O iPhone da Apple: Um pequeno e sumário balancete…

O iPhone da Apple é – depois de passado um mês depois do seu lançamento – o telemóvel inteligente (ou smartphone) mais vendido nos primeiros dias de sempre… A 2 de Julho, mais de 550 mil já tinham saído das prateleiras das lojas Apple e da AT&T. Não cabe a este espaço, apresentar uma análise detalhada a este interessante gadget tecnológico, havendo para tal muitos sites especializados, mas gostaria de deixar aqui um breve resumo das suas principais características e alguns comentários sumários sobre as mesmas:

  1. Alguns americanos esperaram entre 5 a 10 horas em filas de espera aguardando pela sua vez de comprarem um iPhone por 500 ou 600 dólares (consoante fosse o modelo de 4 Gb ora o de 8 Gb)… O preço é alto, mesmo para os elevados padrões dos EUA, mas isso não dissuadiu dezenas de milhares de pessoas a esperam horas em pé em filas… nem a servirem de actores gratuitos para um espéctaculo mediático que o departamento de marketing da Apple arquitectou de forma magistral, ao anunciar o lançamento do iPhone para as 18:00 de uma sexta-feira… Dando margem para que se formassem durante o dia filas de espera para a abertura das vendas ao final do dia e que houvesse o tempo suficiente para que as televisões recolhessem imagens dessas filas e as pudessem apresentar ainda nos telejornais da noite… Ironicamente, o iPhone nunca chegou a esgotar em nenhuma loja, e na segunda-feira seguinte ainda havia stock suficiente um pouco por todos os EUA…
  1. Antes da hora oficial de lançamento, a Apple libertou apenas 4 iPhones a jornais genéricos de distribuição nacional… e a nenhuma revista, jornal ou site tecnológico… Dizem alguns que para bloquear notícias críticas a alguma característica ou desempenho do aparelho nestes primeiros dias decisivos para o sucesso do equipamento… Já que os 4 jornalistas que os tinham não tinham o mesmo nível de preparação técnica que tinham outros cuja vida profissional consiste basicamente na análises de aparelhos idênticos… Dizem outros, que para aumentar o élan do lançamento já que sendo 4 jornais nacionais, a cobertura e divulgação da notícia seria muito mais ampla do que a conseguida com milhares de artigos na imprensa especializada…
  1. Embora praticamente toda a gente no mundo desenvolvido tenha hoje em dia um telemóvel, quase ninguém gosta daquele que usa… O iPhone traça novas regras no que concerne ao que é um telemóvel, marcando novos critérios de facilidade de utilização, interface ao utilizador, e introduzindo um novo enfoque para o ser humano, em lugar das características e performances brutas, outrora o ponto fonte da competição entre fabricantes de telemóveis… Sendo da Apple, e sendo esta um fabricante de Software que entra tardiamente num mercado já muito amadurecido, só lhe restava focar numa nova abordagem… A nova interface humanizada do aparelho.
  1. Existem vários e consistentes relatos sobre a baixa velocidade da navegação na Internet com o iPhone… Em Portugal, o seu lançamento em Setembro pela mão da Vodafone poderá não ser acompanhado pelos mesmos problemas, já que estes se devem à selecção pela Apple da AT&T pela extensão nacional a todos os EUA da sua rede de 2ª geração (a Edge), embora outras operadoras, como a Verizon tivessem redes locais de maior velocidade, nenhuma tinha a mesma extensão de cobertura que a AT&T podia oferecer, e daí a escolha.
  1. O site Ifixit.com desmantelou um destes primeiros iPhone, removeu peça por peça e descobriu que todos os componentes electrónicos do iPhone são muito comuns… Nada de revolucionário, nada de construído especificamente para o aparelho, nem de especialmente caro… Aliás, consta mesmo que a Apple conseguiu alguns excelentes negócios nos preços para os componentes do iPhone, nomeadamente com a Samsung, a propósito das memórias que estão incluídas no aparelho.
  1. Os head phones do iPhone seguem uma regra que infelizmente não é nova com conectores da Apple… São incompatíveis com tudo o que existia – à altura do seu lançamento – no mercado… Apresentam 3 fios, em vez dos costumeiros dois… E os jacks são bastante mais longos que o habitual. Boas notícias para os fabricantes de acessórios…
  1. Como tinha aliás já declarado, o iPhone não vai permitir a instalação e uso de aplicações criadas por terceiros. A alegação de segurança e o argumento de criar uma plataforma estável e robusta, é razoável, mas a grande limitação criada terá que ser inevitavelmente vencida mais cedo ou mais tarde… E de facto, correm rumores de que se a Apple não abriu ainda a “Caixa de Pandora” é apenas porque se o SDK para o iPhone está pronto para MacOSX, para Windows apresenta ainda uma série de bugs, que a Apple quer resolver antes de permitir a abertura da plataforma para os dois SDKs.
  1. Não existe File Manager… Para quem quer tirar fotografias (tem uma câmara de 2 megapixels) ou colocar imagens ou músicas MP3 no aparelho terá que usar o iTunes, um dos programas menos amigáveis e menos confusos jamais fabricados… Muito diferente nestes dois aspectos do próprio interface do iPhone, aliás… E enviar as fotografias por MMS também não é opção… Já que o iPhone está limitado aos SMS e não contempla estranhamente esta capacidade.
  1. O teclado é pequeno… Trata-se de um teclado virtual que aparece no excelente e generoso visor de vidro (não plástico, como é comum nos aparelhos deste género), mas que tem as teclas demasiado pequenas para os dedos comuns… E embora suportem dicionários como o T7, o T9, etc, não aprende! Isto é, não adquire novas palavras como os nomes dos nossos amigos ou novas palavras, o que o torna algo irritante, admitamos… Um pequeno erro que a Apple pode facilmente corrigir num firmaware, felizmente… Existe um indício de que este firmwarei pode estar iminente, já que o teclado do browser é muito mais amplo e logo, o código parece já estar escrito… Faltando apenas activá-lo para as demais aplicações.
  1. O som daquele que é vendido como um telemóvel que pode também funcionar como leitor de MP3, como os iPods que tanto sucesso deram à empresa de Cupertino nos últimos anos, é… Mono! Esta estranha incongruência não foi ainda explicada consistentemente, já que segundo quem já desmontou o aparelho o hardware para o Stereo está presente no aparelho, mas apenas está desactivado… Uma limitação que pode também ser resolvida através de uma actualização ao firmware.
  1. O preço do iPhone é alto… Os 500 ou 600 dólares do preço de lançamento nos EUA são altos, mesmo para as bolsas americanas, e este preço não se deve ao custo especialmente alto dos componentes do aparelho, já que, como vimos, estes são comuns, com excepção do visor… Mas servem, sim, para alimentar uma margem de lucro elevada, característica nos produtos da Apple e que neste se estima rondar entre os 200 a 300 dólares, o que concederá confortável e rara no mercado, margem de lucro entre os 20% e os 25%.
  1. A qualidade do audio do iPhone é – segundo todos os reportes –excelente e adequada para um leitor de MP3, embora o som seja ainda mono…
  1. A caixa do telefone da Apple é… escorregadia e passível de ser a causa de muitas quedas para o chão de graves consequências, tendo em conta o facto do seu extenso visor ser de vidro… Provavelmente haverá aqui mais alguma margem para fabricantes de acessórios, que poderão fabricar facilmente capas de protecção para o aparelho anti-queda.
  1. A câmara do iPhone é de 2 megapixels, uma resolução média – no melhor dos casos, já que começam a ser comuns os telemóveis com câmaras de 5 mega – mas ainda assim capaz de capturar boas fotografias… Infelizmente, e algo incompreensívelmente, não capta filmes, como a quase totalidade da concorrência.
  1. A bateria do telemóvel da Apple devia ser capaz de alimentar o aparelho durante 8 horas conversação… Na altura da declaração, que se sucedeu a rumores que a davam capaz de durar apenas duas horas, o pregão pareceu exagerado a muitos analistas, e agora esses receios confirmam-se já que o iPhone consegue manter apenas 4 horas de conversação, metade do apregoado pelo marketing da Apple…

