Daily Archives: 2007/07/22

Do Papel do Exército Paquistanês na Ofensiva Talibã no Afeganistão

Pouco antes da ofensiva talibã que agora decorre no Afeganistão, no começo de 2006, havia na região de fronteira com o Paquistão mais de 40 mil combatentes islamitas prontos a entrar no território. Eram sobretudo paquistanesas das grandes cidades do sul, mas também havia largos milhares de chechenos, uzbeques e muitos originários das decadentes monarquias do Golfo. Os líderes talibãs esperam usar estas forças, ligadas de uma forma ou de outra, à Al Qaeda contra o governo de Cabul, mas estes pareciam mais empenhados no derrube do governo paquistanês e na constituição de uma república islâmica independente no Waziristão. Então, os líderes talibãs procuram convencer estes combatentes a marcharem para o Afeganistão, tendo o seu líder, o Mullah Omar enviado alguns dos seus melhores lugares-tenente para convencer as forças da Al Qaeda a focaram no Afeganistão as suas forças, o que não conseguiram de forma satisfatória… Datam desta época as primeiras ofensivas governamentais do exército paquistanês neste território, e apenas depois da proclamação desta intenção independentista… E a partir deste momento, o exército paquistanês começa a enviar armas e munições para os talibãs, armando-se e municiando efectivamente a sua ofensiva contra as forças da NATO (que incluem hoje portugueses) no Afeganistão… O Paquistão queria anular a influência local da Al Qaeda, que minava a própria existência do seu governo e a sua integridade territorial e ainda que conhecesse bem o risco dessas armas serem usadas contra os seus “aliados” da NATO, preferiu corrê-los a permitir a implosão do seu controlo nesta região fronteiriça…

Fonte:

Le Monde Diplomatique; Julho de 2007; edição francesa.

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Da nova cisão violenta entre a Al Qaeda e os Talibãs e Resistência Iraquiana

Decorre neste momento, no Médio Oriente, no Iraque, no Afeganistão e na fronteira entre o Paquistão e o Afeganistão um conflito inesperado e inédito: um conflito armado entre a Al Qaeda e os militantes talibans dessas regiões… Em Março de 2007, no sul do Waziristão, na fronteira paquistanesa-afegã os talibãs locais massacraram um grupo de combatentes da Al Qaeda do “Movimento Islâmico do Uzbequistão” e, simultaneamente, a rivalidade entre os grupos estrangeiros da Al Qaeda no Iraque e os resistentes locais alcançaram o nível mais violento desde 2004, com várias mortes de ambos os lados… Os próprios EUA parecem ter-se já apercebido desta dissenção entre as forças que se lhes opõem tendo o seu comandante máximo, o general Petraeus emitido algumas declarações precoces e excessivamente optimistas quanto a estes problemas no seio da Resistência à ocupação americana.

A rivalidade entre a Al Qaeda e Talibans data de 2003, data em que começaram a chegar ao Iraque os primeiros combatentes estrangeiros, egípcios, sírios, libaneses, paquistaneses e marroquinos assumindo a liderança de um movimento de resistência que os locais ainda não tinham conseguido erguer e aproveitando a fraqueza do Estado iraquiano e das suas fronteiras criada pela estúpida decisão de Bremer em abolir de uma só assentada todas as forças de segurança e militarizadas do Iraque, acusadas de “baasistas”… Estes combatentes estrangeiros da Al Qaeda, adoptantes das teses radicais do “Takfiriquismo” que advoga que os estados muçulmanos moderados e que todos os muçulmanos não praticantes são infiéis e que devem ser combatidos com tanto fervor como os ocupantes estrangeiros e os “cruzados” foram desde logo acolhidos com muitas reservas pela Resistência Iraquiana e o seu novo enfoque contra shiitas (seita islâmica especialmente desprezada por estes sunitas radicais) levou ao colapso das relações destas duas correntes da resistência ao ocupador no Iraque.

Os talibãs do Afeganistão e do Paquistão estão particularmente descontentes com a tentativa da Al Qaeda de derrubar o poder no Paquistão e instaurar aqui uma “república islâmica” conforme aos seus interesses, já que esperam instituir aqui uma forma de governo mais moderada e menos oposta à monarquias do Golfo que continuam a ser a sua principal fonte de financiamento (especialmente, os Emiratos). Este isolamento da Al Qaeda pode ser o primeiro passo para o fim dos níveis inéditos de violência e de desprezo pela vida humana que se assistem hoje no Iraque com a multiplicação de ataques suicidas contra civis e contra mulheres e crianças… Aliás, actualmente a marca das operações da Al Qaeda já não são as operações contra as forças americanas, cujas baixas competem actualmente na sua quase totalidade às forças locais de resistência, mas às operações contra os shiitas e “colaboradores” (policiais e militares) do novo governo iraquiano…

Fonte:

Syed Saleem Shazad; Le Monde Diplomatique; Julho de 2007; edição francesa.

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