A “Commission for Racial Equality” britânica apela à retirada de “Tintin no Congo”

A “Commission for Racial Equality” britânica apelou à rede de lojas de consumo Borders que removessem o livro de banda desenhada “Tintin no Congo” das suas prateleiras uma vez que segundo a comissão o livro de Hergé “faz os povos negros aparecerem como macacos e falarem como imbecis.” Em resposta, a Borders deslocou os livros dos seus expositores principais e de crianças para a secção de adultos, afirmando que “preferia deixar aos clientes a capacidade de escolha”.

Aos olhos contemporâneos, a obra de Hergé (desenhada na década de 30, em pleno colonialismo belga no Congo) é efectivamente racista, retratando os africanos como debéis mentais e incapazes de qualquer forma de auto-governo distinta da dos seus “patronos” europeus… Os episódios de caça desregrada e excessiva são também comuns nesta obra de época, assim como um eurocentrismo cultural e religioso radicais… É sem dúvida uma obra que não pode ser lida fora de contexto e que exige um certo nível de crítica e conhecimento para ser amplamente apreciada e compreendida. Por isso, concordamos com as criticas quanto à sua presença nas secções infantis, especialmente porque o livro é comercializado sem secções explicatórias ou contextualizantes, nem para públicos adultos, e muito menos para públicos infantis ou juvenis, como devia… O próprio Hergé no final da sua vida afirmava frequentemente que não se orgulhava do seu teor racista, nem do anticomunismo primário presente noutra sua obra “Tintin entre os sovietes” e preferia “fazer desaparecer” esses dois dos seus primeiros albuns de banda desenhada. Por isso, a decisão da Borders está mais do que acertada, pena sendo apenas que a tenha tomado apenas depois das críticas públicas… Pena é também que ainda não exista esse prefácio escrito ou ilustrado que contextualize essa obra do autor belga… Mas isso compete às editoras e aos órgãos de monitorização de fenómenos de racismo europeus…

Fonte: Daily Express, 12 de Julho de 2007

Categories: Política Internacional, Sociedade, Wikipedia | 13 comentários

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13 thoughts on “A “Commission for Racial Equality” britânica apela à retirada de “Tintin no Congo”

  1. Lembro-me de em miúdo ficar muito incomodado com a leitura de Tintin no Congo. Na altura transmitia-me uma sensação abstracta pois afinal de contas eram desenhos e não fotografias que retratavam mortes de animais e um tratamento imperial pela parte de tintin sobre os nativos.

    Nunca mais fui capaz de simpatizar com o tintin sempre que lia uma nova aventura. O capitão Hadock talvez tenha surgido como purgo ou bode expiatório dum tintin cruel e racista. Preferia o bêbedo que praguejava com todos persistindo em fazer asneiras, de coração mole e humano e o doido do Girassol.

    Acaso não tivessem surgido tais personagens, provavelmente o sucesso de tintin teria sido mediático.

  2. Quando li o livro pela primeira vez era ainda muito miudo e não dei logo pelo tom… mas dei por ele mais tarde, por exemplo, naquela cena da matança das gazelas… E na outra da viragem do comboio (ambos contextos diferentes)… É uma obra de época, eu sei… Mas de facto… Por alguma razão Hergé não se orgulhava particularmente dessas obras iniciais… E que diferença nas obras mais recentes…

  3. O Hergé era nazi- tinha simpatias – e era misógino. E a obra dele pré 2ª guerra mundial é diferente de depois -os tempos mudaram. Aquilo tem que ser visto no contexto da época e não do de agora.
    Quanto À decisão inglesa é lamentável. Multi culturalismo do politicamente correcto do pior, que é o normal nos anos Blair.

  4. E acho que estes seus 2 primeiros albuns foram publicados e escritos para o petit vingteme, que na altura era de um grupo ultracatólico, simpatizante dos nazis… E se ele queria lá publicar… tinha que se “formatar” à corrente dominante…
    Misógamo… Claro! Repara como trata a única personagem feminina (a Bianca Castafiore) e a ambivalência de relação homo entre Hadock e o eterno adolescente tintin…
    Sabes que ainda não decidi se estou de acordo ou não com a decisão da comissão inglesa… repugna-me a censura e a retirada do livro para a rectaguarda… e preferia a inclusão (por iniciativa do editor) de um prefácio contextualizante para adultos e crianças…

  5. Clavis: é isso é. ele trata , ou melhor retrata a Bianca castafiore como uma diva insuportável – mas aquilo é sob o ponto de vista de atacar mulheres ,digamos assim.
    E entre o haddock e o tintin é isso mesmo, tipo tio e sobrinho…

    E concordo: preferia a inclusão de um prefácio. Retirar para a retaguarda não; é um mau principio…

  6. Aliás a relação haddock-tintin lembra muito aquelas relações que eram normais na grécia antiga entre “tutor” e adolescente tutelado… pois…

  7. Anónimo

    Primeiro o cigarro de Lucky Luke foi substituido por uma palha, agora isto…
    Sabem o que eu vos digo meus caros?
    O POLITICAMENTE CORRECTO EUROPEU JÁ METE NOJO E É POR ISSO QUE A EUROPA É UMA CIVILIZAÇÃO FALIDA E DEGRADANTE COMO A ROMA ANTIGA!!!!

  8. falida… sim, a Europa germânica do Norte… Não a do Sul, que se limitou a adormecer depois da aventura dos Descobrimentos ibéricos…

  9. “””falida… sim, a Europa germânica do Norte… Não a do Sul, que se limitou a adormecer depois da aventura dos Descobrimentos ibéricos…”””

    Por acaso até concordo com isto: a Europa do sul deixa-se levar por uma certa mediocridade da Europa do norte…

  10. O “conhecimento proibido” é um dos males que mais vicejam, quando ocorre. Coloquemos Tintin na estante dos fundos e bem no alto. Mas cuidado, senão daqui a pouco não leremos mais Lovecraft, nem Shakespeare, nem nada.

  11. pedro: Sem dúvida… Sendo a UE uma tentativa de formatação forçada do mediterrâneo aos mesmos modelos e matrizes mentais dos germânicos do norte… e como forçada que é, é superfícial e temporária, já que se fundamenta em “leis” e “regras” e nnão em “sentimentos” ou culturas, as únicas que poderiam forjar um verdadeiro espírito ou alma europeia.
    paulo: é isso mesmo… se começamos… onde devemos parar? Mais vale nem começar, dado os riscos envolvidos… e quem tem autoridade para julgar nestas questões? Mas contino a dizer que um prefácio contextualizante neste album era mais do que essencial… era um sinal de respeito à obra e à memória de Hergé!

  12. Clavis:o problema contudo mantém-se. Temos idiotas em Portugal que não aprendem e continuam a não querer discutir criticamente a ideia de Europa. Quando eu afirmei em mediocridade era no sentido de standardização, não de mediocridade técnica. ou organizacional que aí eles dão 20 a zero ao intervalo…

  13. eu sei… aos germânicos sobra-lhes em disciplina (prussiana) o que lhes falta em improvisação e criatividade, quando comparados com os mediterrânicos.

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