Em resumo, o iPhone parece ser um excelente telefone… Talvez demasiado grande, talvez demasiado caro e escorregadio e algo limitado nas suas características técnicas e nas suas performances, mas o software, a elegância do gestor de fotografias e o magnífico design, assim como todo o enfoque para o utilizador parecem fazer do iPhone o smartphone mais revolucionário de sempre… E o que é mais admirável é que é-o, sem… Introduzir nenhuma novidade tecnológica, mas alterando o paradigma destes aparelhos para o foco para o utilizador, como o iPod alterou o mercado ou como, antes, o iMac alterou o paradigma dos computadores pessoais.

 

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Categories: Ciência e Tecnologia, Defesa Nacional, Informática | 6 comentários

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6 thoughts on “O iPhone da Apple: Um pequeno e sumário balancete…

  1. Pedro Tavares

    Eu não comprava!!!! 😉

  2. Sei de ingleses que o compraram! (para WiFi, presumo… e pq são meio tarados não-presumo nada)… Talvez a Gen2 ou 3… Agora estes… São belos e revolucionários, mas não me apelam ainda o bastante para lá enterrar 600 euros lá em Setembro ou isso…

  3. Se bem te conheço, deves estar doido para pôr as mão num.

  4. Hehehe… Pois… Mais ou menos… Especialmente com o meu qtek finado… Mas francamente acho um esparramar de dinheiro… Especialmente pq não iria usar o GPRS (não tem UMTS!!!), já que não tenho guita para pagar os escândalos que se cobram em Portugal pelo tráfego de dados…

  5. Pessoalmente acho um interessante gadget a nível de design e interface, mas como telemóvel acho-o fraco, ao preço que é merecia um receptor gps, o facto de não gravar filmes acho rídiculo, além do mais é limitado ao conteúdo que podes por(avis, wmv…etc). Apple é uma marca da moda e vale-se disso.
    Rui, o facto de os telemóveis terem 2 ou 5 megapixeis pouco importa, o importante é a qualidade do sensor que processa a luz e transforma em imagem, a meu ver ainda não conheço nenhum que igual uma verdadeira máquina. Prefiro uma boa máquina de 2 megapixeis para fotos que um teelemóvel de 5.

  6. A Apple vive muito da imagem… Alguém dizia no outro dia que não compreendia bem porque é que a Apple era tão apreciada nos círculos mais liberais (no sentido americano do termo) já que fazia outsourcing massivo para a China, os seus executivos simplesmente não falavam com a imprensa, os seus sistemas eram do mais fechado que havia e que tinham uma margem de lucro nos seus produtos muito superior à média do mercado…

    Máquinas de 2 Megapixels?… Sim é verdade! Fiquei espantando com a qualidade da câmara de 2 do eu Qtek s200 (entretanto finado) que se pode ver aqui:
    http://www.facebook.com/profile.php?id=658654049

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