Daily Archives: 2007/08/27

Da redução do déficit público para 3,3% do PIB ou menos ainda em 2007…

“Os cerca de 950 milhões de euros que o Governo planeia cortar no déficit público para cumprir o objectivo anunciado de 3,3% do PIB para déficit de 2007, já foram, de acordo com as contas das Finanças, praticamente garantidos na primeira metade do ano.”
(…)
“Na Segurança Social, o saldo foi positivo, até Junho, em 1056,8 milhões de euros, uma melhoria de 151,3 milhões face a igual período de 2006. Na Administração Local e Regional, passou-se de um excedente de 158 milhões de euros, na primeira metade do ano passado, para um excedente de 318 milhões. Nos serviços e Fundos Autónomos, excluindo o Serviço Nacional de Saúde, o saldo positivo cifrou-se em 439,6 milhões. E, mesmo no SNS, as Finanças afirmam que se regista um excedente próximo dos 100 milhões de euros.”
(…)
“evolução da receita fiscal, que regista um crescimento de 8,3% um valor muito superio ao do PIB nominal, o que indica que a carga fiscal sobre as empresas e as famílias continua a subir.”

Ou seja, a “proeza” de reduzir e conter o déficit deveu-se em primeiro lugar a um aumento brutal, sistemático e generalizado da carga fiscal sobre os portugueses. Não estamos sob este Governo sob uma administração ou uma gestão financeira mais eficiente, mas apenas perante um Estado fiscalmente mais eficiente e mais voraz no que concerne à sua capacidade e apetite para captar os nossos Impostos. Esta redução do déficit não é portanto “virtuosa”, seria, se fosse alcançada através de uma melhor gestão da Despesa, de uma maior responsabilização ou gestão dos Investimentos, mas sim através do mais simples, puro e duro aumento de impostos. Para além deste aumento de impostos, de que o IVA é o melhor exemplo porque flagrantemente mais elevado ao cobrado noutros países da Europa (ver AQUI ), como a nossa vizinha Espanha onde o IVA é de 16%. Por fim, esta redução do déficit assenta também muito sobre a recuperação de dívidas antigas, especialmente na Segurança Social, e estas, uma vez recuperadas, não podem ser repetidas nos próximos anos… Por isso, esta redução não pode continuar nos próximos anos ao mesmo ritmo e é conjuntural. Assim se explica o saldo positivo da Segurança Social. As reduções do SNS e na Administração Local, resultam de uma política determinada de contenção do endividamento (que é correcta) e de uma contenção na Despesa através do encerramento sistemático de serviços, SAPs, Urgências, Maternidades, etc sacrificando a Vida dos portugueses em nome da contenção do déficit. Existindo aqui uma contenção na Despesa, mas não é “virtuosa”, porque resulta do encerramento e da redução de Serviços, não da melhor administração e gestão dos mesmos…

Fonte: Público, de 20 de Agosto de 2007

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A nova moda “confidencial” de… Submarinos de Luxo


(O “Phoenix 1000” da “US Submarines”)

A multiplicação de multimilionários no mundo tem provocado a expansão das formas de turismo mais “radical” ou “gastadora”, na interpretação de alguns… Embora o foco maior caia sobre os comprados de bilhetes em foguetões russos Soyuz para a Estação Espacial Internacional (ISS) por 27,5 milhões de euros cada, existem pelo menos duas empresas no mundo que se dedicam a uma forma diametralmente oposta de turismo de luxo… Em vez de subirem, as suas naves para os megaricos deste planeta… Descem para os abismos oceânicos.

Trata-se da empresa norte-americana US Submarines, que constrói em Portland os seus modelos de submarinos de luxo, dos quais já comercializou mais de 100 e com 26 em fila de espera e a empresa Exomos, sediada nos Emiratos Árabes Unidos que desde 1995 fabrica 14 modelos distintos dos seus submarinos de luxo. Os modelos da US Submarines vão desde o diminuto Stingray ao maior Proteus, com os seus 19,8 metros de comprimento, capaz de descer até aos 300 metros de profundidade podendo custar até 58 milhões de euros… Quem procura gastar modelos, pode bater à porta da Exomos, já que o seu modelo mais caro custa “apenas” 10,8 milhões de euros… Paul Allen, o criador do Excel, e tornado famoso recentemente pela sua recente viagem à ISS é um dos proprietários dos submarinos da US Submarines, mas a maioria assina clausulas de confidencialidade que tornam anónima a posse destes caros brinquedos… Francamente, acho que é tudo uma questão de medida e de escala… Uma coisa é gastar uns 20 mil euros para uma viagem de 5 ou 6 minutos em estado de ausência de gravidade, outra é gastar 27,5 milhões de euros numa viagem numa Soyuz ou 10,8 milhões a comprar o submarino mais caro da Exomus…  Acreditamos que é imoral e indecente gastar estas quantias em luxos pessoais… Especialmente num mundo onde embora exista um melhoramento geral das condições de vida, as desigualdades não cessam de se aprofundar. Os próprios proprietários destes engenhos sentem aliás este “mal de consciência” ou não seriam tão ciosos da propriedade destes engenhos…


(O “Nautilus”, uma réplica funcional da Exomus)

Uma pergunta: Quantas doses de purificadores de água para uso em África seria possível comprar com estas quantias? E que não me falem do emprego ou do desenvolvimento económico ou tecnológico promovido pelas empresas que fabricam estes aparelhos… Uma e a outra não empregam mais do que 300 empregados e o grosso dos rendimentos da comercialização destes submarinos de luxo vai mais mesmo para os proprietários destas empresas, não para as economias locais (são modelos para exportação, na sua maioria), nem para os criadores e trabalhadores destes equipamentos.

[artigo corrigido]

Fonte:

El Pais; 15 de Julho de 2007

Categories: Ciência e Tecnologia, Defesa Nacional | 9 comentários

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