. Foi o que se viu em Silves e em Heathrow.

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